NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

30 de janeiro de 2016

Pedra de Armas - Amarante

Rua Manuel Pinto Martins (antiga Rua da Portela)

Está assente sobre portal de entrada da antiga Casa Nova da Portela e actualmente pertença da Câmara Municipal.
É uma peça simples deduzindo-se ter sido trabalhada ou executada entre os séc. XIX e XX.
É um escudo oval, cortado, em que:
1 - partido de:
I - de azul com uma roda de Santa Catarina de ouro armada em prata;
II - de vermelho, com seis costas de prata, postas em faixa e alinhadas em duas palas, 3,3 moventes dos flancos, com as vértebras afrontadas 
(armas da família Costa de Alpedrinha)
2 - Partido de:
I - de Freire de Andrade (?), mal representado;
II - Teixeira, de azul com cruz potenteia de ouro e vazia de campo.
Elmo aberto e gradeado Timbre de Costa, com 2 costas do escudo passadas em aspa e atadas por torçal de vermelho.

2 de janeiro de 2016

Quinta de Recarei - Leça do Balio (2 brasões)

Portão Principal
Rua da Mainça, nº 204, Leça do Balio - Matosinhos

O sitio de Recarei deverá ter sido um dos primeiros locais habitados da freguesia de Leça do Bailio, surgindo referenciado em documentos desde o séc. XI. Todavia, a Casa e respectiva Quinta remontam ao século XV, sendo que o edifício que observamos actualmente foi construído no século XVI e modificado nas centúrias imediatamente posteriores.
Igualmente conhecida por Quinta do Alão, a Casa de Recarei deve esta designação à família de Alão de Moraes, proprietária deste espaço desde o século XVII, em consequências do casamento de Maria Nunes Camelo, herdeira da Quinta, com Aleixo Alão de Moraes. As armas da família encontram-se patentes no portão da propriedade, num outro portão de dimensões mais reduzidas e ainda numa das fontes (Nóbrega, Moreira da, 1960).
Portão de Acesso à Casa

A Casa, de planta em forma de U, foi associada à capela de Nossa Senhora da Assunção já no século XVIII. Esta apresenta fachada de linhas simples, rematada na empena por uma torre sineira, situada no eixo do portal principal e da janela que se lhe sobrepõe. O alçado da Casa é bastante regular, destacando-se a escadaria e a varanda, melhoramentos contemporâneos da intervenção na capela.
O jardim, magnifico exemplar de arquitectura paisagística do séc. XVII, deverá remontar à época em que habitou a casa, D. Cristóvão Alão de Moraes, célebre genealogista e autor da Pedatura Lusitana.
Organizado em plataformas desniveladas, tão características dos jardins do Norte, este espaço beneficia de um sistema de distribuição de águas, integrado no pavimento em caleiras de granito, que ainda existe. O que explica a existência de diversas fontes e chafarizes. que deveriam funcionar como reservatórios de água, a ser distribuída conforme necessário (Carita, 1987, p.251).
Os diferentes elementos arquitectónicos dispersos pelo jardim têm vindo a ser atribuídos a Nicolau Nasoni (Brandão, 1987, p.173). Entre os mais significativos encontra-se uma fonte, cujo muro é rematado lateralmente por flores-de-lis e pináculos característicos da obra de Nasoni (Brandão, 1987, p.73). De acordo com Pinho Brandão, os pináculos que rematam as colunasm na entrada da Quinta, o portal de entrada no terreiro (semelhante a um outro da Quinta de Santa Cruz do Bispo), ou as duas edículas do jardim, deverão ser, igualmente, obra de Nicolau Nasoni.
(Rosário Carvalho)
Fonte: DGPC

Retirado de:
https://www.facebook.com/groups/estoriasdecasascomhistoria/?fref=nf

1 de janeiro de 2016

Pedra de Armas - Amarante

Rua Manuel Pinto Martins, Amarante

Descrição:
Escudo: Francês
Formato: Esquartelado
Leitura:
I - Magalhães
II - Homem
III - Pereira
IV - Vasconcelos
Elmo virado à direita
Timbre: de Magalhães, um abutre
Decoração: com ornados

31 de dezembro de 2015

Batente original - Porto

Rua do Rosário, nº 223, freguesia de Miragaia - Porto

Este batente apresenta uma solução diferente do grande tipo de batentes que se encontram nas portas. Se repararem o modo de chamar (bater) é de baixo para cima ao inverso do usual.
Para além da sua originalidade verifica-se que a peça apresenta uma ave, também pouco frequente em peças desta natureza.
Não nos parece que seja antiga dado que se encontra numa casa restaurada com alguma contemporaneidade e como tal reflectir-se-à provavelmente também no batente.

20 de dezembro de 2015

Pedra de Armas - Amarante



Pedra de Armas no centro histórico de Amarante, encontra-se aplicado na esquina de prédio secular em granito e encontra-se em muito bom estado de conservação.
Av. Comenndador Joaquim Leite com a Rua de Seixedo


Vista do prédio e a localização do brasão na sua esquina

Descrição:
Escudo: Português ou boleado
Formato: Esquartelado
Leitura:
I e IV - Cerqueira
II e III - Magalhães
Elmo virado a 3/4 com virol
Timbre: de Cerqueira
Decoração: com ornados

3 de dezembro de 2015

Portal - centro de Amarante

Rua Manuel Pinto Martins, Amarante

Este portal faz parte da antiga Casa Nova da Portela e apresenta sobre a sua porta um escudo oval que pela sua aparência rondará entre os séculos XIX e XX.
Actualmente o espaço é pertença da Câmara Municipal de Amarante e a rua era designada, antigamente, por rua da Portela.

