NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

14 de outubro de 2017

Casa dos Pita (18) - Viana do Castelo


foto retirada do blogue: olharvianadocastelo.blogspot.com

Descrição:

Brasão de Arma constituído em granito e o seu formato é de Português ou boleado, com escudo esquartelado de I - Caldas (invertido); II - Barbosa (mal representado); III - Pinto; IV - Veloso (?) ou Malafaia (?) ou Pitas (?)
Com elmo voltado à sinistra e sobre o mesmo, o Timbre de Barbosa.


foto retirada do blogue: olharvianadocastelo.blogspot.com

Casa dos Pitas

Esta casa urbana, construída junto ao Terreiro, obedece a uma tipologia comum no século XVII, desenvolvendo-se em planta rectangular de 2 pisos, provavelmente construída entre os anos de 1649 e 1652 e apresenta um estilo revivalista manuelino e barroco.
No centro da fachada, entre as suas janelas, aparece um brasão de formato Português ou boleado. 

Esta casa,  descrita na obra de "Casas de Viana Antiga", refere:
" A curiosa "Casa dos Pita" da rua do cais (hoje Prior de Crato) pertenceu a Gaspar Caldas Lobo, nos principios da guerra de Carlos III, de Espanha.
Era filho de Manuel Caldas Barbosa e de Dona Maria da Cunha, sua prima e filha de Braz Leite Pita, senhor do morgado dos Pita, de caminha, e de Luísa da Cunha Fagundes.
(...) Casou Gaspar Caldas com Dona Francisca Josefa Pita, dos Pita de Caminha, como sua sogra.
Dos vários filhos que tiveram nenhum atingiu a idade adulta. Depois da morte do recolheu-se a sua viúva no Convento de Sant'Ana onde finou em 1732, ficando sepultada no Capítulo do Convento.
A irmã de Gaspar Caldas, Dona Leonor, casada com Manuel Barbosa de Araújo, da Casa da Picinha e do Couto de Capareiros, também não houve geração, de forma que a Casa do Cais - com pedra de armas dos Barbosa, Pintos, caldas e Velosos (?), Malafaias (?) ou Pitas (?) - passou às mãos dos Pitas de Caminha, e pela designação de "Casa dos Pitas" é agora vulgarmente conhecida. (...)"


Viana do Castelo - Origens

"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19º, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.

À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Passeio das Mordomas da Romaria
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo de Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim /séc. XVI) -Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira, 174/180
14 - Casa de Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo de S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Rei(Y)mão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato, nº 56
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho

fontes retiradas de:
- http://torredorelogio.com
- http://www.igogo.pt
- http://olharvianadocastelo.blogspot.pt
- Obra "Casas de Viana Antiga", de Maria Augusta d'Alpuím e de Maria Emília de Vasconcelos

9 de outubro de 2017

Casa do Pátio da Morte (17) - Viana do Castelo

foto retirada do blogue: olharvianadocastelo.blogspot.com


Descrição:

Brasão de Armas da Casa do Pátio da Morte, pertencente à família Rocha Vilarinho, em Viana do Castelo.
Constituído em granito e o seu formato é de Português ou boleado, com escudo esquartelado de I - Rocha; II - Peixoto; III - Cyrne; IV - Ribeiro.
Com elmo voltado à sinistra e sobre o mesmo, o Timbre de Rocha.

Esta casa encontra-se situada numa das ruas do centro da cidade com construções brasonadas sendo provavelmente das mais representativas e preponderantes dos séculos XVII, XVIII e XIX.
Apresenta com uma característica de edificado muito semelhante à casa em frente, também brasonada, a Casa dos Aranha Barbosa.

foto retirada do blogue: ppmbraga.blogspot.pt


Esta casa apresenta duas "acontecimentos" que merecem ser referidas, sendo uma delas conhecida por uma lenda sobre uma história de "amor" e também, conhecida por ter recolhido uma estátua de um guerreiro, milenar, e que merece ser descrita.
No primeiro caso apresento um texto recolhido de um site onde relata a famosa lenda e posteriomente um pouco da sua história sobra a peça milenar.

