NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

26 de fevereiro de 2014

Brasão do Visconde de Vilar de Allen - Porto

Cemitério de Agramonte, freguesia de Massarelos, Porto
Brasão de Alfredo Allen, aplicado em campa rasa, que assentou vida em Portugal numa quinta em Campanhã dedicando-se aos seus conhecimentos de paisagista e botânico. Alfredo Allen, agraciado a 13/1/1866, seguiu os passos de seu pai, fazendo o mesmo percurso, ambos com projectos de relevo na cidade do Porto, através da concepção de jardins e arranjos botânicos.
Descrição da pedra de armas:
Escudo: Inglês
Material: Granito
Formato: Pleno ou Simples
Leitura: de Allen
Timbre: de Allen
Elmo: encimado por coroa e timbre, encontra-se aberto, gradeado e perfilado á direita.
Coronel: de Visconde

13 de fevereiro de 2014

Foral de Baltar - Paredes

Vila de Baltar, concelho de Paredes - Portugal


O Foral de Baltar

A exemplo dos outros forais manuelinos, a preparação do documento foi precedida de uma inquirição local e está documentada em acta e guardada na Torre do Tombo.
O foral datado de Junho de 1515, tudo leva a crer que a sua preparação, através das inquirições ter-se-à realizado no ano anterior.
O documento regista a presença de juiz, de vereador do concelho, alguns homens da câmara e do tabelião, que terão subscrito o documento e validado toda a informação que permitiu à emissão do Foral.
Já na presença real terá sido aprovado por altos signatários ligados a D. Manuel, isto é pelo Dr. Rui Boto, chanceler do rei e pelo dr. Rui da Grã, desembargador dos forais que lhe puseram o visto e a rubrica, respectivamente.
O Foral faz menção aos pagamentos que os lavradores deviam ao senhorio dos direitos, pelo usufruto das terras.
O documento regista que as terras eram pertença real e que afirma o seu poder ao Senhor Duque de Bragança.
 Os seus pagamentos, eram prática local e estavam registados 29 casais, que lhe deviam pagar quantias em dinheiro e em género (linho, centeio, milho, painço, vinho, manteiga, ovos e animais).
Os senhores da Casa de Bragança que tiveram Baltar sob sua alçada e direitos, pode-se afirmar que o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, como filho bastardo do rei D. João I e conde de Barcelos, foi o representante mais emblemático. Durante um período conturbado na Casa de Bragança, foi o representante João Rodrigues de Sá, como fidalgo da casa de Bragança e por estar ligado à terra de Baltar com funções administrativas, para além de ser fidalgo do concelho do rei e vedor e alcaide da cidade do Porto. Fora agraciado dos direitos, por D. João I, em Junho de 1484. Este direito deveu-se a conflitos internos da casa de Bragança e que resultou na sua anulação por D. Manuel e a terra de Baltar voltou ao anterior senhorio.
Baltar viria a ganhar o seu foral por concessão do rei D. Manuel, em documento redigido em Lisboa e datado de 11 de Junho de 1515.
Para além dos deveres e pagamentos dos lavradores, usufrutuários e residentes nos casais de Baltar, à Casa de Bragança, o foral aborda os serviços que haveriam de servir o senhorio ou os seus representantes, apresentando um pequeno conjunto de normas, mais ou menos comuns a todos os forais manuelinos, destinados a explicitar e regulamentar os usos da terra, o gado perdido e o uso ilegal de armas.
Sobre eles, determina o conceito de maninhos e montados e do gado do vento e de alguns aspectos da justiça, regulamentando o uso de armas no concelho, e com ela ligada a pena do foral, isto é, as sanções e incumprimentos.
Aborda as isenções de homens de, pessoalmente, servirem os senhores dos direitos da terra, ou de lhes darem gratuitamente, palha, erva, roupa ou qualquer outra serventia contra a sua vontade.
Esta ultima, é declarada livre de qualquer servidão os homens de Baltar, resguardando-se de qualquer abusos que os senhorios ou seus representantes pretendessem cometer sobre eles.
Finalmente, quanto à justiça, os forais manuelinos reforçam as normas legais em vigor, no capítulo que dedica à chamada pena de armas, na regulamentação em que era admitido ou não, esse uso de armas.
O foral de Baltar não era excepção, pretendendo ajudar à manutenção da paz, dissuadindo arruaceiros e agressores.