24 de novembro de 2015

Manuel Pinto de Azevedo - Bonfim, Porto

Tudo começou no nº 326 da Rua do Bonfim, Porto

Fachada do muro principal 

A Industria no Bonfim
O símbolo do brasão da freguesia do Bonfim tem como imagem três chaminés, bem elucidativas da identidade industrial, que desde cedo, despertou o interesse para o estabelecimento de fábricas e pequenas unidades fabris.
Brasão da Freguesia do Bonfim

A proximidade ao centro da cidade do Porto e a riqueza em águas que corriam na área, através dos mananciais de Mijavelhas, do Bispo, das Freiras ou da Cavaca, foram razões fortes para que o território do Bonfim se enchesse de chaminés e ruas com operários, transmitindo a imagem de grande desenvolvimento industrial.
A partir dos meados do séc. XIX, a periferia da cidade, e em particular do Bonfim, passam a ser os principais locais de concentração industrial e nomeadamente na indústria têxtil.
Em 1845 contavam-se 43% dos estabelecimentos industriais e 62% dos operários da cidade do Porto pertenciam às têxteis algodoeiras. Sete anos mais tarde, estes números aumentavam para 47% e 67%, respectivamente.
O Porto afirmava-se como líder do processo de industrialização e a freguesia do Bonfim começava a emergir como freguesia da indústria, sustentada sobretudo numa especialização têxtil e num conjunto de fábricas de pequena e média dimensão.
Em 1852, a freguesia do Bonfim tornava-se a líder laboral com 2027 operários e de 150 unidades em estabelecimentos industriais, superando todas as outras freguesias centrais ou periféricas da Invicta.
O fulgor industrial do Bonfim, que o colocou como a freguesia com maior número de unidades fabris e de operários da cidade do Porto, no séc. XIX prolongou-se pela primeira metade do séc. XX.
Em 1890, estava identificada uma fábrica de algodão (fiação e tecelagem), com 14 funcionários, na rua do Bonfim. Era uma entre muitas que por ali existiam, nalguns casos de dimensões bem superiores, tanto nas instalações como em funcionários.
Alçado Principal (estudo inicial) do nº 326

Tinha como número de porta o nº 326 e era dirigida por Carlos da Silva Ferreira, um pequeno industrial que a edificou em 1882 após autorização camarária.
Nos finais do séc. XIX, mais propriamente em 1894, surgiu o bonfinense Manuel Pinto de Azevedo, que de operário têxtil ascendia a director da Fábrica de Tecidos do Bonfim, pertencente a Carlos da Silva Ferreira, e que passaria para as suas mãos, em 1901, tomando as rédeas de um negócio que se transformaria num império.
Requer a ampliação da fábrica, por mais de uma vez, e adquire terrenos circundantes que lhe permite estabelecer condições de organização e melhorias de condições de higiene e trabalho dos seus operários.
No quarteirão entre as ruas do Bonfim, de António Carneiro e da Avenida Camilo, constrói uma creche, monta os escritórios e requer, no ano de 1921, a construção de garagens, habitação e de um clube, tudo isto numa área significativa para a época, e que se estenderá, ao longo da sua vida, em investimentos contínuos de larga escala, a nível nacional, bem como expandindo-se também internacionalmente, por Angola e Moçambique.

Manuel Pinto de Azevedo


Manuel Pinto de Azevedo
Nasceu pelas 7 horas da manhã, do dia 27 de Abril de 1874, em casa de seus pais, no Campo 24 de Agosto, na freguesia do Bonfim, e terá sido baptizado no dia 2 de Maio desse mesmo ano.
Teve como padrinhos de baptismo Manoel Alves Montes Júnior, solteiro, fabricante e Dona Rita de Jesus Conceição Moreira, casada e residente na Rua do Bonfim.
Era filho de António Pinto d'Azevedo, fabricante e natural de Stª. Maria de Gôve, Baião e de Emília Pereira da Silva, governante de casa, e natural de Stº. Ildefonso, no Porto.
Teve como avós paternos José d'Azevedo e Anna Maria Mendes e maternos Joaquim da Silva Moreira e Anna Pereira.
Casou com Laura Alves Viana, de 41 anos, filha de Damião Martins dos Santos Viana e de Felicidade Alves Viana, naturais de Rio Tinto, Gondomar. Seu matrimónio deu-se na igreja de Matosinhos, no dia 15 de Novembro de 1926.
Em 1891 matriculou-se na Escola Técnica de Faria Guimarães, tendo iniciado a sua actividade profissional de operário da industria têxtil em 1894, nos finais do séc. XIX, e ascendido a industrial no ano de 1901.
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A sua vida de Industrial começou na Fábrica do Bonfim, nº 326, cuja empresa pertencera ao industrial Carlos da Silva Ferreira que requereu a sua construção em 1882, e que serviria para sua habitação muito próximo da fábrica de fiação e tecelagem de algodão, com cerca de uma dezena de funcionários, que lhe pertencia.
Prédio nº 326

Era um prédio com uma fachada nobre, imponente, para a época, com altos janelões rectangulares e uma alta porta, bem como de vários gradeamentos trabalhados em ferro aplicados na varanda e a servirem de peitoril nas janelas.
Manuel Pinto de Azevedo, aos poucos, tornou-se um dos maiores empreendedores da sua época criando um autêntico império industrial, tendo-se destacado igualmente nas actividades políticas, como Republicano, e destacando-se como um pioneiro pelas questões sociais, promovendo aos seus funcionários condições de trabalho, de higiene, de saúde e de habitação de inigualável qualidade para a época.
Faleceu em Matosinhos a 16 de Fevereiro de 1959, pelas 22 horas e 30 minutos, com a idade 84 anos e 10 meses.

