NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

22 de agosto de 2015

Padeiro(a) de Valongo



O Padeiro(a) de Valongo

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Origem e História:
Pão tem a designação latina de "pane" e é um alimento resultante da cozedura de farinha com sal e água e considerada como um dos alimentos mais primitivo da existência humana preparada pelo Homem.
O pão faz parte da cultura de muitos povos e tem um significado relevante em muitas religiões.
A sua história é tão antiga que não existe uma confirmação exacta da sua origem. Historiadores estimam que tenha surgido há cerca de 12 mil anos juntamente com o cultivo de trigo, sendo que uns defendem a sua origem na Mesopotâmia, actual Iraque, outros atribuem a sua produção na região da actual Suíça, em zonas de aldeias de palafitas, isto é em zonas alagadiças.
De inicio o trigo era apenas mastigado e só mais tarde passou a ser triturado e transformado em farinha.
Os Egípcios foram os primeiros a usar os fornos de barro para cozer o pão, por volta do ano 7000 a.c. tendo sido atribuído aos Hebreus a descoberta da massa fermentada responsável pela massa do pão leve e macia como é utilizada hoje em dia.
As padarias (inicio da produção do pão) surgiram por volta do ano 4000 a.c. em Jerusalém após o contacto dos métodos de fabrico e receitas com os egípcios.
Só por volta do ano de 800 a.c., em Roma, terá surgido a primeira escola de padeiros, permitindo ao longo do tempo transformarem-se variadas formas de pão cozido, com produtos adicionais e variedades de sabores diferentes de região para região, assim como na sua forma.
Em Portugal a cozedura e fabrico é transversal a todo o continente Europeu desde a sua Independência até à actualidade.
O ícone da regueifa simboliza a industria da panificação e do biscoito, assim como todas as actividades a montante e a jusante a ela associadas. O fabrico de pão está documentado desde a Idade Média, sendo para além de alimento indispensável do dia-a-dia, meio para pagamento de foros. Era essencialmente feito de centeio, dando origem a exemplares rústicos. É provável que o biscoito (pão em forma de patela e cosido duas vezes) tenha feito parte das rações dos marinheiros que partiram do Porto para as Descobertas. Abriu-se assim caminho para o fabrico do biscoito que hoje conhecemos, através da adição de açúcar e especiarias que nos passaram a chegar desses locais remotos, nunca mais tendo parado na diversidade de formas e paladares. Com a introdução do milho graúdo americano, a broa ganhou também destaque.
As grandes cidades do País não garantiam a produção necessária para a sua população residente sendo para isso necessário recorrer à produção das populações vizinhas, como era na cidade do Porto, entre os séc. XVI a XIX.
Nessa altura a cidade definia vários locais distintos para os seus mercados nas transacções das especiarias e de outros materiais de necessidade humana.
A exemplo, desde essas épocas remotas foram utilizados e alterados vários locais para feiras com características específicas, tais como:
- a Feira das Caixas e dos Rapazes, na praça de Carlos Alberto;
- a Feira do Peixe, inicialmente na praça da Ribeira, posteriormente em frente à Cadeia da Relação ou junto ao mosteiro de S. Bento da Vitória e por fim no mercado do peixe, no local onde actualmente é o Palácio da Justiça;
- a Feira das Flores, Hortaliça e Fruta, junto ao antigo largo da rua da Fábrica com a rua de Aviz e junto à estação de S. Bento;
- a Feira da Erva e da Palha na praça Nova (actual Praça da Liberdade), na Trindade e na praça Coronel Pacheco
- a Feira de Carne de Porco salgado e Queijo nos largo dos Lóios;
- a feira dos carneiros na Trindade (actua estação do metro);
- a Feira do Linho, Fruta e Hortaliça, na rua do Souto;
- a Feira dos Porcos na praça da Alegria;
- a Feira da Olaria e Louças, no jardim de S. Lázaro (ainda antes da sua existência) e na rua da Assunção;
- a feira do Gado no campo 24 de Agosto;
- a Feira da Farinha e Cereais, na praça (dos Leões) Gomes Teixeira, e
por fim a do Pão, na praça na Guilherme Gomes Fernandes, antiga praça Santa Teresa.
Nessa época a hortaliça e legumes vinham de Gondomar, a broa vinha de Avintes e o pão tinha a proveniência de Valongo.
Ribeira - Padeira de Avintes - AURÉLIO PAZ DOS REIS

