NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

31 de julho de 2015

Casa de Ronfe, Meinedo - Lousada


Casa de Ronfe - Lousada

Esta moradia ou solar é uma das muitas casas apalaçadas e brasonadas do concelho de Lousada que directamente ou indirectamente se encontram associadas à cidade do Porto.
Muitas delas estão ligadas, entre si, derivadas de famílias distintas relacionadas a negócios, acções politicas ou religiosas e de aristocracia regional ou local, sendo o caso da família dos Borges Barreto, desde pelo menos o século de quinhentos, onde derivam os Martim Borges, escrivão do público e casado com uma senhora dos Vieiras, de Riba Douro e progenitor de todos os Borges Barretos.

A Pedra de Armas -
Material: Em granito, assente em cartela decorativa
Época: Século XVIII / Renascença
Família: Borges Barreto
Construção: Quinta de Habitação
Localização: Rua de Ronfe, freguesia de Meinedo, concelho de Lousada
Descrição: Aplicada na fachada principal
Conservação: Muito bom estado
Classificação: Heráldica de Família
Escudo: de fantasia
Formato: Esquarterlado
Leitura: I - Borges; II - Barreto; III - Cunha e IV - Macedo
Elmo: frontal, com grelha fechada
Timbre: de Borges



A Família -
Esta família foi estudada por Dr. Eugénio da Cunha e Freitas, ainda que infelizmente esse estudo tenha ficado por publicar entre o seu valiosíssimo espólio.
Um neto de Martim Borges, Heitor Borges Barreto, teve carta de brasão de armas, de Borges, Barreto, Marinhos e Vieiras, ainda no séc. XVI, que vem publicada pelo Visconde de Sanches de Baena.
No século XVII, um herdeiro desta casa, o Capitão de Ordenanças e Escrivão de Honra de Meinedo e senhor da casa de Ronfe, André Borges Barreto era casado com Margarida Vaz.
Sabe-se que tiveram um filho, André Borges, também Escrivão da mesma Honra que por sua vez se casou, em Boim, Lousada, com Maria do Couto, filha de Pedro Simões e Paula do Couto.
Deste casamento nasceu Capitão André Borges do Couto, então como Familiar do Santo Oficio (16/8/1677)  e fidalgo de cota de armas (carta de 15/12/1696, para Borges e Couto, escrivão da Honra de Meinedo e senhor da casa de Ronfe e que terá nascido em Meinedo e falecido a 26/4/1719, em Lousado, V. N. de Famalicão.
Terá casado no ano de 1680 com Ângela Bernardes da Fonseca (baptizada  em S. Miguel de Paredes, Penafiel, a 6/1/1654 e falecido na casa de Ronfe a 21/5/1720). Era filha do Capitão Gonçalo da Fonseca Coutinho e de Maria Bernardes da Fonseca.
Seu avô paterno, Pedro da Fonseca Coutinho, oriundo de Fonte Arcada, Penafiel, era senhor da casa do Outeiro, em S. Miguel de Paredes, casado com Maria Rebelo Ferreira).
Deste casal abastado nasceu André Borges de Couto, em Meinedo, a 4/1//1685 e falecido a 11/12/1750, Familiar do Santo Oficio, Capitão e Escrivão da Honra de Meinedo e senhor desta casa. Contraiu casamento, a 2/10/1721, com filha de distinta família local, do lugar de Ortozelo, da freguesia de Caíde de Rei, Dona Josefa Teresa da Cunha de Macedo, filha de Paula da Cunha (de Macedo) e de Dona Teresa Maria Ferreira de Azevedo.
Deste matrimónio nasceu Dr. António da Cunha de Macedo Borges Barreto e no ano de 1756 terá casado com Dona Inácia Flávia de Mesquita Pinto de Magalhães. Em 1757, um ano depois são pais de José Barreto da Cunha Macedo, que lhes vai suceder.
Sua filha Dona Emília Eduarda Barreto, viria a casar com Joaquim Artur Archer, em 1819, personalidade que viria a enobrecer o concelho ao ser Presidente da Câmara de Lousada, entre os anos de 1938 e Junho de 19141.
Esta figura emblemática, exerceu em 1840 as funções de Conselheiro Municipal e em 1846 era presidente da Eleição de Juízes de Paz para o circulo de Meinedo.
Foi considerado em 1864 o homem mais abastado da freguesia de Meinedo. Para além da sua fortuna vivia do arrendamento de vários prédios (rústicos e urbanos) para além de outros rendimentos.
Em 1834, a casa de Ronfe pertencia a sua irmã Dona Emília Ana, por herança de seu irmão José Archer, e Eduardo Barreto Archer vai herdá-la, por sua vez, em 1840.
Sucedeu-lhe Dona Maria Augusta Barreto Archer, nascida nesta casa em 1889, e que viria a vender esta propriedade a José Rosas, um conhecido e distinto industrial de pratas da cidade do Porto.

