NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

22 de maio de 2016

Pedra de Armas em Museu - Amarante



Museu Municipal Amadeo de Souza Cardoso

O exemplar exposto no Museu encontra-se num estreito corredor de ligação com a igreja de S. Gonçalo. As informações prestadas abaixo, foram gentilmente cedidas pela autarquia e que se descrevem textualmente conforme me foi entregue, e que agradeço pessoalmente essa disponibilização.


Divisão de Cultura e Património Cultural |CMA
Colecção de Heráldica do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso
Nº de cadastro 36
Pedra de Armas dos Vasconcelos
Descrição: Escudo com armas dos Vasconcelos encimado por elmo com estrela de oito pontas no timbre e folhas de acanto a formar o paquife;
Matéria: Granito;
Estado de Conservação: Bom;
Ameaças: liquenes e briófitas diversas;
Proviniência: Casa de Fontelas – Cepelos – Amarante;
Data de entrada: Sem registo;
Doado por: D. Maria de Lourdes Mota A. e Silva
Função: Honorifica, Brasão;
Cronologia: Séc. XVII/XVIII;
Dimensões: 63 cm X 96 cm;
Proprietário: Câmara Municipal de Amarante;
Observações: O referido brasão terá sido talhado aquando da ampliação da Casa de Fontelas, ordenada por Lourenço Mendes de Vasconcelos;

Ref. Bibliográficas: Alves, 1937, 23; Craesbeek, 1992, 68; Zuquete, 2000, 541 – 543; 

22 de abril de 2016

Inscrição em fachada de prédio - Alfena

Rua da Saudade, 222, freguesia de Alfena - Valongo

Mais uma inscrição inserida numa fachada de prédio, mesmo adjacente à imagem em post anterior, e que pela singeleza da placa, realço o detalhe da palavra "filho" após as três letras do possível proprietário.

20 de abril de 2016

Inscrição em fachada de prédio - Alfena

Rua da Saudade, 214, Alfena - Valongo

Inscrição, de data, da possível construção da casa ou do seu eventual restauro/melhoramento, com uma simbologia invulgar. Apresenta datada o ano de 1919, com a marca da letra "M", provavelmente do apelido do dono da casa.
A casa onde se encontra esta peça é uma habitação simples de dois pisos e está colocada entre duas janelas no andar superior.

30 de março de 2016

Empresa das Lousa de Valongo



Empresa de Lousa de Valongo (ELV)

O concelho de Valongo é popularmente conhecido pela industria da panificação, pela sua fabricação de pão (regueifa) e biscoitos e o consequente abastecimento à cidade do Porto, e pela famosa batalha de ponte de Ferreira, na freguesia de Campo, pelo embate entre as tropas miguelistas e liberais a 23 de julho de 1832, aquando do cerco do Porto.
Mas a cidade de Valongo e a vila de Campo foram outrora reconhecidas, também, pela sua extracção mineira, pela famosa ardósia negra, que com a evolução do tempo se foi extinguindo.
Actualmente, naquele concelho, só existem duas empresas de extracção mineira e ambas sediadas em Campo, uma por exploração em profundidade, a firma Pereira Gomes (1965) e a Empresa de Lousa de Valongo, com extracção a céu aberto tendo tido a sua origem em 1865.
É sobre esta empresa que o presente texto vai abordar, por ter sido a mais relevante e popularmente conhecida naquele concelho.
Recentemente, a 5 de janeiro de 2016, a Câmara de Valongo homenageou em cerimónia especial, um conjunto de empresas por serem as mais representativas empresas e as mais antigas no concelho, tendo sido atribuído à Empresa de Lousa de Valongo (ELV) a medalha de mérito.
Esta empresa iniciou a sua actividade em 1865, por investidores ingleses, com a criação de firma inglesa The Vallongo Slates & Marbles Quarries Company, Limited, tendo dado inicio à exploração intensiva, nas minas do Galinheiro, Vale de Amores e Susão, em Valongo, encontrando-se actualmente desactivadas e aterradas no inicio deste século, designadas localmente por "arrasamento".
Foi a primeira empresa de minas de ardósia e também a responsável pela chegada energia eléctrica ao concelho.
Nesse tempo, a sua exploração era em profundidade através de poços cujo objectivo era abastecer Inglaterra e os Estados Unidos com a ardósia, para telhados, pavimentos e revestimentos, material isolante e pedras de bilhar.

