NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

8 de julho de 2018

Quinta do Bispo - Granja, V. N. de Gaia

O lugar da Granja era já um local de presença humana nos inícios do séc. XVII e ao que tudo indica essencialmente vocacionada para a actividade piscatória.
Tanto este lugar, como o lugar de S. Fins e de Espinho pertenciam à Paróquia de S. Félix da Marinha, situada mais a interior da margem oceânica, outrora também designada de S. Fins da Marinha.

Vista poente da casa 
(retirado de http://praiadagranja.wixsite.com/inicio/imagens?lightbox=imageedz)

Parte da fachada poente/sul
(retirado de https://granja-porumportugalmelhor.weebly.com/breve-histoacuteria.html)

Escadaria da casa
(retirado de https://www.facebook.com/pg/PraiadaGranja2/photos/?ref=page_internal)

Parte da fachada poente/sul
(retirado de https://www.facebook.com/pg/PraiadaGranja2/photos/?ref=page_internal)

Escadaria e entrada da casa
(retirado de https://www.facebook.com/pg/PraiadaGranja2/photos/?ref=page_internal)

Vista geral da quinta e casa
(retirado de https://www.facebook.com/pg/PraiadaGranja2/photos/?ref=page_internal)

Vista geral da quinta e casa
(retirado de http://praiadagranja.wixsite.com/inicio/imagens?lightbox=imageedz)

Pintura de Marco Joel Santos, da fachada poente

Em 1758, por haver território ligado à igreja naquela região e à época entender-se que os "ares marítimos" e "lugares mais abertos" eram os mais saudáveis, os frades crúzios ou Agostinianos, cónegos Regrantes do Patriarca de Stº. Agostinho do Real Mosteiro de S. Salvador de Grijó construíram uma quinta para ali se poderem instalar como objectivo de ser criada uma estância para convaslecência e repouso, e essencialmente nos períodos de maior calor.
Planta da quinta em 1912 e envolvente

Vista geral da Granja e quinta (zona central)

Esta quinta chamar-se-ia de Quinta da Granja que conforme o seu nome pretende transmitir, era ser uma pequena propriedade rural, para eventual pratica agrícola de escala reduzida ao mesmo tempo que permitia a criação da sua própria brévia para "irem a ares".
Após a iníqua expulsão das ordens religiosas sob o reinado de D. José I e governação do Marquês de Pombal, através do decreto de 3 de setembro de 1759, revertendo todos os bens para a Fazenda Nacional, a quinta terá sido arrematada em hasta publica, por D. Ana Joaquina de Mello.
Esta senhora apenas ficou proprietária durante 3 anos, vendendo-a a José António Alves Viana, casado com D. Maria Gertudes de Sousa e Cunha.
Pertenceu durante 21 anos a esta família e, em 31 de dezembro de 1860 passou, por escritura publica de venda, para as mãos de Fructuoso José Silva Ayres com a idade de 57 anos.
Quadro de Fructuoso José Silva Ayres

Pintura de Fructuoso José Silva Ayres
(retirado de https://www.geni.com)

Esta figura, nascida em Ventosa, Vouzela, no ano de 1804, tornou-se médico e politico, tendo-se casado em 1826, em Stº. Ildefonso, no Porto com D. Maria Máxima de Gouveia Osório Braga.
Adquire a Quinta, passando a ser um couto privado deste ilustre "cidadão portuense" tornando a designação deste espaço como Quinta dos Aires, sendo também sido designada de Quinta da Granja e actualmente conhecida como Quinta do Bispo.
O lugar da Granja a partir deste período torna-se um local de desenvolvimento instigado por esta figura. Constrói 7 moradias de grande requinte, para seus filhos, numa avenida que se tornaria na chamada Avenida da Granja.
Divide parcelas de terrenos para lotes para construção de casas em diversos estilos com predominância do tipo "chalet" a serem vendidos criteriosamente de modo a dar vida a esta estância balnear e negoceia com a população local, piscatória, em se deslocalizarem o bairro piscatório de humildes casebres de madeira, para uma zona menos nobre, de modo a permitir transformar o vasto areal da praia numa bela apetecida área de lazer e banhos.
Ergue-se de forma efémera uma praça de touros, campo de ténis e um campo de hipismo, aparecendo depois o afamado Hotel da Granja e a Assembleia, centro de cultura, de diversões, de bailes, de jogos e elegantes festas mundanas, edifício que ainda existe, embora actualmente em estado de degradação.


