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4 de setembro de 2017

Casa de Malheiro Reimão (15) - Viana do Castelo


pedra de armas - foto retirado de olharvianadocastelo.blogspot.com

Descrição da Pedra de Armas:
Brasão de campo partido, tendo no I - as armas de Malheiro e no II - as de Reimão, esquartelado, do séc. XVIII, encimado por coronel de nobreza, assente em cartela decorativa.
As armas de Malheiro são: de vermelho, com uma ponte de três arcos, assente sobre um rio de sua cor em ponta, rematada por duas torres de prata, firmadas nos flancos do escudo, e de uma palmeira de sua cor entre elas;
o timbre é a palmeira do escudo.
As armas de Reimão são esquarteladas, tendo o primeiro e o quarto de azul, com uma flor-de-lis de prata, o segundo e o terceiro de prata, com uma árvore verde;
no timbre um Reimão de prata com um ramo de árvore na boca.

História Breve:
Casa Malheiro Reimão ou Casa da capela das Malheiras, são as denominações pela qual é conhecida esta edificação oitocentista, com o seu maior relevo para a capela que está anexada à casa e situada no gaveto, virada para a Praça.
É considerada como a mais significativa construção barroca da cidade, de arquitectura civil portuguesa do séc. XVIII. Foi construída no 3º quartel do séc. XVIII e representa a obra mais original do Rocaille, em Portugal, devido à interpretação vigorosa, desenvolvida no norte do País.
Apresenta características da época, de fachadas longas e rectangulares, a fachada apresenta dois pisos em que o interior é constituído por seis janelas de verga, intercaladas por três portas também em verga recta, e cujos frontões ultrapassam o friso, passando a linha divisória dos andares. O piso superior é formado por nove janelas de verga recta, em que a janela central está a dividir a casa, estando esta encimada pelo brasão de família e, na mesma linha central, o portal principal.

vista da fachada - foto retirada do CPF (clube português de fotografia)

O seu proprietário foi Gaspar Malheiro Rei(y)mão (mestre de campo de infantaria, e o primogénito de 14 filhos do casal Ventura Malheiro Reimão e de Dona Páscoa Pereira Ferraz), que adquiriu para a construção da Casa, desde 1753 a 1757, sete moradias de casas junto às que possuía no eirado da "Praça das Couves", entre as ruas do Espírito Santo e a das Padeiras.
As obras iniciaram-se em 1758 após a licença da Câmara para demolir o paredão da Praça das Couves e da Erva.
A Capela foi mandada construir por Dom António Malheiro, do Desterro (quando Bispo do Rio de Janeiro) e exigiu que a capela fosse dedicada ao protector da infância e dos pobres, São Francisco de Paula, cuja divisa era "Charitas", gravada na cartela da frontaria da capela.

vista da Capela e casa - foto retirada do CPF (clube português de fotografia)

vista da Capela - foto retirada www.cascais.pt

vista da Capela e casa - foto retirado de www.mopnumentos.gov.pt

A capela, de maior relevo deste conjunto, está anexada à casa por um dos lados, fazendo esta a esquina entre duas ruas. A capela, delimitada por pilastras de capitéis decorados, apresenta uma fachada em frontão contracurvada, flanqueada por fogaréus. O portal rasga o centro desta, imensamente decorado e encimado por um janelão com moldura de concheados e ainda uma cartela igualmente decorada.
A casa foi ampliada em 1823 com um mirante e terraço, já em estilo neo-clássico.
O palacete continua a pertencer à família original e encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público, está classificado como IIP, pelo decreto-Lei n.º 5/2002, DR - I Série-B n.º 42, de 19/02/2002.

Descrição:
Planta rectangular irregular, composta por dois corpos residenciais rectangulares, paralelos entre si, apela, no topo Sul, longitudinal disposta perpendicularmente, com sacristia de permeio, e corpo com terraço a Norte, tendo adossado a esta e à fachada lateral esquerda corpo rectangular com terraço sobreelevado. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas na casa e de duas na capela. Fachadas rebocadas e pintadas de branco. fachada principal virada a Oeste, com a ala residencial percorrida por embasamento de cantaria, com pilastras toscanas nos cunhais, coroados por pináculos escalonados, adelgaçados sobre plintos paralelepipédicos, de dois pisos separados por friso e terminada em duplo friso, o superior ritmado por argolas de ferro em florões, e cornija, sobreposta por beirado simples; é rasgada por 9 eixos de vãos sobrepostos, o central e os extremos compostos por portais e janelas e os intermédios apenas por janelas de peitoril; os portais, o central de planta convexa, possuem verga abatida ligeiramente recortada, com moldura côncava igualmente recortada, inserido em pano de cantaria, sobreposto por espaldar moldurado terminado em cornija contracurvada; a janela central ao nivel do segundo piso, de planta convexa possui verga recta de ângulos cortados, moldura recortada, encimada por friso e falso frontão triangular sem retorno, coroado por vasos com elementos recortados e brasão de família envolto em ampla cartela de concheados com coronel; pano do peitoril em cantaria com almofadas sobrepostas.