O pão de Valongo:
Durante muitos e muitos anos Valongo forneceu pão para muitas outras terras à sua volta. Os campos de cultivo eram férteis e os moinhos dos rios Ferreira e Leça, com a força das águas, moíam o grão e faziam a farinha.
O pão de que o povo se alimentava era de milho e de trigo e os pobres misturavam-lhe centeio para que o pão ficasse mais doce e agradável ao paladar.
Germano Silva, numa edição do JN, relata-nos a importância de Valongo na economia do pão, dando conta que desse facto se devia à excelência do produto:
"A tradição, no Porto, da venda de pão em feiras é muito antiga e não se sabe bem quando começou. Mas sabe-se, por exemplo, que em 14 de Março de 1584 era publicado um acórdão municipal, se assim se lhe pode chamar, em que se determinava que as "as medideiras da feira do Pão, messão em gamellas fora das casas no meio da praça, quando não chover, sob pena de multa..." Esta lei, se assim pode dizer-se, que obrigava as "medideiras" a trabalhar na praça e que tinha por finalidade impedir roubos ou oytras falcatruas, ainda estava em uso quando, nos meados do séc. XIX, ainda se fazia a feira do pãp no antigo Largo de Santa Teresa e a da farinha, na Praça dos Voluntários da Rainha, actual Praça de Gomes Teixeira. No ano seguinte (1585), foi publicada nova legislação, desta vez contra "as pessoas que misturarem o pão trigo de fora com o da terra e que quem vender hum não possa vender o outro...".
As barracas onde se vendia o pão estavam dispostas ao centro do amplo terreiro e, embora o mercado fosse mais concorrido às terça-feiras e sabados, por causa de outras feiras que se realizavam na cidade, havia quem ali viesse todos os dias vender o célebre pão da terra confeccionado com farinha que era moída nos moinhos a água da região de Valongo. Esta era, efectivamente, a terra do pão. Era de lá que vinham as padeiras, encarrapitadas em burros com duas enormes canastras sobre o dorso do animal cheias do saboroso pão da terra. O produto mais procurado eram os celebres "pães de Valongo" que pesavam cerca de meio quilo e eram vendidos, nos finais do século XIX, a 75 réis cada um. Mas a variedade era imensa e para todos os gostos. Vendiam-se também, e em abundância, o nosso muito conhecido "pão molete", regueifas, tosta (doce e azeda), boroa, pão podre, pão coado, biscoitos de várias qualidades e feitios como od de argola, que eram muito procurados por moços e moças dos arrabaldes.
O rápido desenvolvimento urbanístico da cidade e, em especial, do chamado Bairro das Carmelitas ditou o fim da pitoresca feira do pão. Nos começos do século XX, os abarracamentos começaram a ser demolidos e as ladinas padeiras de Valongo instalaram-se na ala sul do Mercado do Anjo, entretanto já desaparecido. Coisas da vida de uma cidade...".
A fama do pão de Valongo é tão antiga que vem associada ao tratamento de doentes conforme descrição de livro de Lembranças (registo regular) da Mesa da Misericórdia do Porto, do dia 16 de fevereiro de 1700, e responsável pelo Hospital D. Lopo de Almeida, situado no gaveto da rua das Flores com a rua dos Caldeireiros onde é descrita uma decisão, relativa à alimentação dos doentes.
Como era muito grande a despesa " que se fazia com o pão das padeiras da cidade, que os doentes não comiam por ser mal amaçado, sendo tão preto que parecia se lhe não tirava o rollão, trazendo-o muitas vezes quente, assim como saía do forno para logo se gastar, e se não ver depois de frio a ruindade dele", decidiu-se, "dar aos doentes pão das Padeiras de Valongo, e vindo uma delas com várias formas dele respeitando ao valor de seiscentos réis que inda tinha trigo, se achou convinha dar-se a cada doente, em cada dia, dois pães, de preço ambos de 25 réis e com efeito, por ordem da Mesa, se ajustou com a padeira a trazer todos os dias o pão que fosse necessário".

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Estávamos no inicio do século XVIII e perante a má qualidade do pão fornecido pelas padeiras da cidade, os mesários procuraram as padeiras de Valongo, o que nos leva a concluir que a fama da qualidade do pão fabricado nestas bandas vinha de longe.
As invasões francesas teriam introduzido o "mollet", pão de trigo pequeno, branco e fofo, revestido por uma crosta estaladiça e dourada, rapidamente aceite e transformado em molete.
Diz a história que em 1809, o exército francês ocupou o colégio da Formiga, na Santa Rita, em Ermesinde, no concelho de Valongo, e o General Moulet deu ordens para ser servido ao exército um pão individual, mais pequeno, como ração da sua tropa, daí o presumível título do pão usualmente utilizado se manter até aos nossos dias.
Atualmente a regueifa é considerada uma iguaria no mundo do pão, dada a textura sedosa das suas camadas, obtidas após muito labor, em forma de coroa ricamente adornada por motivos estaladiços propiciadores de fortuna.
Em Valongo a banalização e fama do seu pão era de tal ordem que quase não havia uma casa que não tivesse forno para cozer pão, fazer biscoitos, regueifas e bolachas, mantendo-se até aos nossos dias esta reputação deste concelho.
Esta profissão de padeiro não desapareceu e não tenderá a desaparecer. Os seus hábitos diários e tradicionais da venda e da entrega do pão de porta a porta e em feiras acabará por se extinguir derivada da modernização e da industrialização que ocorreu a partir dos finais do séc. XIX.
Em tempos idos a entrega e a venda na cidade do Porto, o(a)s padeiros vinham em jumentos à arreata. Saíam de manhã de madrugada e percorriam as estradas de ligação ao Porto, via Rio Tinto, S. Roque da Lameira e Bonfim ou pel estrada de Guimarães, vindo da Areosa até às Regateiras (Junto ao Conde Ferreira) onde se juntavam e se dirigiam às feiras, fazendo por vezes pequenas paragens às portas das casas de família ou mercearias locais.
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Ao fim do dia, no regresso, íam no dorso do animal, tão cómodos que por vezes adormeciam no trajecto e só acordavam à porta de casa. Os jumentos já sabiam o caminho e não se enganavam, pela prática de ritual diário.

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Em finais do século XX, os padeiros já sabiam que todos os dias o pão tinha que estar pronto à mesma hora para serem levados em carroças para o Porto. Na partida era recorrente ouvir-se: - Lá vai o pão para o Molet! (um porteguesismo para o nome MOlet). Molete termo pelo qual ainda hoje conhecemos, pela sua função de ser um pão pequeno, de Valongo.

canastras - http://padeirinhadevalongo.blogspot.pt
A evolução tecnológica na fabricação, o poder económico, as trocas comerciais e os negócios do dia-a-dia, centralizaram a comercialização do pão em estabelecimentos próprios e em centros comerciais, erradicando de vez com o contacto porta a porta do padeiro.
A arte de fabricação mantêm-se na profissão dum padeiro, deixando-se cair as outras praticas e tradições perante a evolução da sociedade e dos modos de vida.


