NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

18 de fevereiro de 2017

Família Jebb, Cemitério dos Ingleses - Porto

Pedra de Armas de família Inglesa

O cemitério Inglês ou cemitério dos Protestantes está situado no Largo da Maternidade de Júlio Dinis, no Porto. está inserido num espaço religioso onde está instalada a igreja inglesa de Saint James.
Em 1892 o seu local ainda se chamava de Largo do Campo Pequeno e que já continha o cemitério e casa de oração da pequena colónia inglesa do Porto e era um terreno extenso e todo murado. Mais tarde o lugar também se chamou de Largo dos Ingleses.
As famílias britânicas tinham aí a sua capela e o seu cemitério e permissão da cidade para os actos religiosos da sua fé protestante.
Para quem visita o cemitério a sua aparência é de simplicidade e sem grandes elementos de grandiosidade pessoal por parte destas famílias.
As pequenas excepções são com peças mais emblemáticas como a da família Jebb cuja pedra de armas apenas poder-se-à classificá-la do seguinte modo:

Época: Séc. XIX
Escudo: Inglês
Material: Mármore
Formato: Esquartelado
Coronel: de Nobreza
Timbre: de Jebb
Comentário: sob a pedra de armas apresenta-se uma fita com a legenda "Vigil"
O representante deste Jazigo é Frederick Jebb.

Jazigo com coluna (jazigo 1102 - plot 2)

Simbologia do 1º quadrante (muito desgastada)

Símbolo no 2º quadrante

Símbolo do 3º quadrante (com desgaste)

4º quadrante

Lápide com Timbre de "Jebb"

Esta ultima peça localiza-se ao lado do jazigo de Frederick Jebb e refere-se a Henry Jebb, provavelmente de um seu filho e que se encontra aplicada numa pequena lápide.
A ave representará o apelido de "Jebb", dado que tem como timbre na pedra de armas a mesma simbologia (será meramente uma suposição dado desconhecer a heráldica britânica).

Informação obtida de:
O Tripeiro: série V, ano VIII, p. 142, Nobrega, Vaz-Osório



12 de fevereiro de 2017

Moura Vasconcelos - cemitério do Prado de Repouso - Porto



 Foto da Pedra de Armas colocada no Jazigo

Classificação: Heráldica de Família
Época: Séc. XIX
Escudo: Francês ou quadrado
Material: Mármore
Conservação: Bom
Formato: Esquartelado
Leitura:
I – Moura
II – Vasconcelos
III – Soutomaior
IV – Brito
Timbre: de Moura, um dos castelos
Elmo: de perfil, sem paquife
Comentários: Sob o escudo as insígnias das Ordens da Torre e Espada, cujo colar acompanha o escudo pelos flancos e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Cores: I, de vermelho, com sete castelos de ouro, em pala, sendo três na do meio;
II, de negro, com três faixas veiradas de prata e vermelho;
III, de prata, com três faixas enxaquetadas de vermelho e ouro, de três tiras;
IV, de vermelho com nove lisonjas de prata, cada lisonja carregada de um leão de púrpura;
Foto da Pedra de Armas colocada no Jazigo
Foto da Pedra de Armas (Arquivo Distrital do Porto)

29 de janeiro de 2017

António Corrêa Lourenço - Quinta de Chão Verde

António Lourenço Corrêa (1828-1879), 
Quinta de Chão Verde, Venda Nova - Rio Tinto