foto retirado de www.mopnumentos.gov.pt

As janelas do piso térreo possuem verga recta e moldura côncava superiormente recortada, encimada por espaldar côncavo e cornija angular, e ainda pano de peitoril de cantaria; as do segundo piso têm planta convexa e moldura igual à central, mas são encimadas por espaldar semicircular, côncavo e cornija curva.
Fachada da sacristia, mais baixa, definida por pilastras de capitéis de inspiração coríntia, mas com decoração estilizada de conchas invertidas, percorrida por embasamento e terminada em cornija, friso e cornija, sobreposta por beirado. Tem igualmente dois pisos, abrindo-se no, primeiro, janela de verga abatida e dupla moldura formando pequenos brincos rectos, encimada por cornija com o mesmo perfil muito avançada; no segundo, rasga-se janela de sacada, de verga abatida e moldura recortada, encimada por cornija angular sobreposta à cornija da fachada, tendo guarda em ferro forjado com motivos vegetalistas estilizados, assentando em larga mísula com jogo de formas côncavas e convexas.
Capela com contrapilatras nos cunhais, de fuste almofadado, com topos formando recorte côncavo e convexo, e de capitéis de inspiração corítia, mas com decoração estiizada de conchas invertidas, coroadas por fogaréus decorados, assentes em dupla ordem de plintos galbados, igualmente decorados com cartela e concheados. termina em empena recortada delimitada por cornija comramificações fitomórficas e termina em cornija contracurvada, bastante avançada, coroada por alta cruz latina, de braços terminados em flor-de-lis, sobre acrotério. Portal de planta côncava, composto por vão de verga recortada, moldurado, encimado por tabela ornada interior e exteriormente de concheados e terminada em cornija também encimada por concheados, enquadrado por quarteirões, sobrepujados por concheados, com capitéis convexos, suportando cornija contracurvada, sobrepujada, no alinhamento dos quarteirões e ao centro, com volumosos concheados recortados. Porta de duas folhas e bandeira, com almofadas recortadas. Encima o portal amplo janelão, de linhas recortadas e moldura côncava com decoração exterior de concheados e elementos fitomórficos exuberantes, formando orelha, terminada em cornija contracurvada encimada por concehado; o janelão é sobrepujado por cartela em conha, inscrita com Charitas, envolvida por elementos volutados, concheados e vegetalistas. fachada lateral direita da capela percorrida por embasamento de cantaria e terminada em duplo friso e cornija sobreposto por beirado simples; é rasgada por duas janelas recortadas, com moldura acompanhando o seu perfil e com fragmentos de cornija acentuando o recorte. No seu alinhamento, dispõe-se a fachada posterior do corpo residencial, de cunhais apilastrados e terminada apenas em beirado simples, sendo rasgadas por portal de verga recta simples, ladeada por janelas iguais. Segue-se corpo em alvenaria de pedra aparente, com porta larga, de verga recta e portão de madeira, de acesso ao logradouro.
Interior: Vestíbulo rectangular disposto no extremo esquerdo da casa e acedido directamente a partir do exterior. A interligação entre os pisos é feita através de grande escada de tiro, de dois lanços. No andar nobre, o salão principal surge ao centro da casa. A ala residencial mais antiga possui quatro pisos, mais baixos.
Capela: com paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em lajes de cantaria e tecto em falsa abóbada de berço, sobre cornija pintada a marmoreados fingidos; lateralmente abrem-se portas e duas janelas, com capialço em marmoreados fingidos; e encimadas por sanefas em talha igualmente a marmoreados fingidos. Ladeando o portal axial e o acesso à sacristia, surgem pias de água benta, ricamente lavradas. Sobre o supedâneo, de degraus recortados,a ssenta o retábulo-mor, de planta côncava e um eixo, em talha policroma com amrmoreados fingidos a rosa, azul, branco, e dourado, de um eixo, definido por duas colunas, de fuste decorado com concheados e lementos fitomórficos, e duas pilastras. às quais se adossam mísulas com imaginária protegida por baldaquiano, assentes em altos plintos galbados, comuns, com a mesma decoração; ao centro, abre-se grande tribuna, em arco abatido, com boca e moldura recortada, interiormente albergando trono expositivo, de três degraus, decorados com festões, encimado por resplendor e imagens; ático em espaldar recortado, terminado em cornija e decorado com concheados, cartelas e motivos fitomórficos. Altar tipo urna, com frontal decorado por cartela e elementos vegetalistas.