O seu Património do Bonfim
"O seu espírito de iniciativa aliada a uma assinalável competência técnica possibilitara-lhe uma rápida afirmação profissional, de tal modo que ainda antes de completar 30 anos de idade já tinha ascendido ao cargo de Director da Fábrica de Tecidos do Bonfim."
Iniciou a sua vida empresarial e, como industrial têxtil tornou-se proprietário no ano de 1901 após a sua ascensão e aquisição da Fábrica de Tecidos do Bonfim ao Industrial Carlos da Silva Ferreira, no nº 326, e que logo de imediato requereu licença para a ampliar.
“Ao mesmo tempo que consolida e desenvolve a Fábrica de Tecidos do Bonfim, dotando-a em 1914, de uma tinturaria, para além das actuais funções, fiação e tecelagem de algodão.”
Em 1916 solicita nova ampliação e vinte anos depois amplia de tal maneira que toma conta de uma área considerável no quarteirão que o insere. Este projecto prevê a melhoria das condições de higiene e trabalho dos seus operários, contando com os projectos dos arquitectos Manuel da Silva Passos Júnior e Leandro de Morais e dos engenheiros Mário Borges e Jorge Vieira Bastian.
Em 1921, o prédio adjacente com nº 328 e 334, é adquirido por Manuel Pinto de Azevedo, ao proprietário Serafim Ribeiro.


Prédio adjacente ao nº 326

Serafim Ribeiro apresentou proposta para a construção de sua futura habitação, no ano de 1868. Era fiscal e pertenceu à mesa administrativa da Irmandade do Santíssimo Sacramento e Senhor do Bonfim e Boa-Morte.
Em 1883, terá solicitado licença para acréscimo de um novo piso, com a introdução de um terraço e portais em arco quebrado e destacando-se pela sua fachada coberta de azulejos de tonalidade azulada e branca em contraste com o vermelho sangue das janelas e das portadas.
Para além destes edifícios, nos anos de 1916 e 1918 foram construídos dois edifícios situados na rua António Carneiro, considerados no Porto, como património arquitetónico e industrial por terem sido construídos no estilo de Arte Nova e dotados de linhas curvas e esbeltas, graciosidade e beleza, e decorado com painéis de azulejos.
Com fins específicos, o primeiro, licenciado em Novembro de 1916, teve a dupla função: de armazém, no piso inferior, e como centro político no restante espaço.
Este edifício serve essencialmente de armazém, dotado de amplos espaços e abertos, com excepção de dois compartimentos de divisões reservados a serviços de secretaria e de reuniões de direcção.
Peças desenhadas

A parte referenciada de centro político tratava-se do Centro Republicano do Bonfim, criada para intervenção cívica e politica na vida local e da cidade.
O segundo edifício, aprovado em 25 de Julho de 1918, teve como objecto específico a higiene e o bem-estar dos seus operários, com a criação de uma cantina e uma pequena creche, balneários e dormitório.
Peças desenhadas

O Arquivo Histórico Municipal do Porto guarda nos seus arquivos documentação de ambos os edifícios, como as plantas e alçados desses espaços.
No entanto, Manuel Pinto de Azevedo desenvolve a sua Fábrica de Tecidos Aliança, localizada na rua António Carneiro, tornando-a mais preponderante na vertente social e engrandecendo-a em número de operários.
Outros edifícios são adquiridos, por Manuel Pinto de Azevedo, no quarteirão que circunda a rua do Bonfim, rua António Carneiro e agora na Av. Camilo com as imponentes garagens que acresce ao já seu valioso património.

Outras intervenções, investimentos e sociedades
A sua experiência e conhecimentos adquiridos neste seu percurso de vida irão ser-lhe de grande utilidade para os seus planos de investimentos que irá prosseguir nos anos seguintes.
Manuel Pinto de Azevedo “era já um industrial de renome, desdobrando-se em múltiplas iniciativas, em seu nome próprio ou associado com outros industriais ou capitalistas, fundando novas fábricas e adquirindo outras, ampliando-as e renovando os seus equipamentos, afirmando-se cada vez mais como um dos principais empresários do país no sector da indústria têxtil algodoeira.”
De forma resumida poderemos percorrer etapa por etapa a caminhada levada a efeito ao longo da sua vida, onde se verificam as variadas aquisições sucessivas, de importantes unidades do ramo algodoeiro, constituindo um importante e autêntico império industrial, e que se passa a descrever;
- Iniciou com a Fábrica de Tecidos do Bonfim, em 1901, melhorando-a periodicamente, tendo criando, igualmente, condições de higiene e de trabalho com a implementação dos novos edifícios envolventes já referidos atrás;
-Em Outubro de 1917 arrendou a Fábrica de Fiação e Tecidos de Soure, “a qual veio a adquirir em 1924, em associação com o empresário Manuel Alves Soares, seu parceiro de múltiplos negócios”;
Documento

- Em 1920, adquiriu a Fábrica de Fiação de Tecidos da Areosa, no Porto, que tinha sido fundada por Pantaleão Dias e Lobão Ferreira, tornando-a uma das mais importantes na cidade do Porto, pela importância social e sua dimensão fabril, fazendo dela um símbolo de referência nacional.