“resumo de texto da transcrição/descrição de Maria Fernandes Marques, faculdade de Letras, Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra”


História

Uma Carta de Foral, ou simplesmente Foral, foi um documento real utilizado em Portugal no seu antigo império colonial, que visava estabelecer um Concelho e regular a sua administração, limites e privilégios. A palavra “foral” deriva da palavra portuguesa “foro”, que por sua vez provém do latino “fórum”; é equivalente à espanhola “fuero”, à galega “foro”, à catalã “fur” e à básica “foru”.
Os Forais foram concedidos entre o século XII e o século XVI. Eram a base do estabelecimento do município e, desse modo, o evento mais importante da história da vila ou da cidade. Era determinante para assegurar as condições de fixação e prosperidade da comunidade, assim como no aumento da sua área cultivada, pela concessão de maiores liberdades e privilégios aos seus habitantes, num período da História em que as populações eram sujeitas a um regime de trabalho semi-escravo, na qualidade de servos dos senhores feudais.
O Foral tornava um concelho livre do controlo feudal, transferindo o poder para um concelho de vizinhos (concelho) com a sua própria autonomia municipal. Por conseguinte, a população ficava directa e exclusivamente sob o domínio e jurisdição da Coroa, excluindo o senhor feudal da hierarquia do poder.
O Foral garantia terras públicas para o uso colectivo da comunidade, regulava impostos, pedágios e multas e estabelecia direitos de protecção e deveres militares dentro do serviço real.
Um pelourinho estava directamente associado à existência de um Foral. Era erguido na praça principal da vila ou cidade quando o Foral era concedido e simboliza o poder e autoridade municipais.
Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida pelos procuradores dos concelhos a sua reforma, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel I, de Portugal. Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832.

Os Forais Manuelinos

Sob o reinado de D. Manuel I, de Portugal, os forais medievais – redigidos em latim bárbaro e já à época em mau estado de conservação – eram de difícil leitura e interpretação pelos oficiais das Câmaras, uma vez que também apresentavam grandes discrepâncias entre si.
Com o objectivo de sistematizar a governação local ao nível administrativo, aquele monarca nomeou uma comissão que, durante duas décadas, procedeu à recolha de toda a documentação existente – Privilégios e antigos Forais – e reformulou-a segundo uma certa sistematização, o que fez com que os chamados “Forais Novos” sejam quase idênticos, assegurando uma certa unificação. São também conhecidos como de “leitura nova”, uma vez que o monarca instituiu um novo tipo de caligrafia – o gótico librário - , mais inteligível.
Em seu reinado foram reformulados 596 forais, reunidos nos “Livros dos Forais Novos”. A reforma prolongou-se entre 1497 e 1520, abrangendo cerca de 570 concelhos.
Iconograficamente, o tipo principal caracteriza-se por apresentar, na parte superior, as armas reais ao centro (sempre com nove castelos), ladeado pelas esferas armilares e uma faixa horizontal com o nome do rei (MANVEL), tendo a particularidade de a letra “D” ser formada por uma serpente alada com cabeça de dragão.

(http://p..wikipedia.org/wiki/Carta_de_Foral”



6 de fevereiro de 2014

Pedra de Armas em casa particular - Guimarães

Largo Martins Sarmento, nº 71, Guimarães - Portugal

Brasão ainda pouco estudado, de qualquer modo o escudo é de fantasia, com elmo voltado à direita  e ornada com uma cartilha floreada.
É partido, com leitura: I - Macedo e II - Cardoso, conforme comentário junto, que agradeço, e seu Timbre, de Macedo, mal colocado. Devia estar sobre o elmo.
Está inserida na fachada da casa dos condes de Margaride, em Guimarães, também conhecida pela casa do Carmo.
Grato pela informação prestada àquele que enviou a correcção tida antes.

2 de fevereiro de 2014

Porta ou Postigo das "Virtudes" - Porto

Rua das Virtudes, freguesia da Vitória, Porto - Portugal

Pois é! Não tinha a noção que de todas as portas, postigos bem como de grande parte das muralhas fernandinas ainda existissem locais que não foram demolidas, aos longos destes dois últimos séculos, para além do que é a corrente divulgação popular e publicitada.
É do conhecimento geral e bastante divulgada a existência do Postigo do Carvão, na zona ribeirinha da cidade e da muralha que percorre do alto da cidade até à parte baixa (escarpas dos Guindais), junto à ponte D. Luís e que se pode acompanhar e visualizar através do uso do funicular ou através da vista do lado da cidade de Gaia.
Outras partes dessas construções sobrevivem pelos recantos da cidade, são o exemplo de alguma publicidade ao "café muralhas", junto à igreja dos clérigos, e parte enterrada na igreja de S. José das Taipas, recentemente descoberta e que esta igreja entronca com essas paredes de pedra. 
Outras escondem-se pelos interiores dos quintais das casas ou fazem paredes divisórias com habitações ao longo do seu percurso.
É o caso de uma parte da muralha e de uma porta ou postigo, designada das Virtudes.
Nem toda a população ou visitante tem a possibilidade imediata de visitar esta peça, com alguma dimensão.