Descrição Complementar:
À fachada lateral esquerda adossa-se corpo rectangular, com facada principal rebocada e pintada de branco, ercorrida por embasamento de cantaria e terminada em cornija e entablamento pleno de cantaria, coroado por dois vasos de cantaria: tem dois panos, o mais largo, disposto à direita, tem um piso, rasgado por duas portas de verga recta molduradas, encimadas por baldaquino com lambrequim, e, ao centro, janela rectangular jacente, igualmente emoldurada, tendo inferiormente inscrição, em ferro, relevada, a dizer "restaurante"; o pano esquerdo possui dois pisos, rasgados por dois portais de verga recta, o da esquerda transformado em montra, envidraçada, encimados por duas janelas de peitoril, todos moldurados. Sobre este corpo, desenvolve-se mirante ajardinado. Na fachada principal, sobre o eixo de vãos central, surge brasão de família dos Malheiro Reimão.

Cronologia:
1739 - Ventura Malheiro Reimão celebrou as bodas de ouro do seu casamento com Dona Páscoa Pereira Ferraz e da qual teve 14 filhos;
1753/1757 - Gaspar Malheiro Reimão, Mestre de campo de Infantaria Auxiliar, comprou 7 "moradas de casas" junto às suas que possuía no Eirado da "Praça das Couves", entre as Ruas do Espírito Santo e das Padeiras. neste período inicia-se a construção do Palácio;
1758 (finais) - inicio da construção da capela, visto que só então a Câmara deu licença para demolir o paredão da Praça das Couves e da Erva, erguendo-a então nesse local e nas casas que adquirira a Dona Teresa Josefa de Mesquita e açougues e da Rua do Espírito Santo; a capela foi mandada construir por Dom António malheiro, enquanto bispo do Rio de Janeiro, o qual encarregou o seu irmão Baltasar malheiro, D. Prior de Barcelos, de dirigir a construção, e foi dedicada a São Francisco de Paula e ao Espírito Santo; o Bispo mandava do Brasil ricos objectos de culto, paramentos e imagens para a capela; 
Novembro - na forta desse mês enviou a imagem de São Francisco de Paula com resplendor e báculo de prata e nas contas que o D. prior lhe apresentava aparecem os pagamentos de 2:760$190 rs pela obra de pedreiro, 804$750 rs pela obra de carpinteiro e 200$510 rs pela obra de ferreiro; o custo total da construção da capela foi de 5.112$900 rs;
1823 - ampliação da casa, com construção do mirante e terraço, ladeando pela fachada principal, dirigindo a obra o último comendador de Malta, Frei António Taveira Pimentel de Carvalho, de Lamego;
1864 - a 6 de março morreu em Viana, frei António Taveira Pimentel de Carvalho;
1887 - a 31 de maio realização na capela "o mês de maria", pelas 16h30; distribuía-se pela assitência pequenas estampas com gravura religiosa e bordo artisticamente rendilhado, tendo, no verso, oração escrita em espanhol, sob a qual se lia "souvenir du mois de Marie - Charitas Viana 1887";
1888 - realização do chamado "mês de Maria";
1889 - a 22 de dezembro realização na capela de uma grande festa religiosa, em que participou o barítono D. Francisco Coutinho, da Companhia de Ópera do teatro de Príncipe Real, do Porto; cantou os trechos Evocação "de Hebré", "Canto Religioso", de Pirani e "Tantum Ergum", de Minier;
1903 - a 31 de setembro, D. Carlos I, quando se deslocou ao Norte para assistir a manobras militares em barcelos, visitou Viana e ficou hospedado na Casa da Praça; ali moravam então Dona Maria Máxima Malheiro Reimão e seu marido, o capitão António Leite Cardoso Pereira de Melo e o seu recheio estava tão empobrecido, que várias famílias emprestaram móveis, tapetes, espelhos e quadros para embelezar a casa; lanças, cristais, talheres, criados e cozinheiras vieram de Lisboa, da pastelaria Ferrari, na rua Nova do Almada; durante o jantar tocou na rua, em frente do Paço, a banda do Regimento de Infantaria 19, tendo também assistido o então Ministro de Guerra Pimentel Pinto, o conselheiro Malheiro Reimão politico influente, o Governador Civil dr. Queiroz Veloso, etc: esteve na casa também o infante D. Afonso, irmão de D. Carlos, com um dos seus ajudantes, o capitão José Vicente da Silva Sena, organizando-se um concurso de tiro no velódromo do Campo do Vastelo;
1961 - considera-se a hipótese da Câmara de Viana adquirir 13 prédios para posterior demolição, de modo a desafogar o palácio e capela e a ampliar a praceta; 
5 de fevereiro - carta do Director de Serviços dos Monumentos Nacionais referindo que o arquitecto chefe da Secção achava que não se devia proceder às expropriações, uma vez que elas iam alterar a escala local, sobretudo os antigos Paços Municipais. 

