NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

17 de maio de 2015

Conde do Prado - a Vila e suas origens


Ponte do Prado
(Em 1510, a velha ponte medieval foi destruída por uma cheia do rio Cávado. A sua reconstrução não parece ter sido executada com grande qualidade, pois um século depois ameaçava ruir. data do século XVII a mais importante reforma, responsável pelo aspecto actual da estrutura. Em 1616, segundo projecto de António de Castro e em plena contexto filipino, ela foi totalmente reconstruida, facto que, se por um lado, determinou a destruição de qualquer vestígio da construção medieval, por outro renovou este local de passagem, dotando-o de condições modernas de travessia e de atracção dos homens. A memória desta empreitada foi perpetuada numa inscrição que contempla as armas reais dos Filipes e as dos condes do Prado, assim como a origem do arquitecto: "António de Castro de a vila de Vianna"). httt://www.patrimoniocultural.pt


Prado é uma vila que pertence ao concelho de Vila Verde, sendo uma das freguesias limites com a cidade de Braga, antiga "Bracara Augusta". A sua localização tornou-se estratégica na época romana por ser local entre Braga, com os territórios a noroeste e ligação a Astorga. 
É uma região com lagos, devido ao seu solo argiloso, contribuindo à prática da industria da cerâmica conforme se pode comprovar com artefactos em barro e moedas desde essa época romana até à actualidade.
No séc. X, a região de Prado era já dominada pelos Condes de Portugal, sendo que no séc. XII era centro de atenções com várias doações por parte de D. Afonso Henriques ao arcebispo de Braga, D. Paio Mendes, como recompensa dos serviços prestados no âmbito da reconquista cristã.
Prado desenvolveu um povoado de relativa relevância regional, tendo recebido foral por parte de D. Afonso II, em 1260, numa altura de reorganização do país pós guerra civil.
Em 1445 esta vila era designada por Santiago de Francelos, embora passados cerca de 80 anos a sua denominação já estava consolidada com o nome de Santa Maria de Prado.
No séc. XVI, D. Manuel concedeu carta de foral, em 1510, num período de necessária organização administrativa, tendo como donatários os Condes de Prado, cujo primeiro titular foi D. Pedro de Souza.
Como marca deste foral temos o pelourinho, cujos símbolo territorial onde são já vincados com as armas simbolizadas no seu topo, isto é a marca nacional e a marca do donatário, os Sousa (de Prado).




Ainda hoje, o símbolo dos "Sousa" do Prado, é a marca da Vila de Prado para além de outras construções ainda existentes, é o caso do fontanário ou fonte de Stº. António, datado de 1691, embora a marca de brasão aparenta ter sido colocado posteriormente e da ponte acima documentada.



Designado por D. João III, de Conde do Prado em 1/1/1526, D. Pedro de Souza tomou como seu símbolo heráldico as origens de seus trisavós, por casamento de Vasco Martins de Souza, bisneto por varonia de D. Afonso II, de Portugal e Inez Dias Manoel, bisneta por varonia de D. Fernando III de Castela-Leão, personificada com o esquartelado das armas, com I e IV, as armas de Portugal e II e III, com as armas de Castela.

Esquartelado, com I e IV de prata, cinco escudetes de azul postos em cruz, cada um carregado de cinco besantes do campo; o II e III de prata, com leão de púrpura

Para além do titulo ter sido iniciado por D. Pedro de Sousa, em 1526, seus descendentes e herdeiros também lhes foi dado o direito do uso das armas desta família:

1 - D. Pedro de Sousa, 1º conde do Prado
2 - D. Luis de Sousa, 2º conde do Prado
3 - D. Francisco de Sousa, 1º marquês das Minas
4 - D. António Luis de Sousa, 2º Marquês das Minas
5 - D. Francisco de Sousa, 5º conde do Prado
6 - D. João de Sousa, 3º marquês das Minas e 6º conde do Prado
7 - D. António Caetano Luis de Sousa, 4º marquês das Minas
8 - D. Maria Francisca Antónia da Piedade de Sousa, 5ª marquesa das Minas
9 - D. Francisco Benedito de Sousa Lancastre e Noronha, 6º marquês das Minas
10 - D. Francisco Benedito de Sousa Lancastre, 7º marquês das Minas e 10º conde do Prado
11 - D. Joana Bernarda de Sousa Lancastre e Noronha, 8ª marquesa das Minas e 11 ª condessa do Prado
12 - D. Nuno Maria da Silveira e Lorena, 12º conde do Prado
13 - D. Alexandre Maria da Silveira e Lorena, 11º marquês das Minas e 13º conde do Prado
14 - D. Pedro Maria da Silveira e Lorena, 10 marquês das Minas
15 - D. Isabel da Silveira e Lorena,, 15ª condessa do Prado
16 - D. João de Castro de Mendia, 10º conde de Resende


http://viladeprado.no.sapo.pt/historia.htm
http://www.patrimoniocultural.pt
http://genealli.net
http://www.soveral.info
http://vilaverdeestaviva.blogspot.pt