A Lenda

"Era uma vez uma jovem de nome D. Brites, da família Quesado, ilustre pelos seus pergaminhos fidalgos.
Morava na vila de Viana, numa bonita casa alpendrada, que abria o pesado portão do vasto pátio para a rua da Bandeira, estreita e penumbrosa, com as lajes gastas, do rodar das carruagens e das ferraduras dos cavalos.
D. Brites era, além de jovem, muito formosa e muito rica. Vários fidalgos, como ela, e, como ela, jovens, belos e ricos, lhe cavalgavam sob o alpendre ornado de rosas, tentando atrair-lhe as atenções, candidatando-se, assim, ao seu amor.
Mas D. Brites amava já, e apenas, um moço cavaleiro, D. Lopo da Rocha, de bom porte e bons sentimentos, sempre pronto a desembainhar a espada pela honra e pela justiça.
Todavia, os pais preferiam, a D. Lopo, um parente, D. João Alvim, espadachim afamado e temido, soberbo do seu nome e dos seus haveres.
Também ele amava D. Brites, de uma paixão violenta e enciumada.
Mas D. Brites recusava-lhe os protestos amorosos, pois o seu coração pertencia já a D. Lopo.
Era costume, no dia do aniversário da filha única, os pais de D. Brites organizarem uma festa esplendorosa, nos salões da sua casa da rua da Bandeira. Nesse ano, excederam-se, em divertimentos, danças, concertos e no aparato de um  banquete copioso e requintado.
Eram muitos os convidados. Entre eles D. Lopo e D. João.
Mas os pais de D. Brites procuraram evitar, durante todo o serão, que a filha se encontrasse com o bem-amado, facilitando os galanteios do rival, colocando-o a seu lado na mesa, proporcionando-lhe a primazia das danças.
Em vão D. Brites, em vão D. Lopo, procuraram juntar-se, trocarem, ao menos, umas breves palavras de carinho. 
Noite alta, finda a festa, D. Brites, iludindo a vigilância paterna, achou meios de acompanhar D. Lopo ao alpendre, para mais uma promessa de amor eterno.
A Lua havia-se ocultado atrás de umas nuvens pesadas. Eram espessas as sombras. Na cúmplice escuridão, os dois enamorados estreitaram as mãos ardentes.
Então, D. Brites jurou a D. Lopo que jamais aceitaria outro esposo; que jamais o seu coração pulsaria por outro homem, em sua vida.
Beijou-lhe as mãos D. Lopo, e desceu, confiante, as escadas de pedra que o levavam ao pátio, com o peito a arfar-lhe de suprema ventura.
Em baixo, porém, foi surpreendido por um brado de raiva.
 D. João Alvim estava na sua frente, de espada em riste, disposto a separar, pelo sangue da morte, o par apaixonado.
E, sem permitir que D. Lopo tivesse tempo de empunhar, em sua defesa, a espada que lhe pendia do cinto, rasgou o peito do rival com uma estocada certeira.
Mas D. Lopo não morrera ainda e, num derradeiro esforço, conseguiu erguer-se, tomar, na mão, a firmeza da sua espada e varar D. João com uma estocada, igualmente certeira. Depois, tombou, desamparado, sobre as pedras do pátio, num último estertor.
Acudira D. Brites ao alpendre, ao ruído das armas. A Lua libertara-se do véu das nuvens e o luar desvendava, aos seus olhos aterrados, os corpos dos dois jovens que lhes disputavam o amor!
D. Brites rolou, desmaiada, pelas escadas do alpendre florido. E foi tombar, inerte, sobre o corpo ensanguentado de D. Lopo, a quem, momentos antes, havia prometido amor eterno.
A partir dessa noite, D. Brites vestiu de luto rigoroso, permanecendo solteira até ao fim dos seus dias.
A partir dessa noite, aquele pátio da rua vianesa da Bandeira passou a ser conhecido, pelas gentes do burgo, lamentando tal crueldade no amor, tal crime nefando que apartava dois corações puros e inocentes, como o Pátio da Morte."