Viana do Castelo - Origens
"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19º, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.


À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Passeio das Mordomas da Romaria
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo de Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim /séc. XVI) -Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira, 174/180
14 - Casa de Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo de S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Rei(y)mão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho

fontes retiradas de:
- http://www.monumentos.gov.pt
- http://vianadocastelo.360portugal.com
- http://www.heraldrysinstitute.com
- http://www.patrimoniocultural.gov.pt
- http://www.waymarking.com
- https://www.visitarportugal.pt
- http://olharvianadocastelo.blogspot.pt



26 de agosto de 2017

Casa dos Barbosa Maciel (14) - Viana do Castelo

foto retirado de olharvianadocastelo.blogspot.com


Descrição da Pedra de Armas:
Brasão esquartelado, do séc. XVIII, tendo no I e IV quartel as armas de Teixeira (com diferença uma brica carregada de trifólio, em chefe), de azul, com cruz de ouro potenteia e vazia; no II as de Barbosa, de prata, com banda de azul carregada de três crescentes de ouro ladeada de dois leões afrontados e trepantes de púrpura, armados e lampassados de vermelho; e no III de Maciel (mal representado), partido, tendo o primeiro de prata, com duas flores-de-lis de azul, uma sobre a outra, e o segundo de negro, com meia águia cosida de vermelho, estendida, armada de ouro, movente da partição, mas que aqui surge invertido; escudo sotaposto em cruz da Ordem de Cristo e envolvido em paquife; encimado por timbre de Teixeira, com unicórnio (danificado) de prata, armado de ouro, em sainte;
Elmo e paquife com motivos vegetalistas muito relevado.
foto retirado de olharvianadocastelo.blogspot.com


História Breve:
Edificada em 1724, só seis anos depois o palacete entrou na família Barbosa Maciel, através da compra deste imóvel, na qual permaneceu até 1922, tendo sido adquirida pela Câmara Municipal que a transformou num Museu Municipal, actualmente Museu de Artes Decorativas.
Está classificada como Imóvel de Interesse Público sendo que esta casa senhorial constituída por dois pisos, com a porta principal virada para o largo principal.
Sua fachada encontra-se dividida em três panos por cunhais em cantaria em que no pano central se  localiza a porta central e sobrepujada pela sacada em guarda de ferro, limitando duas varandas com um frontão triangular.
Entre as janelas apresenta-se o Brasão de Armas da família Barbosa Maciel e toda a fachada apresenta uma simetria e modelação constante que grande primor arquitectónico.
foto retirado de google.pt/,aps

foto retirado de olhavianadocastelo.blogspot.pt

Arquitectos/Construtor/Autor: 
Luís Teles (1990). ENGENHEIRO: Manuel Pinto de Vila Lobos (séc. 18). PEDREIROS: Jerónimo de Oliveira e Manuel de Oliveira (séc. 18). PINTOR DE AZULEJOS: Policarpo Oliveira Bernardo (séc. 18).

