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2 de fevereiro de 2014

Porta ou Postigo das "Virtudes" - Porto

Rua das Virtudes, freguesia da Vitória, Porto - Portugal

Pois é! Não tinha a noção que de todas as portas, postigos bem como de grande parte das muralhas fernandinas ainda existissem locais que não foram demolidas, aos longos destes dois últimos séculos, para além do que é a corrente divulgação popular e publicitada.
É do conhecimento geral e bastante divulgada a existência do Postigo do Carvão, na zona ribeirinha da cidade e da muralha que percorre do alto da cidade até à parte baixa (escarpas dos Guindais), junto à ponte D. Luís e que se pode acompanhar e visualizar através do uso do funicular ou através da vista do lado da cidade de Gaia.
Outras partes dessas construções sobrevivem pelos recantos da cidade, são o exemplo de alguma publicidade ao "café muralhas", junto à igreja dos clérigos, e parte enterrada na igreja de S. José das Taipas, recentemente descoberta e que esta igreja entronca com essas paredes de pedra. 
Outras escondem-se pelos interiores dos quintais das casas ou fazem paredes divisórias com habitações ao longo do seu percurso.
É o caso de uma parte da muralha e de uma porta ou postigo, designada das Virtudes.
Nem toda a população ou visitante tem a possibilidade imediata de visitar esta peça, com alguma dimensão.


Encontra-se no interior de uma casa solarenga, conhecida pelo antigo Clube Inglês e que actualmente está sediada uma instituição de apoio social àquela zona da cidade.
Por fim há quem defenda que esta "porta" era simplesmente um "postigo", pois a sua passagem apenas permitia a pessoas ou a animais, enquanto que as "portas" eram de passagem de carroças, carros de animais e havia sempre um posto de guarda, para controlo.
Fica a duvida, já que continuam a chamar "porta das Virtudes" a esta peça secular.


História:

" As muralhas do Porto"

Muralhas Fernandinas é o nome pela qual ficou conhecida a cintura medieval de muralhas da cidade do porto, em Portugal, da qual somente partes sobreviveram até aos nossos dias.
Cerca Nova e Muralha Gótica são outras designações que se aplicam às muralhas fernandinas mas que, apesar de cientificamente mais correctas, são menos correntes.
Durante o séc. XIV, o Porto teve uma grande expansão para fora do seu núcleo inicial do morro da Pena Ventosa, em torno da Sé, protegido pela Cerca Velha, construída em cima do muro original romano. Este surto de povoamento foi particularmente notável na margem ribeirinha do Douro, reflectindo a crescente importância das actividades comerciais e marítimas.
A cidade sente, assim, necessidade de um espaço amuralhado mais vasto que o da Cerca Velha. Os primeiros a apresentarem essa reivindicação foram burgueses com casas e negócios extramuros e portanto menos protegidos.
Em meados desse século, ainda no tempo de D. Afonso IV, começou a ser construída uma nova cintura de muralhas que ficou praticamente concluída por volta de 1370. O facto de a obra só ter sido concluída no reinado de D. Fernando, explica o facto de ser correntemente designada por "Muralha Fernandina".
passada a sua importância militar, as muralhas começaram a ser progressivamente demolidas a partir da segunda metade do séc. XVIII para dar lugar a novos arruamentos, praças e edifícios. A maioria da muralha foi demolida já em finais do séc. XIX. Os troços sobreviventes das Muralhas fernandinas foram classificadas como "monumentos nacionais" em 1926.
Este muro, de traçado geométrico e uma altura de 30 pés (9 m), de alto porte e grande robustez, era recortado de ameias salientes, tendo vários cubelos e torres elevadas e ainda numerosas portas e postigos (dezassete, no total). Com um perimetro de cerca de 3.000 passos (2.600 m), limitva uma área de 44,5 hectares.
O seu traçado seguia pela margem ribeirinha do Douro até ao limite com Miragaia, subia pelo Caminho Novo e São João Novo até ao cimo do Morro do Olival; depois tomava a dircção leste passando junto ás hortas do bispo e do cabido e continuava para Cimo de Vila; a seguir contornava os morros da Cividade e da Sé por nascente e descia pela escarpa dos Guindais até à Ribeira, próximo da saída do tabuleiro inferior da actual Ponte Luís I.
(...) 
Começando pela Porta Nova ou Nobre que dava saída para Miragaia, junto ao rio Douro, as portas e postigo seriam os seguintes (no sentido contrário aos ponteiros do relógio):
 1 - Porta Nova ou Nobre (inicialmente de Miragaia);
 2 - Postigo dos Banhos;
 3 - Postigo da Lingueta;
 4 - Postigo da Alfândega ou do Terreirinho;
 5 - Postigo do Carvão (único que sobreviveu até hoje);
 6 - Porta da Ribeira;
 7 - Postigo do Pelourinho;
 8 - Postigo da Forca;
 9 - Postigo da Madeira;
10 - Postigo da Lada ou da Areia;
11 - Porta do Sol (inicialmente postigo do Carvalho do Monte ou do Penedo);
12 - Porta do Cimo de Vila;
13 - Porta de Carros (inicialmente apenas postigo);
14 - Porta de Santo Elói (inicialmente postigo do Vimial);
15 - Porta do Olival;
16 - Porta das Virtudes (inicialmente apenas postigo);
17 - Postigo de S. João Novo ou da "Esperança".

(http://pt.wikipédia.org/wiki/Muralhas_Fernandinas_do_Porto)



1 comentário:

  1. Boa noite!
    Eu também estive nessa visita e tive a oportunidade de questionar o Prof. Tedim sobre essa "porta". Segundo a sua opinião e a minha, a chamada porta das Virtudes deveria estar mais acima, no meio da Rua, em frente ao início da Calçada que dá acesso à fonte. Isto porque o que se conhece indica que o seu alargamento, para comodidade dos visitantes, a dava como em frente a essa Calçada. No entanto será de pesquisar melhor. Se souber de algo, informo-o. Um abraço, César

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