Símbolo do Concelho:
Associada à batalha da Ponte de Ferreira, e relativo ao Cerco do Porto (1832-34), o 1.º brasão de armas da Vila de Valongo, foi aprovado em deliberação camarária de 25 de setembro de 1889. O símbolo da cidade apresentava um ramo de oliveira, representando o nome do ministro que elevou a freguesia de Valongo à categoria de Vila e Concelho, António Dias de Oliveira, e um ramo de louro, símbolo de vitória, como triunfo na batalha e um triunfo da nação liberal, sobre um absolutismo conservador e ultrapassado, e no meio destes ramos, pela ponte acima referida.
Posteriormente alterada com a evocação a uma das actividades mais emblemáticas da cidade, o pão e a industria que lhe está associada, através das espigas de trigo e das rodas dos moinhos.

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tese de mestrado "A Batalha de Ponte Ferreira (Campo, Valongo, 1832): um processo memoralista e de valorização patrimonial, de Paulo Fernando Pereira Caetano Moreira

8 de agosto de 2015

Casa e Quinta da Bela Vista - Porto


Casa e Quinta da Bela Vista

(vista antiga)
(vista actual)

Situada no alto do "Monte Aventino", junto às Antas, é sobranceira sobre o vale de Campanhã e o rio Douro, permitindo uma visão ampla e soberba, de uma panorâmica rara na cidade.
Terá sido por estas razões que o seu nome terá sido assim designado - Bela Vista.

 (vista actual da VCI)
(vista actual da VCI)

Esta construção teve inicio em Maio de 1912, após aquisição e junção de várias parcelas de terrenos tendo sido adquiridas por Dr. José Oliveira Lima, professor na faculdade de medicina do Porto, as duas primeiras em 21/12/1911, pelos valores de 700$00 e 3.600$00 e pouco tempo depois, já no ano de 1912, a terceira terá sido adquirida por 100$00 réis.
A sua arquitectura foi idealizada pelo arquitecto José Teixeira Lopes, hoje classificada como Monumento de Interesse Publico, por Portaria n.º 318/2010, DR, 2.ª série, nº 87, de 5/5/2010.
Com esta construção pretendeu fundar, neste local, o Instituto Moderno, edifício escolar destinado ao ensino primário e secundário, em regime de internato e externato.

(marca do Instituto Moderno)

A sua construção pelas suas características construtivas, com a utilização pela primeira vez do betão armado, quer pela decoração, espaços amplos e conforto, quer pela utilização dos mais modernos princípios didácticos e higiénicos da época, indiciava ser um estabelecimento de cariz elitista e caro, destinado a famílias ricas, conforme se poderá depreender por um documentário realizado pela Invicta Film, em 1916(*).
A propriedade resultou da conjunção de três propriedades, tendo sido a primeira, com acesso pela Rua da Lameira de Cima, 98, constituída por casa com quintal, dependências, e mais tarde descrita com ramada, árvores de fruto e poço.
Os dados mais antigos conhecidos desta quinta é de que em 21/9/1876 era propriedade de João Lino dos Santos, funileiro e morador naquele na Lameira de Cima, tendo dispendido 75$000 réis.
Em 1892, na sequência do processo de herança, a propriedade passa a pertencer a Dona Maria Josefina de Jesus Correia e sua irmã, Dona Vitória dos Santos Correia, tendo sido avaliada nessa altura no valor de 800$000 réis.
A segunda propriedade, denominada "Quinta da Lameira", situava-se na Rua de S. Roques, 984/982 e era constituída por casa de dois pisos e águas-furtadas, lavradio, água e árvores de fruto e outros.
Em 1910, eram seus proprietários 3 irmãos de apelido Gomes Ferreira, dois deles militavam na carreira de armas.
Finalmente, a terceira parcela, tem como seu ultimo registo de serem seus proprietários Joaquim Vitorino Mesquita Soares e esposa.
O Instituto Moderno teve uma duração efémera, entre 1914 e 1918, derivada provavelmente pelo período conturbado em que o País atravessava, isto é, os primeiros anos da era Republicana, com as naturais convulsões politicas e económicas da época, de igual modo pelo período da guerra 1914-18, na Europa.
No mesmo ano, 1918, com a epidemia do tifo exantemático ocorrido no País, incluindo a cidade do Porto, este edifício, já fechado, foi requisitado para dar apoio hospitalar, como secção do hospital Joaquim Urbano, funcionando aí os serviços de desinfecção, despiolhamento e enfermaria de convalescença, com mais de 200 camas.
Terminado o surto epidémico este edifício ficou numa situação de impasse até que em 21/8/1919, o Estado adquiriu pelo valor de 275.000$00, para a instalação e aquartelamento da Guarda Nacional Republicana (GNR), a fim de aí instalar as suas forças da cidade.
Ao longo destes anos a quinta ficou sempre ligada à vida daquele aquartelamento e à própria historia da GNR, que desde sempre tentou preservar este imponente edifício. A partir de 1995 passa a funcionar como quartel da Polícia de Segurança Publica (PSP), sendo então parte de terrenos da Quinta da Lameira já se encontrar associada ao Parque da S. Roque como área de lazer da cidade.
Em Julho de 2009 esta quinta passou para as mãos da Estamo, uma Empresa que integra a Parpublica, comparticipada a 100 % por capitais públicos e vocacionada para a promoção e valorização imobiliária, prevendo-se num futuro próximo um novo conceito de utlização para esta quinta.