Descrição da casa:
Planta rectangular disposta longitudinalmente, composta por dois núcleos arquitectónicos, interligados e intercomunicantes. Volumes articulados com cobertura em telhados de quatro águas. Fachada principal rebocada e pintada de branco, com três panos e cunhais definidos por pilastras em silharia fendida, de dois pisos separados por cornija, sendo o primeiro percorrido por embasamento de cantaria, igualmente em silharia fendida, e o segundo terminado em duplo friso e cornija, sobreposta por platibanda de balaústres, com acrotérios no alinhamento das pilastras; sobre as pilastras dos cunhais surgem duas gárgulas volutadas com figura antropomórfica híbrida. No primeiro piso, no pano central, rasga-se portal de verga recta e moldura com cinco aduelas em cunha, encimado por cornija recta assente em duas mísulas que se prolongam na moldura, formando pingente; é ladeado por dois vãos altos e estreitos, gradeados, com molduras tendo superiormente aduelas em cunha, com pano de peito em silharia fendida ladeada por volutas estilizadas; nos panos laterais, simétricos, rasgam-se duas janelas de peitoril, com molduras sobrepostas por três aduelas em cunha e silhares de cantaria interligados à cornija separadora de pisos e tendo inferiormente panos de peito, em silharia fendida, ladeados de volutas. No segundo piso, rasgam-se em cada um dos panos, duas janelas de sacada, assentes em mísulas volutadas que se sobrepõem às molduras da janelas inferiores, com molduras côncavas e tendo também superiormente três aduelas em cunha, encimadas por frontões triangulares; nos panos laterais, as guardas em ferro são comuns e no central individualizados. Entre as janelas centrais, surge o brasão da família Teixeira Barbosa Maciel, envolvido por amplo paquife e com elmo, assente em mísula de linhas contracurvadas. A fachada posterior apresenta uma galeria alpendrada de dois pisos, com quatro arcos de volta perfeita, assentes em pilares no piso térreo e cinco tramos arquitravados sobre colunas toscanas no piso superior. A E. possui pequeno corpo saliente, correspondendo o do piso superior ao oratório. INTERIOR com vestíbulo, tendo lateralmente portas para as salas laterais e frontalmente, escada de acesso ao andar nobre, de quatro lanços, colocada descentradamente. No fim do primeiro lanço, mais extenso, surge um patamar de acesso a mezanino parcial entre o piso térreo e o andar nobre. Ao cimo da escadaria, surge um painel de azulejos com cena da vida de um santo. No andar nobre as três salas viradas à rua apresentam silhares de azulejo; o da sala central representa cenas alegóricas aos quatro continentes: Europa, América, África e Ásia; na do lado nascente representam-se os lazeres palacianos: um concerto, um banquete e cenas de jardim; na do lado poente, apresentam-se cenas de caça ao veado e, predominantemente, ao javali. Duas das salas colocadas à esquerda possuem tectos de apainelados. No topo direito surge a capela, revestida a azulejos, com a inscrição "Policarpus abolina Berd Pinxit", figurando nos painéis O Bom Pastor, Jesus e Nossa Senhora em concílio com as Santas Virgens, Visitação e Anunciação; possui retábulo de talha dourada e policroma. Sobre a secção posterior do piso nobre, com escada de madeira, existe um outro mezanino parcial.


