NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

26 de junho de 2019

Brasão dos "Moreira Couto" - Porto




Foto pessoal - vista da pedra de armas

Pequena informação:
Mandada erigir, possivelmente, pelo Dr. Bartolomeu Moreira Couto, advogado da Relação do Porto e oficial do Santo Ofício, que em 1739 desposou Dona Antónia Josefa Caetana de Oliveira Pinto, na Quinta do Outeiro, de Fonte Arcada.
Todo o seu aspecto, genuinamente portuense, nos faz lembrar esses livros que nos recordam esse culto que havia pelo lar, descritas por Camilo Castelo Branco e Arnaldo Gama, onde se narra o retrato típico de certas casas do velho burgo, no qual se incluía a Casa dos Moreiras.
Maior é sem duvida o seu significado, quando animados por uma pedra de armas, com os apelidos dos Moreiras e dos Coutos, alteada no seu cunhal e duma aproximação demasiada do beiral da casa, a qual ornada profusamente por volutas, conchas e festões evidencia o "barroquismo" da época de D. João V, sendo um óptimo documento histórico da cidade.
Situa-se no cunhal do prédio virada para a igreja do Carmo, no gaveto da Praça Gomes Teixeira com a Praça de Carlos Alberto, nº. 128.

Foto pessoal - vista da pedra de armas

Descrição da Pedra:
Classificação:    Heráldica de Família
Época:              Séc. XVIII
Escudo:             de fantasia
Material:           Granito
Formato:           Partido
Leitura:             I - Moreira
                         II - Couto (de Benambar)
Timbre:           de Moreira (um lobo de vermelho, sainte, com um escudete de armas ao peito);
Elomo:              de perfil, sem paquife;
Ornatos:           do estilo da época, ostenta dois fartos festões de flores e folhagens, vistosos e típicos, com aparatoso exemplar de pedra armoriada;
Cores:              I, de vermelho, com nove escudetes de prata, cada escudete carregado de uma cruz flordelizada de verde;
                     II - de vermelho, com um castelo de prata, lavrado de de negro, aberto e iluminado de verde, sobre um rio de prata ondado de três peças de azul;


Texto retirado de:

Brasões e Pedra de armas, de Manuel Cunha
Pedras de Armas do Porto, de Armando Mattos




19 de maio de 2019

Brasão dos "Bravo e Ferraz", Porto

Foto pessoal - vista da pedra de armas

História:
A casa dos Ferraz Bravo está classificada como Imóvel de Interesse Público e é igualmente conhecida por Casa dos Maias - nome da ultima família que a habitou.
Esta casa apalaçada foi construída ainda no século XVI, pelo fidalgo Martim Ferraz, descendente de uma família nobre do Entre Douro e Minho. Situa-se na Rua de Santa Catarina das Flores, topónimo da artéria manuelina depois simplificada para Rua das Flores, onde até então estavam as hortas do Bispo do Porto de então: Bispo D. Pedro da Costa.

Fotos pessoal - símbolo da Roda da Navalha

Este bispo tinha tanta devoção por Santa Catarina de Alexandria, que fizera adoptar a Roda das Navalhas como seu brasão de armas, copiando de seu tio Cardeal Alpedrinha, e nomear a rua como rua de Santa Catarina das Flores, tendo a sua marca nos dois cunhais do edifício.
Esta rua seria uma das principais vias da cidade, onde se edificaram muitas moradias senhoriais. Os Ferrazes e Bravo, por consórcio da família Ferraz com o então fidalgo Manuel Bravo, foram proprietários da casa até ao século XVIII, com a morte do ultimo elemento da familia, Pedro Ferraz de Melo, casado, mas sem descendência.
A propriedade terá passado para a Ordem de S.Francisco altura em que foi adquirida por Domingos de Oliveira Maia, figura da cidade e associado a brasão pessoal existente numa sua moradia na foz e em final de sua vida no seu jazigo na Lapa.
Trata-se de um amplo edifício com loja, sobreloja e andar nobre, cuja feição quinhentista foi radicalmente alterada por obras setecentistas.