foto retirada de http://pensar-lousada.blogs.sapo.pt

A casa -
Esta edificação terá sofrido alterações ao longo da sua vida, havendo registos da existência de uma capela ainda pleno século XVII. 
Através de um documento de auto de visitação, datado de 28/11/1685, por um padre de Rebordosa onde está registada a emissão de um parecer favorável para que naquela capela fosse permitido dizer missa.
Mais tarde a casa de Ronfe sofreu alterações construtivas, data o ano de 1775, que segundo alguns autores apontam o seu desenho saído pela mão de Nicolau Nasoni ou seus seguidores.
De cor amarela, simbólica da época, típica moradia de feição italiana contrabalança com as linhas estruturais do granito e janelas.
Em termos arquitectónico esta casa apresenta uma planta quadrangular, com pátio interior e com uma torre adossada no topo oeste.
A fachada principal, virada a sul, foi dividida, verticalmente, por pilastras em três zonas, criando dois panos de parede simétricos. Estes flanqueiam um pano central, o frontispício, rasgado por um portal arquitravado, com colunas embebidas e chave ao centro, tendo a sobrepujá-lo um janelão de sacada e lintel curvilíneo, ladeado por duas janelas. Ainda no frontão está inserida a pedra de armas sob pirâmide quadrangular.
As pilastras são coroadas por pináculos; uma barra em pedra, divide o rés-do-chão do andar nobre.
No rés-do-chão, ao lado do portal arquitravado, abrem-se quatro janelas de peitoril, molduradas, com lintel curvilíneo e painel, duas em cada pano.
A fachada oeste apresenta, no rés-do-chão, três janelas com portadas, molduradas, de batente, com lintel curvilíneo. Exibe um óculo, do lado direito, oval e de lintel curvilíneo e outro mais pequeno com as mesmas características, só que do lado esquerdo, são os dois moldurados.
Ostenta, ainda, uma janela dupla, envidraçada, fixa, e moldurada com cornija de ressalto e painel. Do lado esquerdo desta janela há outro óculo moldurado de lintel curvilíneo envidraçado e janela de peitoril moldurada de lintel curvilíneo, quase junto à torre.
Existe ainda uma janela moldurada e envidraçada, em ferro, aos quadrados, com lintel curvilíneo.
No primeiro andar, vislumbram-se três janelas de sacada, sendo uma dupla em granito, com lintel curvilíneo; e junto à cornija existem quatro óculos ovais moldurados.
A  torre é quadrada, em cantaria à vista, de fiadas sem igual proporção e suficientemente polidas; as juntas das pedras, comidas do tempo, mostram maior abertura do que nos seus princípios deveriam ter, indicio de muita antiguidade.
Na fachada este, uma escadaria em meia volta dá acesso à torre. A portada da capela é arquitravada e de cornija de ressalto.
No rés-do-chão, do lado esquerdo, podem ver-se quatro portadas com lintel curvilíneo, e à direita do pano, uma janela de peitoril com lintel curvilíneo; no primeiro andar, apresenta quatro janelas de peitoril com lintel curvilíneo, com portadas.
A fachada norte, no rés-do-chão, patenteia três janelas de peitoril, enquanto o primeiro andar conta três janelas e uma portada, sendo duas de peitoril e uma de sacada, todas com lintel curvilineo. Junto à cornija, mostra duas janelas de peitoril.
Apresenta ainda uns belos jardins decorativos e rodeados de campos de cultivo e de casas  rurais e que os herdeiros de José Rosas a têm mantido após restauro geral.

dissertação de mestrado José Carlos Ribeiro da Silva (FLUP), "A Casa Nobre no Concelho de Lousada", Porto, 2007
http://arteepatrimonio.blogs.sapo.pt/23877.html
http://geneall.net/pt/forum/55319/casa-de-ronfe-em-menedo-perto-de-penafiel/
http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/30726/2/tesemestcasanobrev1000074655.pdf
http://www.heraldrysinstitute.com/cognomi/Archer/Portugal/idc/601405/lang/pt/
http://www.cm-lousada.pt/pt/efemerides
http://pensar-lousada.blogs.sapo.pt
http://tpcdescrita.blogspot.pt201103turma-efa-s5-na-casa-de-ronfe-lousada.html

26 de julho de 2015

Moinho de Vento (?) em Valongo

Será um Moinho de Vento ?


Alto da Serra - Valongo
(junto à Capela da Senhora dos Chãos)


Entrada


Vista interior, com abertura na face oposta à entrada

Valongo, concelho limítrofe da cidade do Porto. É um concelho identificado pelo fabrico do pão (e biscoitos) e pela sua oferta ao longo dos tempos, no fornecimento deste produto alimentar, à cidade do Porto.
É um concelho com características rurais, pela sua extensa área territorial, sendo Valongo a sua centralidade. O Rio Ferreira e o Rio Leça são as linhas de água mais importantes que atravessam o concelho impondo na antiguidade a necessidade da existência e laboração de moinhos a eles associados. 
Infelizmente estão praticamente extintos ou fechados/destruídos e com tendência a desaparecerem como em outros concelhos.
Mas a informação que releva este "post" é de que em Valongo não é conhecida a existência de moinhos de vento, embora tenha no seu território vastas áreas passiveis para a sua existência, quer pela altitude, quer pelas correntes de vento que passam nos pontos mais altos existentes.
Esta construção abandonada há mais de 50 anos não é conhecida a sua função. Para uns, é defendido o exercício de moagem de farinha para a fabricação do pão, para outros, esta edificação nunca o foi.
Na minha humilde opinião e de quem nunca se especializou em moinhos, entendo que tudo leva a crer ser um moinho. A típica fachada de entrada, a abertura de luz na face oposta, a existência de pedra boleada, já desgastada, na bordadura do topo da edificação para a eventual circulação de um rodízio (frechal), na movimentação de toda a sua estrutura em função da direcção do vento.
(retirado do livro "Portugal, Terra de Moinhos", 
de Jorge Augusto Miranda e José Carlos Nascimento

História:

"Os primeiros moinhos de vento foram construídos provavelmente na Pérsia, e o seu sistema, mais tarde aproveitado pelos Árabes, foi trazido para a Europa pelos Cruzados no seguimento das suas incursões ao Oriente.
Na Europa o moinho de vento foi sofrendo adaptações e alterações, variáveis de região para região consoante as características geográficas e as características culturais de cada povo."
(www.terravista.pt)

