NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

25 de outubro de 2018

Barreto Ferraz, Igreja de Stª. Clara, Porto

Foto pessoal - tirada no interior da igreja




Brasão:         Barreto e Ferraz
Material:       Talha dourada
Época:         Renascença / Séc. XVI
Estilo:          Manuelino / desconhecida
Família:      Fernam Nunes Barreto Ferras
Construção:    Aplicado na parede do interior da igreja
Localização:    Largo do 1º de dezembro
Freguesia:      Sé
Descrição:      Situa-se no interior da Igreja de Santa Clara, Porto
Conservação:   Bom
Classificação:   Heráldica de família
Escudo:         Português ou boleado, com ponta
Formato:       Esquartelado
Leitura:       I e V – Barreto (mal representado)
                 II e III – Ferraz
Elmo:         Voltado à esquerda (erradamente), com virol        
Cores:       I, esquartelado, com I e IV, de prata com 6 arminhos perfilados, dispostos                   2, 2 e 2;
               II e III, de vermelho, com seis arruelas de ouro e cada uma carregada de três                  faixas de negro, disposta de 2, 2 e 2;



Fernão Nunes Barreto terá nascido entre de 1460 e 1520, natural de Mesão Frio, foi Cavaleiro-Fidalgo, cidadão do Porto, 4º senhor do juro e herdade de Gafanhão (Castro Daire) e dos coutos de Freiriz (Vila Verde) e Penegate (Amares) com todos os seus padroados e senhor da quinta de S. João da Madeira, e de outras.
Era casado com Isabel Ferraz, nascida no Porto cerca de 1500, era filha de Afonso Rodrigues Leborão, cavaleiro da Casa-Real, almoxarife de Aveiro e cidadão do Porto, cidade onde parece ter sido o primeiro proprietário da casa dos Ferraz, na rua das Flores, e de sua mulher Beatriz Ferraz.
Aquele, era filho de João Nunes Cardoso Gouveia, foi cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor dos coutos de Freiriz, Penegate e 3º senhor de Gafanhão, cujos direitos comprou a 1/10/1498 ao Conde de Penela e teve deles doação real de juro e herdade a 24/12/1505 e de sua esposa (1ª mulher), Dona Leonor Gomes Barreto, falecida a 17/3/1498, em Aveiro, onde viviam.
De seu casamento, Fernão Nunes Barreto com Isabel Ferraz terão nascido 13 filhos, João (padre Jesuita), Gonçalo (fidalgo da Casa-Real), Gaspar Nunes (Almoxarife dos armazéns da cidade), Belchior (Jesuita e Provencial da Companhia de Jesus na Índia), Afonso (padre Jesuita), Diogo, Joanna, Balthazar (Jesuita na Índia), Ignácia, 3 filhas freiras (desconhecendo-se os nomes) e Inês Barreto.

informação retirada de:
http://www.genearc.net/index
http://www.soveral.info/mas/MeirelesBarreto.htm                            
https://books.google.pt/books?                         
https://books.google.pt/books?
Brasões e Pedras de Armas da Cidade do Porto, de Manuel Cunha

7 de outubro de 2018

Ponta de Lança - Baltar, Paredes



Foto pessoal

José Vicente da Silva (1896-1986), natural de Baltar, proprietário de vários terrenos na serra do Muro, no Concelho de Paredes, descobriu há muitos anos esta "ponte de lança".
Pelas suas conversas, à época, ter-se-à deduzido que terá sido encontrada entre os anos 50 e 60 e por desconhecimento e falta de informação não deu grande importância à peça.
Dizia que era uma peça dos tempos dos "mouros" e pouco mais. Um dia a peça voltou à ribalta pelo facto de que o alambique em que produzia bagaço decidiu deixar de o fazer e foi neste espaço que seus familiares recolheram a peça, pois estava a servir de cabide.
Pelas suas características a "ponta de lança" aparenta ser do período do - bronze final e estará ligado a um Castro existente na serra do Muro, composto por uma linha de muralha, fechada e erguida nas vertentes da serra, ao longo de um perímetro de cerca de 4.200 m, construída em pedra aparelhada solta, com largura média de 3.80 m e podendo atingir altura de mais de 3.0 m.
Este Castro tinha um carácter defensivo pois a sua implantação situa-se no ponto mais alto da região permitindo uma visibilidade de grande alcance e para várias orientações.
Foto pessoal