3 de maio de 2015

Quinta da Carcereira - Porto

Pedra de Armas desaparecida, assim como o portal e toda a Quinta. Situava-se no local onde está erigida a Casa de Saúde da Boavista, na antiga rua da Carcereira, actual Rua Pedro Hispano com a rua do Monte de Ramalde, na freguesia de Ramalde.

Descrição do Brasão
Classificação: Heráldica de Família
Escudo: Francês ou quadrado
Formato: Esquartelado
Leitura:
I e IV: Carneiro
II - Araújo
III - Vasconcelos
Timbre: de Carneiro, um carneiro do escudo
Elmo: de perfil com paquife
Diferença: uma brica carregada com farpão

Esta peça desenhada encontra-se inserida na obra da Gouveia Portuense, Portas e Casas Brasonadas do Porto e seu Termo, Porto: 1945, pág.68

Aquando da sua existência era descrita como: "Era a Carcereira ainda não há muito uma daquelas artérias - velho caminho arrebaldino - que, unindo o lugar da Travagem àquele outro do Carvalhido não passava duma quasi vereda. Hoje mais espaçosa, perdeu o atractivo caminho de aldeia e conjuntamente alguns motivos que a emolduravam. Nesse renovar desapareceu uma propriedade interessante para a qual se entrava pelo portal a que se refere esta nótula. Embora simples arquitectura, as suas linhas têm uma crta nobreza no conjunto, conquanto pareça deslocada do arranjo da pedra-de-armas, decerto feita para outra edificação. As pilastras almofadadas e decoradas, um tanto toscamente, rematam com acrotérios entre o quais se desraca a pedra de armas, em granito, no formato francês, que um mau ornato enfeita ao jeito de paquife." 

retirada as fotos e textos das obras:
Gouveia Portuense, Portas e Casas Brasonadas do Porto e seu Termo
As Pedras de Armas do Porto, Armando Mattos
Brasões e Pedras de Armas do Porto, Manuel Cunha

4 de abril de 2015

Brasão dos Kopke, Porto (desaparecido)

Rua Rainha D. Estefânia, 54, freguesia de Massarelos - Porto
(antiga rua de Campo Alegre)

O brasão aqui exposto representa uma peça de estrutura metálica associada ao portão da antiga quinta de Vilar de Cima ou do Castanheiro, que terá sido removida e desaparecida definitivamente da imagem do povo.
Pertenceu à família de Cristiano Nicolau Kopke (1763-1840), inicialmente designado de 1º Barão de Ramalde, pelo decreto-lei de 7/12/1831, por mercê do Rei D. Pedro (Príncipe Regente na menoridade de Dona Maria II), tendo mudado de título nobiliárquico para 1º Barão de Vilar, pelo decreto-lei de 21/12/1836, por mercê de D. Maria II, já em exercício.
Descrição:
Classificação: Heráldica de Família
Escudo: Francês ou quadrado
Formato: Esquartelado
Leitura: I e IV - Kopke e II e III - van Zeller
Coronel: de Barão
Timbre: de Kopke, crescente do escudo, encimado por uma estrela de cinco raios, posta em abismo, tudo em prata
Cores: I e IV, de azul, com uma estrela de prata de cinco raios, acompanhada de três crescentes do mesmo, postos 2 e 1;
II e III, de prata, com três melros de negro, bicados e membrados de ouro, com uma estrela de cinco raios de vermelho, posta em abismo;


 A casa sofreu obras de melhoramento com a filha Dorothea Augusta Kopke, casada com Roberto van Zeller, sendo o filho Cristiano van Zeller que adiciona a pedra de armas (Kopke/van Zeller) que se encontra aplicada na fachada da casa, criadas por si.