fotos retiradas de www.monumentos.gov.pt

Cronologia da Casa:
1704 - António Felgueiras de Lima, natural de Viana, Cónego prebentado da Sé de Braga, comissário do Santo Ofício e Abade deservatório de Santo Adrião de Vizela, é eleito Provedor da Irmandade dos Clérigos de Viana; Felgueiras de Lima desejando obsequiar o Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles, que pensava vir a Viana tomar banhos de mar, adquiriu os terrenos necessários à construção de uma casa;
1720 / 1723 - início da construção orientada pelo engenheiro Manuel Pinto de Vila Lobos *1;
1723, 25 Setembro - acórdão da Câmara oferecendo uma pena de água, visto que a casa se destinava a hospedar o Bispo;
1723, 28 Dezembro - o padre João Alves Seixas, procurador de Felgueiras de Lima contratou os pedreiros vianenses Jerónimo de Oliveira e o irmão Manuel de Oliveira para fazerem umas casas na vila em frente do chafariz do eirado de São Domingos, conforme planta e apontamentos assinados por ele e pelos mestres, por 1:800$000 reais; determinava-se fazer a frontaria das casas pelo modo e talhe da Vedoria, além de mais perfeição e talhe acrescido; as casas deveriam estar concluídas em finais de Agosto de 1724;
1725, início - a obra ainda não tinha iniciado; 14 Março - contrato entre António Felgueiras de Lima e os mesmos mestres pedreiros por 1:322$763 rs, assinado em casa de Domingos Brandão Marinho, oficial da Vedoria de Viana, estando presente o coronel Manuel Pinto de Vila Lobos; Junho / Julho - o cónego prebentado fez dois contratos, segundo os quais, o reverendo Francisco Lopes, de modo a satisfazer algumas dívidas e favores a Felgueiras de Lima, se comprometia a deixá-lo abrir da parte E. das suas casas, por cima e sobre o telhado dele, as janelas que desejasse para a sua casa ter mais luz;
1727, 14 Janeiro - escritura de quitação da obra
1730, cerca - feitura do retábulo da capela; 24 Fevereiro - aqui faleceu Felgueiras de Lima; 5 Setembro - o Dr. João Barbosa Teixeira Maciel, com consentimento das freiras de Santa Clara de Vila do Conde, às quais era foreira a leira, em que assentava a parte ocidental, arrematou o edifício e suas dependências por 16 mil cruzados, ou seja, 6 contos de reis; o mesmo procedeu a melhoramentos na casa, tendo-se apainelado os tectos, colocado silhares de azulejos nas salas e capela, com azulejos da fábrica de Belém, pintados por Policarpo de Oliveira Bernardes, conforme cartela existente na última;
1795, Julho - incêndio destruiu parte a central, ao nascente, da casa, e grande número de documentos antigos; séc. 19, início - restaurado da casa, tendo-se acrescentado sobre o terreno e quintal, um novo edifício para sala de jantar e ampla cozinha térrea;
1863 - modificações na fachada por João Barbosa Teixeira Maciel, substituindo-se o beiral do telhado por platibanda de balaústres, colocado sobre quatro plintos as figuras de heróis troianos, da fábrica de cerâmica das Devesas, em Vila Nova de Gaia; e colocação de brasão dos Teixeiras Barbosas Macieis;
1880, 13 Novembro - falecimento do último administrador vincular, não deixando descendência; sucedeu-lhe sua irmã D. Maria da Natividade Pereira de Araújo Barbosa;
1888, 9 Maio - a Câmara, sob proposta do Presidente Major Luís de Andrade e Sousa, resolveu criar um Museu; a sua primeira instalação foi no claustro do Convento de Santo António, sendo seu director o Dr. Luís Figueiredo de Guerra;
1906, 8 Abril - morte de D. Maria da Natividade Pereira de Araújo Barbosa legando a casa a favor da sua próxima parente Viscondessa da Torre das Donas, com grandes encargos e muitos legados; por morte desta, a casa ficou para os seus sobrinhos D. Jacinta Frederica de Barros Lima do Rego Barreto e irmão Luís Visconde de Geraz de Lima; séc. 20 - demolição da escada exterior, encostada à cozinha, que ligava directamente a galeria da fachada posterior ao quintal;
1918 - o Presidente da Câmara, Jacinto Caldas, propôs que o Museu passasse para o Governo Civil, que funcionava no Convento de São Domingos;
1919 - ainda funcionava nos baixos da casa Barbosa Maciel o "Colégio de D. Zaida", para a instrução primária, com grande afluência; a Casa Costa Barros, foi oferecida pelo proprietário Dr. Manuel Félix Mâncio, para instalação do Museu, o que a Câmara aceitou; Setembro - compra da Casa de João Velho ou dos Arcos com esse fim;
1921 - a Câmara pensa comprar a casa das Figuras ou Barbosa Maciel para instalação definitiva do Museu Municipal de Viana do Castelo;
1922, 24 Outubro - os sobrinhos venderam a casa à Câmara Municipal para aí instalar o Museu e Biblioteca do Concelho; foram encarregados da sua instalação Serafim Neves e o Dr. Luís Augusto de Oliveira, que através do filho, quis legar à Câmara a sua preciosa colecção de antiguidades; o 1º director do Museu foi o Dr. Figueiredo de Guerra;
1926, 24 Junho - inauguração do Museu;
1951, 1 Maio - nomeado conservador do Museu o Dr. Romel de Sousa Oliveira (depois da sua saída, passaram vários anos sem haver conservador);
1953, 20 Novembro - morte de Manuel Espregueira e Oliveira, o qual deixou em legado ao Museu uma grande colecção de peças cerâmicas;
1964 - vereador do pelouro da Cultura, Artur Sandão, remodelou completamente o Museu, melhorando-o muito;
1966 - transferência da Biblioteca Municipal para a Casa dos Alpuim;
1980 - nomeado conservador o padre Dr. António de Matos Reis;
1981 / 1982 - sob direcção do Dr. Matos Reis, inicia-se a elaboração do Inventário do espólio, com feitura de "slides" de cada peça;
1990 - ampliação do Museu, de modo a dotá-lo de áreas de depósito, de trabalho e de exposições temporárias;
1993 - inauguração da nova ala de exposição, construída segundo o projecto do arquitecto Luís Teles.



fotos retiradas de olharvianadocastelo.blogspot.com 
"cenas evangélicas" de Policarpo Oliveira Bernardes





fotos retiradas de olharvianadocastelo.blogspot.com 
"4 continentes" do mestre Valentim de Almeida


Viana do Castelo - Origens
"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19º, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.


