NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

2 de agosto de 2018

Carta de Privilégios - Antiga Estalagem da Casa do Areal, Baltar - Paredes



Pormenor do documento

Baltar, que durante a idade média pertenceu ao Concelho de Aguiar de Sousa foi doado, por D. João I, com título de Honra, a João Rodrigues Pereira, que trocou esta Honra com seu primo, D. Nuno Álvares Pereira, em 1401, o qual, por sua vez o doou a sua filha e marido, os Condes de Barcelos, e primos Condes de Bragança.
Com Foral próprio, Baltar tinha Câmara com dois Vereadores, Juís Ordinário, Tribunal, Cadeia, Forca e Pelourinho.
Do Foral mandado passar por D. Manuel, em 1515, podemos ler:
"Dom Manuel per graça de Deos Rey de Portugal e dos Algarves daaquem e dalem mar em Africa Sinhor da Guinee e Comquista e Navegaçam e Comercio Ethiopia, Arabia, Perssia, e da India. A quantos esta Nossa Carta de Foral dado aa terraa de Baltar para sempre virê Fazemos saber que per bem das semtenças detreminações geraaes e espiçiaaes que foram feictas por Nós e com os do Nosso Cõsselho e leterados acerca dos Forays de Nossos Regnos e dos dereitos Reaães e trebutos (...) pagar. E asy pellas imquiriçõoes (...) que os direitos Reaães tinham Achamos per Inquiriçoões do tombo que as remdas e direitos reaães se devem hy recadar (...)".
Até ao séc. XIX, pertenceu Baltar à Casa de Bragança e formou Concelho próprio que apenas durou três anos.

Vista actual da Casa do Areal
Casa do Areal (anos 50)


A CASA
A casa do Areal é considerada em ex-libris em Baltar, do concelho de Paredes, quer pela sua idade, quer pelo brasão apresentado no frontão de entrada lateral da casa.
A sua idade é desconhecida contudo há referências de que Afonso Fayão, designado como Abade de Baltar, terá vivido entre os anos de 1558 e 1622, havendo registos com seu nome no ano de 1603 e terá vivido nesta casa podendo-se constatar que pelo menos esta construção já existia nos inícios do séc. XVII.

AFONSO FAYÃO - Quem foi?
Nasceu: cerca de 1558, Vila Viçosa
Faleceu: 3 de Outubro de 1622, em Baltar
Enterrado: Igreja de Baltar
Ocupação: Abade de Baltar
Pai: Dom Teodósio I, Duque de Bragança
Casou com Filipa Gonçalves
Filha: Leonor Fayão
Filho: Paulo Fayão
Era filho de uma dama solteira do Paço Ducal de Vila Viçosa. apresentado pela Casa de Bragança aos 13 anos.
O seu nome aparece pela primeira vez, no registo paroquial da freguesia de Baltar, a 20 de Janeiro de 1594, como padrinho num assento de baptismo, intitulando-se Abade de Baltar. A sua assinatura aparece nos registos desde 11 de maio de 1603 a 16 de Agosto de 1622. Foi sepultado na Igreja de Baltar.
Afonso Fayão viveu naquela que é chamada a Casa do Areal (ou da estalagem), em Baltar, A mesma foi renovada em 1769, tendo ganho nessa data o brasão que ostenta o seu protal. A casa chegou a ser usada como estalagem até ao séc. XIX, tendo o Rei Dom José I pernoitado nela. (http://carlosmoreira.com.sapo.pt/genealogia/)

Pedra de Armas da Casa do Areal

CARTA DE PRIVILÉGIOS 
A data referenciada sobre a Pedra de Armas, de 1769, terá sido a data possível da passagem do Rei D. José I por aquele local e lá terá pernoitado naquela antiga casa.
Tudo leva a crer que nesta data era já uma estalagem pois foi emitida uma carta de privilégios por parte da Rainha D. Maria ao estalajadeiro Matheus Luis d'Almeida, no ano de 1782, onde menciona que já exercia essa função há pelo menos 30 anos.
Mais tarde foi solicitada por parte de um dos seus filhos e então dono da estalagem, Simão Luis d'Almeida a emissão de uma certidão, no ano de 1812, para comprovar e dar-lhes os direitos então ordenados pela rainha a seu pai.
Junto se apresenta cópias do documento e de uma transcrição do documento.