O terreno da quinta foi sendo reduzido pelas sucessivas vendas de lotes, até que Fernando van Zeller, em 1939, assina contrato de arrendamento da casa à Congregação das Religiosas do Amor de Deus, que chegada a Portugal em 1932 havia criado um colégio católico, na Rua Miguel Bombarda.
Provavelmente com o seu crescimento e pela necessidade de aumento dos espaços, em 1894, os herdeiros da família venderam definitivamente a casa e parte da propriedade a esta instituição, que se encontra lá instalado desde essa época. 
Com o passar do tempo, em meados do séc. XX o portão terá sido removido e/ou substituído onde se encontrava aplicado esta peça de armas dos Kopke e que se desconhece o seu paradeiro.

Fotos e textos de: Arquivo Histórico do Porto/ Departamento de História da CMP / da obra de "Portas e Casas Brasonadas do Porto e seu Termo", da Gouveia Portuense e da obra "Brasões e Pedras de Armas da cidade do Porto", de Manuel Cunha



17 de março de 2015

Alfarrabista - Homem dos Livros


Alfarrabista - Homem dos Livros
Travessa de S. Carlos, 19 - 4050-544 Porto
contactos: 964011445 ou homemdoslivros@gmail.com

Mais um espaço de divulgação e comercialização do livro, que reúne todas as pedras de armas expostas pela cidade do Porto: Alfarrabista - Homem dos Livros.
Este livro apresenta uma descrição individual, sobre o tema de "Heráldica de Família" de modo a permitir uma melhor interpretação de cada peça armoriada representada na obra.
O tema Porto é também uma particularidade do livro, pois são abordadas 154 pedras de armas e brasões, implantadas na cidade do Porto desde a sua primeira centralidade, Sé, S. Nicolau e Vitória e posteriormente, com o decorrer do tempo e com a expansão da cidade, pelas restantes freguesias circundantes.
São dois temas numa obra só, onde se apresenta a descrição de cada peça e de uma breve história associada a ela.
Muitas das peças já se encontram retiradas do local original ou dadas como desaparecidas e outras guardadas em espaços privados e públicos, para além das ainda expostas e que merecem a sua visita.
Os dados recolhidos tiveram um período decorrido de 6 anos, através de passeios, registos fotográficos e da exploração/investigação da temática nos sites, arquivo histórico do Porto, e de livros que mereceram uma especial atenção sobre o tema envolvido. 
Conclui com uma análise superficial, pessoal, com quantificações especificas sobre todas as peças por forma a ficar um registo e inventário para uma consulta mais profissional ou de mera curiosidade individual do leitor.
O preço de lançamento foi de 20 €, tendo recentemente sido actualizado para 25 €, entendendo-se como acessível a toda e qualquer pessoa, com o objectivo de se tornar fácil  a sua divulgação, bem como da demonstração de inexistência de fins lucrativos, quer por parte da empresa promotora, Obra Diocesana de Promoção social, quer pelo próprio Autor.
Bem Hajam,

Manuel Cunha

Agradecimentos especiais pela divulgação:
A todos os amigos, familiares, entidades ligadas à obra diocesana e àqueles que também promoveram nos seus espaços sem interesses pessoais.



27 de fevereiro de 2015

Almocreve - Profissão em extinção ou já desaparecida


Dicionário: Almocreve
Individuo que transporta produtos em bestas de carga (em viagens periódicas ou não, entre diversas regiões, pelo interior do País)

Similar: Arrocheiro / Recoveiro / Arreiero /Azemel / Carregador
História:
Eram indivíduos que conduziam animais de carga com mercadorias, de uma terra para outra, em Portugal, a partir da Idade Média e até tempos ainda recentes - meados do séc. XX.
ano de 1955