A Estátua do Guerreiro

"Existe em Viana do Castelo, no pátio duma casa da rua da Bandeira, denominado “o Pátio da Morte”, uma estátua de pedra, que tem dado que entender aos arqueólogos. A gravura dela pode ver-se nas Noticias archeologicas de Portugal, por E. Hübner, ou no livro do Sr. Figueiredo da Guerra, intitulado Viana do Castello.
O eminente epigrafista alemão, que examinou por si mesmo a estátua, assentou que a inscrição, que se vê gravada no saio, remonta, segundo se infere da forma dos seus caracteres, ao 1.º século da nossa era. Escapou-lhe porém que no escudo da estátua aparecem esculpidas as armas dos Rochas, e que a cabeça da figura está coberta por um capacete “de dupla viseira e gola” — o que nos distancia muito do 1.º século. Pondo em relevo estas duas particularidades, o sr. F. Guerra abraçou a opinião de que a estátua era relativamente moderna. Mas, para vingar esta afirmativa, força era destruir a autenticidade da inscrição, e isso é que ninguém conseguirá fazer. Em todo o caso, a estátua de Viana tornou-se uma espécie de Esfinge, e alguns curiosos houve que pretenderam decifrar-lhe os enigmas. O Sr. José Caldas, depois dum minucioso exame, chegou às seguintes conclusões: 1.º que as dúvidas quanto à autenticidade da inscrição não tinham fundamento; 2.º que a cabeça da estátua (cabeça postiça) nunca tinha nascido para o tronco, onde hoje estava presa por um espigão de ferro; 3.º que o brasão dos Rochas fora desasadamente gravado no escudo, deturpando-lhe a sua forma primitiva muito visivelmente.
Daqui nascia a veemente suspeita de que a estátua calaica fora transformada, importa pouco com que intenção, num representante da Casa dos Rochas. Pouco depois destas averiguações, e sem ter conhecimento delas, C. Castelo Branco colhia duns livros antigos e das notas marginais que os acompanhavam algumas notícias, que vieram lançar sobre a questão toda a luz que poderia desejar-se. Segundo estas notícias, o antigo solar dos Rochas fora em S. Paio de Meixedo, na quinta da Portela, perto da qual havia umas ruínas antiquíssimas. A estas ruínas pertencia sem dúvida a estátua, que, diga-se de passagem, e idêntica às duas de Montalegre, hoje na Ajuda, à de 5.to Ovídio (Fafe) e a outras mais, todas encontradas nas proximidades de estações arqueológicas. O abade Afonso da Rocha mandou abrir na estátua as armas da casa, sendo provável que também fosse ele quem fizesse ajustar na descabeçada figura a cabeça anacrónica que ela hoje possui.
Quando, muito depois do ano de 1622, os Rochas mudaram a sua residência para Viana, a estátua veio também, o que prova a veneração em que era tida, e não deixa a menor duvida de que ela era considerada como o representante dum dos mais ilustre antepassados da família. Como se estas curiosidades foram poucas e pequenas, aqui temos outra a estátua tinha uma lenda." 
"É tradição — diz o Sr. F. Guerra — que um antigo senhor daquela casa, Rocha, fora mortalmente ferido no ventre, quando entrava no pátio; mas, animoso, com o escudo segura as vísceras, e com a dextra prostra aos pés o inimigo, e que nesse lugar jaziam ambos.” Se a tradição não indicasse precisamente o pátio da rua da Bandeira como teatro da tragédia, poderia suspeitar-se-lhe algum fundamento histórico, remontando ao passado; mas como ela não tem escrúpulo de nos dar o seu herói passeando em Viana, no século 17, de elmo medieval e armado de rodela e sica, como os lusitanos do tempo de Estrabão, é evidente que a lenda não passa duma pura fábula, que se explica facilmente, notando que a estátua de Viana, do mesmo modo que todas as suas parentas, “segura as vísceras com o escudo”, para nos servirmos da frase da tradição, i. e., tem o escudo numa posição que justifica esta frase."