Transcrição feita por Manuel Cunha em 24/3/2015

Revisão 28/7/2018
"Diz Simão Luis d’Almeida Estalajadeiro, do lugar do Arial, desta freguesia Honra de Baltar, q pª requerimento, q bem preciza, q a Exmª da Camera desta Honra lhe passe por certidão dos livros da mesma Camera obther do privilegio que foi concedida á sua estalaje as duas petições junto a elle.
                                                              P. Sor. Luis seja servido mandar passar adª. certidão conforme atendivel.
                                                                                            (assinatura)
Passe não havendo inconveniente
Bar. a 1º d e Fev. de 1812
(assinatura)

Antonio José Coelho Ferraz Escrivão e Tabelião d’hum dos Officios do Público Judicial e Nottas nesta Honra de Baltar e Escrivão interino da Camera della por sua Alteza Real o Principe Regente Nosso Senhor, que Deos o guarde.
                                                                                                                                                                                                Certifico, e faço certo aos Senhores que apresente a certidão e em publica forma virem, dada, e passada por authoridade da Justiça em cumprimento do Despacho posto á margem da Petição, em como revendo

Revendo os Livros da Camera desta Honra n’um deles a folhas cincoenta e nove achei o Privilegio pedido na Petição retro, do qual seu theor he o seguinte.

Carta de Privilegios

Registo da Carta de Privilegios da estalagem Real de Matheus Luis d’Almeida do Arial, do que o seu theor he o seguinte

Donna Maria por Graça de Deos, Rainha de Portugal, e dos Algarves d’aquem, e d’alem mar em Affrica, senhora Digné, e da conquista Navegação, Comercio da Ethiopia, Arabia, Percia, e da India Nª. Faço saber a os que esta minha Carta de Privilegios de Estalajadeiros virem: que Matheus Luis d’Almeida, do lugar do Arial, Honra de Baltar, Comarca do Porto me representão por sua Petição e haver mais de trinta annos, que tinha estalajem publica no ditto lugar, com bom tracto, e conveniente comodo para os Passageiros; e porque




E porque queria gozar dos Privilegios, que lhe competia: Me pedia lhe fizesse a mercê de mandar passar Carta na forma ordenada: e visto seu requerimento, Informação, que se houve pelo Corregedor da ditta Comarca do Porto, e Resposta do Procurador da Minha Real Coroa. Hei por bem fazer Graça e mercê do ditto Matheus Luis d’Almeida que daqui em diante seja Privilegiado, e não será conscrangido a hir acompanhar preciso, e dinheiros, a ser Tutor, ou Curador de quaisquer pessoas salvo as Coradorias ou Titurias de Irmãos seus; a pagar fintas, Talhas, Peitas, e pedidos, que por mim no ditto lugar forem lançados; como também dos incargos, que ao ditto lugar pertencerem; menos os quatro officios contheudos em Minha Ordenação do Livro primeiro, titulo quarenta e cinco, de que o não es novo: É o outro sim mando, que as bestas, que elle tiver suas próprias e as que lhe troucerem mantimentos para a ditta. Estalajem lhe não sejao tomadas para o meu Real serviço