Existem umas imagens registados em filmes, produzido pela "Gloria Film", no ano de  1927, com possível visualização no YouTube, de um documentário sobre a industria e os meios de produção do sector têxtil da Fábrica da Areosa;
- Em 1922, com a aquisição da mais importante fábrica do seu império industrial, a Empresa Fabril do Norte (EFANOR), na Srª. da Hora, em Matosinhos, que chegou a empregar cerca de 3000 funcionários, também conhecida como fábrica dos carrinhos e linhas de algodão, que tinha sido fundada por Delfim Pereira da Costa, no ano de 1905. O seu investimento foi de tal importância, tendo-a renovado e ampliado e introduzido um importante conjunto de equipamentos sociais para os seus operários, onde aplicou os seus conhecimentos em grande escala ensaiados na sua primeira fábrica do Bonfim, com a criação de refeitórios, dormitórios, balneários e cantinas;
Estampa

Estampa

- Em 1928 adquiriu outras unidades têxteis, a Fábrica de Fiação e Tecidos de Sá, em Ermesinde, concelho de Valongo e a Fábrica de Tecidos Aliança, na Giesta, em Rio Tinto, no concelho de Gondomar. Na primeira e mantendo com os seus objectivos sociais, há registos de ter criado uma cantina, e fundado “uma padaria na fábrica destinada exclusivamente ao fornecimento de pão aos operários e de uma cooperativa de consumo, onde eles poderiam abastecer-se de géneros de primeira necessidade a preços muito mais baixos”;

Fábrica de Sá, Ermesinde

Fábrica da Aliança, Rio Tinto

Este importante núcleo fabril permitiu uma mudança estratégica por parte deste empreendedor, permitindo já em 1924 orientar-se para a criação de um entreposto comercial com a criação do Entreposto Comercial e Industrial do Norte, conjuntamente com os bancários Francisco e António Borges, que funcionaria como central de compras do grupo, nomeadamente para a aquisição de algodão e papel de jornal.
Mais tarde e por forma a complementar esta nova fase, em 1933, a mesma sociedade criaram duas novas sociedades distribuidoras direccionadas para as colónias portuguesas, de modo a estabelecer a venda e a promoção dos seus produtos com vista a implantar no mercado colonial, a União Industrial Algodoeira, Lda., para Moçambique e a Algodoeira Colonial, Lda., para Angola, onde possuía vastas plantações de algodão no distrito de Quanza.

Já na década de cinquenta, junto com outros empresários criou a Sociedade Algodoeira de Portugal com o objectivo de fomentar a industria têxtil nas colónias de África.
Noutros âmbitos de actividades poderemos referir a sua particular actuação no sector da imprensa, nomeadamente nos jornais O Norte e o Primeiro de Janeiro, tendo-se tornado o maior accionista no ano de 1923 e desde esse período como Presidente do Conselho de administração até sua morte. 

As transformações e melhoramentos introduzidos no panorama da imprensa diária, tanto na componente redactorial como na gráfica, fez do jornal a sua afirmação dos mais bens elaborados no campo da informação nacional, posição que manteve durante décadas.
As suas actuações também se direccionaram na industria conserveira, fundando em 1929 a Continental Sociedade de Conservas, em Matosinhos, na cortiça, com a Sociedade Corticeira Robinson Bros. Lda., em Portalegre, na Companhia Portuguesa do Cobre, no Porto, e na importante firma portuense António Maria Tavares, Júnior, Lda.
Estabeleceu investimentos no sector vitivinícola, em explorações agrícola, sendo proprietário de várias quintas em Amarante, Macedo de Cavaleiros e Régua, sendo as mais reconhecidas as quintas de família, Quinta das Murças e a Quinta de Vale de Pradinhos, tendo-as desenvolvido e ampliado na comercialização de vinho, azeite, cortiça e caça, bem como na componente turística com a implementação de Estalagem
Do mesmo modo interveio no sector eléctrico, através da União Eléctrica Portuguesa, na vertente bancária, pelo Banco Borges & Irmão (1924) e em seguradora, na Mutual do Norte.
Funda e adquire, entre outras empresas o Interposto dos Açucares Coloniais do Norte e com outros accionistas a Companhia Arrozeira Mercantil e a Sociedade Mercantil e Industrial.

Sua Intervenção Social e Politica
Com ideais republicanas desde a juventude e já como empresário criou numa das suas instalações, o Centro Republicano do Bonfim, para intervenção cívica e política. 
Tornou-se membro da sociedade detentora do município do Porto e foi eleito vereador logo após a queda da monarquia em 1911, mantendo a sua municipalidade em 1914 e até 1919, cargo que desempenhou até Outubro de 1921, ano em que se afastou voluntariamente.
Foi mesário na Santa Casa da Misericórdia do Porto entre 1926 e 1938 e entre 1941 e 1945 e nessa qualidade assumiu a administração do Hospital Sanatório Rodrigues Semide, tendo exercido benefícios e melhoramentos.
Em toda a sua vida teve para além de um grande espírito de empreendedorismo, uma elevada consciência social, na melhoria das condições de trabalho, no desenvolvimento e renovação da maquinaria e no bem-estar dos seus funcionários, com a implementação de várias valências sociais, muito à frente da sua época, de enorme atractivo para quem lá trabalhavam. Foram construídas nas instalações industriais, creches, escolas, corpo de bombeiros, pavilhões e campos desportivos, salas de convívio e moradias providas de casas de banho e ainda de terrenos com hortas e jardins, com a atribuição de prémios para quem apresentasse a melhor e mais florida parcela particular.

Acções cívicas
Procedeu a uma participação publica pessoal, em benefícios e benemerências em instituições publicas e privadas, em vários hospitais e casas de caridade do Norte e Centro do País e em escolas primárias da cidade.