"Segundo a Profª. Drª. Maria Jesus Rubiéra Mata, Abu Zayd ' Abd ar Rahmãn ibn Muqana, poeta, natural de Al-Qabdab (Alcabideche), caracteriza, na viragem, do primeiro milénio (séc. X), a vida rural no actual concelho de Cascais como sendo uma terra bastante rica mas frequentemente visitada por cobradores de impostos, pelo que a opulência era transformada em extrema pobreza. Ibn Muqana, ao utilizar a metáfora da Nora das Nuvens, transforma-se no primeiro escritor da Península Ibérica a referir expressamente a existência de moinhos de vento nestas paragens.
Em 1182, há noticias de um moinho de vento de eixo horizontal na região de Lisboa que foi doado ao Mosteiro de S. Vicente de Fora.
Em 1262, teria existido um moinho de vento de eixo horizontal em Infonte, no termo de Óbidos como é referido no Tombo das Propriedades do Mosteiro de Alcobaça.
Em 1386, terá tido lugar a construção do moinho de maré de Aldeia Galega e do moinho de maré do Montijo.
Em 1403, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) mandou construir o moinho de maré de Corroios e os frades carmelitas promoveram a construção de alguns moinhos de maré na margem sul do Tejo.
No século XVI houve uma seca devastadora no centro da Península Ibérica que poderá ter obrigado à procura de novas fontes de energia, como, por exemplo, o vento. Muita gente considera que os cruzados, regressados da Terra Santa, e a Ordem de Malta terão sido os possíveis emissários deste novo tipo de construção.
Neste século teve lugar a divulgação dos moinhos de vento em Espanha e Portugal e a difusão dos moinhos de barcas no Tejo e no Douro. Havia em Lisboa, no principio deste século, 246 atafonas (moinhos movidos por animais) e, no seu termo, 300 moinhos; pelas maquias sabia-se que moíam diariamente 400 moios de trigo.
Nos começos do século XVI o milho maiz foi trazido das Américas pelos espanhóis, aparecendo em Portugal por volta de 1515 e 1520, respectivamente em Coimbra e no Norte. Foi muito bem aceite, estando o seu cultivo, já no séc. XVII, generalizado em todo o país.
Em 1552, segundo João Brandão, havia cerca de 800 atafonas em Lisboa que moíam anualmente cerca de 44.560 moios de trigo, sendo as atafonas domésticas responsáveis pela moagem de 10.000 moios. Com a dinâmica dos descobrimentos, a vida da cidade e dos estaleiros exigia muito apoio, daí este numero elevado de atafonas. Contudo este numero foi diminuindo com o passar dos anos.
No séc. XVII assistimos à difusão do moinho de torre, em Portugal e à construção dos primeiros moinhos de vento nos Açores.
Sob o domínio castelhano, Lisboa terá perdido população com a saída da corte portuguesa, dos nobres, dos artistas e dos estudiosos. Após 1640, com o seu regresso, com alguma estabilidade social conseguida então, a cidade retomou a dinâmica anterior, tendo sido construídos os primeiros moinhos de vento de torre em alvenaria.
Em 1755, havia apenas 216 atafoneiros em Lisboa; mas no dia 1 de Novembro em terramoto destruiu a maior parte da cidade incluindo a maioria dos moinhos de maré que aí, e nas redondezas, existiam. Posteriormente, foram quase todos reconstruídos.
Como consequência de alguns trabalhos de investigação prática no seguimento do terramoto ou por evolução mais ou menos natural, no fim deste século e/ou principio do seguinte terão sido introduzidos as velas latinas nos moinhos de vento, as quais se têm mantido até hoje.
No séc. XIX foram modificados, ou mesmo substituídos, moinhos de rodízio por azenhas. Em meados do século, nos EUA e Austrália, usava-se o moinho de vento de armação para tirar água. No fim do século começava o declínio da utilização dos moinhos de vento, que se estendeu ao séc. XX.
Em 1960 ainda havia cerca de 5.000 moinhos de rodizio em Portugal e em 1968, segundo Jorge Dias, havia 10.000 moinhos em funcionamento em Portugal, sendo 3.000 de vento e 5.000 de água.
Desta pequena referência cronológica aqui apresentada poderá inferir-se que a torre dos moinhos de vento,tal como lhes reconhecemos a forma, será do séc. XVII. Cremos mesmo que os exemplares mais antigos que ainda hoje encontramos datarão desse século. Um século mais tarde, terão sido aplicadas aos moinhos de vento as velas triangulares em pano, as quais melhoraram consideravelmente as suas características."
(www.arteaovento.com.pt)

(retirado do livro "Portugal, Terra de Moinhos", 
de Jorge Augusto Miranda e José Carlos Nascimento

"Um Património de Saberes
Os moinhos de Portugal, são verdadeiras sínteses do encontro humano com a natureza, são expressões genuínas da cultura material das regiões e reflectem também modos de vida, mentalidades, formas de ver o mundo e o lugar dos homens.
Este valioso património, transmitido de geração em geração, apura-se em cada tempo e em cada lugar com invenções e adaptações que acrescentam variedade a um mesmo principio elementar de funcionamento.
Mais conhecidos entre nós pela sua vocação moageira, os moinhos foram aqui aproveitados para industrias tão diversas como a serração de madeiras, o fabrico do azeite, de papel, engenhos de estrigar ou como pisões de lã para o fabrico de borel.
Lidando com elementos primordiais e indissociáveis do pão, pilar da subsistência e ell divino, o sagrado e o profano marcam encontro nos moinhos, trazendo ao trabalho a religiosidade e o imaginário populares, da estética à arquitectura,da mecânica à operatória do moinho.
Dos ventos e grandes rios do litoral aos pequenos regatos nas terras altas, por todo o país, se revelam diferentes soluções para os moinhos sustentadas em sábios equilíbrios com a natureza.
Longa das farinhas de outrora, os moinhos são hoje marcos na paisagem, constituem uma verdadeira oportunidade para qualificar e diferenciar o território, aumentando a sua competitividade acrescentando valor. Num tempo em que a educação, o conhecimento e o turismo sustentável constituem importantes apostas estratégicas do País, a reconstrução dos velhos moinhos ao serviço do desenvolvimento regional, é uma importante tarefa colectiva.
Os moinhos tradicionais são, pois, um património de saberes que importa redescobrir e reinventar para o futuro!"

Rede Portuguesa de Moinhos




24 de junho de 2015

Freitas Fortuna - Cemitério da Lapa




jazigo no cemitério da Lapa, Porto

Este jazigo está edificado no cemitério da Lapa e pertence à família de José António Freitas Fortuna cuja aquisição e construção terá sido adquirida naquela Irmandade pelo seu pai, João António de Freitas Júnior, em 6 de Novembro de 1856.
Em 20 de Janeiro de 1887, foi apreciada na sessão da Mesa Administrativa uma petição de José António Freitas Fortuna na qual requeria que lhe fosse dada posse do jazigo de seu pai e que somente fossem lá sepultados, ele, José António Freitas Fortuna (1840-13/8/1899) e sua mulher, Isabel Maria da Conceição Ribeiro da Silva e Freitas e ainda seu irmão e médico, Dr. Vicente Urbino de Freitas e sua mulher, Maria das Dores Basto Sampaio Freitas. E que perpétuamente ficassem juntas estes seis cadáveres, incluindo os de seu pai e de sua mãe.
Camilo Castelo Branco tinha como amigo indefectível José António Freitas Fortuna e esta amizade fraterna teve como propósito felicidade do escritor, que em 15 de Julho de 1889, numa das muitas cartas que, pela mão de Ana Plácido escreveu de Lisboa a Freitas Fortuna, Camilo diz textualmente: " O meu querido Freitas aceitou com ternura fraternal a oferta do meu cadáver..."
Camilo, foi, em vida, um amigo da Venerável Irmandade da Nª. Senhora da Lapa, desta cidade, ainda antes de se por a hipótese de vir a ser sepultado no cemitério. Esta observação prende-se pelo tom carinhoso com que escreveu, em 1868, nas páginas do "Gazeta Litteraria do Porto", contra o seu normal temperamento critico, sarcástico e irónico com que habitualmente abordava as suas crónicas.
Em 8 de Abril, foi aprovado pela Mesa Administrativa conjuntamente com mais 27 candidatos em lista apresentada pelo Director da Irmandade, como era comum a aceitação do corpo.
A proposta teve a mão do seu grande amigo João António Freitas Fortuna, que adiantou a jóia de admissão, que foi incluída numa factura que contem as despesas do funeral.
Em 2 de Junho de 1890, dia seguinte à morte de Camilo, o filho Nuno requereu ao Governo Civil de Braga autorização para que o cadáver fosse transportado de sua casa aonde terá falecido, em S. João de Seide, para a Igreja da Lapa e entregue a José António Freitas Fortuna para ser sepultado no cemitério privativo desta Irmandade, no jazigo de família desse dedicado amigo.
(texto retirado da obra "Quinhentos e Oitocentos" - Ensaios de História, de Francisco Ribeiro da Silva)
No mesmo jazigo encontra-se enterrada a jovem Clementina Sarmento, conhecida por se ter suicidado num dos quartos do Hotel Francfort, quando soube que o homem por quem se apaixonara, Urbino Emílio, filho do célebre médico Vicente Urbino Freitas, acabara de ser enterrado, neste cemitério, depois de se ter suicidado, dias antes, em Lisboa.
A jovem Clementina deixou um bilhete a pedir para ser sepultada ao lado do homem que verdadeiramente amara. Lá se encontra, podendo-se visualizar as suas inscrições apenas com as iniciais A. C. que se encontra por cima do seu amado.