Serviço; como também os mantimentos, que tiver para provimento da ditta Estalajem; e que possa trazer vinho de fora para vender nella, e que a ditta Estalajem lhe nao seja dada, nem tomada de aposentadoria para pessoa alguma e as que nella pousarem lhe pagarão pouza das, Camas, e mais Couzas, que da ditta Estalajem lhe tomarem; e não será constrangido a servir-me por mar, ou por terra, tanto em tempo de Paz, como de guerra, nem a outras pessoas: Pelo que Mando ao Juiz Ordinario da Honra de Baltar e mais justiças a que pertencer vizitar a ditta Estalajem, a vizite todos os meses, examinando se se acha provida de todo o necessário, como pela Ordenação são obrigados a ter os estalajadeiros; se tem pronptos os dittos mantimentos afim para gente de pé, como de cavallo que nella quizerem pouzar, e dos preços por que o dão, e achando, que os reputa por mais do que commumente vallem no dito lugar ao dito tempo lhes taxe; regulando-lhe os pressos porque os deve dar, em modo, que faça conveniência, e possa conservar sempre provida a ditta estalajem; e lhe cumprão, e goardem inteiramente esta Minha Carta de Privilegios como nella



Nella se contem, e declara; sem embargo de qualquer posturas, e constituicõens feitas em contrario e não consintão que pessoa alguma de qualquer estado ou condição que seja se aponta ao ditto Privilegio sobpena de que o fazendo pagarem seis mil reis para a Minha Real Coroa; porem não conservando provida a ditta estalajem, nem observando as ditas taxas, estes Previlegios lhe não serão mais goardadas, e procederão contra elle achando-se culpado e pagou de novos direitos seiscentos reis, que se carregarão ao Thesoureiro delles no Livro quarto da sua receita e folhas trezentos e oitenta, e quatro; e registado o conhecimento em forma no Livro trigésimo oitavo do Registo geral a folhas cento e sessenta e hum a verso. A Rainha Nossa Senhora o mandou pelos Ministros abaixo asignados do seu Concelho, e seus Desembargadores do Pais. Balthezar Bezerra Lima a fez em Lisboa aos seis de Novembro do anno do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo, de mil setecentos, oitenta e dous: desta mil reis, e de asignatura oitocentos reis: Lourenço Antonio da Silva Paz o fez escrever Bartholomeu José Nunes, cartorio geral de José Ricalde Pereira de Castro, Antonio Freire de Andrade.



D'Andrade enserra... Pagou seiscentos reis, e aos officiaes mil, duzentos, e vinte e oito reis. Lisboa nove de Novembro, de mil, sete centos, e oitenta e dous . " Dom Sebastião Maldonado" Por Despacho do Desembargo do Paço de dezanove de Outubro de mil, sette centos e oitenta e dous . Registado na Chancelaria Môr da Corte, e Reino no Livro de Officios, e Mercês, a folhas cento e cincoenta. Lisboa nove de Novembro, de mil, sette centos, e oitenta e dous = Antonio Joaquim Serrão = Sello de Armas

Petição
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor
Diz Matheus Luis d'Almeida, Estalajadeiro, do lugar do Areal, Honra de Baltar, Comarca desta Cidade do Porto: que sua Magestade Sedelissima, que Deos goarde foi servida conceder ao suplicante a Carta de Previlegio de Estalajadeiro junta; e para que se cumprão e goardem ao Suplicante todos os Previlegios liberdades e izensois declarados na mesma Carta, dando-se a tudo a mais inteira e prompta observancia necessita, que Vossa Excelencia seja servido cumpridor da ditta Carta

Carta de Previlegios mandando, que se goardem ao suplicante. Pede a Nossa Excelencia seja servido cumprir a Carta do Previlegio junta, e mandar, que se goardem ao Suplicante dando-se-lhe a mais inteira e prompta observancia e receberá mercê.