A peça, com cerca de 15 cm de dimensão, foi nestes últimos anos objecto de interesse arqueológico por parte de técnica da autarquia de Paredes, Dr.ª Maria Antónia, arqueóloga de formação, e que por diversas vezes  lhe foi permitida servir-se desta peça para estudos e análise.
Recentemente foi elaborado um estudo mais profundo por uma equipa especializada do qual resultou um documento que pormenoriza com mais exactidão pormenores e detalhes desta peça que se aponta como rara e única na Península Ibérica.
Por autorização desta técnica é permitida a apresentação do documento e que se expõe:





5 de outubro de 2018

Brasão dos Freire de Andrade - Porto


Pedra de Armas - Foto pessoal


A Pedra de Armas
Formato:
            Esquartelado
Descrição:  
            I - Coutinho
            II - Pereira
            III - Freire de Andrade
            IV - Bandeira
Material:
            Granito
Escudo:
            Suíço ou Ogival Inglês
Timbre:
            de Coutinho
Coronel:
            de Visconde
Cores:
I - de ouro, com cinco estrelas de cinco pontas, de vermelho, em aspas;
II - de vermelho, com uma cruz de prata florenciada e vazia do campo;
III - de verde, com banda de vermelho, perfilada de ouro, abocada por duas cabeças de serpe do mesmo, dentadas de vermelho, e bordadura de prata com as palavras "AVE MARIA" de negro;
IV, de vermelho, uma bandeira quadrada de ouro, hasteada do mesmo, perfilada de prata e carregada de um leão azul, armado e lampassado de vermelho

Pedra de Armas - Foto retirada de Gisaweb


A Casa
Trata-se de uma construção dos finais do séc. XVII e princípios de seguinte. É uma casa-nobre típica do Porto do período do barroco, nobilitada no eixo central do portão.
Portal principal

No séc. XVIII este edifício sofreu algumas modificações sendo a pedra de armas o mais relevante, o que denuncia época posterior ao traçado do edifício . O portal que dá acesso ao átrio de entrada foi alterado, encimada por uma cartela com escudo esquartelado e sobrepujada com coroa, em granito bem conservado, mandado brasonar por António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira.
A linha contornal do escudo, ao gosto inglês, harmoniza-se num equilibrado conjunto, muito valorizado pelas palmas e coronel de visconde.
Arquitectonicamente, o portal é um motivo curioso de belo sabor italiano, possivelmente inspirado no que o antecedia no terreiro do antigo Paço Episcopal.
No andar nobre há seis janelas de peito, três de cada lado do brasão.
Fachada Principal - Foto antiga retirada do blogue "http://doportoenaoso.blogspot.com/"

Fachada Principal - Foto actual retirada do blogue "http://doportoenaoso.blogspot.com/"

Os terrenos eram do Cabido e já seriam emprazados desde o séc. XVI, tendo sido emprazada a João Pinto do Bonjardim, filho de Belchior Pereira Pinto, senhor da Quinta de Santo António do Bonjardim, e que terá reunido 3 parcelas onde a casa já lá existiria.
Posteriormente terá sido vendida a Miguel Tavares Leitão. Mais tarde, passou para descendentes deste, tendo ficado nas suas posses até 1708, ano em que foi adquirida por Cristóvão de Magalhães, arcediago de Oliveira do Douro.
Actuais limites de propriedade (recortada pelo funicular)

Seu sobrinho, Luis de Magalhães, igualmente arcediago de Oliveira do Douro, foi o encomendador das obras, que deixaram o palacete com o aspecto actual.
Tinha uma amante com a qual teve, Dona Jerónima Luísa de Magalhães, que herdou a casa, alugando-a.
Em 1730 ali residia Diogo de Sousa Távora Maneses de Araújo, fidalgo da Casa Real, alcaide-mor de Lindoso, senhor do morgadio de Britelo, mestre campo de Auxiliares, cavaleiro de Cristo e governador-de-armas do Porto.
Dona Jerónima casou com Henrique Carlos Bandeira Pereira, no ano de 1739, filho de José Freire de Andrade, senhor de grande fortuna e que, se não fosse sua esposa pedir permissão dos bens ao rei D. José I, teria desbaratado toda a sua riqueza.
Após a sua morte, a casa passa para seu filho António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira (1747-1820), senhor do palácio da rua D. Hugo, n.º 15, que manda implantar o brasão dos antigos titulares e seus familiares, e ali passa a residir.
Nesta sua casa, vivia rodeado de todas as comodidades e bem-estar compatíveis com a época, ou seja por um capelão privativo, por três criadas, dois criados e um hortelão, além de uma criada negra e um criado de cor.
Foi nesta casa que sofreu a maior humilhação pessoal, com as forças francesas, pela pilhagem dos bens e do risco de vida pelos momentos que passou.
À sua morte, a casa ficou para seu filho, Henrique Carlos Freire Coutinho Bandeira que a prosseguiu até ao séc. XX, tendo sido vendida e nela se ter instalado o Museu da Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro e Luís Pinto Mesquita Carvalho, tendo sido adaptado todo o seu interior.
Localiza-se mesmo em frente à Casa-Museu Guerra Junqueiro sendo considerada uma das casas mais imponentes daquele estreito arruamento.