A sua filantropia, a sua actividade empresarial e cívica publica mereceu uma recompensa nacional com a imposição de grau de Grande Oficial da Ordem de Cristo e de Oficial da Ordem da Instrução Publica. 
Homenagem aos Benfeitores e professores da escola infantil nº 1, na Praça da Alegria, Porto



fontes de informação:
- https://pt.wikipedia.org
- http://umolharsobreriotinto.wordpress.com

15 de novembro de 2015

Fez 11 meses - lançamento de livro "Brasões e Pedras de Armas da Cidade do Porto"


A 15 de dezembro de 2014 realizou-se o lançamento do meu livro, com o patrocínio da Obra Diocesana de Promoção Social", que nesse ano comemorou os seus 50 anos de existência, o qual expresso os desejos de muita longevidade e a minha gratidão.
O conteúdo da obra teve como objectivo a recolha de "todos" os brasões e pedras de armas visíveis pela cidade do Porto, com a sua descrição heráldica conjugadas com pequenas historias da família  ou sobre a casa onde se inseria a peça.
O objectivo deste inventário era, dar conhecimento à população da cidade, a todos aqueles que têm pela heráldica um gosto próprio e igualmente a todos aqueles que pela cidade do Porto nutrem um carinho muito identitário.
Quero aqui expressar que para além de ter corrido muito bem o evento, no Museu Soares dos Reis, com a presença do Sr. Bispo do Porto, e das presenças do Sr. Presidente da Câmara, Dr. Rui Moreira, e do Dr. Manuel Pizarro e outras individualidades dispersas, poderão visualizar pequenos extractos neste site, da câmara:

http://www.porto.pt/noticias/livro-brasoes-e-pedras-de-armas-

Neste dia, pretendo transmitir aqui vários sentimentos, alguns antagónicos, que pretendo mencionar:

- em 11 meses passados devo dizer que tive o prazer de ter divulgado e espalhado por muita gente este singelo livro. Devo dizê-lo que, foram editados 1000 livros e que até à data  pelo menos mais de 2/3 já foram diluídos por amigos, familiares, heráldistas, alfarrabistas, etc... e espalhados por todo o País.
Entendo que o meu objectivo foi alcançado e nunca esperaria ter ido tão longe neste meu sonho.

- lembrar uma pessoa, familiar muito querida, que muito contribuiu na elaboração do livro, na sua revisão, na elaboração do prefácio, na apresentação do livro no dia do seu lançamento  - a minha prima, Margarida Álvares da Cunha. 
Infelizmente, por motivos de doença, partiu em 26 de agosto de 2015, e deixou-nos uma saudade imensa, tendo deixado a sua alma, coração e transmitido a todos os seus entes queridos o sentimento de amor, paz, e tudo o que de Bom que se possa querer entre o ser humano.
A sua memória será sempre lembrada, com um sentido de alegria, seu desejo final.
Obrigado prima!

1 de novembro de 2015

Pedra de Armas do Palacete de Morais Alão, Porto

Brasão dos Amorim Gama Lobo

Descrição: 
Material: Granito
Época: Séc. XVIII
estilo: Barroco
Conservação: Bom, com algum desgaste
Escudo: de Fantasia
Formato: Esquartelado
Leitura:
             I - Amorim
             II - Gama (de Vasco da Gama)
             III - Lobo
             IV - Magalhães
Elmo: gradeado, tarado de perfil

Imagem do Arquivo Histórico do Porto (anos 50)

A pedra de armas que se encontra encostada a um dos muros do jardim do Museu Soares dos Reis está exposta a visita publica. Pertenceu à fachada do palacete de Morais Alão, situado na antiga Praça das Hortas, actual Praça da Liberdade, no Porto.

Antigos Paços do Concelho ou Palacete Monteiro Moreira

O edifício central serviu de Paços do Concelho aquando a Praça das Hortas, à época ainda era uma área central da cidade, de encontros sociais, políticos e económicos.

Palacete Morais Alão (à esquerda)

O palacete de Morais Alão, à esquerda da Câmara Municipal, que se encontra adjacente, onde se vislumbra no frontão principal, no seu topo, a estátua do "Porto", agora situada à entrada da rua da Fábrica, junto ao Banco de Portugal.
Serviu de apoio ao edifício da Câmara e o seu brasão deste palacete, sobre a sua porta de entrada, tem correspondência histórica com a casa de Bonjóia, dado que contemplam as mesmas armas de D. Lourenço Amorim Gama Lobo, que pela relação de casamento de seu filho com a família Portugal e Menezes, a sua sobrinha e herdeira foi detentora da venda desta casa, tendo sido demolida aquando da abertura da Avenida dos Aliados, em 1916.

recolha de informação:
http//portuense.blogspot.pt
facebook: portodesaparecido
da obra "Brasões e Pedras de Armas da cidade do Porto", de Manuel Cunha

21 de outubro de 2015

Água de Regadio - Baltar

Direitos de água – Baltar, Paredes

Os aforamentos, as servidões e as águas para rega são direitos antigos que advêm de hábitos ancestrais e que ainda se encontram em uso.

vale da Gralheira - Baltar
"as 3 presas e os consortes"