Despacho
Goarde-se ao suplicante os Previlegios que lhe competirem... Porto vinte de Novembro, de mil, sette centos e oitenta e dous. Arma-la

Petição
Diz Matheus Luis d'Almeida, do lugar do Arial, desta Honra de Baltar, que sua Magestade sedelissima foi servida conceder ao suplicante a Carta de Previlegio junta, e para que se lhe cumpra, e goardem inteiramente o ditto Previlegio e as liberdades e Izensoens de que gosa, quer o suplicante, que as mercês sejão recevidos cumprir-lhes o ditto Previlegios mandando-se lhe se registe no Livro de Registos desta Camera



Camera, para em todo o tempo constar do mesmo Previlegio e se não poder proceder contra o suplicante nas izensoens de que goza. Pede a Nossa mercês sejão servidos e cumprir os Previlegios junto, mandando que elle se registe; e se cumpra, e goardem inteiramente e recebera mercê.

Despacho
Cumprasse, e registe se: Baltar em Camera vinte e trez de Novembro de mil, sette centos e oitenta e dous Coutto Queiroz – Moreira

E não contem mais os dittos Previlegios que aqui bem fielmente copiei e registei na verdade de que dou fé, e aos mesmos em poder do suplicante Matheus Luis d’Almeida me reporto nesta Honra de Baltar em os vinte e cinco de Novembro, de mil sette centos, e oitenta e dous annos. Eu Custodio José Pereira de Sousa Escrivão da Camera o escrevi, e asignei = Custodio José Pereira de Sousa



E não se continha mais no ditto assento de Previlegios, que eu sobreditto Antonio José Coelho Ferraz aqui fielmente fiz trasladar, e passar por certidão do próprio, com o qual por mim conferi, e comcertei como o Official de Justiça abaixo comigo aí co-ixeste asignado, que ambos ao próprio Livro nos reportamos, que fica no Archivo da Camera desta Honra de Baltar, a onde esta foi passada aos dous dias do mês de Fevereiro do anno de mil oitocentos e doze. Eu Antonio Jose Coelho Ferraz escrivão a fis escrever e assignei."

                                                                                                          (assinatura)



26 de julho de 2018

Barão de Santos - Cemitério da Lapa, Porto


Pedra de Armas
Descrição da Pedra de Armas e Capela:
Época – séc. XIX
Material – mármore
Escudo – de fantasia
Descrição – Partido, de Silva e Ferreira, amparando um elmo de perfil e sobre o mesmo um timbre de Silva
Capela Mortuária de Familia
Aplicado na fachada frontal da capela tumular localizada no cemitério da Lapa. Esta capela aparenta ter pouca imponência dada as suas dimensões reduzidas, em relação às existentes da sua envolvente e deverá ser a única com estas características neste cemitério. A razão desta aparência prende-se pelo facto da capela ter uma concepção “sulista”, prática corrente das construções utilizadas nos cemitérios de Lisboa. Este conceito defende áreas interiores pequenas e a interiorização dos seus corpos em espaços fechados e na exposição/representação dos seus representantes e de simbologia específicas tumulares representativas aplicadas na fachada da sua construção.
Lápide exposta na fachada principal
Já no que refere ao estilo de capelas do “Porto” e correntemente utilizados na zona norte do País é um outro tipo de conceito,completamente inversa da solução tumulares de Lisboa, apresentando uma presença “faustosa” e de “ostentação”, promovendo as construções com dimensões superlativas permitindo o acesso ao seu interior e aí se inscrevem as descrições dos seus representantes.
Esta diferença conceptual desta capela, é o bastante para ser distinguida entre as diversas capelas existentes no cemitério da Lapa, e que no presente caso resulta pela sua diferença dimensional, com aparente distinção desproporcional neste local.
A capela abriga, o Barão de Santos, João Ferreira dos Santos e Silva, nascido na freguesia de Lordelo do Ouro, no Porto, em 5 de novembro de 1799 e faleceu a 18 de setembro de 1858 e de outros seus pais e descendentes.