Fotos pessoal - fotos da degradação tida ao longo do tempo

Na fachada principal, de linhas barrocas, rasgam-se oito janelões sobrepujados por frontões triangulares, com varandas de ferro forjado, sobre igual numero de janelas da sobreloja, duas das quais ficam parcialmente obstruídas pelas grandes pedras de armas que figuram os brasões partidos dos Bravos e dos Ferrazes, enquadrando os dois portais centrais.
Estes brasões são constituídos por escudos de armas que podem ser quinhentistas, embora estejam montados numa estrutura ornamental com posta por volutas e enrolamentos barrocos, talvez em resultado das intervenções realizadas no século XVIII.
Sobressai ainda, como característica particular desta fachada, o beiral, muito saliente, assente numa série de cachorros em granito.
No interior, a casa possui uma larga escadaria em granito, com dois lanços laterais e um lanço central, em cujo corrimão se apoiam seis colunas elevadas até ao piso nobre. Nos salões existem tectos de estuque trabalhado.
A planta do conjunto é um U, definindo um pátio nas traseiras, pavimentado em lajes de granito, onde terá existido uma fonte barroca, da qual resta a taça e o grande golfinho que serviria de bica. 
Data da época das obras de renovação do imóvel, certamente meados do século XVIII, a construção de uma capela no pátio, atribuído o risco ao artista Nicolau Nazoni.
A capelinha, de planta octogonal era revestida a talha. Mais tarde foi colocada na capela da Quinta do vale de Abraão, em Lamego, pertencente aos mesmos proprietários.
Durante o século XX esta casa foi tendo o seu declínio pela ausência de vida, sofrendo vandalismos e destruição em todo o seu interior.
É perfeitamente visível o seu estado lastimável do seu exterior, sendo contudo garantida a sua traça, portais, janelas, gradeamentos e pedra de  armas ainda em bom estado.
Os herdeiros de Oliveira Maya, passaram a ser os proprietários desta casa, os Pereira Leitão e, destes, os Serpa Pimentel.
Na segunda metade do século XX, passou por compra aos Paulo Vallada, que a terão vendido aos actuais proprietários.
Recentemente com a recrudescer da cidade do Porto e o forte investimento turístico esta casa está em restauro/modernização. Esperemos que os seus proprietários dignifiquem a sua história. 

A pedra de armas tem a seguinte descrição:
Classificação:    Heráldica de Família
Época:              Séc. XVII ou XVIII
Escudo:             Francês ou quadrado, com os cantos superiores contra-curvados cortados
Material:           Granito
Formato:           Partido
Leitura:             I - Bravo
                         II - Ferraz
Cores:              I, de azul, com castelo de ouro, enxaquetado de vermelho, encimado de três torres de prata, aberto e iluminado de negro, a porta carregada de leão de ouro e sobre ela, um escudete de azul com três flor-de-lis de ouro; o castelo acompanhado, em chefe, de duas águias de prata voantes sobre as torres laterais, e assente num contrachefe de prata faixado-ondado de três peças de azul;
                        II - de vermelho com seis rodelas de prata, cada um carregado de três fiaxas de negro, postas em grupo de 2,2,e 2;


Texto retirado de:
Brasões e Pedra de armas da Cidade do Porto, de Manuel Cunha 
Facebook, " A Arte da Heráldica de Família em Portugal, parte de comentários de Manuel Azevedo Graça
                        

12 de maio de 2019

Os "Bragança", estátua D. Pedro V, Porto


Foto pessoal - vista frontal da pedra de armas

História:
D, Pedro V, de Portugal, de nome completo: Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio de Saxe Coburgo e Bragança; 16 de setembro de 1837 - 11 de Novembro de 1861, cognominado - O Esperançoso, O Bem-Amado ou O Muito Amado, foi rei de Portugal entre 1853 e 1861.
Era o filho mais velho da rainha D. Maria II, de Bragança, e do seu consorte D. Fernando II, primogénito do príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota-Koháry, e primo de Leopoldo, rei da Bélgica.
Foto pessoal - vista da estátua


Estes membros das casas reais, portuguesa e belga, estão também referenciadas na mesma estátua implantada na Praça da Batalha, no Porto com várias pedras de armas representativas da família.
Foto pessoal - vista angular da pedra de armas 

Descrição:
Brasão: Bragança
Material: Mármore
Época: Contemporânea/Séc. XIX
Estilo: Eclético
Família: Casa de Bragança
Estado de conservação: Bom
Classificação_ Heráldica de Família
Escudo: Francês ou Quadrado
Formato: Pleno
Leitura: Bragança
Timbre: dos Bragança, pescoço e cabeça de cavalo bridado e enfreado a ouro
Coroa: de Nobreza
Cores: Escudo de prata, uma aspa de vermelho brocante, carregada de cinco escudetes com as quinas de Portugal