Pedra de Armas de Freitas Fortuna

Esta Pedra de Armas, aplicada no jazigo de família, representa as armas de mercês-novas ou modernas ou contemporâneas passadas por D. Luís, em CBA 31/III/1883.
É uma peça da época do séc. XIX, em mármore e bem conservada, com leitura de:
Escudo: Inglês
Formato: Partido e cortado em II
Leitura: 
I - Freitas
II - Fortuna
Elmo com viseira de perfil à direita, sem paquife
Cores:
I - de ouro, com uma cruz vermelha
II, com I - de uma figura de mulher de ouro e encostada a uma roda de prata (simbolizando a Fortuna):
II - de (?) com um leão passante, com juba e armado de ouro
(Nóbrega, Vaz-Osório - O Tripeiro: Arquivo Histórico Portuense. Porto: série V, ano XI, p.363 (retirado de cartas de Brasão Moderno (1872-1910), de Ruy Dique Travessos)


3 de junho de 2015

Brasão dos Sás - Igreja de S. Francisco, Porto


A capela-mor pertenceu a Sá e Meneses, condes de Matosinhos, nela estando sepultado o celebre Sá das Galés, que foi o 1º Alcaide do Porto, pelas suas proezas no mar, e que obteve esse título na luta contra os castelhanos.


Nave central


Capela-mor

Estas duas peças situam-se no interior da Igreja de S. Francisco, na freguesia de S. Nicolau, na Rua Infante D. Henrique, no Porto e estão aplicados nos tectos deste monumento religiosos.
São em talha dourada, do período renascentista (séc. XVIII) e enquadram-se na heráldica de família.
As suas descrições são comuns:
Escudo: Francês ou quadrado, com coroa ducal
Formato: Simples ou pleno
Leitura: I - Sá
Cor: de prata, com enxaquetado de prata e azul de cinco peças em faixa e cinco peças em pala

17 de maio de 2015

Conde do Prado - a Vila e suas origens


Ponte do Prado
(Em 1510, a velha ponte medieval foi destruída por uma cheia do rio Cávado. A sua reconstrução não parece ter sido executada com grande qualidade, pois um século depois ameaçava ruir. Data do século XVII a mais importante reforma, responsável pelo aspecto actual da estrutura. Em 1616, segundo projecto de António de Castro e em plena contexto filipino, ela foi totalmente reconstruida, facto que, se por um lado, determinou a destruição de qualquer vestígio da construção medieval, por outro renovou este local de passagem, dotando-o de condições modernas de travessia e de atracção dos homens. A memória desta empreitada foi perpetuada numa inscrição que contempla as armas reais dos Filipes e as dos condes do Prado, assim como a origem do arquitecto: "António de Castro de a vila de Vianna".
(httt://www.patrimoniocultural.pt)


Prado é uma vila que pertence ao concelho de Vila Verde, sendo uma das freguesias limites com a cidade de Braga, antiga "Bracara Augusta". A sua localização tornou-se estratégica na época romana por ser local entre Braga, com os territórios a noroeste e ligação a Astorga. 
É uma região com lagos, devido ao seu solo argiloso, contribuindo à prática da industria da cerâmica conforme se pode comprovar com artefactos em barro e moedas desde essa época romana até à actualidade.
No séc. X, a região de Prado era já dominada pelos Condes de Portugal, sendo que no séc. XII era centro de atenções com várias doações por parte de D. Afonso Henriques ao arcebispo de Braga, D. Paio Mendes, como recompensa dos serviços prestados no âmbito da reconquista cristã.
Prado desenvolveu um povoado de relativa relevância regional, tendo recebido foral por parte de D. Afonso II, em 1260, numa altura de reorganização do país pós guerra civil.
Em 1445 esta vila era designada por Santiago de Francelos, embora passados cerca de 80 anos a sua denominação já estava consolidada com o nome de Santa Maria de Prado.
No séc. XVI, D. Manuel concedeu carta de foral, em 1510, num período de necessária organização administrativa, tendo como donatários os Condes de Prado, cujo primeiro titular foi D. Pedro de Souza.
Como marca deste foral temos o pelourinho, cujos símbolo territorial onde são já vincados com as armas simbolizadas no seu topo, isto é a marca nacional e a marca do donatário, os Sousa (de Prado).




Ainda hoje, o símbolo dos "Sousa" do Prado, é a marca da Vila de Prado para além de outras construções ainda existentes, é o caso do fontanário ou fonte de Stº. António, datado de 1691, embora a marca de brasão aparenta ter sido colocado posteriormente e da ponte acima documentada.



Designado por D. João III, de Conde do Prado em 1/1/1526, D. Pedro de Souza tomou como seu símbolo heráldico as origens de seus trisavós, por casamento de Vasco Martins de Souza, bisneto por varonia de D. Afonso II, de Portugal e Inez Dias Manoel, bisneta por varonia de D. Fernando III de Castela-Leão, personificada com o esquartelado das armas, com I e IV, as armas de Portugal e II e III, com as armas de Castela.