(*) - ver imagens em: http://www.youtube.com/watch?v_B183phBSMIQ

http://www.j-f.org/monografia
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http://porto-desaparecido.blogspot.pt/

31 de julho de 2015

Casa de Ronfe, Meinedo - Lousada


Casa de Ronfe - Lousada

Esta moradia ou solar é uma das muitas casas apalaçadas e brasonadas do concelho de Lousada que directamente ou indirectamente se encontram associadas à cidade do Porto.
Muitas delas estão ligadas, entre si, derivadas de famílias distintas relacionadas a negócios, acções politicas ou religiosas e de aristocracia regional ou local, sendo o caso da família dos Borges Barreto, desde pelo menos o século de quinhentos, onde derivam os Martim Borges, escrivão do público e casado com uma senhora dos Vieiras, de Riba Douro e progenitor de todos os Borges Barretos.

A Pedra de Armas -
Material: Em granito, assente em cartela decorativa
Época: Século XVIII / Renascença
Família: Borges Barreto
Construção: Quinta de Habitação
Localização: Rua de Ronfe, freguesia de Meinedo, concelho de Lousada
Descrição: Aplicada na fachada principal
Conservação: Muito bom estado
Classificação: Heráldica de Família
Escudo: de fantasia
Formato: Esquarterlado
Leitura: I - Borges; II - Barreto; III - Cunha e IV - Macedo
Elmo: frontal, com grelha fechada
Timbre: de Borges



A Família -
Esta família foi estudada por Dr. Eugénio da Cunha e Freitas, ainda que infelizmente esse estudo tenha ficado por publicar entre o seu valiosíssimo espólio.
Um neto de Martim Borges, Heitor Borges Barreto, teve carta de brasão de armas, de Borges, Barreto, Marinhos e Vieiras, ainda no séc. XVI, que vem publicada pelo Visconde de Sanches de Baena.
No século XVII, um herdeiro desta casa, o Capitão de Ordenanças e Escrivão de Honra de Meinedo e senhor da casa de Ronfe, André Borges Barreto era casado com Margarida Vaz.
Sabe-se que tiveram um filho, André Borges, também Escrivão da mesma Honra que por sua vez se casou, em Boim, Lousada, com Maria do Couto, filha de Pedro Simões e Paula do Couto.
Deste casamento nasceu Capitão André Borges do Couto, então como Familiar do Santo Oficio (16/8/1677)  e fidalgo de cota de armas (carta de 15/12/1696, para Borges e Couto, escrivão da Honra de Meinedo e senhor da casa de Ronfe e que terá nascido em Meinedo e falecido a 26/4/1719, em Lousado, V. N. de Famalicão.
Terá casado no ano de 1680 com Ângela Bernardes da Fonseca (baptizada  em S. Miguel de Paredes, Penafiel, a 6/1/1654 e falecido na casa de Ronfe a 21/5/1720). Era filha do Capitão Gonçalo da Fonseca Coutinho e de Maria Bernardes da Fonseca.
Seu avô paterno, Pedro da Fonseca Coutinho, oriundo de Fonte Arcada, Penafiel, era senhor da casa do Outeiro, em S. Miguel de Paredes, casado com Maria Rebelo Ferreira).
Deste casal abastado nasceu André Borges de Couto, em Meinedo, a 4/1//1685 e falecido a 11/12/1750, Familiar do Santo Oficio, Capitão e Escrivão da Honra de Meinedo e senhor desta casa. Contraiu casamento, a 2/10/1721, com filha de distinta família local, do lugar de Ortozelo, da freguesia de Caíde de Rei, Dona Josefa Teresa da Cunha de Macedo, filha de Paula da Cunha (de Macedo) e de Dona Teresa Maria Ferreira de Azevedo.
Deste matrimónio nasceu Dr. António da Cunha de Macedo Borges Barreto e no ano de 1756 terá casado com Dona Inácia Flávia de Mesquita Pinto de Magalhães. Em 1757, um ano depois são pais de José Barreto da Cunha Macedo, que lhes vai suceder.
Sua filha Dona Emília Eduarda Barreto, viria a casar com Joaquim Artur Archer, em 1819, personalidade que viria a enobrecer o concelho ao ser Presidente da Câmara de Lousada, entre os anos de 1938 e Junho de 19141.
Esta figura emblemática, exerceu em 1840 as funções de Conselheiro Municipal e em 1846 era presidente da Eleição de Juízes de Paz para o circulo de Meinedo.
Foi considerado em 1864 o homem mais abastado da freguesia de Meinedo. Para além da sua fortuna vivia do arrendamento de vários prédios (rústicos e urbanos) para além de outros rendimentos.
Em 1834, a casa de Ronfe pertencia a sua irmã Dona Emília Ana, por herança de seu irmão José Archer, e Eduardo Barreto Archer vai herdá-la, por sua vez, em 1840.
Sucedeu-lhe Dona Maria Augusta Barreto Archer, nascida nesta casa em 1889, e que viria a vender esta propriedade a José Rosas, um conhecido e distinto industrial de pratas da cidade do Porto.