Em Baltar, o direito da água de regadio, para vários consortes, ainda existe, e com mais de 150 anos, como é um caso que se passa a descrever.
Como sabem, Baltar tem a uma tradição agrícola onde predominam áreas de RAN (Reserva Agrícola Nacional), e assinaladas em regime de PDM (Plano Director Municipal).
Já em 8 de janeiro de 1758, o Secretário de estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as paróquias e povoações pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de novembro de 1755.
Uma das questões levantadas foi sobre a existência de linhas de água, na freguesia, e que de acordo com o descrito nas Memórias Paroquiais de Baltar, pelo Abade Agostinho José Ferreira, teve a seguinte resposta:
" (...) Como se chama assim o Rio, como o sitio onde nasce?
Respondo: não ha Rio, mas sim hum Regato, que nasce na freguezia de Vandoma em hua lagôa, o qual rega a mayor parte das terras desta freguezia por repartições que tem, E nesta freguzia hâ quinze moinhos que moem com agua do dito regato no tempo do Inverno, e de Veram âs prezas dao: ha tambem hua ponte de pedra, chamada da pedra no lugar da ponte, por toda a margem deste regato se cultiva de pam, com suas arvores e vides de Vinho Verde." 
Na monografia de Paredes, do ano de 1922, do Dr. José do Barreiro, na sua pág. 258, menciona as águas que lá passam, descrevendo:
“ (…) Nasce em Baltar, no lugar do Sargeal, um ribeiro, a que chamam ribeiro da Igreja, que atravessa a estrada nacional nº 33 no lugar da Ponte da Pedra, passa a uns cem metros da Igreja, e vae desaguar no Sousa, ao pé da estação de Cete.
Outros dizem que esse ribeiro nasce nos montes da freguesia de Vila Cova de Carros e atravessa a freguesia de Mouriz. Assim se lê em Pinho Leal, vol. XI, pág. 706. São dois erros. Nem nasce em Vila Cova de Carros, nem atravessa Mouriz.
Há outro ribeiro, de que se fala adeante, numa nota, e que nasce no lugar de Moinhos, perto do lugar da Gralheira e vem juntar-se ao ribeiro da Igreja, pouco abaixo do lugar do Sargeal.
Há finalmente ainda um ribeirito que nasce no lugar do Sarzedo ou Ferido de Água passa pelos lugares de Ancede, Ribeiro e Ramos e junta-se ao ribeiro da Igreja, a uns 200 metros de distância desta. É todo gasto em regas no verão.
Nesse tempo, a água de ambos estes ribeiros é toda, ou quasi toda, gasta nas régas dos campos de milho. (…)”
Na mesma obra, na pág. 266, “(…) Acrescenta que não havia rio, mas sim um regato que nasce na freguesia de Vandoma, em uma lagoa, e rega a maior parte das terras de Baltar, por meio de repartição que tem entre os lavradores, e nesta freguesia há quinze moinhos que o rio move de inverno; e de verão as prezadas (2);
(2) - Informam-se que esse regato nasce em Vandoma, no lugar de Moinhos, perto do lugar da Gralheira (de Baltar), que é represado em prezas e se gasta todo em regas; que não há lagoa, mas sim um charco ou paúl no lugar da nascente.

Lugar dos Moinhos, Vandoma
"3 presas de Baltar"

Infelizmente não se descobriu o documento que rege estas águas que vêm do lugar de Moinhos, em Vandoma, embora existam referências de documentos pessoais que provam essa existência e ainda a sua utilização.
De facto o que está escrito na monografia, de forma menos rigorosa, é verdade. Menciona a existência de presas de construção natural, no alto da serra do muro, no lugar de Moinhos e estão reconhecidas como presas de Baltar. Segundo dizem, e na voz de D. Emília Ferreira, de 84 anos, residente na casa adjacente à presa mais a montante, existem 3 reservas de água direccionadas para Baltar e mais refere também existirem outras presas para as terras de Vandoma.
O certo é que de facto as 3 presas que se localizam neste lugar estão designadas de presa grande, média e a pequena, distanciadas entre de várias dezenas de metros, através de declives que represam a água durante o período mais estival, o verão. A data que define o início da gestão organizacional por parte destes consortes é o dia 24 de junho (dia de S. João) e termina no dia 29 de setembro (dia de S. Miguel), data esta conhecida por todos os agricultores como ano agrícola.

"Presa Grande" - à face da estrada

"Presa Média" - Rua Laurinda das Santas

"Presa Pequena" - terrenos particulares

No restante período, que envolve o outono, o inverno e a primavera, e dada a existência de mais água nesses períodos, ela flui ao longo da linha de água pelos canais existentes e por fontaneiros, direccionados para os moinhos aí existentes (atualmente abandonados), conforme referido na monografia. No intervalo de tempo que medeia de 30 de setembro a 23 de junho, e caso haja de necessidade de rega, a água fica destinada a 6 casas ou quintas mais marcantes, de maior dimensão, do lugar da Gralheira.
No período de verão, as datas referidas atrás, servem terras de antigas famílias dos lugares Sargeal e do Carvalho, proprietários de terras que se situam vale entre o Sargeal e a Gralheira, assim como de parcelas envolventes, de leiras, até ao lugar do Sabugueiro e que aí se ligará graviticamente à linha do ribeiro principal que passa pela Igreja, conforme descrito nos documentos supracitados.
O ribeiro mais relevante encontra a suas águas principais, sob uma ponte, no lugar do Sargeal, em leito próprio. A sua origem são as mesmas que as águas do regadio e vem ao longo dos variados declives existentes até ao lugar do Sargeal e aí segue o canal natural da linha de água, passando pela Ponte da Pedra, Igreja, recebendo outros cursos provenientes de variados lugares da freguesia, até ao rio Sousa, junto à estação de Cete.
A água de regadio é escoada praticamente em toda a sua totalidade pelos diversos consortes (6 casais) e de outras que no verão também têm direito.
As quintas principais são conhecidas pelos nomes de família ou lugares, que antigamente as distinguiam e bem conhecidas na terra e ainda do conhecimento geral pela população local, são os casos da Quinta do Monte, a casa do Sargeal, da do Carvalho, da casa da Pereira, da Quinta de Baixo, da Carriça, do Portelo e a do Bento Portela, e demais parcelas também conhecidas, como as Mouteiras, do Sabugueiro, e outras que se inseriam na grande área de regadio que envolviam todas estas quintas.
livro de apontamentos de José Vicente da Silva

Os documentos apresentados foram disponibilizados graciosamente por particulares, e que demonstram o que no ano de 1860 era a prática usual naquele lugar.
Um dos documentos foi manuscrito pelo Sr. José Vicente da Silva, proprietário (à época) de duas quintas parte do consorte, e que num livro de apontamentos terá escrito a listagem da respectiva distribuição, diária, que cada quinta ou parcela de terreno teria direito à sua água. No mesmo livro, mais tarde voltou a descrever nova listagem, onde vem mencionado ligeiras alterações, provavelmente por mudança de proprietários, ou talvez, por cedências ou trocas que entre si se promoviam.
manuscrito "anos 50" de José Vicente da Silva
manuscrito "anos 70" de José Vicente da Silva