Esquartelado, com I e IV de prata, cinco escudetes de azul postos em cruz, cada um carregado de cinco besantes do campo; o II e III de prata, com leão de púrpura

Para além do titulo ter sido iniciado por D. Pedro de Sousa, em 1526, seus descendentes e herdeiros também lhes foi dado o direito do uso das armas desta família:

1 - D. Pedro de Sousa, 1º conde do Prado
2 - D. Luis de Sousa, 2º conde do Prado
3 - D. Francisco de Sousa, 1º marquês das Minas
4 - D. António Luis de Sousa, 2º Marquês das Minas
5 - D. Francisco de Sousa, 5º conde do Prado
6 - D. João de Sousa, 3º marquês das Minas e 6º conde do Prado
7 - D. António Caetano Luis de Sousa, 4º marquês das Minas
8 - D. Maria Francisca Antónia da Piedade de Sousa, 5ª marquesa das Minas
9 - D. Francisco Benedito de Sousa Lancastre e Noronha, 6º marquês das Minas
10 - D. Francisco Benedito de Sousa Lancastre, 7º marquês das Minas e 10º conde do Prado
11 - D. Joana Bernarda de Sousa Lancastre e Noronha, 8ª marquesa das Minas e 11 ª condessa do Prado
12 - D. Nuno Maria da Silveira e Lorena, 12º conde do Prado
13 - D. Alexandre Maria da Silveira e Lorena, 11º marquês das Minas e 13º conde do Prado
14 - D. Pedro Maria da Silveira e Lorena, 10 marquês das Minas
15 - D. Isabel da Silveira e Lorena,, 15ª condessa do Prado
16 - D. João de Castro de Mendia, 10º conde de Resende


http://viladeprado.no.sapo.pt/historia.htm
http://www.patrimoniocultural.pt
http://genealli.net
http://www.soveral.info
http://vilaverdeestaviva.blogspot.pt



3 de maio de 2015

Quinta da Carcereira - Porto

Pedra de Armas desaparecida, assim como o portal e toda a Quinta. Situava-se no local onde está erigida a Casa de Saúde da Boavista, na antiga rua da Carcereira, actual Rua Pedro Hispano com a rua do Monte de Ramalde, na freguesia de Ramalde.

Descrição do Brasão
Classificação: Heráldica de Família
Escudo: Francês ou quadrado
Formato: Esquartelado
Leitura:
I e IV: Carneiro
II - Araújo
III - Vasconcelos
Timbre: de Carneiro, um carneiro do escudo
Elmo: de perfil com paquife
Diferença: uma brica carregada com farpão

Esta peça desenhada encontra-se inserida na obra da Gouveia Portuense, Portas e Casas Brasonadas do Porto e seu Termo, Porto: 1945, pág.68

Aquando da sua existência era descrita como: "Era a Carcereira ainda não há muito uma daquelas artérias - velho caminho arrebaldino - que, unindo o lugar da Travagem àquele outro do Carvalhido não passava duma quasi vereda. Hoje mais espaçosa, perdeu o atractivo caminho de aldeia e conjuntamente alguns motivos que a emolduravam. Nesse renovar desapareceu uma propriedade interessante para a qual se entrava pelo portal a que se refere esta nótula. Embora simples arquitectura, as suas linhas têm uma crta nobreza no conjunto, conquanto pareça deslocada do arranjo da pedra-de-armas, decerto feita para outra edificação. As pilastras almofadadas e decoradas, um tanto toscamente, rematam com acrotérios entre o quais se desraca a pedra de armas, em granito, no formato francês, que um mau ornato enfeita ao jeito de paquife." 

retirada as fotos e textos das obras:
Gouveia Portuense, Portas e Casas Brasonadas do Porto e seu Termo
As Pedras de Armas do Porto, Armando Mattos
Brasões e Pedras de Armas do Porto, Manuel Cunha

4 de abril de 2015

Brasão dos Kopke, Porto (desaparecido)

Rua Rainha D. Estefânia, 54, freguesia de Massarelos - Porto
(antiga rua de Campo Alegre)

O brasão aqui exposto representa uma peça de estrutura metálica associada ao portão da antiga quinta de Vilar de Cima ou do Castanheiro, que terá sido removida e desaparecida definitivamente da imagem do povo.
Pertenceu à família de Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840), inicialmente designado de 1º Barão de Ramalde, pelo decreto-lei de 7/12/1831, por mercê do Rei D. Pedro (Príncipe Regente na menoridade de Dona Maria II), tendo mudado de título nobiliárquico para 1º Barão de Vilar, pelo decreto-lei de 21/12/1836, por mercê de D. Maria II, já em exercício.
Descrição:
Classificação: Heráldica de Família
Escudo: Francês ou quadrado
Formato: Esquartelado
Leitura: I e IV - Kopke e II e III - van Zeller
Coronel: de Barão
Timbre: de Kopke, crescente do escudo, encimado por uma estrela de cinco raios, posta em abismo, tudo em prata
Cores: I e IV, de azul, com uma estrela de prata de cinco raios, acompanhada de três crescentes do mesmo, postos 2 e 1;
II e III, de prata, com três melros de negro, bicados e membrados de ouro, com uma estrela de cinco raios de vermelho, posta em abismo;


 A casa sofreu obras de melhoramento com a filha Dorothea Augusta Kopke, casada com Roberto van Zeller, sendo o filho Cristiano van Zeller que adiciona a pedra de armas (Kopke/van Zeller) que se encontra aplicada na fachada da casa, criadas por si.

O terreno da quinta foi sendo reduzido pelas sucessivas vendas de lotes, até que Fernando van Zeller, em 1939, assina contrato de arrendamento da casa à Congregação das Religiosas do Amor de Deus, que chegada a Portugal em 1932 havia criado um colégio católico, na Rua Miguel Bombarda.
Provavelmente com o seu crescimento e pela necessidade de aumento dos espaços, em 1894, os herdeiros da família venderam definitivamente a casa e parte da propriedade a esta instituição, que se encontra lá instalado desde essa época. 
Com o passar do tempo, em meados do séc. XX o portão terá sido removido e/ou substituído onde se encontrava aplicado esta peça de armas dos Kopke e que se desconhece o seu paradeiro.