António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira - um episódio
Este fidalgo integrou em 1808 a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino.
Em 1809, no tempo de ocupação francesa, era vereador na Câmara do Porto, tendo-se notabilizado pela sua coragem e resistência antifrancesa na cidade.
Enfrentou os franceses com notável empenho que fica a sua história e daquela casa, na memória dos portuenses.
Tudo começou quando soube da aproximação dos franceses à cidade e mandou sua família para a Quinta da Fundega, em Oliveira do Douro, uma propriedade sua e que lhe garantiria alguma segurança.
Ficou para trás, e então como representante da câmara, por acreditar que as defesas da cidade  sustentariam por mais algum tempo a entrada das tropas, permitindo tomar decisões na câmara, de modo a evitar o saque do erário por parte dos franceses.
Contudo, as linhas de defesa cederam com entrada dos franceses através da quebra da bateria da Prelada, provindo de S. Mamede de Infesta, permitindo a sua marcha pela cidade dentro.
O alvoroço da cidade instalou-se e muita gente começou a sair da cidade. As pilhagens, os atropelos e as atrocidades que se cometiam, julgou que era o fim, e que tudo estava perdido.
Resolveu então fugir, para a sua Quinta, mas a Ponte das Barcas colapsou e os últimos barcos a sair da cidade recusaram-se a levá-lo, de tão perigosa que era a travessia  do rio.
Ele próprio relata este período com a seguinte descrição.
"... chegado acima do muro (da Ribeira) e olhando sobre a ponte achei tanto povo que se caísse uma aresta não cairia no chão... Já havia muita gente afogada. Desci ao Postigo do Pereira (frente a S. Francisco) onde estavam três barcos, ... Prometi que lhes daria aquilo que eles quisessem. Mas eles recusaram. Deviam estar à espera de famílias. Já as balas choviam sobre o rio. Visto aquilo, enfiei pela Reboleira, atravessei milagrosamente a Ribeira, subi por aqueles becos acima (becos do Barredo) e meti-me em casa mais morto que vivo".
Ao voltar a casa, fechou-se, na esperança de ficar a salvo, mas o perigo não tinha acabado. Os franceses evadindo a cidade começaram as suas pilhagens em tudo o que havia de riquezas.
Não tardou, a sua casa fora invadida e nesse instantes terá sofrido a sua maior humilhação, e só não o mataram porque não se obstou à pilhagem a tudo o que queriam, tendo-se esgueirado nesse período para o seu jardim envolto nas vides e lá terá ficado escondido durante dois dias sem que ninguém o visse.
O seu relato é bem vincado de aflição, "... sofri as maiores insolências dos primeiros que me entraram em casa, querendo-me matar; abri-lhes tudo e, logo que viraram costas, fugi para o quintal e metido entre as vides li dois dias sem comer,,,".
Ponderou em sair da cidade, contudo deu ouvidos à voz da razão e decidiu permanecer na cidade, como vereador, sendo um representante dos membros executivos a ficar para trás.
"... quis fugir, é verdade,; mas convenci-me de que a minha fuga seria para a cidade um grande prejuizo, porque meteriam (no governo da Câmara) franceses ou seus apaniguados e que indo eu e José Pamplona (os dois únicos vereadores que permaneceram na cidade) teriam alguma consideração...".

A História da toponímia da Rua D. Hugo
Várias designações tomou esta rua. Em 1221, tinha o nome de Rua do Redemoinho ou Riodemoinho e era, por isso, a única memória de um ribeiro que, em tempos imemoráveis, por ali passava e da azenha que as águas desse ribeiro movia - "Rua dos Moinhos, junto ao Arco das Verdades", vem ainda referido num documento do séc. XVIII.
Com o nome de Redemoinho ainda existe actualmente um beco nas traseiras da capela mor da Sé, onde se insere a casa  mais antiga da cidade.
Aquela artéria teve, também, outros nomes, tais como, de Rua da Catedral, por motivos óbvios, e ainda os de Rua de Trás da Catedral e de Rua dos Cónegos de Trás da Sé.