Estátua de Guerreiro encontra-se presentemente na "Casa dos Nichos", situada na Rua de Viana, é uma das mais antigas casas do centro histórico de Viana. É um edifício do século XV recuperado para instalar um núcleo dedicado à arqueologia de Viana do Castelo.
A Estátua do Guerreiro Galaico, uma das joias da exposição permanente da Casa dos Nichos (Núcleo Museológico de Arqueologia de Viana do Castelo) foi cedida temporariamente ao Museo de Galicia onde, em conjunto com peças cedidas por noventa instituições da Galiza e Norte de Portugal, figurará na exposição “Gallaecia Petrea”.
Esta mostra, a mais importante do género até agora realizada, pretende agrupar o mais representativo espólio, em pedra, da vasta região que um dia pertenceu à província romana da Gallaecia, província que ocupou todo o território da Galiza e o Norte de Portugal. 
A inclusão do Guerreiro Galaico de Viana do Castelo nesta exposição prende-se com a sua importância artística e com o facto de ser o mais epigrafado de todos os exemplares até agora conhecidos. 
A exposição “Gallaecia Petrea” decorreu no Museu da Cidade da Cultura da Galiza, em Santiago de Compostela, (dia 15 de junho) e esteve patente ao público até ao final do ano de 2012. 
Entretanto, uma réplica do guerreiro em tamanho natural, ocupará o espaço do original.



Viana do Castelo - Origens

"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19º, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.



À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Passeio das Mordomas da Romaria
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo de Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim /séc. XVI) -Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira, 174/180
14 - Casa de Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo de S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Rei(Y)mão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato, nº 56
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho

fontes retiradas de:
- http://www.lendarium.org
- http://www.csarmento.uminho.pt
- http://olharvianadocastelo.blogspot.pt

29 de setembro de 2017

Casa dos Cunhas (16) - Viana do Castelo


Não! Não é esta a verdadeira pedra dos Cunhas Souto Maior. É a Pedra de Armas da cidade de Viana do Castelo.
retirado do blogue: olharvianadocastelo.blogspot.com


Pedra de Armas dos Cunhas - Livro do Armeiro-Mor

Pedra de Armas dos Souto Maior - Livro do Armeiro-Mor


Descrição da Pedra de Armas
Em granito, de formato Oval, do séc. XVIII. emoldurada com elementos decorativos e encimada por uma concha e sobre a mesma a coroa real.
No interior da peça oval deveriam estar, provavelmente as armas dos Cunhas, nove cunhas de azul com os gumes para cima sob fundo de Oiro e dos Souto Maior, de fundo de Prata, com três faixas enxequetadas de vermelho e oiro de três tiras.


vista da entrada com a pedra de armas sobre a varanda

vista antiga da fachada pela rua da Bandeira - foto retirada do CPF (clube português de fotografia)

vista da fachada pela rua da Bandeira - retirado do blogue: olharvianadocastelo.blogspot.com

História
O Governo Civil de Viana do Castelo esteve instalado inicialmente no Convento de São Domingos. Daí foi transferido, nos princípios do séc. XIX, para o chamado "Palácio dos Cunhas", onde até hoje funcionou.
Também conhecido por "Palácio de Belinho" o edifício do Governo Civil de Viana do Castelo, à rua da Bandeira, é um magnifico exemplar da arquitectura civil do séc. XVIII, na qual se destacam a fachada principal, voltada a sul, e um amplo logradouro marginado pela rua de Aveiro e pela Avenida Afonso III. A pedra de armas, que encimava o portão e a varanda central, situada onde hoje existem as armas da cidade, ostentava os símbolos heráldicos da família Cunha Sotto Maior.