Pintura em tela

Fotografia em quadro



Os Torna-Viagens:
Após a consequência da Revolução Liberal, da transferência da corte portuguesa para o Brasil e da independência do Brasil (1821-1825), permitiu que durante mais de um século, o Brasil e o continente americano se tornassem o destino de uma corrente migratória que se alimentava como o sonho de Eldorado que fascinou muitos milhares de portugueses.
Naquela época houveram quem regressasse à terra mãe e muitos terão por lá ficado, tendo formado família, ora ficado ricos, ora pobres, ou ainda remediados e que em regra estes últimos não regressaram por desgosto ou vergonha e até impossibilitados de o fazerem.
Os ricos e afamados permitiu-lhes alimentar o desejo de regresso e demonstrar aos da sua terra, no concelho e ao País que conseguiram alcançar o objectivo da “fortuna” e criado a riqueza desejada que lhes permitissem viver desafogados em Portugal sem quaisquer constrangimentos para o resto das suas vidas.
As suas fortunas em regra eram tão grandes que muitos se tornavam beneméritos com as ofertas de bens financeiros, de obras ou de outras intervenções pessoais que lhes permitiam serem reconhecidos publicamente e por vezes notabilizados com mercês reais e as consequentes pedras de armas pessoais.
Estas distinções tornavam-se tão banalizadas que muita imprensa e escritores da época, incluindo Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis e Almeida Garrett, usaram de comentários jocosos e irónicos, nas suas escritas diárias e de pequenos ditos e versos que ficavam na mente das pessoas e serviam de armas de arremesso a estes ilustres benfeitores, tais como:

“Foge cão, que te fazem Barão!
P’ra onde? Se me fazem Visconde.”
ou ainda,
“Quem furta é ladrão,
Quem furta muito é Barão,
Quem mais furta e esconde
Passa de Varão a Visconde.”
ou ainda,
"O brasileiro ou rebenta por lá
e ninguém fala ou
vem rebentar à terra
 e é "bisconde".


A família:
No caso da presente da casa “Brasileira”, foi seu proprietário António Lourenço Correia,mais um brasileiro Torna-Viagem que no séc. XIX emigrou para o Brasil com a ambição e ilusão da riqueza que aquele país alimentava.
As raízes genealógicas tiveram em Manuel Alves Corrêa e Quitéria Martins Vieira, nos seus bisavós e proprietários, no lugar de Tardinhade, em Salvador de Fânzeres, onde viviam numa casa típica de lavrador solidamente abastado do século XVIII cujo casamento está datado de 9 de fevereiro de 1796.
Seu bisavô era filho de João Alves e de Maria Ferreira de Jesus, do mesmo lugar, e neto paterno de Domingos Alves e de Maria João e materno de Manuel ferreira e de Maria Martins.
Sua Avó era filha de Alexandre Martins e Apolónia Vieira, do lugar de Montezelo, sendo neta paterna de João Teixeira e de Maria Antónia e materna de João Miguel e de Lourença Vieira.
Seus avós tiveram 10 filhos todos eles nascidos nesta casa, no lugar de Tardinhade e que foram:
Manuel Alves Corrêa, nascido a 27 de maio de 1796, esteve no brasil mas morreu em Portugal (1853?), solteiro e sem geração;
Maria Martins Vieira ou, também conhecida como Maria Martins Corrêa Lâmpada, nascida a 27 de outubro de 1797 e casou com João Afonso Vieira. Não terão deixado descendência.
Ana Martins Vieira, nascida a 12 de julho de 1799 e faleceu a 18 de setembro de 1876. Casou com José Lourenço, no lugar do Outeiro, a 10 de maio de 1827 e faleceu a 2 de fevereiro de 1853 e sepultado na igreja de Fânzeres. Este era filho de Manuel Lourenço e de Maria Pereira, neto paterno de Manuel Lourenço e de Ana Maria e materno de Manuel Pereira e de Ana dos Santos. Deste casamento nasceram três filhos, António Lourenço Corrêa (a personagem abordada), Bernardino Lourenço Corrêa, nasceu em 1830 e faleceu no Rio grande do Sul, a 22 de setembro de 1862 e Maria Martins Vieira (sem informação).
Catarina Martins Vieira, nascida a 6 de julho de 1801;
António Alves Corrêa, nascido a 23 de novembro de 1802;
Angelina Martins Vieira, nascida a 1 de abril de 1804;
José Alves Corrêa, nascido a 8 de maio de 1805 e falecido a 8 de dezembro de 1853, solteiro e sem geração, tendo deixado 98% da sua fortuna pessoal à Misericórdia do Rio de Janeiro e os restantes 2 % ao seu sobrinho António Lourenço Corrêa, fazendo dele um homem exageradamente rico, como se abordará no restante texto deste blogue.
Francisco Alces Corrêa, nascido a 5 de março de 1807 e faleceu sem geração;
Gertrudes Alves Corrêa (sem informação);
João Alves Corrêa, nascido a 20 de agosto de 1810, morava na casa da Rua do Poço das Patas, no Porto com sua esposa Ana Teresa do Nascimento, mas também terá passado pelo Brasil conforme correspondência existente.