Informações retiradas de:
https://sites.google.com/site/invictacidade/home/patrimonio-edificado/palacio-freire-de-andrade
https://ruasdoporto.blogspot.com
texto de Germano Silva
htpp://portode antanho.blogspot,com
As Pedras de Armas do Porto, de Armando Mattos
Brasões e Pedras de Armas da Cidade do Porto, Manuel Cunha




2 de agosto de 2018

Carta de Privilégios - Antiga Estalagem da Casa do Areal, Baltar - Paredes



Pormenor do documento

Baltar, que durante a idade média pertenceu ao Concelho de Aguiar de Sousa foi doado, por D. João I, com título de Honra, a João Rodrigues Pereira, que trocou esta Honra com seu primo, D. Nuno Álvares Pereira, em 1401, o qual, por sua vez o doou a sua filha e marido, os Condes de Barcelos, e primos Condes de Bragança.
Com Foral próprio, Baltar tinha Câmara com dois Vereadores, Juís Ordinário, Tribunal, Cadeia, Forca e Pelourinho.
Do Foral mandado passar por D. Manuel, em 1515, podemos ler:
"Dom Manuel per graça de Deos Rey de Portugal e dos Algarves daaquem e dalem mar em Africa Sinhor da Guinee e Comquista e Navegaçam e Comercio Ethiopia, Arabia, Perssia, e da India. A quantos esta Nossa Carta de Foral dado aa terraa de Baltar para sempre virê Fazemos saber que per bem das semtenças detreminações geraaes e espiçiaaes que foram feictas por Nós e com os do Nosso Cõsselho e leterados acerca dos Forays de Nossos Regnos e dos dereitos Reaães e trebutos (...) pagar. E asy pellas imquiriçõoes (...) que os direitos Reaães tinham Achamos per Inquiriçoões do tombo que as remdas e direitos reaães se devem hy recadar (...)".
Até ao séc. XIX, pertenceu Baltar à Casa de Bragança e formou Concelho próprio que apenas durou três anos.

Vista actual da Casa do Areal
Casa do Areal (anos 50)


A CASA
A casa do Areal é considerada em ex-libris em Baltar, do concelho de Paredes, quer pela sua idade, quer pelo brasão apresentado no frontão de entrada lateral da casa.
A sua idade é desconhecida contudo há referências de que Afonso Fayão, designado como Abade de Baltar, terá vivido entre os anos de 1558 e 1622, havendo registos com seu nome no ano de 1603 e terá vivido nesta casa podendo-se constatar que pelo menos esta construção já existia nos inícios do séc. XVII.

AFONSO FAYÃO - Quem foi?
Nasceu: cerca de 1558, Vila Viçosa
Faleceu: 3 de Outubro de 1622, em Baltar
Enterrado: Igreja de Baltar
Ocupação: Abade de Baltar
Pai: Dom Teodósio I, Duque de Bragança
Casou com Filipa Gonçalves
Filha: Leonor Fayão
Filho: Paulo Fayão
Era filho de uma dama solteira do Paço Ducal de Vila Viçosa. apresentado pela Casa de Bragança aos 13 anos.
O seu nome aparece pela primeira vez, no registo paroquial da freguesia de Baltar, a 20 de Janeiro de 1594, como padrinho num assento de baptismo, intitulando-se Abade de Baltar. A sua assinatura aparece nos registos desde 11 de maio de 1603 a 16 de Agosto de 1622. Foi sepultado na Igreja de Baltar.
Afonso Fayão viveu naquela que é chamada a Casa do Areal (ou da estalagem), em Baltar, A mesma foi renovada em 1769, tendo ganho nessa data o brasão que ostenta o seu protal. A casa chegou a ser usada como estalagem até ao séc. XIX, tendo o Rei Dom José I pernoitado nela. (http://carlosmoreira.com.sapo.pt/genealogia/)

Pedra de Armas da Casa do Areal

CARTA DE PRIVILÉGIOS 
A data referenciada sobre a Pedra de Armas, de 1769, terá sido a data possível da passagem do Rei D. José I por aquele local e lá terá pernoitado naquela antiga casa.
Tudo leva a crer que nesta data era já uma estalagem pois foi emitida uma carta de privilégios por parte da Rainha D. Maria ao estalajadeiro Matheus Luis d'Almeida, no ano de 1782, onde menciona que já exercia essa função há pelo menos 30 anos.
Mais tarde foi solicitada por parte de um dos seus filhos e então dono da estalagem, Simão Luis d'Almeida a emissão de uma certidão, no ano de 1812, para comprovar e dar-lhes os direitos então ordenados pela rainha a seu pai.
Junto se apresenta cópias do documento e de uma transcrição do documento.