16 de março de 2019

Cruz de Mosteiro (?), em Vandoma, Paredes


Foto pessoal - vista da cruz


Cruz de Mosteiro (?), em Vandoma, Paredes

A Cruz 

Esta cruz era assunto de conversa desde há muitos anos. Com o passar do tempo o espaço aonde se situa era apenas um pequeno campo agrícola e que os residentes locais foram com o tempo fazendo desaparecer as marcas nelas possivelmente existentes.
Hoje em dia já se encontra de pé e delimitada por muros de pedra amontoada que entronca com caminho em terra batida e que segundo dizem é pertença da Diocese do Porto.
Estes pequenos indícios ajudam a perceber de que algo de uma ínfima história haverá por detrás destas marcas.
Em conversa com morador local foi dito que há muitos anos e após o 25 de abril ocorreram àquele local alunos a estudarem o terreno tendo sido apanhadas amostras e recolhidas (sabe-se lá para quem?) ao qual não mais permitiu dar garantias da existência religiosa naquele local. 
O que é certo, e que a história aparentemente pretende demonstrar, é de que em Vandoma existiu um mosteiro, com origens eremíticas e ao que tudo indica de uma ordem religiosa regular dos Premonstrateneses com linhas orientadores da ordem do Santo Agostinho.
Os limites actuais estão bem definidos pelos limites dos muros e casa adjacente, sendo que a tardoz tal já não permite perceber o seu fim.
O local, há mil anos atrás, justificava plenamente toda a filosofia eremítica daquele tempo, isto é, isolado, de uma pequena comunidade destinada à devoção da sua fé, mas próximos da comunidade populacional, para garantia de manutenção do povoado e interligação espiritual da mesma. Dava garantias da proximidade a uma via de ligação e ao grandes centros populacionais e religiosos, a estrada de ligação entre Porto e Penafiel e também de uma proximidade da ligação entre Valongo a Entre-os-Rios.
Esperemos que se venha a desenvolver mais estudos aprofundados sobre este mistério e que até à data pouco há de garantias da veracidade deste tema e deste local. 
vista geral da serra do Muro - google maps

vista do Lugar de Palhais, Vandoma - localização da cruz

possível delimitação actual do terreno - localização da cruz
foto pessoal
foto pessoal
foto pessoal


A História 
A Serra do Muro de Vandoma/Baltar, concelho de Paredes, aparece registada em documentos medievais por "mons Benidoma ou Bendoma" representando uma referência fundamental ao território circundante, pela sua altitude de 519 m, e como tendo as condições naturais de defesa e do domínio visual de grande alcance.
Os vestígios arqueológicos apontam para uma ocupação desde o Bronze Final (1300-700 a.c.) até à Idade Média.
O topónimo Serra do Muro advém da existência de uma muralha com cerca de 4 m de largura e de 3.927 m de perímetro, num circuito contínuo mas irregular e que abrange as duas freguesias limítrofes, de Vandoma e Baltar.
Este muro é construído por pedra aparelhada entre si e assentes em seco, constituído por dois paramentos paralelos preenchidos interiormente com pedra miúda.
No interior do recinto amuralhado aparecem à superfície materiais líticos, fragmentos de cerâmica doméstica e tégula resultante de uma povoação castreja, como muitas povoações deste género que se espalharam pelo norte de Portugal.
Na sua envolvente próxima foi recolhida uma ponta de uma lança de bronze e de muitas outras peças recolhidas por particulares e que ao longo deste o século XX tem permitido aos historiadores de se servirem dessas ferramentas para compilação de matéria histórica e enriquecimento local.
Mas nem tudo foi conseguido como matéria factual, pois há relatos e escritos da existência de ter existido um mosteiro nesta serra do Muro e que pouco  ou nada se sabe do local e da sua existência.