Registo Paroquial - nascimento



A pessoa:
António Lourenço Corrêa terá nascido no lugar do Outeiro, em Fânzeres, a 31 de março de 1828, em casa de seus pais, terá emigrado para o Brasil com os mesmos fins de seus tios e irmão e por lá ficou até aos seus 35 anos de idade, cuja riqueza conseguiu rapidamente reunir, para além da fortuna herdada de seu tio José.
Na sua carteira profissional está referenciado como capitalista, designação muito frequente naquela época.
Da sua correspondência com o Marquês de Abrantes, D. José Maria de Lancastre e Távora, estava documentado que negociava com escravos embora não se dedicasse exclusivamente a esse negócio, mas viver entre o Brasil e Portugal, com certeza que o negócio de escravos era uma despesa necessária quer na compra quer na venda.
Já em Portugal, esta figura era intitulado de Arara ou o tio Lâmpada, descrito na obra de “ A Corja”, de Camilo Castelo Branco, devido ao seu aspecto excêntrico no vestir do dia-a-dia e na transposição para a realidade dos seus projectos coloridos e exagerados.
Com certeza que estes comentários foram sobejamente referenciados no quotidiano, comentários públicos e privados e pelos jornais da época, pela sua forma excêntrica e exuberante do seu dia-a-dia.
Em carta a Félix Lascasas dos Santos, Visconde de Lascasas, seu amigo, datada de 9 de março de 1857, comenta estas descrições da seguinte maneira: “Amigo. Principio por dizer alguma coisa a respeito do meu sistema de trajar; que não tem nada de novo ao meu costume daí, por isso o que aqui reparam e alguma coisa dizem, para mim não é novidade, porque já de lá vinha habituado aos tocadores de rebeca; e então pouco se me dá disso, porque embora tenha o costume de andar com vestuário de cores claras ou de qualquer feitio ou moda ao meu gosto, eu creio que com isso não ofendia pessoa alguma, nem a moral pública, nem tão pouco julgo que um tal vício (se merece tal nome) possa desmerecer o meu conceito aos olhos da sociedade em geral ou dos meus amigos em particular, a uma visita a uma repartição de etiqueta, etc.
Como acima digo, pouco me importa o que dizem a este respeito, porque com ufania o digo, se algum procedimento tenho repreensível, será esse o único, ao passo que esses miseráveis que se julgam com direito de ser a palmatória do mundo têm na sua crónica páginas mais negras que uma noite de Londres no tempo de Inverno; por isso, meu amigo, se se fosse tomar a peito todos os ditos do mundo, não teríamos uma hora de satisfação na nossa vida, por mais longa que ela se tornasse. Repito, o que dizem a esse respeito, pouco ou nada me incomoda.
Camilo Castelo Branco ironiza-o, na sua obra, de 1880, da seguinte maneira: “Cavalos relinchavam, fazendo no macadame sonoro, com as patas, uma toada com um ritmo pomposo. Chegava a caleche descoberta dum brasileiro purpurino, coruscante, de cores arreliosas, oftálmico, delirantes, duma garridice espaventosa. Era o Arara, um triunfador daqueles tempos em que a casaca azul e o colete amarelo não dispensavam uma gravata vermelha, luvas verdes e calças côr de alecrim com polainas cinzentas. O Arara, a quem outros chamam o Lâmpada, (…) muito refastelado nos coxins côr de gema de ovo com franja azul (…) ”.
O seu regresso a Portugal, estima-se em finais de 1863 e princípios de 1864, com 35 anos de idade, fê-lo voltar às suas origens, a Gondomar, adquirindo uma parcela de terreno e iniciado a construção de sua casa, na “aldeia” na Venda Nova, em Rio Tinto e próximo de Fânzeres, sua terra natal.
Fachada da Casa