Noticia dada pelo Comércio do Porto à época

À mesma época, a 7 de junho de 1864, a linha de comboio iniciou a sua circulação com ligação de V. N. Gaia a Lisboa, atravessando esta localidade da qual mais tarde se instalou a estação da Granja, a mais graciosa e asseada das estações balneares portuguesas, imprimindo uma maior visibilidade a uma praia já elegante por excelência.
 Vista geral da praia da Granja (séc. XX)
(retirado de: http://praiadagranja.wixsite.com/inicio/imagens)

Fotografia aérea da praia da Granja
(retirado de http://portugalfotografiaaerea.blogspot.com/2013/05/praia-da-granja.html)

Todo este empenho de Fructuoso José Silva Ayres ao criar a Praia da Granja, transformou o ambiente desta estância num pólo de puro elitismo, de um mundo social e intelectual muito próprio. Há relatos de jornais, à época, da chegada de algumas famílias do costume: só fidalguias.
A Granja tornou-se num local privilegiado e elegante, como local de cavalgadas, de quermesses, de torneios de ténis e de cricket, de bailes e concertos, de tardes de chá e bridge... um local de principies e princesas, um local de contos de fadas.
A 9 de março de 1881, morre na sua casa, na Granja, esta figura de especial relevo, para esta terra, e que não o mais esquecerá.
Testamento de Fructuoso José Silva Ayres, de 20/nov/1880

(retirado de http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/documents/17645/)

Dos seus 7 filhos, um tornou-se bispo de Betsaida e outro uma figura emblemática do Porto, tendo-se casado com D. Virgínia Maria Teresa de Brito e Cunha, na quinta do Ribeirinho, em Matosinhos. 
Foi Vereador e mais tarde se tornou Presidente da Câmara desta cidade entre os anos de 1886 e 1887.
Era também um abastado negociante de vinhos e foi Conselheiro da Santa Casa da Misericórdia, Bacharel em medicina, cirurgia e filosofia pela Universidade de Coimbra e foi sócio do Instituto Literário de Coimbra.
Doutor em medicina pela Universidade de Edimburgo e médico do Hospital da Misericórdia e da enfermaria do Hospital de Santo António, no Porto.
Lente da Escola Médico-cirúrgica do Porto e Directora da Associação Comercial do Porto e Presidente da Associação Industrial Portuense.

Da casa pouco ou nada se sabe. Desconhece-se se a velha casa conventual sofreu alterações à traça inicial, sendo certo que o seu espaço se mantém murado em toda a sua envolvente através de muros altos monásticos.
A entrada principal faz-se por portal principal a nascente com pedra de armas (não identificadas), tendo igualmente outras entradas de menos relevância em cada face do muro, a norte, sul e poente.
Portão principal da entrada da quinta - Nascente

Vista da entrada e muro com fontanário (Nascente)

Pormenor decorativo junto ao pilar do portão com terminus em espiral

Pormenor do fontanário extra muros da quinta


Vista geral da entrada principal 

Entrada secundária da quinta com data e nome

Pormenor decorativo para fechadura de porta, com cruz no cimo


Vista de entrada secundária lateral (a sul)

A Pedra de Armas deverá merecer um estudo mais aprofundado, desconhecendo-se a sua origem, contudo desta família nobre há conhecimento de um dos seus filhos foi um Fidalgo cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e de Isabel a Católica, de Espanha, e foi Cavaleiro da Legião de Honra, de França.
Pormenor do frontão do portal de entrada

Pormenor de Pedra de Armas, com símbolo real inserido em escudo e sob coroa


Informações e fotos recolhidas de:
htpps://wikipedia.org
http;//praiadagranja.wixsite.com
https://www.geni.com
http;//www.britoecunha.com
https://granja-porumportugalmelhor.weebly.com
http://portugalfotografiaaerea.blogspot.com
http://gisaweb.cm-porto.pt
http://www.freguesias.pt/freguesia.php?cod=131717

8 de abril de 2018

Papel Moeda em Portugal - 1.ª Republica

Exemplos de Papel Moeda ou Cédula de Papel retirados de vários sites e blogues

PAPEL MOEDA em Portugal - 1ª Republica
Portugal nos seus quase 900 anos de existência sempre viveu em constantes instabilidades económicas. A moeda sempre existiu e sempre serviu de moeda de troca nas transacções e negócios. Poderia ter sido um Pais estável, pois desde o inicio da sua existência que promoveu a expansão territorial interna e posteriomente com a expansão internacional através dos descobrimentos tornando-se num forte País comerciante.
Neste período áureo poder-se-á dizer que ou investiu ou gastou e nunca juntou. As riquezas trazidas de toda a parte do mundo serviram os interesses da época e sempre utilizada para a má gestão, pessoal, do País e suas colónias.
Já no séc. XIX, o Brasil foi a nossa bolsa financeira com os Torna-Viagens que permitiram trazer muita riqueza e com eles investir num Portugal carenciado e pobre.