Outros documentos provem da mesma pessoa, caso do Sr. António de Sousa, caseiro de uma das quintas e que para seu registo reuniu dois documentos, um manuscrito e outro dactilografado, com o mesmo fim, embora se apresentam incompletos.
documento dactilografado de António de Sousa

documento manuscrito de António de Sousa

O mesmo refere que as águas deveriam ser mudadas à meia-noite e ao meio-dia, por parte de um representante do consorte a que correspondia a sua água.
Já a limpeza dos fontaneiros e das presas eram obrigatórias, com o risco de cada parte perder, nesse ano, o seu direito. Eram feitas em comum. Cada quinta obrigava-se a representar com o número proporcional de homens para a limpeza das presas e esta depuração das reservas de água fazia-se sempre uns dias antes do dia 24 de junho, data de início dos direitos à água, conforme se depreende pelas listagens e no mapa resumo conjunto dos documentos.

moinho abandonado

fontaneiro

27 de setembro de 2015

Jazigo do Conde Soutomaior e Santiago - Agramonte - Porto

 Anos 40
Conjunto de 2 brasões referentes a D. Carlos Maria Sottomayor e Ávila (1867-1940) e de Dona Maria José de Santiago de Carvalho Leite Rebelo da Gama (1883-1927) colocado em jazigo no cemitério de Agramonte, na cidade do Porto.
Ambos em granito com escudos Clássico ou Ogival.
A leitura de:
1º - I de Soutomaior
2º - Partido, I- Santiago e II - Carvalho
Coronel: de Conde (desproporcionado, de modo a abranger os dois brasões)

Foto actual - 2014
A erosão do tempo fez praticamente desaparecer a simbologia heráldica em cada um dos brasões, não permitindo vislumbrar as marcas de família, apenas a forma do escudo e o seu coronel.

jazigo em Agramonte

7 de setembro de 2015

Torre do Coreixas ou Durigo, Penafiel


Vista interior - Foto anos 50 do séc. XX

Vista exterior - séc. XX

 Torre de Coreixas ou Durigo

Designada de arquitectura militar / torre, a residência onde se insere esta construção ameada está situada no lugar de Coreixas, na freguesia de Irivo, em Penafiel.
Infelizmente, além de pertencer a particular e não ser visitável pelos meios mais formais, também não é possível entrar naquele espaço, tal é a sua vegetação e mato que a envolve.
O motivo a que me leva abordar sobre este património é exactamente pelo seu estado de degradação e pela inacção das instâncias públicas, pois creio que os familiares, herdeiros, não terão a capacidade financeira para preservar e manter este tipo de imóveis por muito que queiram.
O Instituto de Gestão do Património, a Autarquia ou a Junta de Freguesia local, nos seus sites, abordam esta construção como Imóvel de Interesse Público (Dec. Lei 129/77, da I série, n.º 226 de 29/9) e em condições de património visitável de aparência “perfeita”. Não sendo já essa a verdade, é lamentável e incompreensível, pelo menos que as instituições locais nada fazerem em prol da sua preservação.
Uma parceria, uma pequena ajuda, uma pequena intervenção, seria o bastante para manter alguma imagem e dignidade do património que se degrada diariamente, arrastando o vandalismo e o desleixo.

Entrada - estado actual 

Vista residual das ameias da torre - estado actual 

Vista parcial da casa - estado actual

Vista da cruz no topo da torre - estado actual

Mas falemos um pouco deste património imóvel, que recolhi destes sites e de outros, que poderão auxiliar a perceber o que se pretende transmitir e divulgar, com pena de nada ser feito.

Aqui vai,
A residência senhorial original remonta o século XIII e terá sido fundada por Gonçalo Gil de Arões (vivido entre os anos de ≈1175 e ≈1225), filho de Gil Guedaz Guedeão e Maria Fernandes de Sousa, descendentes dos Guedeões, os Portocarreiro, pelo lado paterno e do Sr. da casa dos Sousa, pelo lado materno.
Na Idade Média, muito possivelmente no século XV, terá sido implantada a torre ameada, pela família Brandão, detentora dos morgados de Coreixas e de Peroselo, resultante de uma possível reformulação da construção primitiva anterior, conforme se constata pelas irregularidades de algumas fiadas inferiores da sua pedra da fachada, sem contudo ser dado como certo esta análise.
Esta família portuense e senhores de Coreixas eram detentores de uma brilhante e talentosa linhagem de família portuense, tais como João Brandão e esposa Isabel Nunes, seu filho Jerónimo Brandão, casado com Isabel da Costa Freire, descendentes dos Alpedrinha.
A força desta casa é tão relevante, pois apresenta marcas ou símbolos dos Brandões, através de pedras de armas aplicadas em vários locais.
Temos na entrada para o solar, numa ameia sobre a porta do lado direito, de fronte da capela. Sobre a porta da capela de entrada desta estão outras pedras, partidas, dos Brandões e dos Pintos. Por cima da porta do recinto existem mais umas armas dos Brandões, permitindo concluir-se que as suas aplicações terão sido resultantes das variadas épocas e das variadas gerações que ali viveram, onde se possa considerar igualmente de possíveis reformulações construtivas do imóvel.
A Torre, é a imagem de marca deste património de arquitectura militar, que apresenta uma construção quadrangular, sendo formada por rés-do-chão e dois pisos, e rematada por merlões prismáticos. No paramento da torre distinguem-se várias reformulações no aparelho e na abertura de vãos, sendo o acesso feito pelo primeiro andar, a partir do interior do corpo residencial contíguo.
Já em pleno século XIX, a propriedade era pertença do Visconde de Balsemão, pelo facto de na capela adjacente à casa esta conter uma inscrição latina, indicando que este Visconde a mandou reconstruir no ano de 1803.