Numa época de comunicações limitadas, os almocreves eram essenciais como elementos de comunicação intercomunitária e andavam de terra em terra, com horários e percursos bem definidos. 
Eram eles que distribuíam e trocavam produtos entre diversas regiões. 
Os almocreves tiveram uma relevante importância no desenvolvimento do comércio interno, pois andavam de terra em terra e de feira em feira comercializando produtos.
De igual modo levavam mensagens e encomendas como correio mais familiar,
Entre as rotas mais importantes, destacavam-se pelo transporte de produtos de maior abundância de determinada área territorial, como forma de compensação pela carência na região por onde circulava. Do mesmo modo se fazia no seu regresso com materiais de igual relevo entre esses locais.
Pode-se referir como exemplo entre o litoral para o interior, no transporte de peixe e no sentido inverso de cereais ou outros vegetais, frutos de maior produção, provindo do interior.
Outros produtos muito comercializados e transportados entre regiões são os casos do azeite, fazendas, animais domésticos, doçarias, panos e rendas, etc...
Infelizmente, de ano para ano esta profissão viu diminuído o seu campo de acção. Primeiramente, com o comboio, depois com o automóvel, tiraram àquela profissão grande parte da sua utilidade e predominância, quer pela quantidade a transportar, quer pela rapidez e pela preservação dos produtos transportados.
Esta profissão, embora extinta, não se julgue que se deixará de falar dela e como forma de recordá-la no futuro temos blogues e obras escritas que memorizam esta classe laboral.
Lembro que dois dos mais talentosos escritores das suas próprias épocas dedicaram as suas atenções ao almocreve.
Gil Vicente, no Auto dos Almocreves, e Aquilino Ribeiro, nos Malhadinhas, conto este que é a verdadeira epopeia da profissão.
Ainda José daniel Rodrigues da Costa, que gozou prestigio no seu tempo, com a publicação periódica O Almocreve das Petas, no final do séc. XVIII, e a designação caiu no gosto popular, porque ainda hoje se aplica às pessoas fantasiosas.
O Almocreve também já mereceu as honras do desenho. São os casos das gravuras publicadas na capa da edição da Estrada de Santiago, de Aquilino Ribeiro, por Alberto de Sousa, um painel de azulejo do séc. XVIII, existente na parede de um dos canteiros do claustro da faculdade de Letras de Lisboa, de azulejos da escadaria do colégio dos Borras, com a data de 1899-1707, reproduzidos por Alberto de Sousa na sua Obra O trajo Popular em Portugal nos Séculos XVI e XVII.
A palavra esqueceu, no seu usual significado, com o desaparecimento da profissão, vindo a ser designado por outras palavras com similutes da arte de transportar. 

retirados textos e informação de:
http://aldeiadosaivados.blogspot.pt
http://descobrirmaishistoria.blogspot.pt
http://arquivohistoricodamadeira.blogspot.pt
http://pt.slideshare.net

19 de fevereiro de 2015

Família Frias - cemitério de Agramonte, Porto






Cemitério de Agramonte - Ordem de S. Francisco, jazigo nº 325, secção 7

Roberto Belarmino do Rosário Frias, filho de António José de Frias e de D. Angélica Frias, nasceu em Arporá, comarca de Bardez, em Nova Goa, a 5 de Junho de 1853.
Foi no território indiano que realizou os preparatórios liceais (1870) e fez curso de Teologia do Seminário Diocesano, que terminou aos 19 anos de idade. Depois, veio para Portugal. Aqui chegado, ingressou na Universidade de Coimbra para continuar os estudos em teologia mas, antes de ser ordenado, decidiu mudar de rumo, tendo passado a estudar Direito e depois Medicina.
A família não apreciou esta opção, antes pelo contrário, manifestando-lhe a sua discordância e suspendendo-lhe, mesmo, o financiamento dos estudos. Nessa altura Roberto Frias instalou-se no Porto, tendo tido por condiscípulos figuras com Tito Fontes, Júlio Franchini, Júlio de Matos e Basílio Teles. Vivia, então das aulas que leccionava.
Foi, então, trabalhar como médico municipal. Todavia, sentiu necessidade de prosseguir os estudos médicos no estrangeiro, nomeadamente nos hospitais de Paris, de Londres e da Índia. Neste estado, onde viveu entre 1882 e 1887, exerceu como facultativo do quadro da saúde e, por dois anos, leccionou na escola Médica de Goa. Voltou ao Porto, onde concorreu a Lente Demonstrador da Secção Cirurgica. manteve-se no exercício desta função entre 1887 e 1895.
Nos três anos seguintes ocupou o lugar de Lente Substituto, tendo assumido a responsabilidade por diversas cadeiras de professores catedráticos ausentes. A 26 de Maio de 1898 foi nomeado para a cadeira de Operações, passando depois, em Outubro, para a de Clínica Cirúrgica.
Roberto Frias foi um médico notável nos sectores privado e público, mas, também, um competente professor e cirurgião.
No final da sua vida, depois de abandonar a pratica clínica, procurou escrever uma obra médica; contudo foi impedido de o fazer por ter contraído tifo exantemático durante o tratamento de um doente.
Faleceu a 18 de Abril de 1918.
(texto de: (Universidade Digital/gestão de informação, 2009) versão para impressão http://sigarra.up.pt/up/pt/web

O Brasão, de heráldica de família, constituído em bronze, de escudo Francês ou quadrado, com formato de Pleno ou simples e leitura de "Frias". O timbre é a torre do escudo assente num elmo virado à direita.