Fotos e textos de: Arquivo Histórico do Porto/ Departamento de História da CMP / da obra de "Portas e Casas Brasonadas do Porto e seu Termo", da Gouveia Portuense e da obra "Brasões e Pedras de Armas da cidade do Porto", de Manuel Cunha



17 de março de 2015

Alfarrabista - Homem dos Livros


Alfarrabista - Homem dos Livros
Travessa de S. Carlos, 19 - 4050-544 Porto
contactos: 964011445 ou homemdoslivros@gmail.com

Mais um espaço de divulgação e comercialização do livro, que reúne todas as pedras de armas expostas pela cidade do Porto: Alfarrabista - Homem dos Livros.
Este livro apresenta uma descrição individual, sobre o tema de "Heráldica de Família" de modo a permitir uma melhor interpretação de cada peça armoriada representada na obra.
O tema Porto é também uma particularidade do livro, pois são abordadas 154 pedras de armas e brasões, implantadas na cidade do Porto desde a sua primeira centralidade, Sé, S. Nicolau e Vitória e posteriormente, com o decorrer do tempo e com a expansão da cidade, pelas restantes freguesias circundantes.
São dois temas numa obra só, onde se apresenta a descrição de cada peça e de uma breve história associada a ela.
Muitas das peças já se encontram retiradas do local original ou dadas como desaparecidas e outras guardadas em espaços privados e públicos, para além das ainda expostas e que merecem a sua visita.
Os dados recolhidos tiveram um período decorrido de 6 anos, através de passeios, registos fotográficos e da exploração/investigação da temática nos sites, arquivo histórico do Porto, e de livros que mereceram uma especial atenção sobre o tema envolvido. 
Conclui com uma análise superficial, pessoal, com quantificações especificas sobre todas as peças por forma a ficar um registo e inventário para uma consulta mais profissional ou de mera curiosidade individual do leitor.
O preço de lançamento foi de 20 €, tendo recentemente sido actualizado para 25 €, entendendo-se como acessível a toda e qualquer pessoa, com o objectivo de se tornar fácil  a sua divulgação, bem como da demonstração de inexistência de fins lucrativos, quer por parte da empresa promotora, Obra Diocesana de Promoção social, quer pelo próprio Autor.
Bem Hajam,

Manuel Cunha

Agradecimentos especiais pela divulgação:
A todos os amigos, familiares, entidades ligadas à obra diocesana e àqueles que também promoveram nos seus espaços sem interesses pessoais.



27 de fevereiro de 2015

Almocreve - Profissão em extinção ou já desaparecida


Dicionário: Almocreve
Individuo que transporta produtos em bestas de carga (em viagens periódicas ou não, entre diversas regiões, pelo interior do País)

Similar: Arrocheiro / Recoveiro / Arreiero /Azemel / Carregador
História:
Eram indivíduos que conduziam animais de carga com mercadorias, de uma terra para outra, em Portugal, a partir da Idade Média e até tempos ainda recentes - meados do séc. XX.
ano de 1955

Numa época de comunicações limitadas, os almocreves eram essenciais como elementos de comunicação intercomunitária e andavam de terra em terra, com horários e percursos bem definidos. 
Eram eles que distribuíam e trocavam produtos entre diversas regiões. 
Os almocreves tiveram uma relevante importância no desenvolvimento do comércio interno, pois andavam de terra em terra e de feira em feira comercializando produtos.
De igual modo levavam mensagens e encomendas como correio mais familiar,
Entre as rotas mais importantes, destacavam-se pelo transporte de produtos de maior abundância de determinada área territorial, como forma de compensação pela carência na região por onde circulava. Do mesmo modo se fazia no seu regresso com materiais de igual relevo entre esses locais.
Pode-se referir como exemplo entre o litoral para o interior, no transporte de peixe e no sentido inverso de cereais ou outros vegetais, frutos de maior produção, provindo do interior.
Outros produtos muito comercializados e transportados entre regiões são os casos do azeite, fazendas, animais domésticos, doçarias, panos e rendas, etc...
Infelizmente, de ano para ano esta profissão viu diminuído o seu campo de acção. Primeiramente, com o comboio, depois com o automóvel, tiraram àquela profissão grande parte da sua utilidade e predominância, quer pela quantidade a transportar, quer pela rapidez e pela preservação dos produtos transportados.
Esta profissão, embora extinta, não se julgue que se deixará de falar dela e como forma de recordá-la no futuro temos blogues e obras escritas que memorizam esta classe laboral.
Lembro que dois dos mais talentosos escritores das suas próprias épocas dedicaram as suas atenções ao almocreve.
Gil Vicente, no Auto dos Almocreves, e Aquilino Ribeiro, nos Malhadinhas, conto este que é a verdadeira epopeia da profissão.
Ainda José daniel Rodrigues da Costa, que gozou prestigio no seu tempo, com a publicação periódica O Almocreve das Petas, no final do séc. XVIII, e a designação caiu no gosto popular, porque ainda hoje se aplica às pessoas fantasiosas.
O Almocreve também já mereceu as honras do desenho. São os casos das gravuras publicadas na capa da edição da Estrada de Santiago, de Aquilino Ribeiro, por Alberto de Sousa, um painel de azulejo do séc. XVIII, existente na parede de um dos canteiros do claustro da faculdade de Letras de Lisboa, de azulejos da escadaria do colégio dos Borras, com a data de 1899-1707, reproduzidos por Alberto de Sousa na sua Obra O trajo Popular em Portugal nos Séculos XVI e XVII.
A palavra esqueceu, no seu usual significado, com o desaparecimento da profissão, vindo a ser designado por outras palavras com similutes da arte de transportar. 

retirados textos e informação de:
http://aldeiadosaivados.blogspot.pt
http://descobrirmaishistoria.blogspot.pt
http://arquivohistoricodamadeira.blogspot.pt
http://pt.slideshare.net

19 de fevereiro de 2015

Família Frias - cemitério de Agramonte, Porto






Cemitério de Agramonte - Ordem de S. Francisco, jazigo nº 325, secção 7

Roberto Belarmino do Rosário Frias, filho de António José de Frias e de D. Angélica Frias, nasceu em Arporá, comarca de Bardez, em Nova Goa, a 5 de Junho de 1853.
Foi no território indiano que realizou os preparatórios liceais (1870) e fez curso de Teologia do Seminário Diocesano, que terminou aos 19 anos de idade. Depois, veio para Portugal. Aqui chegado, ingressou na Universidade de Coimbra para continuar os estudos em teologia mas, antes de ser ordenado, decidiu mudar de rumo, tendo passado a estudar Direito e depois Medicina.
A família não apreciou esta opção, antes pelo contrário, manifestando-lhe a sua discordância e suspendendo-lhe, mesmo, o financiamento dos estudos. Nessa altura Roberto Frias instalou-se no Porto, tendo tido por condiscípulos figuras com Tito Fontes, Júlio Franchini, Júlio de Matos e Basílio Teles. Vivia, então das aulas que leccionava.
Foi, então, trabalhar como médico municipal. Todavia, sentiu necessidade de prosseguir os estudos médicos no estrangeiro, nomeadamente nos hospitais de Paris, de Londres e da Índia. Neste estado, onde viveu entre 1882 e 1887, exerceu como facultativo do quadro da saúde e, por dois anos, leccionou na escola Médica de Goa. Voltou ao Porto, onde concorreu a Lente Demonstrador da Secção Cirurgica. manteve-se no exercício desta função entre 1887 e 1895.
Nos três anos seguintes ocupou o lugar de Lente Substituto, tendo assumido a responsabilidade por diversas cadeiras de professores catedráticos ausentes. A 26 de Maio de 1898 foi nomeado para a cadeira de Operações, passando depois, em Outubro, para a de Clínica Cirúrgica.
Roberto Frias foi um médico notável nos sectores privado e público, mas, também, um competente professor e cirurgião.
No final da sua vida, depois de abandonar a pratica clínica, procurou escrever uma obra médica; contudo foi impedido de o fazer por ter contraído tifo exantemático durante o tratamento de um doente.
Faleceu a 18 de Abril de 1918.
(texto de: (Universidade Digital/gestão de informação, 2009) versão para impressão http://sigarra.up.pt/up/pt/web