A Família
Este Barão era filho único de João Ferreira dos Santos e Silva, com o mesmo nome, e de Dona Maria Tomásia Narcisa Ferreira.
Casou-se a 9 de dezembro de 1826, com Dona Carolina Augusta de La Rocque (e Silva, pelo casamento), esta era natural da freguesia de S. Nicolau, Porto, tendonascido a 4 de agosto de 1812 e falecido a 24 de dezembro de 1893.
Deixou geração de filhos com algum legado, João Ferreira dos Santos e Silva Júnior, 2º Barão de Santos, D. Américo Ferreira dos Santos e Silva, cardeal-bispo do Porto, Carlos Ferreira dos Santos e Silva, Geraldo Ferreira dos Santos e Silva, 1º Barão de Ferreira dos Santos e da filha Elisa Ferreira dos Santos e Silva.
O Barão recebeu o título de Barão dos Santos pela rainha Dona Maria I, embora este título já existisse com antepassados do actual Barão de Araújo dos Santos, de João Paulo de Araújo dos Santos, em 1850.
Pertenceu ao Conselho de Sua Majestade Fidelíssima, foi Cônsul da Bélgica e teve uma breve passagem na Associação Comercial do Porto como Vice-presidente.
Em 1885 recebeu a Comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Em 1830 vivia em Massarelos, mas após a sua morte a esposa manda edificar um palacete em Lisboa para sua residência, em 1862, localizada com entrada principal pela Praça Príncipe Real, n.º 14, e com acessos também pela rua do Jasmim, n.º 25 e n.º 25A e pela Travessa do Jasmim.
Sobre esta família poderá adquirir ou consultar uma obra de Henrique Arthur de Sousa, brasileiro, pesquisador  e autor onde fez um estudo exaustivo sobre esta família do qual resultou um livro intitulado de "Entrelaços de Família História e Genealogia".
(site: http://www.entrelacosdefamilia.com.br) e e-mail: hsouza43@gmail.com

Vista do palacete
O Palacete
Mandada construir em 1862, pela viúva do Barão de Santos, Dona Carolina Augusta de La Rocque, este palacete está situado no Príncipe Real, em Lisboa. Foi sede da Legação do Japão, da Fundação Casa de Bragança e do Instituto Camões, e desde o ano de 2000 encontrava-se devoluto e ao abandono estando actualmente a ser reabilitada com os pressupostos de serem mantidas ao máximo a tipologia do palacete, adaptada para quatro fracções de habitação de âmbito privado.
Alçados antigos do palacete
O seu estilo eclético é marcado pela sua marca ornamental clássica, com um vestíbulo de entrada e marcada pela caixa de escadas de grande aparato e espaço, que é intenção da preservação de todo o edifício em todo o seu interior e exterior.
"De planta rectangular, volumetria escalonada sendo a cobertura efectuada por telhados a 2 e 4 águas e em clarabóia, em coruchéu. De 4 pisos (um deles parcialmente enterrado e apenas visível nos alçados lateral e posterior e outro, ao nível da cobertura., exibe cunhais em cantaria, embasamento revestido com placagem pétrea e superfície murária em reboco pintado, animada pela abertura de vãos de verga de volta perfeita com emolduramento simples de cantaria, a ritmo regular. Alçado principal a NE, composto por 2 pisos separados por friso de cantaria e por 3 corpos ritmados por pilastras, destacadas em planta. Destaca-se o corpo central, rasgado a eixo por portal inscrito em arco de volta perfeita, de maior pé-direito do que as janelas de peito, com avental em cantaria, que o ladeiam. O conjunto é encimado, ao nível do andar nobre, por 3 janelas de sacada servidas por varanda comum em perfil contracurvada, com base em cantaria suportada por mísulas e guarda em ferro fundido. Nos corpos colaterais, idênticos entre si, regista-se, em cada um, a abertura de 2 janelas de peito sobrepujadas por igual numero de janelas de sacada guarnecidas por varandas comuns. O alçado é superiormente rematado por cornija articulada com platibanda de balaústres ritmados por plintos e interrompida, ao nível do corpo axial, por frontão triangular com vasos metálicos nos acrotérios (também observados por plintos, no alinhamento dos cunhais), precedido de friso animado por tríglifos e métopas, e com o tímpano decorado com composição escultórica a integrar as iniciais CB. Os alçados, lateral e posterior, a SE e SO, apesar de similares ao principal, diferenciam-se especialmente ao nível do remate, com a platibanda interrompida ao centro pelo prolongamento dos corpos axiais - rasgados por janelas de sacada (3 e 2, respectivamente) articulada com varandas - superiormente rematados por frontões triangulares com tímpanos rasgados por óculos.
O Interior: destacam-se, como principais espaços de organização e distribuição da compartimentação interna, vestíbulo de planta rectangular com muros laterais animados por portas (falsas) e, muro de topo, rasgado por arco abatido em cantaria (guarnecido por guarda-vento) articulado com caixa de escadaria com muro curvo, sobrelevada e com acesso através de lanço de escada axial.
Entrada para a escadaria