5 de fevereiro de 2015

Igreja Velha de Lever

Rua da Igreja Velha, em Lever - V. N. de Gaia


Pequeno símbolo em azulejaria, a Virgem Maria, na fachada principal da Igreja Velha.
Do património construído de Lever referimos a antiga Igreja Matriz, de linhas muito simples e de pretensões muito limitadas, construída aquando da integração da freguesia no concelho de Vila Nova de Gaia, encerrando algumas esculturas religiosas de elevada antiguidade, e o atual templo, construído entre 1969 1977.
http://pt.wikipedia.org/

24 de janeiro de 2015

Brasão em porta lateral do Convento de Stª. Clara - Vila do Conde

Rua de Namo Álvares Ferreira, Vila do Conde


O Convento de Santa Clara de Vila do Conde era feminino, pertencia à Ordem dos Frades Menores, e à Província de Portugal da Observância.
Em 1318. a 7 de Maio, foi instituído por D. Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis, e de D. Teresa Martins Telo, como comunidade de clarissas urbanistas, e por vontade expressa dos fundadores este convento destinou-se a donas fidalgas pobres.
O edifício, embora estivesse habitado, ficou incompleto por morte dos fundadores. Concluiu-o o filho D. João Afonso.
A organização interna da comunidade foi pautada pelas normas inscritas na carta de dotação, documento outorgado pelos fundadores, que o dotaram com numerosas vilas e herdades sitas na Póvoa do Varzim, Touguinha, Terroso, Formariz, Laundos, Navais e Mirante, com todos os seus direitos, rendas e serviços e nele instituíram a sua capela, com obrigação de manter quatro capelães que rezassem diariamente quatro missas pelos seus fundadores e por D. Dinis.
O convento adquiriu grande importância, exercendo uma influência determinante em Vila do Conde e seu termo, já que a abadessa gozava de plenos poderes na administração dos bens.
Ao longo dos séculos XV e XVI, envolveu-se em várias disputas, resultantes dos vastos bens, padroados de igrejas de São Pedro de Atei e São Pedro de Cerva, e jurisdições, nomeadamente no seu couto, que detinha, e da cobiça que por isso despertava.
Em 1517, passou de Claustral à Observância com o reformador frei Francisco Lisboa que fora nomeado por bula papal de 1515, a pedido de D. Manuel.
A abadessa D. Joana de Meneses resistiu e foi obrigada a mudar de convento.
No convento de Vila do Conde foram colocadas freiras vindas do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Beja, entre elas a nova abadessa, Dona Isabel de Castro.
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da ultima freira, data de encerramento definitivo.
Os bens foram incorporados nos Próprios de Fazenda Nacional.
Em 1893, foi encerrado por falecimento da ultima religiosa, Dona Ana Augusta do Nascimento.
(texto de: http://digitarq.arquivos.pt/)

16 de janeiro de 2015

1 mês depois - lançamento do Livro


30 DIAS DEPOIS

É verdade, depois de já ter decorrido o período natalício e passagem de ano, não poderia deixar de fazer uma resenha sobre o ponto de situação deste meu livro após o seu lançamento em 15 de Dezembro:

- O livro tem tido uma comercialização bastante aceitável, tendo em vista as condições como foi estrategicamente preparada a sua venda, pela Obra Diocesana de Promoção Social, a patrocinadora.
- Foi intencional a sua venda, através de um circulo fechado de pessoas e amigos e que entre si permitiu a divulgação, provocando igualmente a sua circulação por pessoas menos atentas a esta temática.
- Desta interligação entre amigos, familiares e colegas de trabalho resultou que até à data cerca de 33%, de um conjunto de 1000 livros editados, fossem vendidos.
- O preço de lançamento, tem sido bem aceite (20 €) e julgo que serviu de pretexto, para alguns poderem oferecer a seus familiares e amigos, neste Natal, e que julgo ter servido como uma boa oferenda aos seus entes queridos.
- A minha sensibilidade tem-me dito pelos resultados das vendas e contactos que tenho tido, que os objectivos desta obra, estão a ser alcançados. Isto é, permitiu a que com a leitura e visualização das peças heráldicas, fizesse com que essas pessoas ficassem mais atentas a tudo aquilo que nos rodeia, pelas ruas da cidade, nas fachadas dos prédios, nos pequenos pormenores que ninguém repara.
- Foi levantado um tema, que para muitos lhes passaria ao lado, criando uma curiosidade, interesse e uma dinâmica entre as próprias pessoas tornando-as criticas e lançando comentários sobre os mesmos.