Limites da Quinta

Vista actual do Google Maps

Construiu esta habitação, designada de “Chão Verde”, com uma traça típica das construções da época e com os seus interiores tipicamente “brasileiro”. O seu exterior é extremamente e exageradamente exótico pelos seus jardins, fontes e elementos decorativos utilizados e aplicações de azulejaria e carrancas nas paredes da cavalariça e nos muros contornais da quinta.
Relata em carta, datada de 10 de novembro de 1864, a seu tio João Alves Corrêa, no Brasil, onde descreve: “ (…) Não sei se meu tio já saberá que tenho casa de moradia na cidade e na aldeia. Na cidade, na Rua do Bonfim, 53 e na aldeia na freguesia de Rio Tinto, lugar de Chão verde. É nesta ultima onde vivo mais tempo, porque lá tenho gasto bastante dinheiro, mas é sem dúvida uma das residências mais bonitas dos arrabaldes do porto, pela posição e recreios de que se acha adornada. Na qual tenho muito gosto e muita fé de que ali se vive mais. Está na minha companhia minha boa mãe. A quem compete fazer as honras de Dona de casa, porque eu a tal respeito estou como estava – livre como livre nasci.
Na sua casa do Porto, o nº. 53, ficava junto ao atual Campo 24 de agosto, no início da rua do Bonfim, usufruía ainda os n.ºs 17 e 18 que tinha uma “ (…) caza servindo de cocheira (…) “.
Registo Paroquial - Óbito (8/Nov/1879)

Faleceu na sua casa de Chão Verde, no dia 8 de novembro de 1879, conforme referenciado em documento dos registos paroquiais da freguesia.
Contudo é publicamente divulgado a data de sua morte, o dia 31 de outubro de 1879, e comprovada no cemitério do Prado do Repouso, no jazigo cemiterial de seu tio e onde se encontra também enterrado, causando estranheza a diferença dos 8 dias entre as datas registadas.

Inscrição no Jazigo (31/ Out. / 1879)

Seu jazigo localiza-se na ala principal do cemitério, quem desce, pela entrada norte, à esquerda e está edificada com uma singular e original caixão sobrelevado, com uma colcha por cima, em pedra branca e porosa, com frutos e inscrições.
Vistas do Jazigo

O Comércio do Porto noticiou o seu falecimento do " abastado e conhecido capitalista, que por muitos anos havia residido no Brasil, onde exercera a profissão comercial."
Terminava a sua vida com 51 anos de idade, morrendo solteiro e sem filhos, não deixando qualquer testamento.
Seu herdeiro directo foi seu sobrinho, filho de sua irmã Maria Martins Vieira, David Carreira da Silva, que herdou a propriedade à sua morte.
À sua morte, sua filha Rita Correia de Sá foi a herdeira desta casa, tendo casado no ano de 1915 com Domingos Gonçalves de Sá Júnior, natural do Porto e que por sua vez tiveram um filho, Domingos Correia Gonçalves de Sá tendo-se popularizado nesta terra, como presidente da Junta, eleito em quatro mandatos seguidos de 1951 a 1967.
Casou com Elisa Gomes Mesquita da Cunha e tiveram 5 filhos, actualmente ainda vivos, Rita, José, Pedro, João, Miguel, cujo contributo de muita desta informação foi cedida por estes herdeiros naturais.

Textos e informações retiradas de:
https://umolharsobreriotinto.wordpress.com
http://aert3.pt/umaescolaumavida/html/quinta_chaoverde.htm
http://portojofotos.blogspot.pt
http://www.queirozportela.com/conferencia.htm
http://umafamiliadoporto.blogspot.pt


23 de janeiro de 2017

Brito e Cunha, Palacete dos Vilares de Perdizes - Porto


P. d'A. da Casa dos Vilares de Perdizes

Pedra de Armas dos Brito e Cunha (foto cedida graciosamente por Ruy F. de Brito e Cunha)

Descrição:
Classificação: Heráldica de Família
Escudo: de Fantasia
Formato: Simples ou Plena
Leitura: I - de Brito
Timbre: um Leão
Elmo: de Perfil, de grades

Esta pedra encontrava-se colocada no frontão da fachada do prédio situado no gaveto das ruas das Taipas com a Rua de S. Miguel, freguesia da Vitória.