Contudo, comecemos pelos antecedentes históricos que possivelmente permitiram fundamentar e crer nos primórdios da sua origem e existência.
Na obra "Eremitas Portugueses no séc. XII", de José Mattoso, out. 1971, é descrita em forma de abordagem, do papel dos eremitas, como principais fenómenos da vida cristã e que tudo leva a crer que esta presença isolada dos eremitas terá tido as suas origens nos séculos XI e XII em Portugal.
Os eremitas desempenharam um papel importante no crescimento da nação. Por eles se interessaram o poder régio e das autoridades eclesiásticas, tendo partilhado na politica do repovoamento e na prestação de serviços a viajantes, inserindo-se em acções de carácter económico e social.
No mesmo documento, aborda a vida eremítica não só isolada mas também de pequenos grupos que se situavam em lugares e de igrejas isoladas, não paroquiais ou destituídas de clérigos.
Aquela imagem de anacoretas que viviam completamente isolados e sem qualquer igreja ou capela, tal como por vezes temos essa visão das lendas populares, só muito raramente se poderá comprovar de terem existido, havendo contudo situações possíveis e pontualmente localizadas.
Grande parte da cronologia referida na obra, refere-se ao período a partir do ano de 1106, com o Conde D. Henrique, na região do condado Portucalense, passando a incrementar e com maior impulso com a intervenção afincada de D. Afonso Henriques, podendo-se inferir nestes documentos que terão tido um acentuado interesse do rei, pelos eremitas, durante os primeiros anos do governo.
São os exemplos de:
ano de 1106 - S. Romão de Seia, Seia, com doação a presbíteros, para povoarem e cultivarem a região;
ano de 1120 (?) - S. Eufémia de Ferreira de Aves, Satão, com referência a um eremitério;
Com o poder régio de D. Afonso Henriques, os mosteiros e os bispados, foram crescendo com cartas e doações que se conhece pela documentação existente, tais como:
1127 - S. Vicente de Fragoso, Barcelos, carta de couto ao eremitério local;
1133 - S. Comba do Rio Corgo, Stº. Marta de Penaguião, carta de couto a eremitas locais;
1134 - S. Pedro da Cova, Gondomar, doação aos seus monges, com o consentimento do Bispo do Porto;
1139 - S. Cristóvão de Lafões, S. Pedro do Sul, carta de couto a eremitério de Lafões;
1140 - S. Marinha de Vilarinho de Parada, Sabrosa, carta de couto à ermida local em favor da congregação de D. Nuno Gonçalves;
1140 - S. Cruz do Bispo, Maia, a prioresa do mosteiro de S. Cristóvão de Rio Tinto doa a confrades da ermida local;
1141 - Santiago de Sever do Vouga, Sever do Vouga, unem-se ao mosteiro de Tarouca e mais tarde recebem carta de couto, pela parte do rei D. Afonso Henriques;
1142 - S. João do Rio Arda, Sela, Arouca, o rei concede direitos e obrigações ao mosteiro de Grijó com a obrigação de manter eremitas junto ao Rio Arda;
1145 - S. Miguel da Ermida de Riba Paiva, Castro Daire, o rei dá uma herdade na ermida de S. João da Foz do Douro a D. Roberto e seus confrades, da ermida de Rio Paiva;
1146 - S. João de Recião, Várzea de Abrunhais, Lamego, D. Afonso Henriques concede carta de couto a Mendo Soares e às monjas;
1148 - S. Miguel do Bouro, Amares, o rei dá a D. Nuno, abade do mosteiro e à comunidade, a igreja de Santa Marta e mais tarde outras regalias;
Finalmente,
em 1180, S. Eulália de Vandoma, Paredes, D. Afonso Henriques concede carta de couto ao mosteiro de Vandoma: Inq. 573 (DR I p. 532, ref. 88).
e, em 1186, o Bispo do Porto, D. Fernando Martins, contempla a ermida de Vandoma no seu testamento (Censual Cabido da Sé do Porto, 388).
Concluí-se que, com esta descrição, que desde 1133 a 1148 existiu um acumular de referências à existência de eremitérios e suas relações com a igreja, associados a locais de repovoamento ou a locais mais isolados que permitiam a existência humana e o comprovar do domínio Portucalense que D. Afonso Henriques pretendeu demonstrar, inferindo um acentuado interesse pelos eremitas durante estes primeiros anos do seu governo.
É visível, pelos documentos, que o movimento eremítico atingiu o seu auge entre estes anos, sendo contudo mais tardio do que no centro da Europa, onde a sua intensidade se verificou durante o século XI.
O eremitismo português não cessa no fim do séc. XII, mas desloca-se provavelmente mais para Sul, acabando por desaparecer durante o final desse século.
Contudo, a literatura religiosa e profana mais conhecida em Portugal parece ainda manifestar um ambiente favorável ao eremitismo pelos séculos XIV e XV.
Pela documento junto constata-se que a distribuição eremítica do mapa Portucalense, verifica-se essencialmente nos arredores dos burgos importantes, a cidade do Porto, com Santa Cruz do Bispo, S. Pedro da Cova e Vandoma e da cidade de Lamego, pelo mosteiro de Recião. São os restantes, e em segundo lugar, que a escolha se propagou pelas franjas de lugares que estavam em vias de repovoamento no principio do séc. XII.
A posição geográfica dos eremitérios estudados parece, portanto, relacionados com situações de povoamento do País, embora não fossem lugares completamente desertos, pois ficavam à beira de terras possivelmente repovoadas no final do séc. XI, permitindo manter a afixação dos habitantes a lugares de fraca densidade humana.
Por estas razões não admira que a autoridade régia tenha querido favorecer os eremitas concedendo-lhes privilégios importantes e gratuitos, pois essas cartas não mencionam qualquer preços ou dádiva oferecida pelos interessados, como foi o caso de Vandoma.
Se o estado e evolução do repovoamento determinaram as zonas escolhidas pelos eremitas para se fixarem, as estradas e caminhos existentes na altura, ou que então se criaram, devem tê-los induzido a fixarem-se em lugares mais determinados. Com efeito, verifica-se, noutros países, que os anacoretas medievais procuravam frequentemente sítios desertos, mas junto ou perto de estradas e burgos, e não tanto em solidão absoluta. Permitiam-lhes obter alguns géneros e utensílios indispensáveis para a sua subsistência, e praticar a hospitalidade.
O fenómeno verifica-se também entre nós, apesar de os mapas das vias portuguesas serem mal conhecidos, contudo é bem visível que nalguns casos mostram claramente que os monges estavam bem servidos de comunicações, e podiam, sem dúvida alcançar as vias mais importantes, pois ao longo dos seus trajectos existiam desvios, como é o caso de Vandoma, que com a ligação entre o Porto para Penafiel ou para Entre os Rios, através de Valongo, tanto o mosteiro de S. Pedro da Cova como o de Vandoma facilmente esses caminhos poderiam ser alcançados e permitir comunicarem e interligarem-se rapidamente.
Eremitas Portugueses do Século XII - Mapa com localização ao eremitério de Vandoma