Descrição do solar
Vista da torre - séc. XX

A Torre
Torre ameada ligada, no seu enfiamento, pela fachada SE a um corpo residencial saliente de forma rectangular, e ladeada a NE por uma capela e dependências agrícolas. A torre, de planta rectangular, com r/c e dois pisos, apresenta indícios de várias reconstruções e enxertos. O acesso é feito pelo 1º andar, a partir do interior do edifício contíguo. A fachada SO tem, ao nível do r/c, uma porta de duas folhas de vão rectangular, com arco adintelado, com as ombreiras e padieiras em aparelho diferenciado do restante pano da fachada, sendo aparentemente posterior. Esta porta está antecedida por uma pequena escada de pedra, encontrando-se na parede SE um vão de porta rectangular, actualmente entaipado, não apresentando qualquer abertura para iluminação. O primeiro piso tem pavimento de soalho, cujo travejamento assenta em consolas, sendo iluminado somente por uma janela de vão quadrangular, na fachada SO, verificando-se que o parapeito é constituído por silhares completamente distintos do restante aparelho, evidenciando um vão que deverá ter sido porta.
O segundo piso apresenta quatro janelas com arco abatido, alinhadas segundo o eixo central das fachadas, excepto a SE, onde se aproxima do ângulo da fachada SE. Os paramentos apresentam uma estrutura vertical sem ressaltos, sendo o aparelho irregular, até ao 2º piso, e mais regular neste.
A torre conserva no topo cinco gárgulas, uma a NO, e duas a NE e SE, sendo rematada por merlões prismáticos em todas as fachadas, apresentando duas frestas por baixo destes. A fachada NO apresenta um balcão e uma escadaria de pedra adossadas à torre para acesso às traseiras da casa senhorial a que está ligada.




Vistas - séc. XX

O Solar
De planta quadrangular, compõe-se de três registos, marcados exteriormente no alçado Sudoeste, o principal. Assim, no piso térreo e ao centro do alçado, abre-se uma porta de acesso ao interior, de arco ligeiramente abatido, antecedida por um pequeno lanço de escadas; o segundo andar é marcado axialmente por uma janela quadrangular em guilhotina. Esta é a parte mais adulterada da fachada, apresentando numerosos silhares salientes e outros dispostos irregularmente, parecendo que, na origem, a janela teria sido maior ou, em alternativa, teria existido no seu lugar uma varanda. O terceiro piso contém uma janela de arco apontado, solução que se repete nas restantes fachadas, fazendo crer tratar-se de uma sala única, profusamente iluminada, destinada a ser o andar nobre do conjunto senhorial. O monumento é encimado, a toda a sua volta, por uma linha de ameias de perfil prismático e integrava, nos ângulos, gárgulas, algumas já infelizmente desaparecidas.
Nos séculos seguintes, registaram-se muitas transformações na torre e na quinta, sucedendo-se as empreitadas construtivas que, apesar de terem afectado parcialmente a torre quatrocentista (entaipando alguns vãos, substituindo portas por janelas e alterando sistematicamente os soalhos e a organização interior), mantiveram-na como centro simbólico e funcional dos espaços.
Adossada à fachada Sudeste, existe um corpo moderno, de planta rectangular e organizado em dois andares, de difícil datação, mas que poderá corresponder ao século XIX, altura em que a propriedade passou para a posse da família Balsemão. Trata-se de uma construção organizada em duas funcionalidades distintas, a primeira de serviços e de apoio à quinta (piso térreo) e a segunda correspondente ao andar nobre, com escadaria que torna independente do registo inferior o acesso, e janelas de guilhotina de cuidada feição, harmoniosamente abertas no alçado. A partir deste nível, abriu-se uma passagem para o segundo piso da torre, através de um arco de feição moderna. Para além deste corpo, outras transformações ocorreram na propriedade. Do lado oposto, adossou-se ao ângulo da torre uma capela de nave única, cuja fachada principal pretendeu repetir o modelo da estrutura medieval, ao recorrer a uma janela de arco quebrado com grelha de madeira e a ameias a encimar a empena. Por outro lado, no prolongamento do alçado da torre edificou-se um muro de delimitação da propriedade, com arco de volta perfeita de aduelas caneladas, sobrepujado por tímpano de perfil trapezoidal e encimado por pináculo axial. E diante da fachada principal do conjunto habitacional construiu-se um espaço ajardinado, à maneira de claustro, com fonte central.
Desde a origem até à actualidade, a torre permaneceu na posse de privados, facto que, se por um lado tem motivado a conservação e manutenção da propriedade, por outro tem favorecido as constantes reformas e adulterações das estruturas originais. Torre senhorial comum a tantas outras levantadas no Norte do país durante a Baixa Idade Média, a torre das Coreixas necessita, ainda, de um estudo específico que permita concluir sobre as diversas fases construtivas, sobre a marcha dos proprietários e suas encomendas e, inevitavelmente, sobre a real ocupação do lugar ao longo da História.


http://www.monumentos.pt/.../APP.../Images/SIPAImage.aspx...
www.ippar.pt
http://freguesiadeirivo.webnode.pt/patrimonio-monumental/
http://www.casasnocampo.net/PT/
http://e-cultura.sapo.pt/patrimonio/239
http://www.cm-penafiel.pt
http://www.monumentos.pt/Site/APP PagesUser/SIPA.aspx?id=5307
http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=463707140334520&id=209750709098102