limites da propriedade - imagem do google maps

Mandou construir Sebastião da Cunha Sotto Maior, Brigadeiro de Cavalaria, filho do Mestre de Campo João da Cunha Sotto Maior e de Dona Apolinária Pereira de Brito. Presume-se que tenha sido o autor do projecto o prestigiado arquitecto Manuel Pinto Villa-lobos. O mais ilustre de uma geração de três irmãos que deixaram o nome ligado a notáveis realizações da época, não só da cidade de Viana do Castelo, como também em outras terras do Alto Minho.
Por não ter descendentes directos, Sebastião da Cunha Sotto Maior, deixou o edificio em herança a seu sobrinho neto, Pedro da Cunha Sotto Maior Rebelo que viria a ser vitimado num sangrento incidente, fruto do período conturbado das invasões francesas. Como é sabido, as ordenanças de Darque, julgando-o jacobino, assassinaram-no a 20 de Maio de 1809, num lugar da freguesia de Vila Fria, sito dentro da área do concelho de Viana do Castelo. 
Passou, então, a Casa à posse de Gonçalo da Cunha Sotto Maior e, posteriormente, por morte deste, à sua única filha e herdeira, D. Inácia Clara Máxima da Cunha Sotto Maior, casada com Bernardino de Abreu Gouveia, membro do Conselho Régio.
Em 16 de Junho de 1916, o imóvel passou a integrar, pela escritura pública nº 1 da extinta Junta Geral do Distrito de Viana do Castelo, Património do Estado. Deste modo se encerrou o ciclo do património privado na história desta residência senhorial, que percorrera durante século e meio de seis gerações da família dos Cunha Sotto Maior. É curioso de referir que, ainda na posse da referida família, o edifício fora colocado ao serviço público. De facto, ao abrigo da Portaria do Ministério do Reino, em 18 de Outubro de 1854, a família arrendou ao Estado uma parte do imóvel, para nele ser instalado o Liceu, que entrou em funcionamento no dia 8 de Janeiro do ano seguinte. Em 1911, o Liceu deixou o "Palácio dos Cunhas", mudando-se para a "Casa dos Quesados", situado também na rua da Bandeira, do outro lado da linha férrea.
Já na posse do Estado, o edifício viria a ser objecto de obras de remodelação profundas, para acolher o Governo Civil do Distrito e outros serviços públicos, designadamente a Junta Distrital e a Policia. Somente nos anos 70 do século XX, com a transferência daquelas entidades para novos locais, o edifício foi afectado em exclusivo ao Governo Civil.


Viana do Castelo - Origens
"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19º, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.


À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Passeio das Mordomas da Romaria
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo de Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim /séc. XVI) -Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira, 174/180
14 - Casa de Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo de S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Rei(Y)mão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho

fontes retiradas de:
- http://digitarq.advct.arquivos.pt
- http://www.patrimoniocultural.gov.pt
- http://olharvianadocastelo.blogspot.pt
- www.gov-civil-viana.pt


4 de setembro de 2017

Casa de Malheiro Reimão (15) - Viana do Castelo


pedra de armas - foto retirado de olharvianadocastelo.blogspot.com

Descrição da Pedra de Armas:
Brasão de campo partido, tendo no I - as armas de Malheiro e no II - as de Reimão, esquartelado, do séc. XVIII, encimado por coronel de nobreza, assente em cartela decorativa.
As armas de Malheiro são: de vermelho, com uma ponte de três arcos, assente sobre um rio de sua cor em ponta, rematada por duas torres de prata, firmadas nos flancos do escudo, e de uma palmeira de sua cor entre elas;
o timbre é a palmeira do escudo.
As armas de Reimão são esquarteladas, tendo o primeiro e o quarto de azul, com uma flor-de-lis de prata, o segundo e o terceiro de prata, com uma árvore verde;
no timbre um Reimão de prata com um ramo de árvore na boca.

História Breve:
Casa Malheiro Reimão ou Casa da capela das Malheiras, são as denominações pela qual é conhecida esta edificação oitocentista, com o seu maior relevo para a capela que está anexada à casa e situada no gaveto, virada para a Praça.
É considerada como a mais significativa construção barroca da cidade, de arquitectura civil portuguesa do séc. XVIII. Foi construída no 3º quartel do séc. XVIII e representa a obra mais original do Rocaille, em Portugal, devido à interpretação vigorosa, desenvolvida no norte do País.
Apresenta características da época, de fachadas longas e rectangulares, a fachada apresenta dois pisos em que o interior é constituído por seis janelas de verga, intercaladas por três portas também em verga recta, e cujos frontões ultrapassam o friso, passando a linha divisória dos andares. O piso superior é formado por nove janelas de verga recta, em que a janela central está a dividir a casa, estando esta encimada pelo brasão de família e, na mesma linha central, o portal principal.

vista da fachada - foto retirada do CPF (clube português de fotografia)

O seu proprietário foi Gaspar Malheiro Rei(y)mão (mestre de campo de infantaria, e o primogénito de 14 filhos do casal Ventura Malheiro Reimão e de Dona Páscoa Pereira Ferraz), que adquiriu para a construção da Casa, desde 1753 a 1757, sete moradias de casas junto às que possuía no eirado da "Praça das Couves", entre as ruas do Espírito Santo e a das Padeiras.
As obras iniciaram-se em 1758 após a licença da Câmara para demolir o paredão da Praça das Couves e da Erva.
A Capela foi mandada construir por Dom António Malheiro, do Desterro (quando Bispo do Rio de Janeiro) e exigiu que a capela fosse dedicada ao protector da infância e dos pobres, São Francisco de Paula, cuja divisa era "Charitas", gravada na cartela da frontaria da capela.