Estas comunidades eremíticas não tinham uma ordem rígida religiosa a seguir, contudo o mosteiro da Ermida de Santa Maria de Paiva, em Castro Daire, seguia, em Portugal, as regras da Ordem Premonstratense, uma ordem de cónegos regulares que seguiam a Regra de Santo Agostinho, fundada em Prémontré, localidade no norte de França, por S. Norberto (1082-1134), por volta de 1120 e aprovadas pelo Papa Honório II, em 1126. De Vandoma nada ou pouco se sabe, mas existem indícios que a põe em relação com a ermida do Corgo, e portanto com os Premonstratenses. Aqui era habitada por uma comunidade regular durante o séc. XIII.
Instrumentos de acesso à informação das Instituições Monásticas Beneditinas - referência ao mosteiro de Vandoma (ver ultimo da lista)

Esta ordem entrou pela Península Ibérica pela Catalunha, e expandiu-se pelos vários reinos cristãos peninsulares nos séculos XII e XIII.
Em 1515, no caso de Vandoma, aquando da tomada de posse e parte das suas rendas para a Ordem de Cristo, já é mencionado como o "mosteiro de Sancta Eollalia de Bandoma do dicto bispado do Porto ora tornado em igreja paroquial". Foi extinto em 1570. A igreja passou então a abadia secular, anexada ao Colégio de São Lourenço da Companhia de Jesus, Porto. Há registos que dois dos seus altares encontram-se na actual igreja matriz e que algumas pedras deste mosteiro foram aproveitadas nas casas e muros das pessoas que entretanto se estabeleceram naquele local.
Da Galeria de Ordens Religiosas e Militares, desde a remota antiguidade até aos nossos dias (1847) - breves referências ao mosteiro de Vandoma

Este mosteiro deixa importante legado histórico ao longo dos tempos, assim como Vandoma teria conseguido reunir um significativo espólio cultural e arquitectónico, mas que aparentemente se transformou em ruínas ou desapareceu, desconhecendo-se ao certo o seu verdadeiro lugar.
Há quem refira, o lugar de Palhais como o verdadeiro lugar, devido a pequenos vestígios encontrados e onde se localiza esta cruz com que iniciamos este assunto.
Há conhecimento, por referencias de moradores locais, que após a revolução de abril, várias escolas vindas da cidade do Porto se deslocaram àquele local e que reuniram um conjunto de materiais antigos, como por exemplo, moedas e outros acessórios, que demonstram que naquele local existiram indícios de actividade humana posterior ao Bronze Final.
Corografia portuguesa e descrição topográfica do famoso reyno de Portugal (Tomo I9, de P. António Carvalho da Costa (1706) - breves referências ao mosteiro de Vandoma


A Ordem Premonstratenses
A Ordem de São Norberto, actualmente chamada de Ordem Premonstratenses, ou dos cónegos regulares Premonstratenses, também conhecidos por cónegos Brancos ou cónegos de São Norberto, consiste num ramo que derivou da Ordem dos cónegos regulares de Santo Agostinho, fundado em 1119 por São Norberto (nascido em Xanten, no Baixo Reno, por volta do ano de 1080) em Prémontré, um pântano isolado na floresta de Coucy, na diocese de Laon, França.
A Ordem disseminou-se facilmente. Ainda em vida do seu fundador, já existiam casas premonstratenses na Síria e na Palestina. Manteve durante muito tempo a sua austeridade rígida mas, ao longo do tempo, à medida em que a Ordem ia enriquecendo, em Portugal, estabeleceram-se na Ermida de Paiva e talvez no mosteiro de Vandoma, mas a sua história está deficientemente registada.

Quem foram:
Foram cónegos regulares, isto é, religiosos que formam uma igreja local em torno do Abade e em comunhão com a igreja de Roma.
São religiosos sacerdotes, homens que procuram seguir os exemplos de Jesus Cristo e viver o Evangelho, consagrados a Deus pela promessa de conversão continua dos costumes pelos votos de castidade, pobreza e obediência, ordenados para o serviço para o povo de Deus.
A Ordem Premonstratenses foi fundada por São Norberto, o Apóstolo da Eucaristia, em 1121, em Prémontré ("mostrado antes").
O ideal de vida está em Actos Apostólicos 4,32: "A multidão dos fieis era um só coração e uma só alma". É dessa maneira que buscamos viver e, para organizar nossa vida comunitária, seguimos a Regra de Santo Agostinho.