O Brasão, de heráldica de família, constituído em bronze, de escudo Francês ou quadrado, com formato de Pleno ou simples e leitura de "Frias". O timbre é a torre do escudo assente num elmo virado à direita.


5 de fevereiro de 2015

Igreja Velha de Lever

Rua da Igreja Velha, em Lever - V. N. de Gaia


Pequeno símbolo em azulejaria, a Virgem Maria, na fachada principal da Igreja Velha.
Do património construído de Lever referimos a antiga Igreja Matriz, de linhas muito simples e de pretensões muito limitadas, construída aquando da integração da freguesia no concelho de Vila Nova de Gaia, encerrando algumas esculturas religiosas de elevada antiguidade, e o atual templo, construído entre 1969 1977.
http://pt.wikipedia.org/

24 de janeiro de 2015

Brasão em porta lateral do Convento de Stª. Clara - Vila do Conde

Rua de Namo Álvares Ferreira, Vila do Conde


O Convento de Santa Clara de Vila do Conde era feminino, pertencia à Ordem dos Frades Menores, e à Província de Portugal da Observância.
Em 1318. a 7 de Maio, foi instituído por D. Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis, e de D. Teresa Martins Telo, como comunidade de clarissas urbanistas, e por vontade expressa dos fundadores este convento destinou-se a donas fidalgas pobres.
O edifício, embora estivesse habitado, ficou incompleto por morte dos fundadores. Concluiu-o o filho D. João Afonso.
A organização interna da comunidade foi pautada pelas normas inscritas na carta de dotação, documento outorgado pelos fundadores, que o dotaram com numerosas vilas e herdades sitas na Póvoa do Varzim, Touguinha, Terroso, Formariz, Laundos, Navais e Mirante, com todos os seus direitos, rendas e serviços e nele instituíram a sua capela, com obrigação de manter quatro capelães que rezassem diariamente quatro missas pelos seus fundadores e por D. Dinis.
O convento adquiriu grande importância, exercendo uma influência determinante em Vila do Conde e seu termo, já que a abadessa gozava de plenos poderes na administração dos bens.
Ao longo dos séculos XV e XVI, envolveu-se em várias disputas, resultantes dos vastos bens, padroados de igrejas de São Pedro de Atei e São Pedro de Cerva, e jurisdições, nomeadamente no seu couto, que detinha, e da cobiça que por isso despertava.
Em 1517, passou de Claustral à Observância com o reformador frei Francisco Lisboa que fora nomeado por bula papal de 1515, a pedido de D. Manuel.
A abadessa D. Joana de Meneses resistiu e foi obrigada a mudar de convento.
No convento de Vila do Conde foram colocadas freiras vindas do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Beja, entre elas a nova abadessa, Dona Isabel de Castro.
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da ultima freira, data de encerramento definitivo.
Os bens foram incorporados nos Próprios de Fazenda Nacional.
Em 1893, foi encerrado por falecimento da ultima religiosa, Dona Ana Augusta do Nascimento.
(texto de: http://digitarq.arquivos.pt/)

16 de janeiro de 2015

1 mês depois - lançamento do Livro


30 DIAS DEPOIS

É verdade, depois de já ter decorrido o período natalício e passagem de ano, não poderia deixar de fazer uma resenha sobre o ponto de situação deste meu livro após o seu lançamento em 15 de Dezembro:

- O livro tem tido uma comercialização bastante aceitável, tendo em vista as condições como foi estrategicamente preparada a sua venda, pela Obra Diocesana de Promoção Social, a patrocinadora.
- Foi intencional a sua venda, através de um circulo fechado de pessoas e amigos e que entre si permitiu a divulgação, provocando igualmente a sua circulação por pessoas menos atentas a esta temática.
- Desta interligação entre amigos, familiares e colegas de trabalho resultou que até à data cerca de 33%, de um conjunto de 1000 livros editados, fossem vendidos.
- O preço de lançamento, tem sido bem aceite (20 €) e julgo que serviu de pretexto, para alguns poderem oferecer a seus familiares e amigos, neste Natal, e que julgo ter servido como uma boa oferenda aos seus entes queridos.
- A minha sensibilidade tem-me dito pelos resultados das vendas e contactos que tenho tido, que os objectivos desta obra, estão a ser alcançados. Isto é, permitiu a que com a leitura e visualização das peças heráldicas, fizesse com que essas pessoas ficassem mais atentas a tudo aquilo que nos rodeia, pelas ruas da cidade, nas fachadas dos prédios, nos pequenos pormenores que ninguém repara.
- Foi levantado um tema, que para muitos lhes passaria ao lado, criando uma curiosidade, interesse e uma dinâmica entre as próprias pessoas tornando-as criticas e lançando comentários sobre os mesmos.

Só posso dizer que estou plenamente contente com quase tudo a que me propus, ao lançar este livro, faltando apenas uma divulgação mais ampla. 
Esse passo passa por uma segunda fase e que consistirá no contacto com as lojas alfarrabistas da cidade do Porto, que por diversas razões se encaixam neste ambiente livreiro, pois o tema: Heráldica e Porto, foram os pressupostos deste livro e a sua procura é muita.
Já tive diversos contactos e ainda hoje me pediram livros para clientes seus.
Brevemente (espero) irei abordar a Obra Diocesana para entrar neste mercado que me parece ter mais procura por parte de pessoas ligadas às temáticas atrás referidas, tais como a coleccionadores e historiadores e amantes do tema.
Obrigado mais uma vez a todos os meus leitores, pois este livro vem ao encontro deste meu blogue que é - divulgar o património que tende a desaparecer. 


22 de dezembro de 2014

Bom Natal 2014

São os desejos  a todos os visitantes deste blogue, agradecendo toda a participação e comentários.
Que o próximo ano seja melhor para todos os Portugueses!