ano de 1932

Nos primeiros anos do século XIX atingiu um numero de funcionários de cerca de 1600, tendo diminuído drasticamente com a guerra mundial.

ano de 1959

Hoje em dia, esta empresa, com administradores portugueses, localiza-se em Campo, investindo numa exploração a céu aberto junto da Pedreira da Milhária (pedreira mais antiga em actividade), possuindo uma vasta área de terreno (15 ha), com garantia de exploração e reserva para vários e longos anos.
Neste local, os seus escritórios e a componente fabril circunscreve-se a uma construção tipicamente inglesa, de forte contraste, de construção em xisto e caixilharia vermelha, com arcadas interiores. Os escritórios situam-se num corpo de dois pisos em duas fachadas próprias. A principal apresenta a designação da referência da empresa em letras de dimensões elevadas com fundo brancas em oposição com as paredes negras do ardósia.









A entrada para as instalações faz-se por um portão com um arruamento largo e à sua esquerda acompanhando outras instalações fabris apresentam-se um palco corrido com diversos equipamentos antigos utilizados no século passado onde são visíveis as características típicas da maquinaria de enorme dimensão utilizadas para os cortes e transportes das ardósias.


Exposição de equipamento antigo no acesso em arruamento interior















Dedica-se, para além dos materiais já descritos, também à produção de chapas e ladrilho clivado, serrado e polido e claro de modo a manter a tradição dos famosos quadros negros e lousas com os seus lápis de pedra ou também conhecida por "peninha", que no tempo dos nossos pais usualmente se utilizava nas escolas primárias.
Actualmente é uma empresa de referência, levando a marca e o nome de Valongo a todo o mundo, tendo tido um  investimento nos últimos anos, com a laboração muito mecanizada e com a abertura da maior exploração a céu aberto em Portugal, sendo a sua produção em cerca de 90 % para o exterior, fundamentalmente para a Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Japão e Inglaterra.

Apresenta-se a reportagem apresentada numa revista, em 2014, por um dos administradores, Sr. Teotónio Pereira, figura representativa no concelho pela sua postura perante o município, para com os clientes e para com todos aqueles que intercedem a empresa na busca da curiosidade, de visitas, e da sua história, um verdadeiro "gentleman".


Administrador da empresa, Sr. Teotónio Pereira

149 anos de história das "Louzas" de Valongo
por Revista Business Portugal - 2 dezembro 2014