Foto antiga (retirada da obra de Germano Silva, em "Porto nos Lugares da História"

Vista actual (sem o Brasão)

Esta casa apalaçada do séc. XVII, era conhecida pelo Palacete dos Vilares de Perdizes e terá também pertencido à família Brito e Cunha, nos inícios do séc. XIX, considerada a casa principal e onde viveram algumas gerações dos seus chefes de linhagem.
Mais acima, na rua das Taipas, situa-se uma outra casa pertença desta família, onde actualmente serve de Junta de Freguesia e contém ainda a pedra original da família.
Posteriormente, já nos finais desse século aí residiram Francisco de Moura Coutinho d'Eça e Dona Ignez de Salles de Paiva Moura Coutinho d'Almeida Eça.
Mais tarde, no séc. XX, foi aqui instalada uma escola de Cegos e posteriormente funcionaram neste edifício as escolas técnicas de Oliveira Martins, Mouzinho da Silveira e de Filipa de Vilhena.
Pedra em granito e bem conservada foi entretanto desmontada e colocada nos jardins da Quinta do Ribeirinho, em Matosinhos.
Quinta do Ribeirinho, Matosinhos




24 de dezembro de 2016

Feliz Natal - Revista Mosquito 1936

Edição de 24 de Dezembro de 1936

São os votos de um Bom Natal a todos que por aqui passaram.... e Bom Ano 2017.

15 de dezembro de 2016

2º aniversário - 15 de dezembro

Fez hoje 2 anos o lançamento do livro de heráldica dedicada à cidade do Porto. Nele estão representadas um volumoso conjunto de pedras de armas espalhadas por esta cidade e que nem toda a gente repara nestas lindas peças trabalhadas, quer em granito, quer em pedra de calcário ou em metal.
Muitas delas encontram-se em óptimo estado e do mesmo modo outras encontram-se abandonadas ou em estado delapidado.
A sua localização é aceite e encontram-se posicionadas em locais diversos, por exemplo,  em esquinas de prédios, em fachadas, sobre as suas portas, sobre uma janela ou varanda mais marcante do edifício, dum solar ou palacete e até em cemitérios para memória da família. 
O livro vem ao encontro da divulgação desta temática e alertar para o problema do desaparecimento que ao pouco e pouco vai acontecendo, ora por interesses pessoais, ou por obtenção de lucro do incremento imobiliário,
Estes registos não existiam na sua totalidade e o objectivo deste documento foi direccionado nesse sentido, isto é, um inventário e compilação dessas peças para memória futura.
A partir de agora cabe a responsabilidade às entidades e organismos públicos tê-los inventariados e condicionar os espaços onde se inserem na sua preservação.
É claro que, o maior responsável parte do proprietário que lhe compete essa garantia de durabilidade e condições do seu estado.
Com estes pressupostos concluí o trabalho e o meu objectivo. Durou 6 anos a sua elaboração, preparação e revisão até ao dia 15 de dezembro de 2014.
Devo salientar e enaltecer um profundo agradecimento à Obra Diocesana de Promoção Social, na pessoa de Américo Ribeiro, o Presidente desta Instituição, na participação financeira, divulgação e que sem essa ajuda esta Obra não estaria nas bancas da cidade a ser comercializada.
Lembro também e com profundo orgulho e alegria a ajuda prestada pela minha prima Margarida Cunha, na força e animo que me deu, na revisão geral prestada ao livro e da sua apresentação feita no dia da sua divulgação. Infelizmente, a doença maligna que aflige todo o mundo fez com que ela tivesse partido embora a sua memória continue bem viva no meu coração.
Para concluir termino a dar conhecimento que dos 1000 livros editados, mais de 80% foram distribuídos, garantindo os meus objectivos e pretensões da Obra Diocesana, e que actualmente ainda mantém um pequeno numero de obras disponíveis para quem pretenda vir a obter este livro.
Para quem pretenda visualizar o evento ocorrido poderá procurar neste mesmo blogue os variados passos deste acontecimento.
Bem Haja