16 de dezembro de 2014

O meu Livro - Brasões e Pedras de Armas do Porto

Aconteceu! 
Finalmente o meu sonho concretizou-se. Fez-se luz. O evento ocorreu ontem, dia 15 de Dezembro, num edifício que considero digno do tema, quer pelos antigos proprietários serem os Condes de Nevogilde, quer pela excelência do espaço, e ser considerado um dos poucos palácios da cidade, por lá ter residido o nosso Rei D. Pedro, num curto período tempo, durante do Cerco do Porto.
Como muitas obras, por nem sempre serem possíveis e editadas, por questões financeiras, por falta de visibilidade ou por outros motivos externos a cada causa, tive a honra e a "sorte" de terem acreditado neste projecto e a quem devo toda a minha gratidão, isto é, à Obra Diocesana de Promoção Social que com os seus 50 anos de existência entenderam em incluir num dos seus 50 eventos ao longo do ano, com lançamento do meu livro.
Ainda antes, foi publicitado no Jornal de Noticias o evento do lançamento do livro, através de artigo do Cónego Rui Osório, em página semanal,no domingo, dia 7 e de que agradeço esta publicidade.
Por ter sido uma cerimónia de uma instituição de solidariedade social, ligado à igreja católica, coube a necessidade de serem criadas todas as condições institucionais para a referida cerimónia formalizando o convite com presença de figuras ilustres da cidade, o símbolo da Diocese e o símbolo da cidade do Porto.
A presença garantida de sua excelência e reverendíssima Sr. Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos e o Sr. Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Moreira.
Com estas presenças garantidas, é evidente que os meios de informação estariam presentes, nem que sejam dos seus serviços internos, quer por parte da Diocese quer por parte da Autarquia, de que apresento parte da sua documentação das noticias diárias da Autarquia no site http://www.porto.pt/noticias/livro-brasoes-e-pedras-de-armas- 
Claro que sem a minha presença nada poderia ter acontecido.
E também sem estas dignas personagens o programa ficava reduzido à minha pessoa e de pouco valeria toda esta cerimónia. (É verdade, não aprecio nada destes rituais, mas era para alcançar os meus fins, então lá teria de acontecer...)
Apresento os elementos da mesa que muito me honra, e que são descritos pelo lado esquerdo:

Drª. Margarida Álvares da Cunha, minha prima querida e que merece a minha grande estima e carinho, por ter feito a revisão do livro e o meu prefácio;
Sr. Presidente da Comissão de Administração da Obra Diocesana de Promoção Social, Sr. Américo Ribeiro, do qual agradeço na crença deste projecto, assumindo a edição do livro e me ter presenteado com esta sessão;
Sua excelência e reverendíssima, Sr. Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, como símbolo da Igreja na cidade do Porto e da ligação a esta Instituição;
Sr. Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Moreira, como representante máximo desta cidade;
e por ultimo este "cromo" que teve a ousadia de reunir todos os Brasões expostos na cidade, que desde 2008, juntou um conjunto de aproximadamente de 154 símbolos, aplicados em fachadas das casas, jardins, portões das quintas e casas senhoriais, ou em espaços reservados, nos museus, igrejas e cemitérios, bem como de peças já desaparecidas e recolhidas de outras obras.

Como é lógico nestes protocolos, o Presidente da Obra Diocesana apresentou a "casa" a que está ligado com um orgulho que enobrece qualquer instituição, pelos seus símbolos, ideais da fé cristã, e que levam há 50 anos, o amor, a fé, o sorriso a muitos desprotegidos e desfavorecidos da nossa sociedade, procurando alimentar a sua confiança a esses seres humanos e dar-lhes um sentido de vida.
Os discursos políticos são considerados os necessários e obrigatórios.
Aqui devo fazer um parêntesis especial, pois agradeço publicamente à minha prima, como autora do prefácio e revisão da obra, que em período de grande pressão e stress pessoal, pela sua disponibilidade e dedicação. Lembro que este tema para ela era completamente desconhecido e como tal teve de investigar e estudar os ideais de heráldica.
É um tema que para muitos "passa ao lado", mas para quem lê um pouco sobre esta temática acaba por ficar com a curiosidade e o querer saber mais...isto é, o bichinho fica nas nossas mentes.
Fez um discurso brilhante, de uma ligeireza, de um poder de síntese e de improvisação, que aconselho a qualquer um que pretenda se meter nestas andanças. Obrigado, Prima.
"O pior discurso entre todos", claro!

Discurso obrigatório e de encerramento da cerimónia. Tudo direccionado para a fé católica, amor, o bem comum, a família, servir o próximo.
Mas,.... aconteceu um pequeno imprevisto, mas positivo. O Dr. Rui Moreira, que por necessidade de agenda teve de se ausentar, surge por coincidência (mas não combinado) atempadamente mais uma figura representativa desta cidade, o Sr. Vereador da Acção Social da Câmara Municipal do Porto, Dr. Manuel Pizarro.
Obviamente, também teve direito a um discurso. Gostei. 
Foi objectivo e em forma de improviso fez uma exposição menos formal, terra a terra e sem vaidade.
Para acabar e por serem as figuras mais importantes com grande relevância nos eventos, agradeço e realço a presença da minha mãe, minha esposa e filha, de meus familiares (que foram muitos), de amigos, desconhecidos e figuras convidadas. 
Destas realço a presença de representantes da Comissão Administrativa da Obra Diocesana de Promoção Social, a Hélio Loureiro (grande activista de eventos heráldicos), do antigo Presidente da Câmara de Valongo, Dr. Fernando Melo, da Presidente da Junta de Freguesia de Baltar, concelho de Paredes, Drª. Conceição Rosendo, do Dr. Ricardo Bessa Teixeira, especialista na área de Genealogia, e de outros que por desconhecimento pessoal não identifiquei, aos quais peço as minhas desculpas.
Realço a excelência da organização, por parte da Obra Diocesana de Promoção Social e seus funcionários pelo trabalho, dedicação e tempo perdido.
Por fim e para terminar este evento de grande importância pessoal, tenho de deixar aqui presente um carinho muito pessoal à Dr.ª Maria João de Vasconcelos, directora do Museu Nacional Soares dos Reis pela cedência do espaço para o evento, pela ajuda prestada na disponibilização sem custos das fotografias das Pedras de Armas guardadas neste museu e pela relação humana próxima do cidadão comum, personalidade que me ficou no coração.
Obrigado e todos e espero que divulguem e leiam um pouco da história do Porto e das famílias que lá residiram, deixando as suas marcas de nobilitação real através do seus apelidos como símbolo heráldico.