Entrada para a escadaria
Nicho com escultura
Escada de lanço recto inicial e patamar - com muro animado por nicho com figuração escultórica - com traços divergentes, conducentes ao andar nobre, (uma sequência que se repete na passagem do 1º para o 2º andar) e iluminados por clarabóia em coruchéu.
Com o piso térreo desenvolvido ao nível da zona sobrelevada do vestíbulo, neste e no andar nobre, os compartimentos, directamente entre si, distribuem-se ao longo dos alçados, e articulam-se com corredores contíguos à escada. Em termos de circulação interna esta é complementada por escada de serviço no extremo O que assegura a circulação entre todos os pisos e o acesso ao jardim, contíguo ao alçado posterior.
Cronologia
1862 - construção do palácio pela viúva do 1º Barão de Santos (de apelido Santos e Silva e falecido em 1858), Dona Carolina Augusta de La Rocque, nele passa então a residir a baronesa e, não o filho primogénito e herdeiro do título (2º Barão de Santos, João Ferreira dos Santos e Silva Júnior, 1828 - 1903, empenhado em carreira diplomática) mas seu irmão, Carlos Ferreira dos Santos e Silva conselheiro e banqueiro, o Barão de Ferreira dos Santos;
1906 - era proprietário e residente no edifício, Carlos Ferreira Santos e Silva;
1924 - o palacete encontrava-se na posse de Francisco Xavier dos Santos e Silva;
1942 - Francisco Xavier dos Santos e silva continua a ser o proprietário do imóvel mas reside na rua das Amoreiras, enquanto no palacete está instalado a Legação do Japão;
1945 - até esta data funcionou a Legação do Japão;
1945 - o imóvel é alugado pela Fundação da Casa de Bragança, que aí instala a sua sede;
1970 - o palácio é propriedade de Dona Mariana de Castilho dos Santos e Silva Vaz de Almada, de Dona Maria Adelaide Castilho dos Santos e Silva de Castro e de carlos Castilho dos Santos e Silva;
Décadas de 80 e 90 - funciona no 1º e 2º andar o Instituo de Camões (antigo Instituto da Língua e Cultura Portuguesa e Instituto de Alta Cultura), enquanto a Fundação da Casa de Bragança ocupa o piso térreo;
1994 - O Instituto de Camões deixa as instalações que ocupava até então;
2000 - mudança da sede da Fundação da Casa de Bragança para Caxias, sendo o palácio fechado;"

Textos e fotos retirados de:
- https;//pt.wikipedia.org
- http://www.monumentos.pt
- http://amigosprincipereal.blogspot.com


8 de julho de 2018

Quinta do Bispo - Granja, V. N. de Gaia

O lugar da Granja era já um local de presença humana nos inícios do séc. XVII e ao que tudo indica essencialmente vocacionada para a actividade piscatória.
Tanto este lugar, como o lugar de S. Fins e de Espinho pertenciam à Paróquia de S. Félix da Marinha, situada mais a interior da margem oceânica, outrora também designada de S. Fins da Marinha.