Espiritualidade Premonstratenses:
São homens de oração, assim podendo obter a realização profunda do ser, "que está sempre inquieto enquanto não encontra Deus", como diz Santo Agostinho.
Como Premonstratenses, receberam do fundador, São Norberto, duas heranças especiais: a Adoração Eucarística e um Amor Especial por Maria. Nossa espiritualidade, como a de todos os cristãos, consiste em buscar sempre a união com Deus pela vida no Espírito de Jesus. No íntimo de nosso coração e, na vida litúrgica da comunidade, procuramos a paz da intimidade com o Pai.

Informação e documentação retirados de:
- Eremitas Portugueses no Século XII, de José Mattoso, Centro de Estudos Históricos, Lisboa, Out. de 1971;
- Estudos em Homenagem ao Prof. José Amadeu Coelho Dias, em Os Instrumentos de acesso à informação das Instituições monásticas beneditinas: uma abordagem critica, de Fernanda Ribeiro (Fac. Letras da Univ. do Porto, pág. 309;
- http://www.cm-paredes.pt
- https://pt.wikipedia.org.wiki.vandoma
- http://www.municipiosefreguesias.pt
- https://www.geocaching.com
- https://books.google.pt
- Cadastro de Fundos/MON/CVSEVPRD, convento de Santa Eulália de Vandoma - Paredes 1544-1562
- htpps://www.zeemaps.com
- http://a-origem-do.homem.blogspot.pt
- https://www.visitemontemuro.pt

9 de março de 2019

Casa e Quinta do Fojo, Canidelo, Gaia


Foto pessoal - vista da pedra de armas


retirado de www.facebook.com/Canidelo


CASA E QUINTA 
DO
FOJO
-
CANIDELO
-
V. N. DE GAIA


retirado de www.geocaching.com

retirado de canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.com


A Origem da Família Neville

Família inglesa cujo apelido aparece também com a forma de Neville e N. incorrectamente, encontram-se outras grafias como, Nevel, Nerwill, Nuil. Provém esta família de Gilbert Neville, almirante de Guilherme (1028-1087), o Conquistador, de quem foi bisneta Isabel de Nevill (1175-1254), e que se casou com Robert Fritz Masdred, bisneto por varonia do primeiro Conde Northumberland. Destes ficou herdeiro Geoffrey de Nevill (1197-1242), sucessor da casa e governador de Northam Werk pai de Ralf Neville, primeiro Barão de Neville, de quem foi neto John, terceiro Barão, cavaleiro da Ordem da Jarreteira e notável general casado com lady Elisabeth, herdeira do quarto Lord Latimer.
gravura de Ralph Neville - en.wikipedia.org

desenho de Ralph Neville - luminarium.org

Nasceu deste matrimónio Ralp Heville (1364-1425), Conde de Westmorland, também cavaleiro da Ordem da Jarreteira, marechal da Inglaterra, que se casou primeiro com margarida, filha do Conde de Strafford, e depois com jane, filha de John of Gaunt, Duque de Lancaster, terceiro filho de Eduardo II.
Dos dois casamentos nasceram vinte e dois filhos sendo o segundo Eduardo, primeiro Barão de Abergavenny, que também foi casado duas vezes, a primeira com lady Elisabeth Beauchamp e em segundas com Katherina, irmã do primeiro Duque de Norfolk.

armas de Neville - pt.wikipedia.org

Sir Cristopher Neville (?-1649), quarto neto do mencionado primeiro Barão de Abergavenny e filho segundo do sexto barão, contraiu matrimónio com Mary, filha co-herdeira de Tomas Darcy, e teve por filho segundo William Neville, general de carreira militar e proprietário desta casa senhorial, no Canidelo, em V. N. de Gaia.