foto retirada de http://pensar-lousada.blogs.sapo.pt

A casa -
Situada na freguesia de Meinedo, a sua entrada na quinta faz-se por um portal, a norte, por um portão em ferro forjado, ali colocado em 1930, constituído por duas folhas e uma sobreporta, desenhado pelo então proprietário desta casa José Rosas. Sendo arquitectónicamente formado por duas colunas de granito, em silharia, de aparelho regular, e encimadas por dois pináculos. O dito portal está inserido num muro, também ele comportando duas colunas de idênticas características, mas sobrelevadas por esferas de granito e triângulos. Percorremos uma alameda ladeada de frondoso arvoredo até depararmos com a casa. É uma casa torre.
Esta edificação terá sofrido alterações ao longo da sua vida, havendo registos da existência de uma capela ainda pleno século XVII. 
Através de um documento de auto de visitação, datado de 28/11/1685, por um padre de Rebordosa onde está registada a emissão de um parecer favorável para que naquela capela fosse permitido dizer missa.
Mais tarde a casa de Ronfe sofreu alterações construtivas, data o ano de 1775, que segundo alguns autores apontam o seu desenho saído pela mão de Nicolau Nasoni ou seus seguidores.
De cor amarela, simbólica da época, típica moradia de feição italiana contrabalança com as linhas estruturais do granito e janelas.
Em termos arquitectónico esta casa apresenta uma planta quadrangular, com pátio interior e com uma torre adossada no topo oeste.
A fachada principal, virada a sul, foi dividida, verticalmente, por pilastras em três zonas, criando dois panos de parede simétricos. Estes flanqueiam um pano central, o frontispício, rasgado por um portal arquitravado, com colunas embebidas e chave ao centro, tendo a sobrepujá-lo um janelão de sacada e lintel curvilíneo, ladeado por duas janelas. Ainda no frontão está inserida a pedra de armas sob pirâmide quadrangular.
As pilastras são coroadas por pináculos; uma barra em pedra, divide o rés-do-chão do andar nobre.
No rés-do-chão, ao lado do portal arquitravado, abrem-se quatro janelas de peitoril, molduradas, com lintel curvilíneo e painel, duas em cada pano.
A fachada oeste apresenta, no rés-do-chão, três janelas com portadas, molduradas, de batente, com lintel curvilíneo. Exibe um óculo, do lado direito, oval e de lintel curvilíneo e outro mais pequeno com as mesmas características, só que do lado esquerdo, são os dois moldurados.
Ostenta, ainda, uma janela dupla, envidraçada, fixa, e moldurada com cornija de ressalto e painel. Do lado esquerdo desta janela há outro óculo moldurado de lintel curvilíneo envidraçado e janela de peitoril moldurada de lintel curvilíneo, quase junto à torre.
Existe ainda uma janela moldurada e envidraçada, em ferro, aos quadrados, com lintel curvilíneo.
No primeiro andar, vislumbram-se três janelas de sacada, sendo uma dupla em granito, com lintel curvilíneo; e junto à cornija existem quatro óculos ovais moldurados.
A  torre é quadrada, em cantaria à vista, de fiadas sem igual proporção e suficientemente polidas; as juntas das pedras, comidas do tempo, mostram maior abertura do que nos seus princípios deveriam ter, indicio de muita antiguidade.
Na fachada este, uma escadaria em meia volta dá acesso à torre. A portada da capela é arquitravada e de cornija de ressalto.
No rés-do-chão, do lado esquerdo, podem ver-se quatro portadas com lintel curvilíneo, e à direita do pano, uma janela de peitoril com lintel curvilíneo; no primeiro andar, apresenta quatro janelas de peitoril com lintel curvilíneo, com portadas.
A fachada norte, no rés-do-chão, patenteia três janelas de peitoril, enquanto o primeiro andar conta três janelas e uma portada, sendo duas de peitoril e uma de sacada, todas com lintel curvilineo. Junto à cornija, mostra duas janelas de peitoril.
Apresenta ainda uns belos jardins decorativos, "belo roseiral-casa de campo", e rodeados de campos de cultivo e de casas rurais e que os herdeiros de José Rosas a têm mantido após restauro geral.

dissertação de mestrado José Carlos Ribeiro da Silva (FLUP), "A Casa Nobre no Concelho de Lousada", Porto, 2007
http://arteepatrimonio.blogs.sapo.pt/23877.html
http://geneall.net/pt/forum/55319/casa-de-ronfe-em-menedo-perto-de-penafiel/
http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/30726/2/tesemestcasanobrev1000074655.pdf
http://www.heraldrysinstitute.com/cognomi/Archer/Portugal/idc/601405/lang/pt/
http://www.cm-lousada.pt/pt/efemerides
http://pensar-lousada.blogs.sapo.pt
http://tpcdescrita.blogspot.pt201103turma-efa-s5-na-casa-de-ronfe-lousada.html

26 de julho de 2015

Moinho de Vento (?) em Valongo

Será um Moinho de Vento ?


Alto da Serra - Valongo
(junto à Capela da Senhora dos Chãos)


Entrada


Vista interior, com abertura na face oposta à entrada

Valongo, concelho limítrofe da cidade do Porto. É um concelho identificado pelo fabrico do pão (e biscoitos) e pela sua oferta ao longo dos tempos, no fornecimento deste produto alimentar, à cidade do Porto.
É um concelho com características rurais, pela sua extensa área territorial, sendo Valongo a sua centralidade. O Rio Ferreira e o Rio Leça são as linhas de água mais importantes que atravessam o concelho impondo na antiguidade a necessidade da existência e laboração de moinhos a eles associados. 
Infelizmente estão praticamente extintos ou fechados/destruídos e com tendência a desaparecerem como em outros concelhos.
Mas a informação que releva este "post" é de que em Valongo não é conhecida a existência de moinhos de vento, embora tenha no seu território vastas áreas passiveis para a sua existência, quer pela altitude, quer pelas correntes de vento que passam nos pontos mais altos existentes.
Esta construção abandonada há mais de 50 anos não é conhecida a sua função. Para uns, é defendido o exercício de moagem de farinha para a fabricação do pão, para outros, esta edificação nunca o foi.
Na minha humilde opinião e de quem nunca se especializou em moinhos, entendo que tudo leva a crer ser um moinho. A típica fachada de entrada, a abertura de luz na face oposta, a existência de pedra boleada, já desgastada, na bordadura do topo da edificação para a eventual circulação de um rodízio (frechal), na movimentação de toda a sua estrutura em função da direcção do vento.
(retirado do livro "Portugal, Terra de Moinhos", 
de Jorge Augusto Miranda e José Carlos Nascimento