vista da Capela e casa - foto retirada do CPF (clube português de fotografia)

vista da Capela - foto retirada www.cascais.pt

vista da Capela e casa - foto retirado de www.mopnumentos.gov.pt

A capela, de maior relevo deste conjunto, está anexada à casa por um dos lados, fazendo esta a esquina entre duas ruas. A capela, delimitada por pilastras de capitéis decorados, apresenta uma fachada em frontão contracurvada, flanqueada por fogaréus. O portal rasga o centro desta, imensamente decorado e encimado por um janelão com moldura de concheados e ainda uma cartela igualmente decorada.
A casa foi ampliada em 1823 com um mirante e terraço, já em estilo neo-clássico.
O palacete continua a pertencer à família original e encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público, está classificado como IIP, pelo decreto-Lei n.º 5/2002, DR - I Série-B n.º 42, de 19/02/2002.

Descrição:
Planta rectangular irregular, composta por dois corpos residenciais rectangulares, paralelos entre si, apela, no topo Sul, longitudinal disposta perpendicularmente, com sacristia de permeio, e corpo com terraço a Norte, tendo adossado a esta e à fachada lateral esquerda corpo rectangular com terraço sobreelevado. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas na casa e de duas na capela. Fachadas rebocadas e pintadas de branco. fachada principal virada a Oeste, com a ala residencial percorrida por embasamento de cantaria, com pilastras toscanas nos cunhais, coroados por pináculos escalonados, adelgaçados sobre plintos paralelepipédicos, de dois pisos separados por friso e terminada em duplo friso, o superior ritmado por argolas de ferro em florões, e cornija, sobreposta por beirado simples; é rasgada por 9 eixos de vãos sobrepostos, o central e os extremos compostos por portais e janelas e os intermédios apenas por janelas de peitoril; os portais, o central de planta convexa, possuem verga abatida ligeiramente recortada, com moldura côncava igualmente recortada, inserido em pano de cantaria, sobreposto por espaldar moldurado terminado em cornija contracurvada; a janela central ao nivel do segundo piso, de planta convexa possui verga recta de ângulos cortados, moldura recortada, encimada por friso e falso frontão triangular sem retorno, coroado por vasos com elementos recortados e brasão de família envolto em ampla cartela de concheados com coronel; pano do peitoril em cantaria com almofadas sobrepostas.