1 de dezembro de 2016

Quinta do Passal de Visconde de Oliveira do Paço - Campo

Quinta em Campo - Valongo
Cadeirão ou Trono decorativo

A Quinta que vamos abordar situa-se em frente à igreja de Campo, em Valongo e pertenceu ao 1º Visconde de Oliveira do Paço, conforme se pode comprovar por algumas peças dispersas nesta parcela de terreno.

Limite actual da Quinta

Terá sido adquirida por Francisco José Moreira Gonçalves, distinto empresário desta terra e reconhecido pela população local, nos inícios do séc. XX como prova do monograma colocado no portão principal.

Monograma F J M G - 1900

Após sua morte e por testamento, Moreira Gonçalves, era assim que era conhecido, terá doado esta quinta à paróquia local, onde residia.
A quinta é parcialmente rodeada por muros de telhão, em xisto, e actualmente compreende uma área de cerca de 56.000 m2, supondo que ao longo do tempo terá sido reduzida até a actual implantação, devido à inexistência da continuidade de muros, no restante limite da parcela, como se depreenderia pelas delimitações de uma quinta oitocentista.
António Martins de Oliveira, foi o 1º Visconde de Oliveira do Paço, cuja mercê terá sido dada por D. Luís I, em 15 de maio de 1879.
Desta figura pouco se sabe, sendo que lhe foi reconhecido pela sua filantropia de ter contribuído às suas custas com toda a construção do cemitério de Sobrado, donde era natural.
Era considerado um "capitalista abonado e um perfeito cavalheiro", casou com Joaquina da Costa Ferreira (nasceu no Rio de Janeiro, 27/02/1843 e faleceu a no Porto, a 11/11/1887), no Brasil, em Candelária em 1859.
Teve duas filhas, Maria Ferreira de Oliveira (n-1860) e que terá casado com Manuel Ferreira Freitas Guimarães, e Amélia Ferreira de Oliveira (n-1862) que terá casado com Francisco Maria Dias da Costa.
Do primeiro casal resultou um herdeiro, Alberto de Oliveira Freitas Guimarães (n-1882) cujo título lhe derivou passando a 2º visconde de Oliveira do Paço. Este casou Maria Carolina da Silva Bello (n-1893) que não deixaram herdeiros.
Não tendo deixado descendência directa, coube a Álvaro de Oliveira Freitas Guimarães o direito ao titulo de 3º Visconde  de Oliveira do Paço (nascido em Sobrado a 15/06/1913 e faleceu a 05/05/1978, na cidade do Porto).
Este casou com Dona Isabel Maria da Conceição de Azevedo e Menezes Pinheiro Pereira de Bourbon (n-1905) da família dos senhores do Paço de Pinheiros, em Barcelos, também simbolizada pela sua forte personalidade, através da frontalidade e carácter,  princípios básicos e essenciais da aristocracia.
Era residente em Sobrado, vila adjacente a Campo, onde vivia numa sua casa brasonada, datada de 1864, e que infelizmente, se encontra completamente esventrada sem qualquer recuperação. Está considerada património local, contudo não se vislumbra um milagre nem um mecenas que permita a sua recuperação.
Pelos apelidos retirados da sua PdA (Pedra de Armas) pode-se descreve-la como:
Pedra de Armas em granito, de escudo Inglês, partido: 
I - Martins (de Deus): cortado: 1 - de purpura, com três flores-de-lis de ouro postas em roquete; e 2 - de negro, com duas faixas de ouro;
II - Oliveira (com alteração dos esmaltes): de prata, com uma oliveira de verde, frutada e arrancada de ouro;
Timbre: de coronel de Visconde; correias de purpura perfiladas de ouro. Tachões de ouro.
Benemérito local e proprietário de múltiplos terrenos no concelho torna-se conhecido pela sua filantropia. 
Proprietário da quinta de Campo, que passamos a descrever, depreendendo ser esta propriedade uma quinta de recreio tendo em consideração a planímetria do terreno, seus percursos,  pelos seus desníveis, elementos decorativos  e uma pequena lagoa, existentes. A área da parcela é tão abrangente que recebe um manancial de água provinda  do declive local, através de minas e aguas subterrâneas, encontrando-se actualmente um terreno alagadiço em grande parte da sua extensão, devido ao seu estado de abandono e pela inexistência de manutenção e tratamento destas águas.
As reservas de água que a quinta acolhe faz-se por uma lagoa, um lago, um tanque e por uma presa de água que recolhe a sua água através de uma mina acessível.