História:

"Os primeiros moinhos de vento foram construídos provavelmente na Pérsia, e o seu sistema, mais tarde aproveitado pelos Árabes, foi trazido para a Europa pelos Cruzados no seguimento das suas incursões ao Oriente.
Na Europa o moinho de vento foi sofrendo adaptações e alterações, variáveis de região para região consoante as características geográficas e as características culturais de cada povo."
(www.terravista.pt)

"Segundo a Profª. Drª. Maria Jesus Rubiéra Mata, Abu Zayd ' Abd ar Rahmãn ibn Muqana, poeta, natural de Al-Qabdab (Alcabideche), caracteriza, na viragem, do primeiro milénio (séc. X), a vida rural no actual concelho de Cascais como sendo uma terra bastante rica mas frequentemente visitada por cobradores de impostos, pelo que a opulência era transformada em extrema pobreza. Ibn Muqana, ao utilizar a metáfora da Nora das Nuvens, transforma-se no primeiro escritor da Península Ibérica a referir expressamente a existência de moinhos de vento nestas paragens.
Em 1182, há noticias de um moinho de vento de eixo horizontal na região de Lisboa que foi doado ao Mosteiro de S. Vicente de Fora.
Em 1262, teria existido um moinho de vento de eixo horizontal em Infonte, no termo de Óbidos como é referido no Tombo das Propriedades do Mosteiro de Alcobaça.
Em 1386, terá tido lugar a construção do moinho de maré de Aldeia Galega e do moinho de maré do Montijo.
Em 1403, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) mandou construir o moinho de maré de Corroios e os frades carmelitas promoveram a construção de alguns moinhos de maré na margem sul do Tejo.
No século XVI houve uma seca devastadora no centro da Península Ibérica que poderá ter obrigado à procura de novas fontes de energia, como, por exemplo, o vento. Muita gente considera que os cruzados, regressados da Terra Santa, e a Ordem de Malta terão sido os possíveis emissários deste novo tipo de construção.
Neste século teve lugar a divulgação dos moinhos de vento em Espanha e Portugal e a difusão dos moinhos de barcas no Tejo e no Douro. Havia em Lisboa, no principio deste século, 246 atafonas (moinhos movidos por animais) e, no seu termo, 300 moinhos; pelas maquias sabia-se que moíam diariamente 400 moios de trigo.
Nos começos do século XVI o milho maiz foi trazido das Américas pelos espanhóis, aparecendo em Portugal por volta de 1515 e 1520, respectivamente em Coimbra e no Norte. Foi muito bem aceite, estando o seu cultivo, já no séc. XVII, generalizado em todo o país.
Em 1552, segundo João Brandão, havia cerca de 800 atafonas em Lisboa que moíam anualmente cerca de 44.560 moios de trigo, sendo as atafonas domésticas responsáveis pela moagem de 10.000 moios. Com a dinâmica dos descobrimentos, a vida da cidade e dos estaleiros exigia muito apoio, daí este numero elevado de atafonas. Contudo este numero foi diminuindo com o passar dos anos.
No séc. XVII assistimos à difusão do moinho de torre, em Portugal e à construção dos primeiros moinhos de vento nos Açores.
Sob o domínio castelhano, Lisboa terá perdido população com a saída da corte portuguesa, dos nobres, dos artistas e dos estudiosos. Após 1640, com o seu regresso, com alguma estabilidade social conseguida então, a cidade retomou a dinâmica anterior, tendo sido construídos os primeiros moinhos de vento de torre em alvenaria.
Em 1755, havia apenas 216 atafoneiros em Lisboa; mas no dia 1 de Novembro em terramoto destruiu a maior parte da cidade incluindo a maioria dos moinhos de maré que aí, e nas redondezas, existiam. Posteriormente, foram quase todos reconstruídos.
Como consequência de alguns trabalhos de investigação prática no seguimento do terramoto ou por evolução mais ou menos natural, no fim deste século e/ou principio do seguinte terão sido introduzidos as velas latinas nos moinhos de vento, as quais se têm mantido até hoje.
No séc. XIX foram modificados, ou mesmo substituídos, moinhos de rodízio por azenhas. Em meados do século, nos EUA e Austrália, usava-se o moinho de vento de armação para tirar água. No fim do século começava o declínio da utilização dos moinhos de vento, que se estendeu ao séc. XX.
Em 1960 ainda havia cerca de 5.000 moinhos de rodizio em Portugal e em 1968, segundo Jorge Dias, havia 10.000 moinhos em funcionamento em Portugal, sendo 3.000 de vento e 5.000 de água.
Desta pequena referência cronológica aqui apresentada poderá inferir-se que a torre dos moinhos de vento,tal como lhes reconhecemos a forma, será do séc. XVII. Cremos mesmo que os exemplares mais antigos que ainda hoje encontramos datarão desse século. Um século mais tarde, terão sido aplicadas aos moinhos de vento as velas triangulares em pano, as quais melhoraram consideravelmente as suas características."
(www.arteaovento.com.pt)

(retirado do livro "Portugal, Terra de Moinhos", 
de Jorge Augusto Miranda e José Carlos Nascimento