"A história da Lousa de Valongo é tão antiga como a da empresa que hoje Teotónio Pereira administra. A exploração deste material no concelho começou em 1865 com a instalação da companhia inglesa The Vallongo Slate & Marble Quarries Company, que mais tarde, após a venda, adquiriu o nome de Empresa das Lousas de Valongo. Conhecida pelas características específicas da região onde se situa (Valongo – Douro Litoral) e pela idade geológica das suas pedreiras (Landeiliano Superior, 450 milhões de anos), a “Ardósia de Valongo” (denominação registada EN12440) distingue-se nas palavras de Teotónio Pereira das demais existentes: “A nossa lousa tem um carácter próprio e é por isso que continuamos no mercado”. De referir que ardósia ou lousa referem-se exactamente à mesma pedra, sendo este último termo mais usado no norte do país.
Por não existir “hoje em Portugal a tradição de utilizar lousa portuguesa”, refere Teotónio Pereira, toda a produção da Empresa das Lousas de Valongo destina-se ao mercado externo: Alemanha, Inglaterra, Espanha, Suíça, Estados Unidos, Japão e países do norte da Europa. São precisamente estes últimos que Teotónio Pereira destaca: “Os clientes do norte da Europa conhecem esta lousa melhor que nós. Temos clientes nestes países há mais de 80 anos”.
Como referência destacam-se algumas obras onde as lousas ELV estão presentes: Edifício Sede da Telenor, Trondheim, Escola “High Schoolof Gotemborg”, Gotemburgo, Biblioteca “Werner Oechslin”, Einsiedeln, Zurique, Casa da Música, Porto, Hotel Four Seasons, Toronto, Canada, University of Oregon Football Performance Center (Nike Centre), Oregon, EUA.
Proprietária de mais de 100 ha na faixa lousífera de Valongo, a capacidade de produção da ELV ultrapassa os 4.000 ton/ano. Como principais produtos, o administrador destaca os ladrilhos e placas para pavimentos e revestimento de paredes, soleiras, cobertura de degraus, rodapé, tampos de cozinha em ardósia, telhas para telhados e pedras para bilhares. Pelas suas características os produtos da ELV coleccionaram prémios de várias exposições mundiais históricas: exposição mundial de Paris (1867), exposição de Viena (1873), exposição de Filadélfia (1876), Adelaide (1887), Lisboa (1888), Londres (1871), Porto (1897), Paris (1900) e Rio de Janeiro (1908).
Actualmente com 45 trabalhadores, com a extracção e transformação toda mecanizada, a Empresa de Lousas das Valongo não tem como objectivo crescer muito mais até porque refere o administrador: “temos as vendas em mercados muito diversificados mas, a situação actual requer alguma prudência”.
Os investimentos passam por aperfeiçoar e criar novos produtos aumentando o valor acrescentado e no sector da energia, estamos a fazer investimentos que nos vão garantir uma grande poupança de electricidade."




Guincho colocado numa rotunda em Valongo, peça oferecida pela empresa

Antigo Guincho 
Equipamento mecânico de elevação da ardósia, desde o fundo da pedreira até ao exterior. A sua datação é atribuída aos anos 20 do século passado, utilizando já a força motriz eléctrica. Pertenceu à Empresa das Lousas de Valongo, SA, e foi patrimonializado, no sentido de valorizar uma importante identidade valonguense, a lousa. Encontra-se localizada precisamente, onde, em 1865, se deu início à exploração industrial intensiva de extracção ardosífera, com a abertura da louseira do Galinheiro pertencente à firma inglesa The Vallongo Slates & Marbles Quarries Company, Limited. O antigo equipamento encontra-se instalado no centro de uma rotunda, junto à Biblioteca Municipal e ao Centro Comercial Continente.



Pormenor da chaminé em forma quadrada

Antiga Chaminé de Ardósia
A antiga chaminé encontra-se instalada no local onde em 1865 a empresa inglesa The Vallongo Slates & Marbles Quarries Company, Limited, deu início à exploração industrial intensiva de extracção de lousa. A mina do Galinheiro foi a primeira pedreira a utilizar tecnologia de ponta para a época, como a máquina a vapor e sistemas de pequenas vias férreas para o transporte de pedra. Do complexo mineiro do Galinheiro faziam parte outras infra-estruturas de apoio, das quais a chaminé é um dos seus últimos vestígios. Pode ser visitada livremente por se localizar implantada dentro de uma actual rotunda.