Caminho de entrada - alameda principal

A quinta contempla várias entradas, sendo a principal pelo portão frontal à igreja matriz cujo interior percorre um caminho empedrado e que contorna e vence os variados declives criando vários patamares.

Tanque de água na alameda principal

Escadaria de acesso entre patamares

Já no séc. XX é construída a casa de habitação do então proprietário Moreira Gonçalves a noroeste da parcela, mas com um ângulo de vista panorâmica mais adequada.
O percurso faz-se subindo na direcção da habitação, donde se descobrem mais elementos decorativos e que fazem prova que esta propriedade foi representativa do Visconde Oliveira do Paço.
Detalhe do encosta do cadeirão com a marca da PdA de Visconde Oliveira do Paço

Detalhe de um dos apoio de braço do cadeirão

Este cadeirão encontra-se estranhamente situado numa cota inferior ao lago, que se situa frontal a esta peça e que para vencer o desnível se faz por meia dúzia de degraus não permitindo a visão do lago.
Seria um local de leitura, pois a sua posição permitia ter a luz pelas suas traseiras, eliminando qualquer sombreamento.
O lago, actualmente envolto em mesas, apresenta linhas curvilíneas num patamar aprazível e dedicado ao lazer.

Vista de Sul - o cadeirão situa-se à esquerda, abaixo do nível

Vista pelo acesso dos degraus a poente

Logo a seguir ao encontro com o cadeirão o caminho desvia-se e nessa curvatura ostenta um pequeno lago com um "bica" decorativa preenchida de um trabalhado artístico similar ao encosto do cadeirão, onde o elemento principal é a pedra de armas do Visconde. 


Entrada e zona de descanso - com bancos frontais

Local aprazível e fresco em período estival

Peça decorativa com elementos de trabalho em pedra de excepcional qualidade

Pormenor da bica, rodeada do título do Visconde através da sua PdA

Mais acima e na continuação do percurso, apresenta-de um local de descanso através de um elemento circular, em pedra trabalhada com um monograma do Visconde "O e um P".
Monograma "O - Oliveira e P - Paço" sob uma coroa de Visconde ornada e laçada por um caixilho oval

Banco circular

Banco com elemento decorativo na parte central 

Chegando a este local temos à esquerda uma presa de recolha de águas que merece uma especial atenção pelos detalhes nela existente. 
Presa de agua escavada em rocha para recolha de água de mina

Elemento decorativo com duas colunas laterais a decorar uma peça trabalhada

Trabalho de excelência com a esfera armilar no topo superior sobre campânula religiosa 

Peça na esquina da presa com monograma de Moreira Gonçalves - MG

Já em fim de curso e numa zona mais elevada encontra-se outra peça verdadeiramente original. Um guarda sol de grandes dimensões, em peça metálica apoiada numa mesa circular em pedra cuja função se desconhece.
Contudo esta peça está situada no meio do nada, podendo estar actualmente desenquadrada da sua função à época.
Vista para noroeste

Vista para Nordeste

Para além destas lindíssimas peças, outras existem em toda a extensão que terão sido colocadas posteriormente, mas que pela sua antiguidade merecem ser expostas.
Peça antiga em granito

Dada a religiosidade de ambos os proprietários não poderei deixar aqui uma ultima imagem que esta quinta não consegue esconder e que para estes dois proprietários muita importância tinha - a igreja matriz de Campo.
Visão relevante e permanente para os proprietários da Quinta