Encontra-se no interior de uma casa solarenga, conhecida pelo antigo Clube Inglês e que actualmente está sediada uma instituição de apoio social àquela zona da cidade.
Por fim há quem defenda que esta "porta" era simplesmente um "postigo", pois a sua passagem apenas permitia a pessoas ou a animais, enquanto que as "portas" eram de passagem de carroças, carros de animais e havia sempre um posto de guarda, para controlo.
Fica a duvida, já que continuam a chamar "porta das Virtudes" a esta peça secular.


História:

" As muralhas do Porto"

Muralhas Fernandinas é o nome pela qual ficou conhecida a cintura medieval de muralhas da cidade do porto, em Portugal, da qual somente partes sobreviveram até aos nossos dias.
Cerca Nova e Muralha Gótica são outras designações que se aplicam às muralhas fernandinas mas que, apesar de cientificamente mais correctas, são menos correntes.
Durante o séc. XIV, o Porto teve uma grande expansão para fora do seu núcleo inicial do morro da Pena Ventosa, em torno da Sé, protegido pela Cerca Velha, construída em cima do muro original romano. Este surto de povoamento foi particularmente notável na margem ribeirinha do Douro, reflectindo a crescente importância das actividades comerciais e marítimas.
A cidade sente, assim, necessidade de um espaço amuralhado mais vasto que o da Cerca Velha. Os primeiros a apresentarem essa reivindicação foram burgueses com casas e negócios extramuros e portanto menos protegidos.
Em meados desse século, ainda no tempo de D. Afonso IV, começou a ser construída uma nova cintura de muralhas que ficou praticamente concluída por volta de 1370. O facto de a obra só ter sido concluída no reinado de D. Fernando, explica o facto de ser correntemente designada por "Muralha Fernandina".
passada a sua importância militar, as muralhas começaram a ser progressivamente demolidas a partir da segunda metade do séc. XVIII para dar lugar a novos arruamentos, praças e edifícios. A maioria da muralha foi demolida já em finais do séc. XIX. Os troços sobreviventes das Muralhas fernandinas foram classificadas como "monumentos nacionais" em 1926.
Este muro, de traçado geométrico e uma altura de 30 pés (9 m), de alto porte e grande robustez, era recortado de ameias salientes, tendo vários cubelos e torres elevadas e ainda numerosas portas e postigos (dezassete, no total). Com um perimetro de cerca de 3.000 passos (2.600 m), limitva uma área de 44,5 hectares.
O seu traçado seguia pela margem ribeirinha do Douro até ao limite com Miragaia, subia pelo Caminho Novo e São João Novo até ao cimo do Morro do Olival; depois tomava a dircção leste passando junto ás hortas do bispo e do cabido e continuava para Cimo de Vila; a seguir contornava os morros da Cividade e da Sé por nascente e descia pela escarpa dos Guindais até à Ribeira, próximo da saída do tabuleiro inferior da actual Ponte Luís I.
(...) 
Começando pela Porta Nova ou Nobre que dava saída para Miragaia, junto ao rio Douro, as portas e postigo seriam os seguintes (no sentido contrário aos ponteiros do relógio):
 1 - Porta Nova ou Nobre (inicialmente de Miragaia);
 2 - Postigo dos Banhos;
 3 - Postigo da Lingueta;
 4 - Postigo da Alfândega ou do Terreirinho;
 5 - Postigo do Carvão (único que sobreviveu até hoje);
 6 - Porta da Ribeira;
 7 - Postigo do Pelourinho;
 8 - Postigo da Forca;
 9 - Postigo da Madeira;
10 - Postigo da Lada ou da Areia;
11 - Porta do Sol (inicialmente postigo do Carvalho do Monte ou do Penedo);
12 - Porta do Cimo de Vila;
13 - Porta de Carros (inicialmente apenas postigo);
14 - Porta de Santo Elói (inicialmente postigo do Vimial);
15 - Porta do Olival;
16 - Porta das Virtudes (inicialmente apenas postigo);
17 - Postigo de S. João Novo ou da "Esperança".

(http://pt.wikipédia.org/wiki/Muralhas_Fernandinas_do_Porto)