Vista poente da casa 
(retirado de http://praiadagranja.wixsite.com/inicio/imagens?lightbox=imageedz)

Parte da fachada poente/sul
(retirado de https://granja-porumportugalmelhor.weebly.com/breve-histoacuteria.html)

Escadaria da casa
(retirado de https://www.facebook.com/pg/PraiadaGranja2/photos/?ref=page_internal)

Parte da fachada poente/sul
(retirado de https://www.facebook.com/pg/PraiadaGranja2/photos/?ref=page_internal)

Escadaria e entrada da casa
(retirado de https://www.facebook.com/pg/PraiadaGranja2/photos/?ref=page_internal)

Vista geral da quinta e casa
(retirado de https://www.facebook.com/pg/PraiadaGranja2/photos/?ref=page_internal)

Vista geral da quinta e casa
(retirado de http://praiadagranja.wixsite.com/inicio/imagens?lightbox=imageedz)

Pintura de Marco Joel Santos, da fachada poente

Em 1758, por haver território ligado à igreja naquela região e à época entender-se que os "ares marítimos" e "lugares mais abertos" eram os mais saudáveis, os frades crúzios ou Agostinianos, cónegos Regrantes do Patriarca de Stº. Agostinho do Real Mosteiro de S. Salvador de Grijó construíram uma quinta para ali se poderem instalar como objectivo de ser criada uma estância para convaslecência e repouso, e essencialmente nos períodos de maior calor.
Planta da quinta em 1912 e envolvente

Vista geral da Granja e quinta (zona central)

Esta quinta chamar-se-ia de Quinta da Granja que conforme o seu nome pretende transmitir, era ser uma pequena propriedade rural, para eventual pratica agrícola de escala reduzida ao mesmo tempo que permitia a criação da sua própria brévia para "irem a ares".
Após a iníqua expulsão das ordens religiosas sob o reinado de D. José I e governação do Marquês de Pombal, através do decreto de 3 de setembro de 1759, revertendo todos os bens para a Fazenda Nacional, a quinta terá sido arrematada em hasta publica, por D. Ana Joaquina de Mello.
Esta senhora apenas ficou proprietária durante 3 anos, vendendo-a a José António Alves Viana, casado com D. Maria Gertudes de Sousa e Cunha.
Pertenceu durante 21 anos a esta família e, em 31 de dezembro de 1860 passou, por escritura publica de venda, para as mãos de Fructuoso José Silva Ayres com a idade de 57 anos.
Quadro de Fructuoso José Silva Ayres

Pintura de Fructuoso José Silva Ayres
(retirado de https://www.geni.com)

Esta figura, nascida em Ventosa, Vouzela, no ano de 1804, tornou-se médico e politico, tendo-se casado em 1826, em Stº. Ildefonso, no Porto com D. Maria Máxima de Gouveia Osório Braga.
Adquire a Quinta, passando a ser um couto privado deste ilustre "cidadão portuense" tornando a designação deste espaço como Quinta dos Aires, sendo também sido designada de Quinta da Granja e actualmente conhecida como Quinta do Bispo.
O lugar da Granja a partir deste período torna-se um local de desenvolvimento instigado por esta figura. Constrói 7 moradias de grande requinte, para seus filhos, numa avenida que se tornaria na chamada Avenida da Granja.
Divide parcelas de terrenos para lotes para construção de casas em diversos estilos com predominância do tipo "chalet" a serem vendidos criteriosamente de modo a dar vida a esta estância balnear e negoceia com a população local, piscatória, em se deslocalizarem o bairro piscatório de humildes casebres de madeira, para uma zona menos nobre, de modo a permitir transformar o vasto areal da praia numa bela apetecida área de lazer e banhos.
Ergue-se de forma efémera uma praça de touros, campo de ténis e um campo de hipismo, aparecendo depois o afamado Hotel da Granja e a Assembleia, centro de cultura, de diversões, de bailes, de jogos e elegantes festas mundanas, edifício que ainda existe, embora actualmente em estado de degradação.