Transcrição feita por Manuel Cunha em 24/3/2015

Revisão 28/7/2018
"Diz Simão Luis d’Almeida Estalajadeiro, do lugar do Arial, desta freguesia Honra de Baltar, q pª requerimento, q bem preciza, q a Exmª da Camera desta Honra lhe passe por certidão dos livros da mesma Camera obther do privilegio que foi concedida á sua estalaje as duas petições junto a elle.
                                                              P. Sor. Luis seja servido mandar passar adª. certidão conforme atendivel.
                                                                                            (assinatura)
Passe não havendo inconveniente
Bar. a 1º d e Fev. de 1812
(assinatura)

Antonio José Coelho Ferraz Escrivão e Tabelião d’hum dos Officios do Público Judicial e Nottas nesta Honra de Baltar e Escrivão interino da Camera della por sua Alteza Real o Principe Regente Nosso Senhor, que Deos o guarde.
                                                                                                                                                                                                Certifico, e faço certo aos Senhores que apresente a certidão e em publica forma virem, dada, e passada por authoridade da Justiça em cumprimento do Despacho posto á margem da Petição, em como revendo

Revendo os Livros da Camera desta Honra n’um deles a folhas cincoenta e nove achei o Privilegio pedido na Petição retro, do qual seu theor he o seguinte.

Carta de Privilegios

Registo da Carta de Privilegios da estalagem Real de Matheus Luis d’Almeida do Arial, do que o seu theor he o seguinte

Donna Maria por Graça de Deos, Rainha de Portugal, e dos Algarves d’aquem, e d’alem mar em Affrica, senhora Digné, e da conquista Navegação, Comercio da Ethiopia, Arabia, Percia, e da India Nª. Faço saber a os que esta minha Carta de Privilegios de Estalajadeiros virem: que Matheus Luis d’Almeida, do lugar do Arial, Honra de Baltar, Comarca do Porto me representão por sua Petição e haver mais de trinta annos, que tinha estalajem publica no ditto lugar, com bom tracto, e conveniente comodo para os Passageiros; e porque




E porque queria gozar dos Privilegios, que lhe competia: Me pedia lhe fizesse a mercê de mandar passar Carta na forma ordenada: e visto seu requerimento, Informação, que se houve pelo Corregedor da ditta Comarca do Porto, e Resposta do Procurador da Minha Real Coroa. Hei por bem fazer Graça e mercê do ditto Matheus Luis d’Almeida que daqui em diante seja Privilegiado, e não será conscrangido a hir acompanhar preciso, e dinheiros, a ser Tutor, ou Curador de quaisquer pessoas salvo as Coradorias ou Titurias de Irmãos seus; a pagar fintas, Talhas, Peitas, e pedidos, que por mim no ditto lugar forem lançados; como também dos incargos, que ao ditto lugar pertencerem; menos os quatro officios contheudos em Minha Ordenação do Livro primeiro, titulo quarenta e cinco, de que o não es novo: É o outro sim mando, que as bestas, que elle tiver suas próprias e as que lhe troucerem mantimentos para a ditta. Estalajem lhe não sejao tomadas para o meu Real serviço

Serviço; como também os mantimentos, que tiver para provimento da ditta Estalajem; e que possa trazer vinho de fora para vender nella, e que a ditta Estalajem lhe nao seja dada, nem tomada de aposentadoria para pessoa alguma e as que nella pousarem lhe pagarão pouza das, Camas, e mais Couzas, que da ditta Estalajem lhe tomarem; e não será constrangido a servir-me por mar, ou por terra, tanto em tempo de Paz, como de guerra, nem a outras pessoas: Pelo que Mando ao Juiz Ordinario da Honra de Baltar e mais justiças a que pertencer vizitar a ditta Estalajem, a vizite todos os meses, examinando se se acha provida de todo o necessário, como pela Ordenação são obrigados a ter os estalajadeiros; se tem pronptos os dittos mantimentos afim para gente de pé, como de cavallo que nella quizerem pouzar, e dos preços por que o dão, e achando, que os reputa por mais do que commumente vallem no dito lugar ao dito tempo lhes taxe; regulando-lhe os pressos porque os deve dar, em modo, que faça conveniência, e possa conservar sempre provida a ditta estalajem; e lhe cumprão, e goardem inteiramente esta Minha Carta de Privilegios como nella



