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17 de junho de 2017

Casa dos Monfalim ou dos Bezerra (1) - Viana do Castelo




Foto retiradas de www.monumentos.gov.pt

Descrição Heráldica:
O brasão da torre é esquartelado com:
- as armas dos Cunhas no I quartel, de ouro, com nove cunhas de azul, postas 3, 3, e 3; 
- dos Maciéis no II, partido, o primeiro de prata, com duas flores-de-lis de azul, uma sobre a outra, e o segundo também de prata, com meia águia de vermelho, estendida, movente da partição; 
- dos Regos no III, de verde, com banda ondada e aguada de sua cor, carregada de três vieiras de ouro, com diferença;
- e as dos Barbosas no IV quartel, de prata, com banda de azul carregada de três crescentes de ouro e ladeada de dois leões afrontados e trepantes de púrpura, armados e lampassados de vermelho. 
É encimado por elmo com paquife e quebra.

A Casa:
Arquitectura residencial, setecentista / oitocentista e do século 20. Casa senhorial torreada de planta rectangular a que se acrescentou no século 20 uma ala perpendicular, formando L invertido. Fachadas com cunhais apilastrados, percorridas por embasamento, terminadas em friso e cornija, as da torre rematadas com ameias decorativas com chanfro, e rasgadas regularmente, por vãos rectilínios, com molduras encimadas por friso e cornija, os do piso térreo gradeados. Na fachada principal os portais surgem nos extremos e na ala perpendicular surge um único ao centro, encimado por almofada de cantaria e janela de sacada. Fachada posterior com vãos irregulares, na sua maioria mais modernos.

Foto retiradas de olharvianadocastelo.blogspot.com

Foto retirada do google maps

Foto retiradas de www.monumentos.gov.pt



Evolução cronológica da Casa:

1531 - divisão de uns chão pertencentes à família Faguntes, o Arcipreste Rui Anes, pela abertura de uma nova rua, a de Santa Ana;
séc. 16 - construção da casa por membro de família nobre de Viana, a de António Jácome do Lago; posteriormente, pelo segundo casamento da 5ª morgada D. Francisca de Barros Bezerra com Diogo da Cunha Rego, o palacete entrou para a Casa de Paredes; pelo casamento de D. Teresa Bezerra com Francisco Jácome do Lago, uniram-se duas das mais importantes famílias de Viana, a dos Morgados de Paredes e dos Morgados da Piedade; por vários casamentos, a casa veio a pertencer à 3ª marquesa e 4ª condessa de Terena, que casou com o seu tio materno D. Filipe de Sousa Holtein, 1º marquês de Monfalim; posteriormente a casa foi vendida;
1759 - data da planta da vila de Viana, do Engenheiro José Martins, indo o palácio é representado no alinhamento do Palácio dos Távoras e dos Alpuins, como se fosse uma fachada única e tendo em cada um dos extremos uma torre, podendo-se assim pensar que a torre do palácio Monfalim data do séc. 17 / 18;
1868 / 1869, entre - data da Carta Cadastral da Cidade de Viana, onde o imóvel é representado com planta rectangular e tendo na fachada posterior quinta;
1879 - adaptação a Hotel Central, pelo designado "Caroça";
1892 - tomada de posse do hotel por António José Cerqueira, que depois é mantido pela sua viúva;
séc. 19 - enquanto foi Secretário-Geral do Governo Civil, viveu no hotel, Guerra Junqueiro, dizendo-se que foi nas suas águas-furtadas que escreveu o livro "Os Simples";
séc. 19 / 20 - provável construção da ala perpendicular do L;
1940 - encerramento do Hotel Central;
1966, posterior - transferência da Biblioteca Municipal no 2º piso do palácio, após obras de adaptação do espaço, com projecto do Arquitecto José Jorge Cavaco Carapeto;
1977 - data do projecto de adaptação do edifício do Hotel Central a Repartições Públicas da Câmara de Viana do Castelo, elaborado pelo Arquitecto Alberto da Silva Bessa.


Viana do Castelo - Origens
"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19ª, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.
À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo


Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Gaveto da Rua Cândido dos Reis com Rua Nova de Santana;
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira;
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo Vasco da Gama;
4 - Casa dos Melo e Alvim (séc. XVI) - Av. Conde da Carreira;
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros;
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira;
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa;
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro;
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira;
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira;
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria;
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro;
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira;
14 - Casa Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo S. Domingos;
15 - Casa dos Malheiro Reymão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho;
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira;
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira;
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato;
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho;

retirado de:
- https://pt.wikipedia.org
- olharvianadocastelo.blogspot.com
- http://www.cm-viana-castelo.pt/
- http://www.monumentos.gov.pt

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