Lousa da escola primária
A lousa, ardósia ou pedra é uma folha de ardósia inserida num rectângulo de madeira. Uma das faces da lousa é quadriculada e a outra lisa. Na moldura de madeira há um orifício, onde os alunos amarravam o lápis da pedra ou “peninha” para não se perder.
É uma superfície reutilizável onde os alunos escreviam palavras, números e desenhos com giz ou com a "peninha”. As letras e os traços eram apagados com um paninho ou uma esponja.
A ardósia era um utensílio fundamental para os exercícios escolares e, segundo o programa de leitura da 1ª classe, para se evitarem “deformações graves na caixa torácica e nos órgãos que encerra e desvios da coluna vertebral e miopia”, os alunos eram aconselhados a praticarem “de preferência na ardósia, sob a direcção do professor, os necessários exercícios tendentes a educar-lhes os dedos para o manejo da pena e do lápis”. 

Conceito e Terminologias
A ardósia, também conhecida por lousa ou xisto, é uma rocha formada a partir da rocha sedimentar, o xisto argiloso, sob acção de pressão e temperaturas baixas. É uma rocha nua, de aparência homogénea e de granulação fina. A sua cor negra ou cinza escura deve-se à presença de mais ou menos grafite, quartzo, feldspato ou biotite. 
A exploração desta rocha é feita desde sempre em profundidade das minas bem como a céu aberto, extraída em pedreiras, sem recurso a mina, pratica utilizada pela actual empresa das lousas. 


várias vistas da exploração a céu aberto, em Campo 
Nos séculos passados os mineiros trabalhavam nas minas em condições de trabalho péssimas, utilizando artefactos de trabalhos manuais como a cunha, o picão e a palmeta. 
Com a industrialização os equipamentos utilizados vieram a beneficiar a mão-de-obra e a força utilizada por esta classe mineira e que a seguir se apresentam termos usualmente usados neste tipo de arte.

assuntos e fotos retiradas de:
http://queresaberoquesei.blogspot.pt/
http://revistabusinessportugal.pt
http://mvecv.ie.ulisboa.pt/items/show/79
https://www.google.pt
http://www.almanostra.com/shop/pt/brinquedos-tradicionais/94-quadro-em-lousa-pequeno.html

27 de março de 2016

Seminário dos Meninos Desamparados - Porto

Vista actual

Seminário dos Meninos Desamparados, actualmente designado de Centro Juvenil de Campanhã é uma instituição de acção social e localiza-se em Campanhã, numa parte de terreno de uma antiga quinta, conhecida à época, de Quinta do Pinheiro.
Situa-se nas traseiras da estação de Campanhã e abarca uma terreno e uma construção edificada, centenária, de construção sumptuosa, digna de ser apreciada e protegida patrimonialmente.
Esta instituição nasceu derivada da segunda  invasão francesa, no Porto, sob o comando de Soult, em 1809, ligada à história da assistência e solidariedade social na cidade do Porto, com a ocorrência do desastre da Ponte das Barcas, cujas mortes proliferaram pelo rio Douro deixando crianças e jovens sem pais.
O Oratoriano, Padre José de Oliveira sensibilizado por esta tragédia na cidade e tentando proteger os filhos abandonados (sexo masculino) tomou a iniciativa de recolher grande parte dessas crianças na sua casa.
http://portoarc.blogspot.pt

Mais tarde, a 6 de janeiro de 1814, fundou o Seminário dos Meninos Desamparados passando para um espaço na rua do Almada (antiga rua das Hortas) e depois, para a Torre da Marca. Após ter conhecido variadas instalações pela cidade obteve como doação pessoal, juntamente com outros bens, parte da quinta do Pinheiro, cuja propriedade pertencia a um ilustre benfeitor, Luís António Gonçalves Lima, negociante da praça do Porto, com a condição dominante de em caso de haver alteração da sua função ou apropriação governamental, esta propriedade passaria para a Santa Casa da Misericórdia do Porto.
A transferência dar-se-ia a 30 de abril de 1863 para a actual casa instalando-se definitivamente nesta quinta com vista para o rio Douro e que passaria mais tarde esta instituição intitular-se de Centro Juvenil de Campanhã.
traseiras do edifício - http://viajaredescobrir.blogspot.pt