À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Passeio das Mordomas da Romaria
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo de Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim /séc. XVI) -Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira, 174/180
14 - Casa Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Reymão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho

fontes retiradas de:
- olharvianadocastelo.blogspot.com
- www.monumentos.gov.pt
- http://viva-a-historia.webnode.pt
- http://www.waymarking.com
- https://www.visitarportugal.pt

18 de agosto de 2017

Casa dos Aranha Barbosa (13) - Viana do Castelo

 foto retirado de olharvianadocastelo.blogspot.com

Descrição:
Em granito, com escudo em formato Português, com ponta, do séc. XVIII.
Esquartelado de:
I e IV - Aranha (mal representado)
II e III - Barbosa
Elmo de frente (contra ordenança heráldica) com plumas
Timbre de Barbosa 
Encaixilhado num portal granito com duas colunas laterais e trave arqueada e sustentada lateralmente por dois suportes simétricos. 


A Origem da Casa:
Felgueiras Gayo nos registos dos seus documentos genealógicos, refere, no ano de 1640, a presença de um casal a viver em Viana, na rua da Bandeira, com os nomes de Belchior Gouveia Coutinho e D. Maria Correia Barbosa.
O primeiro, oriundo de família ilustre da Beira e ela filha de Francisco Correia do Rego, senhor da Quinta da Argaçosa, em Viana do Castelo, e trineta de Rui Vaz Aranha, tendo-se tornado os originários, naquela cidade, do ramo dos Aranha Barbosa.
A casa deste casal nela fazia parte de um grande quinta, que desde 1572 e ao longo do tempo permitiu os emprazamentos dos terrenos, através da abertura da rua Nova de S. Bento facultando a construção de casas, e que lhes ficaram foreiras.
A delapidação dos bens desta família faz-se através da má administração dos bens tidos pelos seus herdeiros e respectivas sucessões, conforme é descrito na obra de "Casas Antigas de Viana", de Maria Augusta d'Alpuím e Maria Emília de Vasconcelos, na sua edição de 1983.


retirado da obra "Casas Antigas de Viana" (sem pedra de armas em finais do século)

foto retirado de olharvianadocastelo.blogspot.com (com pedra de armas)



Viana do Castelo - Origens
"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19º, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.


À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Passeio das Mordomas da Romaria
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo de Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim /séc. XVI) -Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira, 174/180
14 - Casa Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Reymão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho

fontes retiradas de:
- olharvianadocastelo.blogspot.com
- "Casas Antigas de Viana", de Maria Augusta d'Alpuím e Maria Emília de Vasconcelos, edição 1983

12 de agosto de 2017

Casa dos Costa Barros (12) - Viana do Castelo


foto da Pedra de Armas (olharvianadocastelo.blogspot.pt)

Descrição da Pedra de Armas:
Escudo francês (séc. XVIII), partido em I - Costa e II - Barros, com diferença de ... um farpão, no primeiro quartel.
Contempla elmo frontal, timbre de Costa e assenta em elementos floreados.

História da Casa:
A designada casa de Costa Barros fica situada numa das ruas mais antigas de Viana, inserida no antigo burgo medieval, que durante os séculos XIV e XV se desenvolveu dentro das muralhas da vila, em torno da Sé e da antiga Igreja de S. Salvador.
Este espaço, "rasgado por estreitas vielas, ladeadas de pequenas casas sombrias" (MOREIRA, Manuel, 1985, p. 67) foi-se renovando socialmente a partir da segunda metade da centúria de Quatrocentos.
Na realidade, à medida que o comércio marítimo do porto de Viana crescia, a sociedade vianense foi crescendo e enriquecendo, dando origem a um grupo de poderosos e ricos mercadores, composto tanto por burgueses como pela nobreza local. 
Estes homens ocuparam as artérias principais da vila, as "ruas mais populosas e activas" (REIS, A. Matos, 1995, p.12), construindo então casas opulentas, que através dos programas decorativos exteriores demonstravam o poder económico e o estatuto social dos seus habitantes.
Assim, nos primeiros anos do século XVI assiste-se em Viana da Foz do Lima a um curioso fenómeno de "redecoração" das casas medievais situadas nas ruas periféricas à Sé. São os casos da Casa da Luna, um conjunto de prédios medievais unificado por um programa decorativo de gosto romano executado pelo mestre João Lopes, o Velho, ou a Casa dos Costa Barros, na fachada principal da qual se destaca um conjunto de janelas e portais de gosto manuelino.
Situada junto à antiga porta das Atafonas, o primitivo edifício da Casa Costa Barros terá sido edificado ainda no século XV, sendo possivelmente reconstruído no inicio do século XVI para integrar o programa manuelino. Supõe-se que os proprietários da casa na época seriam os Pita, de Caminha (GOMES, P. Varela, CALDAS, J. Vieira, 1990, p. 43) embora se desconheça o executor do projecto. É no entanto indiscutível a sua importância como um dos mais exemplares da arquitectura civil urbana do primeiro quartel do século XVI.
foto da fachada da casa (olharvianadocastelo.blogspot.pt