"Um Património de Saberes
Os moinhos de Portugal, são verdadeiras sínteses do encontro humano com a natureza, são expressões genuínas da cultura material das regiões e reflectem também modos de vida, mentalidades, formas de ver o mundo e o lugar dos homens.
Este valioso património, transmitido de geração em geração, apura-se em cada tempo e em cada lugar com invenções e adaptações que acrescentam variedade a um mesmo principio elementar de funcionamento.
Mais conhecidos entre nós pela sua vocação moageira, os moinhos foram aqui aproveitados para industrias tão diversas como a serração de madeiras, o fabrico do azeite, de papel, engenhos de estrigar ou como pisões de lã para o fabrico de borel.
Lidando com elementos primordiais e indissociáveis do pão, pilar da subsistência e ell divino, o sagrado e o profano marcam encontro nos moinhos, trazendo ao trabalho a religiosidade e o imaginário populares, da estética à arquitectura,da mecânica à operatória do moinho.
Dos ventos e grandes rios do litoral aos pequenos regatos nas terras altas, por todo o país, se revelam diferentes soluções para os moinhos sustentadas em sábios equilíbrios com a natureza.
Longa das farinhas de outrora, os moinhos são hoje marcos na paisagem, constituem uma verdadeira oportunidade para qualificar e diferenciar o território, aumentando a sua competitividade acrescentando valor. Num tempo em que a educação, o conhecimento e o turismo sustentável constituem importantes apostas estratégicas do País, a reconstrução dos velhos moinhos ao serviço do desenvolvimento regional, é uma importante tarefa colectiva.
Os moinhos tradicionais são, pois, um património de saberes que importa redescobrir e reinventar para o futuro!"

Rede Portuguesa de Moinhos




24 de junho de 2015

Freitas Fortuna - Cemitério da Lapa




jazigo no cemitério da Lapa, Porto

Este jazigo está edificado no cemitério da Lapa e pertence à família de José António Freitas Fortuna cuja aquisição e construção terá sido adquirida naquela Irmandade pelo seu pai, João António de Freitas Júnior, em 6 de Novembro de 1856.
Em 20 de Janeiro de 1887, foi apreciada na sessão da Mesa Administrativa uma petição de José António Freitas Fortuna na qual requeria que lhe fosse dada posse do jazigo de seu pai e que somente fossem lá sepultados, ele, José António Freitas Fortuna (1840-13/8/1899) e sua mulher, Isabel Maria da Conceição Ribeiro da Silva e Freitas e ainda seu irmão e médico, Dr. Vicente Urbino de Freitas e sua mulher, Maria das Dores Basto Sampaio Freitas. E que perpétuamente ficassem juntas estes seis cadáveres, incluindo os de seu pai e de sua mãe.
Camilo Castelo Branco tinha como amigo indefectível José António Freitas Fortuna e esta amizade fraterna teve como propósito felicidade do escritor, que em 15 de Julho de 1889, numa das muitas cartas que, pela mão de Ana Plácido escreveu de Lisboa a Freitas Fortuna, Camilo diz textualmente: " O meu querido Freitas aceitou com ternura fraternal a oferta do meu cadáver..."
Camilo, foi, em vida, um amigo da Venerável Irmandade da Nª. Senhora da Lapa, desta cidade, ainda antes de se por a hipótese de vir a ser sepultado no cemitério. Esta observação prende-se pelo tom carinhoso com que escreveu, em 1868, nas páginas do "Gazeta Litteraria do Porto", contra o seu normal temperamento critico, sarcástico e irónico com que habitualmente abordava as suas crónicas.
Em 8 de Abril, foi aprovado pela Mesa Administrativa conjuntamente com mais 27 candidatos em lista apresentada pelo Director da Irmandade, como era comum a aceitação do corpo.
A proposta teve a mão do seu grande amigo João António Freitas Fortuna, que adiantou a jóia de admissão, que foi incluída numa factura que contem as despesas do funeral.
Em 2 de Junho de 1890, dia seguinte à morte de Camilo, o filho Nuno requereu ao Governo Civil de Braga autorização para que o cadáver fosse transportado de sua casa aonde terá falecido, em S. João de Seide, para a Igreja da Lapa e entregue a José António Freitas Fortuna para ser sepultado no cemitério privativo desta Irmandade, no jazigo de família desse dedicado amigo.
(texto retirado da obra "Quinhentos e Oitocentos" - Ensaios de História, de Francisco Ribeiro da Silva)
No mesmo jazigo encontra-se enterrada a jovem Clementina Sarmento, conhecida por se ter suicidado num dos quartos do Hotel Francfort, quando soube que o homem por quem se apaixonara, Urbino Emílio, filho do célebre médico Vicente Urbino Freitas, acabara de ser enterrado, neste cemitério, depois de se ter suicidado, dias antes, em Lisboa.
A jovem Clementina deixou um bilhete a pedir para ser sepultada ao lado do homem que verdadeiramente amara. Lá se encontra, podendo-se visualizar as suas inscrições apenas com as iniciais A. C. que se encontra por cima do seu amado.


Pedra de Armas de Freitas Fortuna

Esta Pedra de Armas, aplicada no jazigo de família, representa as armas de mercês-novas ou modernas ou contemporâneas passadas por D. Luís, em CBA 31/III/1883.
É uma peça da época do séc. XIX, em mármore e bem conservada, com leitura de:
Escudo: Inglês
Formato: Partido e cortado em II
Leitura: 
I - Freitas
II - Fortuna
Elmo com viseira de perfil à direita, sem paquife
Cores:
I - de ouro, com uma cruz vermelha
II, com I - de uma figura de mulher de ouro e encostada a uma roda de prata (simbolizando a Fortuna):
II - de (?) com um leão passante, com juba e armado de ouro
(Nóbrega, Vaz-Osório - O Tripeiro: Arquivo Histórico Portuense. Porto: série V, ano XI, p.363 (retirado de cartas de Brasão Moderno (1872-1910), de Ruy Dique Travessos)


3 de junho de 2015

Brasão dos Sás - Igreja de S. Francisco, Porto


A capela-mor pertenceu a Sá e Meneses, condes de Matosinhos, nela estando sepultado o celebre Sá das Galés, que foi o 1º Alcaide do Porto, pelas suas proezas no mar, e que obteve esse título na luta contra os castelhanos.