Esta, criou uma dinâmica de crescimento, desde então, tendo procedido a dispendiosas obras de adaptação do edifício, para prosseguimento da sua missão  de assistência cuja colaboração a população portuense terá contribuído largamente para o seu desenvolvimento ao longo desse período.
Como exemplo, poderemos comprovar o seu desenvolvimento com dados que se apresentam e que mostram o seu rápido crescimento:
- 1814 (ano da fundação):       5 crianças 
- 1819:                          30 crianças
- 1899:                         103 crianças
- 1912:                         180 crianças
- 1846:                         300 crianças

A administração pela instituição ao longo da sua vida teve a ajuda dos rendimentos gerados pelos seus bens recebidos, e que já em 1874 era visível que os investimentos bancários, juros, obrigações prediais, rendas e de rendimentos tidos no Brasil, permitia a uma gestão equilibrada e garantida.
vista panorâmica

O Seminário dos Meninos Desamparados, apresenta no seu portão em ferro forjado e suportado por dois pilares robustos em granito, a inscrição da instituição original. No páteo da entrada um busto do Padre José de Oliveira, como homenagem a esta figura preponderante da instituição.
Devido ao seu protagonismo, a instituição tomou o seu nome, Internato Juvenil Padre José de Oliveira, embora actualmente a seu nome ser de Centro Juvenil de Campanhã.
É uma construção em granito, constituído por três pisos, e distribuídos por espaços devidamente adaptados à pratica desta instituição, como por exemplo um bar (no antigo lagar), cozinha para 250 refeições, lavandaria, lavabos, salas de aula, biblioteca, dormitórios, etc.
Este espaço desenvolve, hoje em dia, actividades na formação técnica e profissional, em áreas de olaria e serralharia.
A finalizar cabe a uma referência especial à bonita capela dedicada a S. José, que ocupa o espaço central do edifício e que se encontra em volume de destaque, tendo sido construída em 6 de janeiro de 1899, como forma de comemoração do 85º aniversário da fundação desta instituição.
É uma capela que sendo de utilização semi-publica, a pratica do culto tem sido de uso corrente, podendo-se vislumbrar a talha dourada, o seu rico altar, azulejaria em geral e conjunto de pequenos azulejos com representação de cenas da via-sacra.  

retirado de:
http://portoarc.blogspot.pt
http://viajaredescobrir.blogspot.pt
- http://www.j-f.org/monografia
- http:/www.panoramio.com


27 de fevereiro de 2016

Marco de Termo da freguesia de Sobrado


Foto de Marco de Termo  - "Sobrado 1690"

Esta pedra marcada representa um marcador limítrofe de freguesia cuja inscrição define o seu termo e data - Sobrado e 1690.
A transcrição que se segue foi retirada de um texto elaborado e intitulado de "Algumas notas acerca de quatro marcos de termo da freguesia de Sobrado no concelho de Valongo", por Alexandre Lima, arqueólogo, e que merece ser lido para conhecimento geral, pois esperemos que estas peças nunca venham a desaparecer ou sejam abandonadas.

"Resumo
Documentam-se quatro marcos de termo, em pedra, respeitantes à freguesia de Sobrado (concelho de Valongo) sendo que dois assinalam o limite deste território, a nascente, com a freguesia de Gandra (Paredes), e os outros dois, mais a sul, com os territórios administrativos das freguesias de Campo (Valongo) e Gandra (Paredes).