De planta rectangular, a casa está dividida em dois registos. A fachada desenvolve-se longitudinalmente, num ritmo assimétrico, marcado pela abertura de quatro portas e quatro janelas. No registo inferior foram abertas, da esquerda para a direita, uma porta com arco contracurvado, e três portas de moldura rectangular ladeadas por colunelos com capitéis decorados com motivos vegetalistas.
janela manuelina (clube português de fotografia)

No andar nobre da casa foram abertas quatro janelas, dispostas no eixo das portas. A primeira possui moldura com arco conopial, decorado com florões, tanto no intradorso como no prolongamento dos colunelos que ladeiam o conjunto. A janela seguinte apresenta um modelo muito simples, com duplo arco (?mainel) de várias voltas.
Entre estas duas fenestrações foi colocada a pedra de armas de José Mancio da Costa Barros, militar e cavaleiro da Ordem de Cristo, que adquiriu a casa em 1765, Esta ficaria a partir de então ligada ao seu nome de família.
A terceira janela do andar é o elemento que mais se destaca no frontipicio. De grande riqueza decorativa, apresenta um modelo executado nos primeiros anos do Renascimento, fazendo uma simbiose entre a estrutura manuelina e os motivos decorativos de grotesco com figuras de sereias, enrolamentos vegetais e florões. A ultima janela, à direita, é decorada com florões e cogulhos.
janela manuelina (olharvianadocastelo.blogspot.pt)

A execução de um elaborado programa decorativo para as janelas do piso nobre demonstra a preocupação dos proprietários com o enobrecimento da casa, transformando uma habitação de fundação medieval num dos mais interessantes renascentistas de Viana da Foz do Lima.
Catarina Oliveira (IPPAR2005)

Actualidade:
Actualmente esta casa encontra-se inserida no ramo do turismo hoteleiro, cujo seu interior se preserva o carácter renascentista, contendo pinturas e louças da época, de cartas de Marquês de Pombal expostas na biblioteca, da escadaria granítica de acesso ao piso superior, com ligação à sala de jantar, cujos elementos decorativos se apresentam as louças de Viana do Castelo, provenientes da fábrica do Cais Novo, em Darque, de pratos da Companhia das Índias, bem como de baixelas com o brasão de família e mobiliário provenientes de países estrangeiros.
Esta casa tem acolhido figuras do País tendo em conta as suas características próprias de uma casa e janela manuelina que muito representa espírito dos descobrimento. Nela foram escolhidas para sua estada, Dom Duarte Pio de Bragança, Mário Soares como as figuras mais emblemáticas que passaram por este espaço. 


Viana do Castelo - Origens
"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 19 brasões referenciados no mapa, apenas os 18º e 19º, não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado, em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade que por razões de não ter passado pelas rua do Hospital Velho e pela rua Prior do Crato entendeu-se de ser sinalizados na planta, como registo e inventário deste trabalho. Provavelmente haverá ainda outros por descobri nessas pequenas vielas e arruamentos pedonais, e encobertas em muitas casas com característicos muito especiais a cada época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.


À medida que se apresenta cada peça de armas, será abordada uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" que merece também uma especial atenção por se dedicar exclusivamente ao concelho e à cidade.
Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Passeio das Mordomas da Romaria
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo de Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim /séc. XVI) -Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira
14 - Casa Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Reymão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho

fontes retiradas de:
- olharvianadocastelo.blogspot.com
- www.patrimoniocultural.gov.pt
- http://www.turismorural.pt