Só posso dizer que estou plenamente contente com quase tudo a que me propus, ao lançar este livro, faltando apenas uma divulgação mais ampla. 
Esse passo passa por uma segunda fase e que consistirá no contacto com as lojas alfarrabistas da cidade do Porto, que por diversas razões se encaixam neste ambiente livreiro, pois o tema: Heráldica e Porto, foram os pressupostos deste livro e a sua procura é muita.
Já tive diversos contactos e ainda hoje me pediram livros para clientes seus.
Brevemente (espero) irei abordar a Obra Diocesana para entrar neste mercado que me parece ter mais procura por parte de pessoas ligadas às temáticas atrás referidas, tais como a coleccionadores e historiadores e amantes do tema.
Obrigado mais uma vez a todos os meus leitores, pois este livro vem ao encontro deste meu blogue que é - divulgar o património que tende a desaparecer. 


22 de dezembro de 2014

Bom Natal 2014

São os desejos  a todos os visitantes deste blogue, agradecendo toda a participação e comentários.
Que o próximo ano seja melhor para todos os Portugueses!

16 de dezembro de 2014

O meu Livro - Brasões e Pedras de Armas do Porto

Aconteceu! 
Finalmente o meu sonho concretizou-se. Fez-se luz. O evento ocorreu ontem, dia 15 de Dezembro, num edifício que considero digno do tema, quer pelos antigos proprietários serem os Condes de Nevogilde, quer pela excelência do espaço, e ser considerado um dos poucos palácios da cidade, por lá ter residido o nosso Rei D. Pedro, num curto período tempo, durante do Cerco do Porto.
Como muitas obras, por nem sempre serem possíveis e editadas, por questões financeiras, por falta de visibilidade ou por outros motivos externos a cada causa, tive a honra e a "sorte" de terem acreditado neste projecto e a quem devo toda a minha gratidão, isto é, à Obra Diocesana de Promoção Social que com os seus 50 anos de existência entenderam em incluir num dos seus 50 eventos ao longo do ano, com lançamento do meu livro.
Ainda antes, foi publicitado no Jornal de Noticias o evento do lançamento do livro, através de artigo do Cónego Rui Osório, em página semanal,no domingo, dia 7 e de que agradeço esta publicidade.
Por ter sido uma cerimónia de uma instituição de solidariedade social, ligado à igreja católica, coube a necessidade de serem criadas todas as condições institucionais para a referida cerimónia formalizando o convite com presença de figuras ilustres da cidade, o símbolo da Diocese e o símbolo da cidade do Porto.
A presença garantida de sua excelência e reverendíssima Sr. Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos e o Sr. Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Moreira.
Com estas presenças garantidas, é evidente que os meios de informação estariam presentes, nem que sejam dos seus serviços internos, quer por parte da Diocese quer por parte da Autarquia, de que apresento parte da sua documentação das noticias diárias da Autarquia no site http://www.porto.pt/noticias/livro-brasoes-e-pedras-de-armas- 
Claro que sem a minha presença nada poderia ter acontecido.
E também sem estas dignas personagens o programa ficava reduzido à minha pessoa e de pouco valeria toda esta cerimónia. (É verdade, não aprecio nada destes rituais, mas era para alcançar os meus fins, então lá teria de acontecer...)
Apresento os elementos da mesa que muito me honra, e que são descritos pelo lado esquerdo:

Drª. Margarida Álvares da Cunha, minha prima querida e que merece a minha grande estima e carinho, por ter feito a revisão do livro e o meu prefácio;
Sr. Presidente da Comissão de Administração da Obra Diocesana de Promoção Social, Sr. Américo Ribeiro, do qual agradeço na crença deste projecto, assumindo a edição do livro e me ter presenteado com esta sessão;
Sua excelência e reverendíssima, Sr. Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, como símbolo da Igreja na cidade do Porto e da ligação a esta Instituição;
Sr. Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Moreira, como representante máximo desta cidade;
e por ultimo este "cromo" que teve a ousadia de reunir todos os Brasões expostos na cidade, que desde 2008, juntou um conjunto de aproximadamente de 154 símbolos, aplicados em fachadas das casas, jardins, portões das quintas e casas senhoriais, ou em espaços reservados, nos museus, igrejas e cemitérios, bem como de peças já desaparecidas e recolhidas de outras obras.