Nella se contem, e declara; sem embargo de qualquer posturas, e constituicõens feitas em contrario e não consintão que pessoa alguma de qualquer estado ou condição que seja se aponta ao ditto Privilegio sobpena de que o fazendo pagarem seis mil reis para a Minha Real Coroa; porem não conservando provida a ditta estalajem, nem observando as ditas taxas, estes Previlegios lhe não serão mais goardadas, e procederão contra elle achando-se culpado e pagou de novos direitos seiscentos reis, que se carregarão ao Thesoureiro delles no Livro quarto da sua receita e folhas trezentos e oitenta, e quatro; e registado o conhecimento em forma no Livro trigésimo oitavo do Registo geral a folhas cento e sessenta e hum a verso. A Rainha Nossa Senhora o mandou pelos Ministros abaixo asignados do seu Concelho, e seus Desembargadores do Pais. Balthezar Bezerra Lima a fez em Lisboa aos seis de Novembro do anno do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo, de mil setecentos, oitenta e dous: desta mil reis, e de asignatura oitocentos reis: Lourenço Antonio da Silva Paz o fez escrever Bartholomeu José Nunes, cartorio geral de José Ricalde Pereira de Castro, Antonio Freire de Andrade.



D'Andrade enserra... Pagou seiscentos reis, e aos officiaes mil, duzentos, e vinte e oito reis. Lisboa nove de Novembro, de mil, sete centos, e oitenta e dous . " Dom Sebastião Maldonado" Por Despacho do Desembargo do Paço de dezanove de Outubro de mil, sette centos e oitenta e dous . Registado na Chancelaria Môr da Corte, e Reino no Livro de Officios, e Mercês, a folhas cento e cincoenta. Lisboa nove de Novembro, de mil, sette centos, e oitenta e dous = Antonio Joaquim Serrão = Sello de Armas

Petição
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor
Diz Matheus Luis d'Almeida, Estalajadeiro, do lugar do Areal, Honra de Baltar, Comarca desta Cidade do Porto: que sua Magestade Sedelissima, que Deos goarde foi servida conceder ao suplicante a Carta de Previlegio de Estalajadeiro junta; e para que se cumprão e goardem ao Suplicante todos os Previlegios liberdades e izensois declarados na mesma Carta, dando-se a tudo a mais inteira e prompta observancia necessita, que Vossa Excelencia seja servido cumpridor da ditta Carta

Carta de Previlegios mandando, que se goardem ao suplicante. Pede a Nossa Excelencia seja servido cumprir a Carta do Previlegio junta, e mandar, que se goardem ao Suplicante dando-se-lhe a mais inteira e prompta observancia e receberá mercê.

Despacho
Goarde-se ao suplicante os Previlegios que lhe competirem... Porto vinte de Novembro, de mil, sette centos e oitenta e dous. Arma-la

Petição
Diz Matheus Luis d'Almeida, do lugar do Arial, desta Honra de Baltar, que sua Magestade sedelissima foi servida conceder ao suplicante a Carta de Previlegio junta, e para que se lhe cumpra, e goardem inteiramente o ditto Previlegio e as liberdades e Izensoens de que gosa, quer o suplicante, que as mercês sejão recevidos cumprir-lhes o ditto Previlegios mandando-se lhe se registe no Livro de Registos desta Camera



Camera, para em todo o tempo constar do mesmo Previlegio e se não poder proceder contra o suplicante nas izensoens de que goza. Pede a Nossa mercês sejão servidos e cumprir os Previlegios junto, mandando que elle se registe; e se cumpra, e goardem inteiramente e recebera mercê.

Despacho
Cumprasse, e registe se: Baltar em Camera vinte e trez de Novembro de mil, sette centos e oitenta e dous Coutto Queiroz – Moreira

E não contem mais os dittos Previlegios que aqui bem fielmente copiei e registei na verdade de que dou fé, e aos mesmos em poder do suplicante Matheus Luis d’Almeida me reporto nesta Honra de Baltar em os vinte e cinco de Novembro, de mil sette centos, e oitenta e dous annos. Eu Custodio José Pereira de Sousa Escrivão da Camera o escrevi, e asignei = Custodio José Pereira de Sousa



E não se continha mais no ditto assento de Previlegios, que eu sobreditto Antonio José Coelho Ferraz aqui fielmente fiz trasladar, e passar por certidão do próprio, com o qual por mim conferi, e comcertei como o Official de Justiça abaixo comigo aí co-ixeste asignado, que ambos ao próprio Livro nos reportamos, que fica no Archivo da Camera desta Honra de Baltar, a onde esta foi passada aos dous dias do mês de Fevereiro do anno de mil oitocentos e doze. Eu Antonio Jose Coelho Ferraz escrivão a fis escrever e assignei."