Introdução
Em 2009, no decurso da realização do acompanhamento arqueológico da construção do lanço da autoestrada A41 - Picoto (IC2)/Nó da Ermida (IC25) Trecho 3.2 - Campo / Nó A41/A42, integrado na denominada Concessão Douro Litoral foram identificados dois marcos pétreos de termo, com a inscrição <Sobrado 1690>. No intuito de obter informações sobre estes achados entrou-se em contacto com responsáveis pelo património cultural das Câmaras de Paredes, Santo Tirso e Valongo que, com muito agrado, resultou na comunicação da existência de outros dois marcos semelhantes, mas que exibem a inscrição <Sobrado 1692>. Os três primeiros, implantados no limite da freguesia de Sobrado com o território da freguesia de Gandra e o quarto , mais a sul, com os territórios administrativos das freguesias de Campo e de Gandra.
Com esta notícia pretende-se dar a conhecer estes marcadores territoriais e prestar contributo no processo de construção e compreensão da história local, particularmente numa perspectiva crono-espacial de âmbito municipal, em termos de administração civil e religiosa durante a última década de seiscentos.

1. Enquadramento geográfico e geomorfológico
A vila de Sobrado faz fronteira com a cidade de Alfena, com a cidade de Valongo (a sede do concelho), com a vila de Campo, com Gandra e Lordelo (do concelho de Paredes), com Água Longa e Agrela (concelho de Santo Tirso) e ainda com Seroa (concelho de Paços de Ferreira).
Do ponto de vista geomorfológico os marcos delimitam um território onde predominam as formações metassedimentares, essencialmente xistos, e grauvaques aflorantes. Do relevo assimétrico, o território tem uma morfologia muito recortada, caracterizada por uma sucessão de cabeços, de formato relativamente arredondado, e de vales apertados, em contraste com o vale baixo e aberto que rodeia o Rio Ferreira. Este ultimo desenvolve-se numa extensa área, baixa e regular, com depósitos aluvionares extensos e de grande destaque.

2. Localização e caracterização dos marcos
Tal como referido anteriormente, os três primeiros marcos estão implantados no limite nascente da freguesia de Sobrado e o quarto marco situa-se mais a sul, no limite entre os territórios administrativos das freguesias de Campo e Gandra. (...)
O marco 1 está localizado numa pequena cumeada coberta, por um eucaliptal sobranceira ao lugar da Costa, à face do caminho florestal que percorre, como tantos outros, os meandros da serra (...).
É um monólito granítico fincado no solo, de secção quadrangular e contorno regular, com cerca de 120 cm de altura e 40 cm de largura. Na face voltada sensivelmente a norte, conserva a inscrição <Sobrado 1690>. As inscrições ocupam a metade suoerior do marco uma vez que os caracteres, gravados por puncionamento e abrasão, têm uma dimensão significativa, na ordem dos 10 cm de altura cada e sulcos largos que atingem 1,5 cm de largura. A inscrição distribui-se por três linhas: Sob / ado / 1690.
Representação do marco 1

O marco 2 está localizado cerca de 400 m a sul do marco 1, em encosta sobranceira aô lugar da Costa, encontrando-se igualmente à face de um caminho florestal que intercepta para norte o caminho que ladeia o marco 1 (ver foto).
É igualmente um monólito granítico toscamente afeiçoado, de contorno regular, mas de secção rectangular, com cerca de 80 cm de altura, 25 cm de espessura e 60 cm de largura. Está ligeiramente tombado para norte, em consequência, certamente, de surribas levadas a cabo para plantação de eucalipto. Na face voltada a oeste exibe a inscrição <Sobrado 1690>, que ocupa a totalidade da face do marco. Os caracteres, gravados por puncionamento e abrasão, têm igualmente uma dimensão significativa, de cerca de 10 cm de altura cada um, e sulcos largos que atingem 2 cm de largura (...).
Representação do marco 2 (ver foto)