Exemplos de Papel Moeda ou Cédula de Papel emitidas por Câmaras Municipais
Com a entrada do séc. XX e com a Primeira Republica, a instabilidade politica é permanente, e a Grande-Guerra complementou-a e juntou-se à desordem social, económica e financeira. Com a implantação do novo regime, surgiram alterações monetárias, isto é, instituiu-se uma nova unidade monetária e modificaram-se os títulos das moedas, o seu peso e a liga, sendo tudo de forma a evita-se qualquer alteração do seu valor real.
Em 22 de maio de 1911, através de Decreto-Lei, foi adoptada como unidade de cunhagem monetária, o escudo (divisível em 100 centavos), moeda de ouro equivalente ao antigo décimo de coroa, com o valor de 1000 réis, e que só apareceu como ensaio.
Do mesmo modo, existiram moedas de 5 escudos, de ouro, de 1920, que não chegaram a entrar em circulação.





Exemplos de Papel Moeda ou Cédula de Papel emitidas por Câmaras Municipais
Nos últimos anos da Primeira Republica, a situação económica era tão desesperada e tão má, que o poder de aquisição do escudo (1000 réis) começou a degenerar e a moeda metálica, cujo valor intrínseco ultrapassava o nominal, desapareceu de circulação.
Na década de 20, com esta crise monetária, o País sentia a necessidade de dinheiro corrente e de baixo valor, indispensável a pequenas transacções, que não havia. A elevada inflação fez com que a moeda se desvalorizasse de tal forma que o "metal de uma moeda era mais valioso do que o seu valor de rosto".
A necessidade da pequena moeda de troca, a partir de 1914, o governo autorizou a Casa da Moeda a emitir cédulas que se destinavam a substituir as moedas de cinco, dez e vinte centavos, verificando que esta medida não era suficiente acabando por permitir a autorização da emissão desse papel por parte das câmaras municipais dentro da área dos respectivos concelhos, generalizando-se com a emissão por parte de outras entidades.
Em 1923, a inflação era de 1.720 %, o País com uma dívida milionária e ainda dívidas de guerra por pagar, o escudo valia tão pouco que efectivamente compensava guardar as moedas pelo valor metálico que tinham.






Exemplos de Papel Moeda ou Cédula de Papel emitidas por Câmaras Municipais
Surgiu como pratica generalizada, pela sua necessidade, e fora do âmbito da Casa da Moeda, o recurso por parte de muitas câmaras municipais, Misericórdias, entidades publicas e até por entidades privadas, à emissão de notas e títulos com valor monetário, servindo de uso interno nesses concelhos, por forma a evitar a utilização da moeda, já inexistente, designando-a de "cédula de papel" ou "papel moeda".
Estas emissões eram clandestinas e ilegais, mas autorizadas pelo Estado, circulavam livremente e eram aceites como de dinheiro se tratasse. Assistia-se ao "entesouramento das moedas, que refundidas por particulares rendiam acima do valor do seu rosto".
Como a metal não existia e a escassez era tanta, o papel era o elemento básico para a sua concretização. A moeda papel fabricava-se em formato pequeno, de valor determinado e artisticamente bem trabalhado, e transformava-se em verdadeiro dinheiro regional.







Exemplos de Papel Moeda ou Cédula de Papel emitidas por Misericórdias e entidades privadas
Em regra estas moedas-papel continham um valor entre um e cinco centavos, por vezes até de maior valor e perduraram entre os anos de 1917 a 1925, tendo já o governo proibido a sua circulação em 1924, mas só após a revolução de 28 de maio de 1926 é que começaram a desaparecer definitivamente com a emissão em massa, de moeda de pequeno valor.
Este processo iniciado durante a guerra foi utilizado, dentro dos seus espaços territoriais de 178 concelhos do País, sendo que Lisboa e Porto não seguiram esta pratica.
Esta mudança de tipo de moeda sofreu num espaço de cerca de 40 anos a uma inversão de 180 graus, isto é, se em 1890 mais de 90% das transacções eram feitas em metal, em 1925 faz-se em papel em 99% da sua circulação.


Informação e fotos retiradas em sites e blogues que agradeço, destacando-se:
https://auren.blogs.sapo.pt
http://www.mediotejo.net
http://observador.pt
http://bomdia.eu
https://solpaz.blogs.sapo.pt