foto retirado de www.mopnumentos.gov.pt

As janelas do piso térreo possuem verga recta e moldura côncava superiormente recortada, encimada por espaldar côncavo e cornija angular, e ainda pano de peitoril de cantaria; as do segundo piso têm planta convexa e moldura igual à central, mas são encimadas por espaldar semicircular, côncavo e cornija curva.
Fachada da sacristia, mais baixa, definida por pilastras de capitéis de inspiração coríntia, mas com decoração estilizada de conchas invertidas, percorrida por embasamento e terminada em cornija, friso e cornija, sobreposta por beirado. Tem igualmente dois pisos, abrindo-se no, primeiro, janela de verga abatida e dupla moldura formando pequenos brincos rectos, encimada por cornija com o mesmo perfil muito avançada; no segundo, rasga-se janela de sacada, de verga abatida e moldura recortada, encimada por cornija angular sobreposta à cornija da fachada, tendo guarda em ferro forjado com motivos vegetalistas estilizados, assentando em larga mísula com jogo de formas côncavas e convexas.
Capela com contrapilatras nos cunhais, de fuste almofadado, com topos formando recorte côncavo e convexo, e de capitéis de inspiração corítia, mas com decoração estiizada de conchas invertidas, coroadas por fogaréus decorados, assentes em dupla ordem de plintos galbados, igualmente decorados com cartela e concheados. termina em empena recortada delimitada por cornija comramificações fitomórficas e termina em cornija contracurvada, bastante avançada, coroada por alta cruz latina, de braços terminados em flor-de-lis, sobre acrotério. Portal de planta côncava, composto por vão de verga recortada, moldurado, encimado por tabela ornada interior e exteriormente de concheados e terminada em cornija também encimada por concheados, enquadrado por quarteirões, sobrepujados por concheados, com capitéis convexos, suportando cornija contracurvada, sobrepujada, no alinhamento dos quarteirões e ao centro, com volumosos concheados recortados. Porta de duas folhas e bandeira, com almofadas recortadas. Encima o portal amplo janelão, de linhas recortadas e moldura côncava com decoração exterior de concheados e elementos fitomórficos exuberantes, formando orelha, terminada em cornija contracurvada encimada por concehado; o janelão é sobrepujado por cartela em conha, inscrita com Charitas, envolvida por elementos volutados, concheados e vegetalistas. fachada lateral direita da capela percorrida por embasamento de cantaria e terminada em duplo friso e cornija sobreposto por beirado simples; é rasgada por duas janelas recortadas, com moldura acompanhando o seu perfil e com fragmentos de cornija acentuando o recorte. No seu alinhamento, dispõe-se a fachada posterior do corpo residencial, de cunhais apilastrados e terminada apenas em beirado simples, sendo rasgadas por portal de verga recta simples, ladeada por janelas iguais. Segue-se corpo em alvenaria de pedra aparente, com porta larga, de verga recta e portão de madeira, de acesso ao logradouro.
Interior: Vestíbulo rectangular disposto no extremo esquerdo da casa e acedido directamente a partir do exterior. A interligação entre os pisos é feita através de grande escada de tiro, de dois lanços. No andar nobre, o salão principal surge ao centro da casa. A ala residencial mais antiga possui quatro pisos, mais baixos.
Capela: com paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em lajes de cantaria e tecto em falsa abóbada de berço, sobre cornija pintada a marmoreados fingidos; lateralmente abrem-se portas e duas janelas, com capialço em marmoreados fingidos; e encimadas por sanefas em talha igualmente a marmoreados fingidos. Ladeando o portal axial e o acesso à sacristia, surgem pias de água benta, ricamente lavradas. Sobre o supedâneo, de degraus recortados,a ssenta o retábulo-mor, de planta côncava e um eixo, em talha policroma com amrmoreados fingidos a rosa, azul, branco, e dourado, de um eixo, definido por duas colunas, de fuste decorado com concheados e lementos fitomórficos, e duas pilastras. às quais se adossam mísulas com imaginária protegida por baldaquiano, assentes em altos plintos galbados, comuns, com a mesma decoração; ao centro, abre-se grande tribuna, em arco abatido, com boca e moldura recortada, interiormente albergando trono expositivo, de três degraus, decorados com festões, encimado por resplendor e imagens; ático em espaldar recortado, terminado em cornija e decorado com concheados, cartelas e motivos fitomórficos. Altar tipo urna, com frontal decorado por cartela e elementos vegetalistas.

Descrição Complementar:
À fachada lateral esquerda adossa-se corpo rectangular, com facada principal rebocada e pintada de branco, ercorrida por embasamento de cantaria e terminada em cornija e entablamento pleno de cantaria, coroado por dois vasos de cantaria: tem dois panos, o mais largo, disposto à direita, tem um piso, rasgado por duas portas de verga recta molduradas, encimadas por baldaquino com lambrequim, e, ao centro, janela rectangular jacente, igualmente emoldurada, tendo inferiormente inscrição, em ferro, relevada, a dizer "restaurante"; o pano esquerdo possui dois pisos, rasgados por dois portais de verga recta, o da esquerda transformado em montra, envidraçada, encimados por duas janelas de peitoril, todos moldurados. Sobre este corpo, desenvolve-se mirante ajardinado. Na fachada principal, sobre o eixo de vãos central, surge brasão de família dos Malheiro Reimão.