A localização dos marcos 3 e 4 foi-nos comunicada pelo Dr. Paulo Moreira, do Arquivo Municipal de Valongo, e pela Drª. Paula Machado, do Museu Municipal, quando estabelecemos contacto com esta autarquia no sentido de adquirir informações que permitissem contextualizar os dois primeiros marcos citados.
O marco 3 está localizado numa pequena cumeada a norte do lugar de Vilarinho de Baixo/Flor, embutido num muro de divisão de propriedade, construído com blocos de xisto.
É um monólito granítico de secção subtriangular, com cerca de 88 cm de altura e um contorno direito em dois terços do corpo, que é caracterizado por uma largura média de 30 a 40 cm no ultimo terço, conferindo maior resistência à base. Na face voltada a noroeste exibe a inscrição de <Sobrado 1692>, que ocupa o terço superior do marco. Os caracteres, também gravados por puncionamento e abrasão, tal como os anteriores, têm de igual modo uma altura significativa, na ordem dos 10 cm e sulcos largos que atingem 1 cm de largura. A inscrição distribui-se por três linhas: Sobra / do / 1692.
Representação do marco 3

O marco 4 está localizado numa pequena cumeada, ocupada por vinha, sensivelmente a norte do lugar de Além Rio. Tal como os anteriores. é um monólito granítico fincado no solo. Tem secção subquadrangular, cerca de 73 cm de altura, 46 cm de espessura e 37 cm de largura máxima. Tem contorno ligeiramente ovalado e na face voltada a Este Noroeste exibe a inscrição , que ocupa a metade superior da face do marco. Os caracteres, gravados por puncionamento e abrasão, não são facilmente visíveis, contrariamente aos restantes marcos, o que se explica pela natureza grosseira do granito utilizado. As letras têm uma dimensão considerável, na ordem dos 10/12 cm de altura e sulcos largos que atingem 2 cm de largura. a inscrição distribui-se por três linhas Sobra / do / 1692.
Representação do marco 4

A observação macro das principais particularidades de cada marco justificam uma breve análise estilística do conjunto, nomeadamente sobre as características das suas gravações.
Verifica-se uma certa homogeneidade nos marcos identificados. As letras são de dimensão significativa (pois que interesse teria um marcador territorial se não fosse para ser avistado), ocupando geralmente a metade superior do corpo granítico (a utilização deste suporte é comum aos quatro marcos). A inscrição está distribuída por três linhas e parece haver traços estilisticamente comuns na gravação, por exemplo, das letras "s" e "b", sempre utilizadas em capital. Distinta é a forma dos "d" nos dois últimos marcos de 1690 comparativamente com os de 1692. Mas, serão estas analogias suficientes para indigitarmos a concepção, ou a execução, dos marcos a um mesmo artífice? Talvez sim. Contudo, ainda não temos dados que o possam comprovar. Fica por ora o seu registo para memória de Sobrado. 