Noticia dada pelo Comércio do Porto à época

À mesma época, a 7 de junho de 1864, a linha de comboio iniciou a sua circulação com ligação de V. N. Gaia a Lisboa, atravessando esta localidade da qual mais tarde se instalou a estação da Granja, a mais graciosa e asseada das estações balneares portuguesas, imprimindo uma maior visibilidade a uma praia já elegante por excelência.
 Vista geral da praia da Granja (séc. XX)
(retirado de: http://praiadagranja.wixsite.com/inicio/imagens)

Fotografia aérea da praia da Granja
(retirado de http://portugalfotografiaaerea.blogspot.com/2013/05/praia-da-granja.html)

Todo este empenho de Fructuoso José Silva Ayres ao criar a Praia da Granja, transformou o ambiente desta estância num pólo de puro elitismo, de um mundo social e intelectual muito próprio. Há relatos de jornais, à época, da chegada de algumas famílias do costume: só fidalguias.
A Granja tornou-se num local privilegiado e elegante, como local de cavalgadas, de quermesses, de torneios de ténis e de cricket, de bailes e concertos, de tardes de chá e bridge... um local de principies e princesas, um local de contos de fadas.
A 9 de março de 1881, morre na sua casa, na Granja, esta figura de especial relevo, para esta terra, e que não o mais esquecerá.
Testamento de Fructuoso José Silva Ayres, de 20/nov/1880

(retirado de http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/documents/17645/)

Dos seus 7 filhos, um tornou-se bispo de Betsaida e outro uma figura emblemática do Porto, tendo-se casado com D. Virgínia Maria Teresa de Brito e Cunha, na quinta do Ribeirinho, em Matosinhos. 
Foi Vereador e mais tarde se tornou Presidente da Câmara desta cidade entre os anos de 1886 e 1887.
Era também um abastado negociante de vinhos e foi Conselheiro da Santa Casa da Misericórdia, Bacharel em medicina, cirurgia e filosofia pela Universidade de Coimbra e foi sócio do Instituto Literário de Coimbra.
Doutor em medicina pela Universidade de Edimburgo e médico do Hospital da Misericórdia e da enfermaria do Hospital de Santo António, no Porto.
Lente da Escola Médico-cirúrgica do Porto e Directora da Associação Comercial do Porto e Presidente da Associação Industrial Portuense.

Da casa pouco ou nada se sabe. Desconhece-se se a velha casa conventual sofreu alterações à traça inicial, sendo certo que o seu espaço se mantém murado em toda a sua envolvente através de muros altos monásticos.
A entrada principal faz-se por portal principal a nascente com pedra de armas (não identificadas), tendo igualmente outras entradas de menos relevância em cada face do muro, a norte, sul e poente.
Portão principal da entrada da quinta - Nascente

Vista da entrada e muro com fontanário (Nascente)

Pormenor decorativo junto ao pilar do portão com terminus em espiral

Pormenor do fontanário extra muros da quinta


Vista geral da entrada principal 

Entrada secundária da quinta com data e nome

Pormenor decorativo para fechadura de porta, com cruz no cimo


Vista de entrada secundária lateral (a sul)

A Pedra de Armas deverá merecer um estudo mais aprofundado, desconhecendo-se a sua origem, contudo desta família nobre há conhecimento de um dos seus filhos foi um Fidalgo cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e de Isabel a Católica, de Espanha, e foi Cavaleiro da Legião de Honra, de França.
Pormenor do frontão do portal de entrada

Pormenor de Pedra de Armas, com símbolo real inserido em escudo e sob coroa


Informações e fotos recolhidas de:
htpps://wikipedia.org
http;//praiadagranja.wixsite.com
https://www.geni.com
http;//www.britoecunha.com
https://granja-porumportugalmelhor.weebly.com
http://portugalfotografiaaerea.blogspot.com
http://gisaweb.cm-porto.pt
http://www.freguesias.pt/freguesia.php?cod=131717