Nave central


Capela-mor

Estas duas peças situam-se no interior da Igreja de S. Francisco, na freguesia de S. Nicolau, na Rua Infante D. Henrique, no Porto e estão aplicados nos tectos deste monumento religiosos.
São em talha dourada, do período renascentista (séc. XVIII) e enquadram-se na heráldica de família.
As suas descrições são comuns:
Escudo: Francês ou quadrado, com coroa ducal
Formato: Simples ou pleno
Leitura: I - Sá
Cor: de prata, com enxaquetado de prata e azul de cinco peças em faixa e cinco peças em pala

17 de maio de 2015

Conde do Prado - a Vila e suas origens


Ponte do Prado
(Em 1510, a velha ponte medieval foi destruída por uma cheia do rio Cávado. A sua reconstrução não parece ter sido executada com grande qualidade, pois um século depois ameaçava ruir. Data do século XVII a mais importante reforma, responsável pelo aspecto actual da estrutura. Em 1616, segundo projecto de António de Castro e em plena contexto filipino, ela foi totalmente reconstruida, facto que, se por um lado, determinou a destruição de qualquer vestígio da construção medieval, por outro renovou este local de passagem, dotando-o de condições modernas de travessia e de atracção dos homens. A memória desta empreitada foi perpetuada numa inscrição que contempla as armas reais dos Filipes e as dos condes do Prado, assim como a origem do arquitecto: "António de Castro de a vila de Vianna".
(httt://www.patrimoniocultural.pt)


Prado é uma vila que pertence ao concelho de Vila Verde, sendo uma das freguesias limites com a cidade de Braga, antiga "Bracara Augusta". A sua localização tornou-se estratégica na época romana por ser local entre Braga, com os territórios a noroeste e ligação a Astorga. 
É uma região com lagos, devido ao seu solo argiloso, contribuindo à prática da industria da cerâmica conforme se pode comprovar com artefactos em barro e moedas desde essa época romana até à actualidade.
No séc. X, a região de Prado era já dominada pelos Condes de Portugal, sendo que no séc. XII era centro de atenções com várias doações por parte de D. Afonso Henriques ao arcebispo de Braga, D. Paio Mendes, como recompensa dos serviços prestados no âmbito da reconquista cristã.
Prado desenvolveu um povoado de relativa relevância regional, tendo recebido foral por parte de D. Afonso II, em 1260, numa altura de reorganização do país pós guerra civil.
Em 1445 esta vila era designada por Santiago de Francelos, embora passados cerca de 80 anos a sua denominação já estava consolidada com o nome de Santa Maria de Prado.
No séc. XVI, D. Manuel concedeu carta de foral, em 1510, num período de necessária organização administrativa, tendo como donatários os Condes de Prado, cujo primeiro titular foi D. Pedro de Souza.
Como marca deste foral temos o pelourinho, cujos símbolo territorial onde são já vincados com as armas simbolizadas no seu topo, isto é a marca nacional e a marca do donatário, os Sousa (de Prado).




Ainda hoje, o símbolo dos "Sousa" do Prado, é a marca da Vila de Prado para além de outras construções ainda existentes, é o caso do fontanário ou fonte de Stº. António, datado de 1691, embora a marca de brasão aparenta ter sido colocado posteriormente e da ponte acima documentada.



Designado por D. João III, de Conde do Prado em 1/1/1526, D. Pedro de Souza tomou como seu símbolo heráldico as origens de seus trisavós, por casamento de Vasco Martins de Souza, bisneto por varonia de D. Afonso II, de Portugal e Inez Dias Manoel, bisneta por varonia de D. Fernando III de Castela-Leão, personificada com o esquartelado das armas, com I e IV, as armas de Portugal e II e III, com as armas de Castela.

Esquartelado, com I e IV de prata, cinco escudetes de azul postos em cruz, cada um carregado de cinco besantes do campo; o II e III de prata, com leão de púrpura

Para além do titulo ter sido iniciado por D. Pedro de Sousa, em 1526, seus descendentes e herdeiros também lhes foi dado o direito do uso das armas desta família:

1 - D. Pedro de Sousa, 1º conde do Prado
2 - D. Luis de Sousa, 2º conde do Prado
3 - D. Francisco de Sousa, 1º marquês das Minas
4 - D. António Luis de Sousa, 2º Marquês das Minas
5 - D. Francisco de Sousa, 5º conde do Prado
6 - D. João de Sousa, 3º marquês das Minas e 6º conde do Prado
7 - D. António Caetano Luis de Sousa, 4º marquês das Minas
8 - D. Maria Francisca Antónia da Piedade de Sousa, 5ª marquesa das Minas
9 - D. Francisco Benedito de Sousa Lancastre e Noronha, 6º marquês das Minas
10 - D. Francisco Benedito de Sousa Lancastre, 7º marquês das Minas e 10º conde do Prado
11 - D. Joana Bernarda de Sousa Lancastre e Noronha, 8ª marquesa das Minas e 11 ª condessa do Prado
12 - D. Nuno Maria da Silveira e Lorena, 12º conde do Prado
13 - D. Alexandre Maria da Silveira e Lorena, 11º marquês das Minas e 13º conde do Prado
14 - D. Pedro Maria da Silveira e Lorena, 10 marquês das Minas
15 - D. Isabel da Silveira e Lorena,, 15ª condessa do Prado
16 - D. João de Castro de Mendia, 10º conde de Resende


http://viladeprado.no.sapo.pt/historia.htm
http://www.patrimoniocultural.pt
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