3. Considerações finais
O território de Sobrado ou Sancti Andree Subrato, com é referido nas Inquirições de Afonso III, de 1258 (Herculano, 1868), estava incluído no julgado de Aguiar de Sousa (Capela, 2009) cujo limite ocidental era naturalmente traçado pelo rio Ferreira. As inquirições referem como meu seu senhor Domni Egidii Martini, portanto, D. Gil Martins, Senhor de Riba Vizela, que era aí possuidor de diversos casais honrados e muito provavelmente detentor de uma fatia substancial do padroado da Igreja de Santo André de Sobrado.
Sabe-se ainda que no séc. XV alguns destes casais eram propriedade do rico mercador do Porto, Fernão Álvares Baldaia, cuja fortuna foi devidamente apresentada por Ivo Carneiro de Sousa (Sousa, 1983) num artigo publicado na revista "Humanidades". Aí é documentada uma extensa lista dos bens citadinos e rurais de Fernão Álvares Baldaia, onde consta que o mesmo era proprietário de três casais e uma quebrada na honra de Sobrado. É certo que estas e  outras pertenças no território de Sobrado continuaram na posse da família dos Baldaia, conforme se verifica na documentação alusiva à freguesia. O inventário das freguesias, publicada pelo Padre António Carvalho Costa (Costa, 1706), acerca do Foral do concelho e julgado de Aguiar de Sousa, outorgado por D. Manuel em 25 de Novembro de 1513, refere "Santo Andrè de Sobrado, Abbadia da apresentação dos Baldayas do Porto, família antiga & nobre (...)", e assim permanece nos anos subsequentes se tivermos em consideração que  As Memórias Paroquiais de 1758, fazem referência a esta família, a então descendente Dona Maria Clara Baldaia de Sousa e Tovar e seu marido João Alves Pamplona Carneiro Rangel como representantes do padroado da Igreja de Santo André de Sobrado.
Faltam apurar os resultados do  domínio filipino exercido sobre este território, muito embora pese o facto de  que, grosso modo, a estrutura jurídica se tenha mantido, na forma de comarcas, provedorias, ouvidorias, concelhos dioceses e freguesia (estas ultimas sob domínio e jurisdição eclesiástica), então reguladas pela Lei Geral, mencionada nas Ordenações Filipinas de 1603  (Silva & Hespanha, 1997).
Este modelo de organização jurídico-administrativa prevalece até à reforma administrativa de 1836 (ainda que se registem alterações significativas no seio da elite senhorial, com a extinção dos Coutos do Reino em 1692, decretada por D. Pedro) e tal facto está documentado de uma propriedade no lugar do Paço, em Sobrado, realizado entre o Abade Francisco Marques e Domingos André e João André, datado de 27 de Fevereiro de 1690, onde é referida "a igreja da freguesia de Sobrado, do Concelho de Aguiar de Sousa do termo da cidade do Porto". E assim subsistiu até 1821, data da extinção do concelho de Aguiar de Sousa, passando a pertencer ao julgado de Penafiel até à reforma administrativa de 1836, encetada por Passos Manuel e promulgada em Decreto pela Rainha D. Maria II (Decreto de 6/11/1836, Diário do Governo nº 283, de 29 de Novembro de 1836), passando a integrar desde então me até à actualidade o concelho de Valongo.
A implantação destes quatro marcos traduz uma delimitação territorial ocorrida no séc. XVII, cujas circunstâncias da sua implantação estão até à data por aclarar. As datas esculpidas nos marcos enquadram-se no quadro legislativo que esteve na base da extinção dos Coutos do Reino, decretado por D. Pedro através da Carta de Lei de 13 de Setembro de 1691 (Livro X da Supplicação) e de 10 de Janeiro de 1692 (Livro VI de Leis da Torre do Tombo), que se traduziram na clara perda de de privilégios e doações (...). Talvez sejam estes marcos o testemunho físico da aplicação da Lei, que se reflectiu certamente na transferência e circunstância de novos territórios."

14 de fevereiro de 2016

Placa de Rua - Porto

Escadas das Verdades, freguesia da Sé - Porto

Escadaria de acesso à zona do Barredo e à Ribeira, na zona da Sé, com entrada pela fachada sul da casa episcopal, pela rua D. Hugo.
Anteriormente, a designação era de escadaria das Mentiras, e os ditos populares expressavam que a razão do nome se prendiam pelo facto de que as mulheres moradoras e vizinhas, nas suas conversas entre si, umas contavam verdades e outras diziam mentiras.
No seu pequeno percurso encontra-se o "arco das Verdades" a que está associado uma das portas que existiam na muralha primitiva, designada de muralha Sueva ou também de "Cerca Velha".
Também lhe chamavam Porta das Mentiras, e que a partir do século XIV, passou a chamar-se porta de Nª. Srª. das Verdades, tomando a actual designação de escadaria das Verdades.. 
Desconhece-se a data do desaparecimento da dita porta, mas o arco, que ainda lá existe, servia de aqueduto, já que dela corriam as águas da nascente de Mijavelhas (actual Campo 24 de Agosto) para abastecimento a Mitra e fontes de Pena Ventosa onde o povo se abastecia de água.

Vista superior do arco das Verdades

Vista do arco das Verdade, com vestígios de aqueduto

Fontanário existente

Vista em sentido ascendente