                                                                                                          (assinatura)



26 de julho de 2018

Barão de Santos - Cemitério da Lapa, Porto


Pedra de Armas
Descrição da Pedra de Armas e Capela:
Época – séc. XIX
Material – mármore
Escudo – de fantasia
Descrição – Partido, de Silva e Ferreira, amparando um elmo de perfil e sobre o mesmo um timbre de Silva
Capela Mortuária de Familia
Aplicado na fachada frontal da capela tumular localizada no cemitério da Lapa. Esta capela aparenta ter pouca imponência dada as suas dimensões reduzidas, em relação às existentes da sua envolvente e deverá ser a única com estas características neste cemitério. A razão desta aparência prende-se pelo facto da capela ter uma concepção “sulista”, prática corrente das construções utilizadas nos cemitérios de Lisboa. Este conceito defende áreas interiores pequenas e a interiorização dos seus corpos em espaços fechados e na exposição/representação dos seus representantes e de simbologia específicas tumulares representativas aplicadas na fachada da sua construção.
Lápide exposta na fachada principal
Já no que refere ao estilo de capelas do “Porto” e correntemente utilizados na zona norte do País é um outro tipo de conceito,completamente inversa da solução tumulares de Lisboa, apresentando uma presença “faustosa” e de “ostentação”, promovendo as construções com dimensões superlativas permitindo o acesso ao seu interior e aí se inscrevem as descrições dos seus representantes.
Esta diferença conceptual desta capela, é o bastante para ser distinguida entre as diversas capelas existentes no cemitério da Lapa, e que no presente caso resulta pela sua diferença dimensional, com aparente distinção desproporcional neste local.
A capela abriga, o Barão de Santos, João Ferreira dos Santos e Silva, nascido na freguesia de Lordelo do Ouro, no Porto, em 5 de novembro de 1799 e faleceu a 18 de setembro de 1858 e de outros seus pais e descendentes.

A Família
Este Barão era filho único de João Ferreira dos Santos e Silva, com o mesmo nome, e de Dona Maria Tomásia Narcisa Ferreira.
Casou-se a 9 de dezembro de 1826, com Dona Carolina Augusta de La Rocque (e Silva, pelo casamento), esta era natural da freguesia de S. Nicolau, Porto, tendonascido a 4 de agosto de 1812 e falecido a 24 de dezembro de 1893.
Deixou geração de filhos com algum legado, João Ferreira dos Santos e Silva Júnior, 2º Barão de Santos, D. Américo Ferreira dos Santos e Silva, cardeal-bispo do Porto, Carlos Ferreira dos Santos e Silva, Geraldo Ferreira dos Santos e Silva, 1º Barão de Ferreira dos Santos e da filha Elisa Ferreira dos Santos e Silva.
O Barão recebeu o título de Barão dos Santos pela rainha Dona Maria I, embora este título já existisse com antepassados do actual Barão de Araújo dos Santos, de João Paulo de Araújo dos Santos, em 1850.
Pertenceu ao Conselho de Sua Majestade Fidelíssima, foi Cônsul da Bélgica e teve uma breve passagem na Associação Comercial do Porto como Vice-presidente.
Em 1885 recebeu a Comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Em 1830 vivia em Massarelos, mas após a sua morte a esposa manda edificar um palacete em Lisboa para sua residência, em 1862, localizada com entrada principal pela Praça Príncipe Real, n.º 14, e com acessos também pela rua do Jasmim, n.º 25 e n.º 25A e pela Travessa do Jasmim.
Sobre esta família poderá adquirir ou consultar uma obra de Henrique Arthur de Sousa, brasileiro, pesquisador  e autor onde fez um estudo exaustivo sobre esta família do qual resultou um livro intitulado de "Entrelaços de Família História e Genealogia".
(site: http://www.entrelacosdefamilia.com.br) e e-mail: hsouza43@gmail.com