A História

A casa  e quinta do Fojo, de concepção senhorial, foi construída em 1714 por William Neville, general inglês, descendente da linha directa de Ralph Neville, avô e bisavô de reis ingleses.
Refugiou-se em Canidelo, V. N. de Gaia, fugido de Inglaterra, pois era apoiante do Duque de York durante a Guerra Civil inglesa, aquando da sucessão ao trono, com a morte da rainha Ana, da casa de Stuart, e que nãod eixou herdeiros, passando pelo decreto do Estabelecimento em 1701 a sucessão a seu primo Jorge I, da casa de Hanover.
Em meados do séc. XVIII a casa passa para seu filho João Neville, que por casamento com dama da nobreza portuguesa da família Saavedra, segue esta casa com nova linhagem desta família em Portugal.
A casa surge já mencionada nas Memórias Paroquiais de 1758, onde refere que a freguesia de Santo André de Canidelo tinha "outra capella dentro de hua que possui João Neuel (Neville), de nação Britanica com o nome de São João Evangelista." (Costa, 1982, p.54)
A história deste palacete atravessa o séc. XIX com histórias episódicas marcantes do país da própria casa e da família.
Um século mais tarde, aquando das Invasões Francesas, General Wellington traz uma carta de recomendações para a família Neville, que o hospeda e lhe permite fazer da casa do Fojo o seu quartel-general das forças anglo-portuguesas durante o ataque à cidade do Porto pelas tropas napoleónicas.
Esta presença pode-se comprovar pelas "Ordens da Divisão do General Hamilton", assinadas pelo então chefe de família Saavedra, D. José Pinto da Cunha Godinho Saavedra, que esta casa serviu de apoio às forças anglo-portuguesas.
O irmão e filhos de D. José foram ajudantes de campo de vários generais ingleses, pela sua valentia e ainda por falarem inglês e outros idiomas com bastante fluência.
Mais tarde, já Dona Josefa Neville, 5ª senhora da casa do Fojo, bisneta de William Neville e May Tyson proprietária da casa, armou cavaleiro o futuro Marechal Saldanha amigo da família dos Saavedras.
Já no decorrer da Guerra Civil de 1832-1834, a casa tornou-se quartel-general dos Miguelistas tendo sido atacada e tomada pelos Liberais. Ali fuzilaram dois frades miguelistas do vizinho Convento do Vale da Piedade, aí escondidos e ali ficaram enterrados. Capturaram também o proprietário da casa, D. José Saavedra e sua irmã que foram poupados ao fuzilamento pela intervenção de D. Tomás Saavedra, irmão de ambos e oficial das tropas liberais (mais tarde designado Barão de Saavedra).
Em meados do séc. XIX, no ano de 1847, aquando da Guerra da Patoleia, aqui esteve instalado o regimento de Infantaria 10, leal à Junta do Porto e liderado pelo Coronel José Maria Magalhães à espera do resultado da Convenção de Gramido, assinada pelo General da Junta, César Vasconcelos e o General Castelhano Concha, em 30 de junho, com a qual se pôs termo às guerras liberais.
Finalmente, no ano de 1952, por lá tiveram uma breve passagem aquando do regresso de Berna, D. Duarte Pio de Bragança e sua Esposa maria Francisca de Orléans e Bragança, com seus dois filhos de então D. Duarte e D. Miguel, por empréstimo do actual proprietário, o 3º Conde da Covilhã, Júlio Anahory de Quental Valhariz, riquissímo banqueiro, industrial e empresário agrícola do Norte do país.


A Casa e Quinta


vistas da quinta - google earth


Era uma extensa propriedade que integrava várias casas, jardins, noras, lagos e matas de grande beleza. Actualmente está bastante fragmentada, embora a casa se mantenha com a sua estrutura praticamente original. Asua grande área territorial da quinta foi diminuindo gradualmente ao longo da sua existência tendo sido acompanhada pela separação da linha de caminhos de ferro e pela VCI, evolução natural do crescimento urbano da cidade e da evolução da sociedade.


nora (foto do autor)

estátua em jardim (canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.com)

tanque de água em jardim (canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.com)


Actualmente grande parte da parcela de terreno que ainda a incorpora está transformada num clube de golfe, desde 1997, restando uma área envolvente reservada à própria casa de residência.
Desconhece-se quem foi o autor responsável pela construção da habitação, mas o imóvel que hoje se conhece, é composta por casa, capela e pátio.
Mantém a linguagem setecentista da época, "... onde a fachada se impõe como principal elemento dinamizador da arquitectura, com vãos simétricos, cujo ritmo converge ao centro, na composição formada pelo portal e janela de sacada no piso nobre.
Todavia, encontramos aqui muitos elementos que anunciam soluções próprias do neoclassicismo que se impôs na cidade do Porto, no ultimo terço do séc. XVIII, por influência da comunidade inglesa aí estabelecida.
Facto que se compreende se tomarmos em consideração a nacionalidade dos seus proprietários, que assim anteciparam uma linha arquitectónica que viria a caracterizar o Norte do país, por oposição ao barroco de Nazoni, preponderante até então.

fachada principal (canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.com)


fachada principal (www.golfojo.com)

Estes elementos tão particularmente visíveis ao nível da composição central da fachada, com moldura em cantaria de junta fendida ou rusticada, que recorda tantos outros edifícios portuenses, entre os quais destacamos o Hospital de Santo António, que se viria a firmar como modelo privilegiado do novo gosto. remata esta secção um frontão triangular, que interrompe a balaustrada de pedra. Este tornar-se-à um dos recursos mais empregues na arquitectura portuguesa, muitas vezes entendido enquanto sinal de prestígio. O seu emprego foi tão generalizado que, já em 1871, Ramalho Ortigão referia que o frontão era uma ideia fixa, inabalável, birrenta. Um edifício é um pretexto para um triângulo. " (França, 1990, p.321)


vista da fachada de outro ângulo 
(canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.com)