Como é lógico nestes protocolos, o Presidente da Obra Diocesana apresentou a "casa" a que está ligado com um orgulho que enobrece qualquer instituição, pelos seus símbolos, ideais da fé cristã, e que levam há 50 anos, o amor, a fé, o sorriso a muitos desprotegidos e desfavorecidos da nossa sociedade, procurando alimentar a sua confiança a esses seres humanos e dar-lhes um sentido de vida.
Os discursos políticos são considerados os necessários e obrigatórios.
Aqui devo fazer um parêntesis especial, pois agradeço publicamente à minha prima, como autora do prefácio e revisão da obra, que em período de grande pressão e stress pessoal, pela sua disponibilidade e dedicação. Lembro que este tema para ela era completamente desconhecido e como tal teve de investigar e estudar os ideais de heráldica.
É um tema que para muitos "passa ao lado", mas para quem lê um pouco sobre esta temática acaba por ficar com a curiosidade e o querer saber mais...isto é, o bichinho fica nas nossas mentes.
Fez um discurso brilhante, de uma ligeireza, de um poder de síntese e de improvisação, que aconselho a qualquer um que pretenda se meter nestas andanças. Obrigado, Prima.
"O pior discurso entre todos", claro!

Discurso obrigatório e de encerramento da cerimónia. Tudo direccionado para a fé católica, amor, o bem comum, a família, servir o próximo.
Mas,.... aconteceu um pequeno imprevisto, mas positivo. O Dr. Rui Moreira, que por necessidade de agenda teve de se ausentar, surge por coincidência (mas não combinado) atempadamente mais uma figura representativa desta cidade, o Sr. Vereador da Acção Social da Câmara Municipal do Porto, Dr. Manuel Pizarro.
Obviamente, também teve direito a um discurso. Gostei. 
Foi objectivo e em forma de improviso fez uma exposição menos formal, terra a terra e sem vaidade.
Para acabar e por serem as figuras mais importantes com grande relevância nos eventos, agradeço e realço a presença da minha mãe, minha esposa e filha, de meus familiares (que foram muitos), de amigos, desconhecidos e figuras convidadas. 
Destas realço a presença de representantes da Comissão Administrativa da Obra Diocesana de Promoção Social, a Hélio Loureiro (grande activista de eventos heráldicos), do antigo Presidente da Câmara de Valongo, Dr. Fernando Melo, da Presidente da Junta de Freguesia de Baltar, concelho de Paredes, Drª. Conceição Rosendo, do Dr. Ricardo Bessa Teixeira, especialista na área de Genealogia, e de outros que por desconhecimento pessoal não identifiquei, aos quais peço as minhas desculpas.
Realço a excelência da organização, por parte da Obra Diocesana de Promoção Social e seus funcionários pelo trabalho, dedicação e tempo perdido.
Por fim e para terminar este evento de grande importância pessoal, tenho de deixar aqui presente um carinho muito pessoal à Dr.ª Maria João de Vasconcelos, directora do Museu Nacional Soares dos Reis pela cedência do espaço para o evento, pela ajuda prestada na disponibilização sem custos das fotografias das Pedras de Armas guardadas neste museu e pela relação humana próxima do cidadão comum, personalidade que me ficou no coração.
Obrigado e todos e espero que divulguem e leiam um pouco da história do Porto e das famílias que lá residiram, deixando as suas marcas de nobilitação real através do seus apelidos como símbolo heráldico.