Vista do palacete
O Palacete
Mandada construir em 1862, pela viúva do Barão de Santos, Dona Carolina Augusta de La Rocque, este palacete está situado no Príncipe Real, em Lisboa. Foi sede da Legação do Japão, da Fundação Casa de Bragança e do Instituto Camões, e desde o ano de 2000 encontrava-se devoluto e ao abandono estando actualmente a ser reabilitada com os pressupostos de serem mantidas ao máximo a tipologia do palacete, adaptada para quatro fracções de habitação de âmbito privado.
Alçados antigos do palacete
O seu estilo eclético é marcado pela sua marca ornamental clássica, com um vestíbulo de entrada e marcada pela caixa de escadas de grande aparato e espaço, que é intenção da preservação de todo o edifício em todo o seu interior e exterior.
"De planta rectangular, volumetria escalonada sendo a cobertura efectuada por telhados a 2 e 4 águas e em clarabóia, em coruchéu. De 4 pisos (um deles parcialmente enterrado e apenas visível nos alçados lateral e posterior e outro, ao nível da cobertura., exibe cunhais em cantaria, embasamento revestido com placagem pétrea e superfície murária em reboco pintado, animada pela abertura de vãos de verga de volta perfeita com emolduramento simples de cantaria, a ritmo regular. Alçado principal a NE, composto por 2 pisos separados por friso de cantaria e por 3 corpos ritmados por pilastras, destacadas em planta. Destaca-se o corpo central, rasgado a eixo por portal inscrito em arco de volta perfeita, de maior pé-direito do que as janelas de peito, com avental em cantaria, que o ladeiam. O conjunto é encimado, ao nível do andar nobre, por 3 janelas de sacada servidas por varanda comum em perfil contracurvada, com base em cantaria suportada por mísulas e guarda em ferro fundido. Nos corpos colaterais, idênticos entre si, regista-se, em cada um, a abertura de 2 janelas de peito sobrepujadas por igual numero de janelas de sacada guarnecidas por varandas comuns. O alçado é superiormente rematado por cornija articulada com platibanda de balaústres ritmados por plintos e interrompida, ao nível do corpo axial, por frontão triangular com vasos metálicos nos acrotérios (também observados por plintos, no alinhamento dos cunhais), precedido de friso animado por tríglifos e métopas, e com o tímpano decorado com composição escultórica a integrar as iniciais CB. Os alçados, lateral e posterior, a SE e SO, apesar de similares ao principal, diferenciam-se especialmente ao nível do remate, com a platibanda interrompida ao centro pelo prolongamento dos corpos axiais - rasgados por janelas de sacada (3 e 2, respectivamente) articulada com varandas - superiormente rematados por frontões triangulares com tímpanos rasgados por óculos.
O Interior: destacam-se, como principais espaços de organização e distribuição da compartimentação interna, vestíbulo de planta rectangular com muros laterais animados por portas (falsas) e, muro de topo, rasgado por arco abatido em cantaria (guarnecido por guarda-vento) articulado com caixa de escadaria com muro curvo, sobrelevada e com acesso através de lanço de escada axial.
Entrada para a escadaria

Entrada para a escadaria
Nicho com escultura
Escada de lanço recto inicial e patamar - com muro animado por nicho com figuração escultórica - com traços divergentes, conducentes ao andar nobre, (uma sequência que se repete na passagem do 1º para o 2º andar) e iluminados por clarabóia em coruchéu.
Com o piso térreo desenvolvido ao nível da zona sobrelevada do vestíbulo, neste e no andar nobre, os compartimentos, directamente entre si, distribuem-se ao longo dos alçados, e articulam-se com corredores contíguos à escada. Em termos de circulação interna esta é complementada por escada de serviço no extremo O que assegura a circulação entre todos os pisos e o acesso ao jardim, contíguo ao alçado posterior.
Cronologia
1862 - construção do palácio pela viúva do 1º Barão de Santos (de apelido Santos e Silva e falecido em 1858), Dona Carolina Augusta de La Rocque, nele passa então a residir a baronesa e, não o filho primogénito e herdeiro do título (2º Barão de Santos, João Ferreira dos Santos e Silva Júnior, 1828 - 1903, empenhado em carreira diplomática) mas seu irmão, Carlos Ferreira dos Santos e Silva conselheiro e banqueiro, o Barão de Ferreira dos Santos;
1906 - era proprietário e residente no edifício, Carlos Ferreira Santos e Silva;
1924 - o palacete encontrava-se na posse de Francisco Xavier dos Santos e Silva;
1942 - Francisco Xavier dos Santos e silva continua a ser o proprietário do imóvel mas reside na rua das Amoreiras, enquanto no palacete está instalado a Legação do Japão;
1945 - até esta data funcionou a Legação do Japão;
1945 - o imóvel é alugado pela Fundação da Casa de Bragança, que aí instala a sua sede;
1970 - o palácio é propriedade de Dona Mariana de Castilho dos Santos e Silva Vaz de Almada, de Dona Maria Adelaide Castilho dos Santos e Silva de Castro e de carlos Castilho dos Santos e Silva;
Décadas de 80 e 90 - funciona no 1º e 2º andar o Instituo de Camões (antigo Instituto da Língua e Cultura Portuguesa e Instituto de Alta Cultura), enquanto a Fundação da Casa de Bragança ocupa o piso térreo;
1994 - O Instituto de Camões deixa as instalações que ocupava até então;
2000 - mudança da sede da Fundação da Casa de Bragança para Caxias, sendo o palácio fechado;"

Textos e fotos retirados de:
- https;//pt.wikipedia.org
- http://www.monumentos.pt
- http://amigosprincipereal.blogspot.com