(...) Mas a casa mantém a sua estrutura de dois pisos, com janelas rectangulares na fachada principal, de sacada no andar nobre. ladeiam a frontaria dois corpos idênticos, com portal recto encimado por frontão semicircular e janela, a que se sobrepõe um frontão com óculo cego. O da esquerda corresponde à capela, dedicada, como referimos, a par de uma austeridade a São João Evangelista. Todo o conjunto denota grande unidade e simetria a par de uma austeridade decorativa que se afasta dos modelos barrocos. As restantes fachadas apresentam uma configuração simples, com vãos proporcionados de moldura recta, apenas quebrada por diversas varandas e alpendres de desenho mais cuidado, entre os quais se salienta o terraço junto à capela, com estatuária." (Rosário Carvalho, in www.patrimoniocultural.gov.pt)
Com dois pisos e três corpos, sendo o central a mais marcante pelas suas 5 janelas gradeadas, no 1º andar, e por cima da janela principal aparenta o frontão triangular, saliente da platibanda, ornamentada por uma estátua e vasos de granito. No rés-do-chão, outras tantas janelas e porta alinhadas com as superiores.
O corpo da direita, de construção mais recente, tem apenas uma janela e uma porta que dá acesso à casa e tem um arco encimado por uma cruz. Logo no seu interior ostenta uma escadaria de pedra que leva a uma varanda com alpendre.
No corpo da esquerda situa-se a capela, com duas imagens de valor, São João Evangelista e Nossa Senhora, provindas do Convento de S. Bento. É composta por uma única janela e porta de entrada, com um arco com uma cruz, idêntica à face oposta da casa, encimada na parte superior.

capela e estátua (foto do autor)

Adjacente à capela existe um terraço, recuado com estátuas a embelezar o espaço.
As traseiras da casa apresentam uma construção menos primorosa e sem grandes detalhes que realcem a beleza comparativa com a frontaria principal de uma casa senhorial pretende impor e transmitir.


vistas das traseiras da casa (canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.com)



informações e fotos retiradas de:
http://www.patrimoniocultural.gov.pt
htpp://www-golfojo.com
http://j-f.org/canidelo/historia.htm
htpp://canidelo.net/patrim.htm
https://facebook.com/PortoDesaparecido
http://canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.pt
https://www.geocaching.org
http://www.luminarium.org
https://es.wikipedia.org
https://heraldryinstitute.com

17 de fevereiro de 2019

Brasão de Luís Álvares de Távora, Igreja dos Grilos, Porto

Foto pessoal - vista da pedra de armas

História:
O colégio e igreja de S. Lourenço foram construídas nos inícios do ano de 1577 por ordem da Companhia de Jesus, cujo emblema está na fachada da igreja.
A frontaria monumental, de estilo maneirista, é composta por dois registos com diversas decorações, sendo que, ao centro, e sobre uma janela, se insere o brasão de Frei Luís Álvares de Távora e a rematar no seu topo a Cruz de Malta.
Depois da expulsão dos Jesuítas foi vendida aos Agostinhos descalços, conhecidos por Frades Grilos, designação pela qual ficou mais conhecida esta igreja, e que aqui permaneceram até 1832.
Permanece nesta pedra de armas e neste caso, no segundo quartel, a representação das poucas armas dos Távoras que escaparam à perseguição da sua destruição, por mando do Marquês de Pombal.
Encontra-se situada sobre a janela principal, no Largo do colégio, junto ao terreiro da Sé.
A pedra de armas tem a seguinte descrição:
Classificação:    Heráldica de Família
Época:              Séc. XVII
Escudo:             Francês ou quadrado
Material:           Granito
Formato:           Esquartelado
Leitura:             I - Sousa (do Prado)
                         II - Távora
                         III - Moura
                         IV - Tavares
Coronel:            de Marquês
Timbre:             de Costa (duas costas de prata, passadas em aspa e atadas de vermelho)
Cores:              I, esquartelado, o 1º e 4º de prata, com cinco escudetes de azul postas em cruz, cada escudete carregado de 5 besantes de prata, postos em sautor (em aspa); o 2º e 3º de prata com um leão de púrpura;
                        II - de prata, com cinco faixas ondeadas de azul;
                        III - de vermelho, com sete castelos de ouro, postos 3/3/1;
                        IV - de ouro, com cinco estrelas de vermelho de seis raios, postos em sautor (em aspas);

Foto pessoal - vista da pedra de armas

Informação retirada da obra:
Brasões e Pedras de Armas da cidade do Porto, Manuel Cunha