7 de dezembro de 2014

Jornal de Noticias - 7/12/2014 - Edição de Livro

O Jornal de Noticias, através do seu editorial do cónego Rui Osório do dia 7/12/ 2014, vem publicitar a obra "Brasões e Pedras de Armas da cidade do Porto" no âmbito do 50º aniversário da Obra Diocesana de Promoção Social (ODPS), do qual agradeço pessoalmente,
Lembro que será no proximo dia 15 de Dezembro, pelas 18 horas no Museu Soares dos Reis.
A quem queira estar presente ou pretender adquirir o livro (20 €) deverá contactar a ODPS ou deslocar-se à rua D. Manuel II, nº 14 (ao lado do Museu Soares dos Reis).
Manuel Cunha

21 de novembro de 2014

Os Brasões e Pedras de Armas da cidade do Porto - lançamento de livro


15 de Dezembro de 2014
pelas 18h, no Museu Soares dos Reis, com a presença do Sr. Bispo do Porto, sua Excelência Reverendíssimo D. António Francisco dos Santos, com a organização e patrocínio da Obra Diocesana de Promoção Social (só por convite).

(capa)

(contra-capa)

No caso pretendam estar presentes (últimos dias), adquirir ou encomendar o livro (20€) deverão contactar a Obra Diocesana de Promoção Social, sediada na Rua D. Manuel II, nº 14 - Porto (223393040 ou geral@odps.org.pt).

23 de outubro de 2014

Jazigo do Conde Silva Monteiro - Porto


jazigo nº 106 - secção 17 - 3ª Divisão, Cemitério da Lapa, freguesia de Cedofeita, Porto - Portugal

A pedra de armas assente no jazigo-capela, embora não cumprindo as regras da heráldica, pretendeu honrar António da Silva Monteiro, famoso torna-viagem que faleceu na sua terra natal - o Porto, após ter emigrado para o Brasil e lá terá enriquecido.
António Silva Monteiro, nasceu no Porto no seio de uma família abastada, na freguesia de Lordelo do Ouro, a 16 de agosto de 1822. Recebeu os títulos de Visconde e de Conde em 23 de junho de 1875 e 22 de dezembro de 1875, por mercês do rei D. Luis I, rei de Portugal.
Filho de pais comerciantes, António Silva Monteiro e de Ana Narcisa Pereira,  emigrou ainda jovem para o Brasil, com 12 anos, e na cidade do Rio de Janeiro onde se tornou prospero capitalista e negociante, dotado de génio empreendedor e de grande dinamismo, conseguiu alcançar uma grande fortuna constituindo uma sociedade com seu irmão onde montou uma importante casa comercial que ainda estava em actividade no tempo da sua morte, mesmo ele tendo regressado e vivido em Portugal o resto da sua vida.
Ainda no Brasil terá casado com Carolina Júlia Ferreira, brasileira e filha de negociante português, Manuel Ferreira Gomes. 
Após longo tempo nas terras americanas regressou ao Porto indo viver para uma casa, que no séc. XIX foi considerada a "mais luxuosa da Invicta", situada na Rua da Restauração e virada para sul, com as melhores vistas para o Rio Douro.
Sua casa, na Rua da Restauração, foi adquirida a 17 de novembro de 1871 e posteriormente reformulada, tendo mantido toda a sua traça e o riquíssimo interior e jardins. 
Era mobilada com a sumptuosidade que a sua fortuna permitia e considerada uma verdadeira "maravilha" , as salas "ornamentada com mobílias, estofos e porcelanas da China" de grande apreço e "delicadíssimo gosto".
Era fidalgo cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem da Conceição e juntou títulos os cargos de Vice-Presidente da Câmara Municipal do Porto, Presidente da Associação Comercial Portuense e Director do Palácio de Cristal.
Faleceu a 15 de janeiro de 1885, aos 62 anos, tendo sido largamente divulgado nos jornais da época. Foi enterrado no cemitério da Lapa numa capela assinada pelo mestre canteiro Bernardo Marques da Silva, pai do emérito arquitecto José Marques da Silva.
Mesmo nobilitado como visconde e posteriormente como conde não se conhece uma pedra de armas consentânea com as lei da heráldica. Como se pode verificar apresenta as siglas de seu nome em lugar de uma representação tradicional de uma verdadeira pedra de armas.
Existe também uma pedra de armas, nos jardins de sua casa aplicada na fonte, não contendo qualquer simbologia também designada de "campo liso".
A coroa é a representação simbólica de Conde e que se encontra mutilada.
Actualmente está instalada a Comissão de Viticultura da região de Vinhos Verdes (anos 40).
retirado texto de : "Peixoto, Paula Torres - Palacetes de Brasileiros no Porto (1850-1930), 2013" e
"Cunha, Manuel - Brasões e Pedras de Armas da Cidade do Porto, 2014"