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Obrigado.

4 de junho de 2016

Casa do Visconde de Oliveira do Paço - Sobrado



inscrição das iniciais V.O.P. 1886 -  no tanque e fonte da quinta

Imagem do Visconde

História:
O 1.º visconde de Oliveira do Paço António Martins de Oliveira, nasceu na casa do Paço, na freguesia de Sobrado, Valongo, a 12 de Agosto de 1835 e morreu na mesma casa a 23 de Junho de 1889.
Era filho de António Martins de Oliveira, e de sua mulher Dona Ana Antónia. 
Registo de nascimento - Registo Paroquial de Sobrado (PT-ADPRT-PRQ-PVLG04-001-0006_m0543)

Registo de óbito - Registo Paroquial de Sobrado (PT-ADPRT-PRQ-PVLG04-003-0062_m00007)

Moço fidalgo da Casa Real, foi abastado proprietário e residiu durante muitos anos no Brasil. 
Prestou relevantes actos de beneficência aos portugueses desvalidos residentes no Rio de Janeiro e concedeu valiosas dádivas ao asilo de Dona Maria Pia.
Em Portugal contribuiu fundamentalmente para a construção do cemitério de Sobrado e posterior alargamento, e auxiliou o Hospital Maria Pia, no Porto.
Esta casa, do Paço, foi mandada construir pelo Visconde na data de 1864. De estilo ecléctico, enquadra-se na corrente arquitectónica dos emigrantes regressados do Brasil - os Torna-Viagens.
De grande dimensão, com aspecto apalaçado, apresentava um grande desenvolvimento do jardim e revestimento exterior parcial em soletos de ardósia.
As alterações da envolvente e o seu abandono são notórios fragilizando o edifício pela sua visível falta de manutenção e degradação nestas ultimas décadas.

Vista da casa (inícios do séc. XX

Vista da casa (inícios do séc. XXI)

Vista actual - ano 2016

Ostenta o brasão de armas na sua fachada Sudeste, em escudo inglês, partido, dos "Martins" e dos "Oliveira", proveniente do título concedido pelo rei D. Luís, por alvará e carta de brasão, em 1878, em reconhecimento de relevantes actos de beneficência.
Pedra de Armas

Casou no Rio de Janeiro com sua prima Dona Joaquina da Costa Ferreira, que nasceu na mesma cidade, a 27 de Fevereiro de 1843, e morreu no Porto em 1887, filha de José da Costa Ferreira, proprietário no Rio de Janeiro. 
Teve duas filhas, sendo a primogénita, Dona Maria Ferreira de Oliveira, que nasceu no Rio de Janeiro em 1860 e morreu em Valongo em 1908; casou esta senhora no Porto em 1880 com Manuel Ferreira de Freitas Guimarães, capitalista e proprietário, que nasceu no Porto em 1851, filho de Joaquim Ferreira Guimarães e de sua mulher Dona Maria Máxima de Freitas. 
Foi 2.º visconde, Alberto de Oliveira Freitas Guimarães, nascido no Porto em 1882, filho de Dona Maria Ferreira de Oliveira e de seu marido Manuel Ferreira de Freitas Guimarães. (Nobreza de Portugal e do Brasil, Afonso Zuquete)


Actualidade:
A quinta em questão apresenta-se com uma área muito reduzida (segundo consta) para a extensão da original, que então à época lhe era afecta.


Possível limite da actual quinta


Vista do google maps

Recentemente e felizmente, a quinta encontra-se a ser limpa dada a elevada florestação crescente nas ultimas décadas e causadora pelo estado de abandono a que chegou toda aquele espaço, fundamentalmente a casa, conforme as variadas imagens colocadas neste post.
Nos últimos anos o gradeamento, portais de granito e outros materiais (interior e exterior que se desconhece) terão sido levados por meliantes, que por um mero "euro" fizeram desaparecer a história de uma casa com 150 anos de existência. 
Há muitos anos que não era possível admirar toda a casa, em toda a sua envolvente, e só possível, agora que se encontra a ser limpa (?).
É uma casa registada como património de interesse municipal, que embora registada em regime de P.D.M., e como tal, nunca ou ninguém, por parte da autarquia, terá promovido qualquer acção em a preservar.
Há conhecimento de estudos e intenções sobre a mesma, embora com esta limpeza questiona-se o motivo por que levaram a tal feito. Será que a venderam? Haverá outros investimentos subjacentes por detrás destas limpezas ou outras intenções? Desconheço!
Propunha às entidades e agora com os financiamentos provindos da Europa, com possibilidades a candidaturas que o estado ou a própria autarquia tomassem a iniciativa de resolver este problema, na preservação de um espaço de interesse patrimonial e concelhio, com a seriedade que merece, através de uma solução rápida e urgente para a sua preservação da história deste local e deste imóvel edificado.
Claro, que nas condições a que se encontra a casa tal recuperação se tornará impossível, mas o seu restauro e com uma mudança de utilização para aquele edifício patrimonial, seria razoável e em tempo útil de se conseguir manter as suas paredes e retirar pormenores e características dos materiais e revestimentos nele usados.
Apresenta-se um conjunto de fotos de modo a permitir visualizar o seu actual estado e alimentar uma réstia de esperança de que algo irá acontecer de positivo. Assim seja!


Vista sudeste
Vista sudeste
Vista sudeste - fachada principal
Vista nordeste
Vista noroeste
Vista sudoeste
Vista de entrada lateral
Pedra de Armas - fachada

 Fonte com monograma

Interior da fonte também com monograma

 Tanque de água e fonte

 Lagar em pedra 
 Restos de prensa de uva - 2 unid.
Cunhal da casa

 Restos de pedras e cumes
Casa de apoio 

Fontes, consultas e documentos retirados de:
http://epl.di.uminho.pt/~ritafaria/MEC/instanciaConceito.php?conc=Pessoa&id=254 
http://manueljosecunha.blogspot.pt/search/label/Bras%C3%B5es%20-%20Valongo
http://geneall.net/pt/nome/54026/antonio-martins-de-oliveira-1-visconde-de-oliveira-do-paco/
http://olhares.sapo.pt/casa-do-visconde-de-oliveira-do-paco-foto7623621.html
http://www.cm-valongo.pt/noticias/noticias/valongo-de-outros-tempos-maio/2805


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