Cronologia:
1739 - Ventura Malheiro Reimão celebrou as bodas de ouro do seu casamento com Dona Páscoa Pereira Ferraz e da qual teve 14 filhos;
1753/1757 - Gaspar Malheiro Reimão, Mestre de campo de Infantaria Auxiliar, comprou 7 "moradas de casas" junto às suas que possuía no Eirado da "Praça das Couves", entre as Ruas do Espírito Santo e das Padeiras. neste período inicia-se a construção do Palácio;
1758 (finais) - inicio da construção da capela, visto que só então a Câmara deu licença para demolir o paredão da Praça das Couves e da Erva, erguendo-a então nesse local e nas casas que adquirira a Dona Teresa Josefa de Mesquita e açougues e da Rua do Espírito Santo; a capela foi mandada construir por Dom António malheiro, enquanto bispo do Rio de Janeiro, o qual encarregou o seu irmão Baltasar malheiro, D. Prior de Barcelos, de dirigir a construção, e foi dedicada a São Francisco de Paula e ao Espírito Santo; o Bispo mandava do Brasil ricos objectos de culto, paramentos e imagens para a capela; 
Novembro - na forta desse mês enviou a imagem de São Francisco de Paula com resplendor e báculo de prata e nas contas que o D. prior lhe apresentava aparecem os pagamentos de 2:760$190 rs pela obra de pedreiro, 804$750 rs pela obra de carpinteiro e 200$510 rs pela obra de ferreiro; o custo total da construção da capela foi de 5.112$900 rs;
1823 - ampliação da casa, com construção do mirante e terraço, ladeando pela fachada principal, dirigindo a obra o último comendador de Malta, Frei António Taveira Pimentel de Carvalho, de Lamego;
1864 - a 6 de março morreu em Viana, frei António Taveira Pimentel de Carvalho;
1887 - a 31 de maio realização na capela "o mês de maria", pelas 16h30; distribuía-se pela assitência pequenas estampas com gravura religiosa e bordo artisticamente rendilhado, tendo, no verso, oração escrita em espanhol, sob a qual se lia "souvenir du mois de Marie - Charitas Viana 1887";
1888 - realização do chamado "mês de Maria";
1889 - a 22 de dezembro realização na capela de uma grande festa religiosa, em que participou o barítono D. Francisco Coutinho, da Companhia de Ópera do teatro de Príncipe Real, do Porto; cantou os trechos Evocação "de Hebré", "Canto Religioso", de Pirani e "Tantum Ergum", de Minier;
1903 - a 31 de setembro, D. Carlos I, quando se deslocou ao Norte para assistir a manobras militares em barcelos, visitou Viana e ficou hospedado na Casa da Praça; ali moravam então Dona Maria Máxima Malheiro Reimão e seu marido, o capitão António Leite Cardoso Pereira de Melo e o seu recheio estava tão empobrecido, que várias famílias emprestaram móveis, tapetes, espelhos e quadros para embelezar a casa; lanças, cristais, talheres, criados e cozinheiras vieram de Lisboa, da pastelaria Ferrari, na rua Nova do Almada; durante o jantar tocou na rua, em frente do Paço, a banda do Regimento de Infantaria 19, tendo também assistido o então Ministro de Guerra Pimentel Pinto, o conselheiro Malheiro Reimão politico influente, o Governador Civil dr. Queiroz Veloso, etc: esteve na casa também o infante D. Afonso, irmão de D. Carlos, com um dos seus ajudantes, o capitão José Vicente da Silva Sena, organizando-se um concurso de tiro no velódromo do Campo do Vastelo;
1961 - considera-se a hipótese da Câmara de Viana adquirir 13 prédios para posterior demolição, de modo a desafogar o palácio e capela e a ampliar a praceta; 
5 de fevereiro - carta do Director de Serviços dos Monumentos Nacionais referindo que o arquitecto chefe da Secção achava que não se devia proceder às expropriações, uma vez que elas iam alterar a escala local, sobretudo os antigos Paços Municipais. 

Viana do Castelo - Origens
"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19º, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.


À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Passeio das Mordomas da Romaria
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo de Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim /séc. XVI) -Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira, 174/180
14 - Casa de Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo de S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Rei(y)mão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato, nº 56
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho

fontes retiradas de:
- http://www.monumentos.gov.pt
- http://vianadocastelo.360portugal.com
- http://www.heraldrysinstitute.com
- http://www.patrimoniocultural.gov.pt
- http://www.waymarking.com
- https://www.visitarportugal.pt
- http://olharvianadocastelo.blogspot.pt