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30 de março de 2016

Empresa das Lousa de Valongo



Empresa de Lousa de Valongo (ELV)

O concelho de Valongo é popularmente conhecido pela industria da panificação, pela sua fabricação de pão (regueifa) e biscoitos e o consequente abastecimento à cidade do Porto, e pela famosa batalha de ponte de Ferreira, na freguesia de Campo, pelo embate entre as tropas miguelistas e liberais a 23 de julho de 1832, aquando do cerco do Porto.
Mas a cidade de Valongo e a vila de Campo foram outrora reconhecidas, também, pela sua extracção mineira, pela famosa ardósia negra, que com a evolução do tempo se foi extinguindo.
Actualmente, naquele concelho, só existem duas empresas de extracção mineira e ambas sediadas em Campo, uma por exploração em profundidade, a firma Pereira Gomes (1965) e a Empresa de Lousa de Valongo, com extracção a céu aberto tendo tido a sua origem em 1865.
É sobre esta empresa que o presente texto vai abordar, por ter sido a mais relevante e popularmente conhecida naquele concelho.
Recentemente, a 5 de janeiro de 2016, a Câmara de Valongo homenageou em cerimónia especial, um conjunto de empresas por serem as mais representativas empresas e as mais antigas no concelho, tendo sido atribuído à Empresa de Lousa de Valongo (ELV) a medalha de mérito.
Esta empresa iniciou a sua actividade em 1865, por investidores ingleses, com a criação de firma inglesa The Vallongo Slates & Marbles Quarries Company, Limited, tendo dado inicio à exploração intensiva, nas minas do Galinheiro, Vale de Amores e Susão, em Valongo, encontrando-se actualmente desactivadas e aterradas no inicio deste século, designadas localmente por "arrasamento".
Foi a primeira empresa de minas de ardósia e também a responsável pela chegada energia eléctrica ao concelho.
Nesse tempo, a sua exploração era em profundidade através de poços cujo objectivo era abastecer Inglaterra e os Estados Unidos com a ardósia, para telhados, pavimentos e revestimentos, material isolante e pedras de bilhar.

ano de 1932

Nos primeiros anos do século XIX atingiu um numero de funcionários de cerca de 1600, tendo diminuído drasticamente com a guerra mundial.

ano de 1959

Hoje em dia, esta empresa, com administradores portugueses, localiza-se em Campo, investindo numa exploração a céu aberto junto da Pedreira da Milhária (pedreira mais antiga em actividade), possuindo uma vasta área de terreno (15 ha), com garantia de exploração e reserva para vários e longos anos.
Neste local, os seus escritórios e a componente fabril circunscreve-se a uma construção tipicamente inglesa, de forte contraste, de construção em xisto e caixilharia vermelha, com arcadas interiores. Os escritórios situam-se num corpo de dois pisos em duas fachadas próprias. A principal apresenta a designação da referência da empresa em letras de dimensões elevadas com fundo brancas em oposição com as paredes negras do ardósia.









A entrada para as instalações faz-se por um portão com um arruamento largo e à sua esquerda acompanhando outras instalações fabris apresentam-se um palco corrido com diversos equipamentos antigos utilizados no século passado onde são visíveis as características típicas da maquinaria de enorme dimensão utilizadas para os cortes e transportes das ardósias.


Exposição de equipamento antigo no acesso em arruamento interior















Dedica-se, para além dos materiais já descritos, também à produção de chapas e ladrilho clivado, serrado e polido e claro de modo a manter a tradição dos famosos quadros negros e lousas com os seus lápis de pedra ou também conhecida por "peninha", que no tempo dos nossos pais usualmente se utilizava nas escolas primárias.
Actualmente é uma empresa de referência, levando a marca e o nome de Valongo a todo o mundo, tendo tido um  investimento nos últimos anos, com a laboração muito mecanizada e com a abertura da maior exploração a céu aberto em Portugal, sendo a sua produção em cerca de 90 % para o exterior, fundamentalmente para a Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Japão e Inglaterra.

Apresenta-se a reportagem apresentada numa revista, em 2014, por um dos administradores, Sr. Teotónio Pereira, figura representativa no concelho pela sua postura perante o município, para com os clientes e para com todos aqueles que intercedem a empresa na busca da curiosidade, de visitas, e da sua história, um verdadeiro "gentleman".


Administrador da empresa, Sr. Teotónio Pereira

149 anos de história das "Louzas" de Valongo
por Revista Business Portugal - 2 dezembro 2014

"A história da Lousa de Valongo é tão antiga como a da empresa que hoje Teotónio Pereira administra. A exploração deste material no concelho começou em 1865 com a instalação da companhia inglesa The Vallongo Slate & Marble Quarries Company, que mais tarde, após a venda, adquiriu o nome de Empresa das Lousas de Valongo. Conhecida pelas características específicas da região onde se situa (Valongo – Douro Litoral) e pela idade geológica das suas pedreiras (Landeiliano Superior, 450 milhões de anos), a “Ardósia de Valongo” (denominação registada EN12440) distingue-se nas palavras de Teotónio Pereira das demais existentes: “A nossa lousa tem um carácter próprio e é por isso que continuamos no mercado”. De referir que ardósia ou lousa referem-se exactamente à mesma pedra, sendo este último termo mais usado no norte do país.
Por não existir “hoje em Portugal a tradição de utilizar lousa portuguesa”, refere Teotónio Pereira, toda a produção da Empresa das Lousas de Valongo destina-se ao mercado externo: Alemanha, Inglaterra, Espanha, Suíça, Estados Unidos, Japão e países do norte da Europa. São precisamente estes últimos que Teotónio Pereira destaca: “Os clientes do norte da Europa conhecem esta lousa melhor que nós. Temos clientes nestes países há mais de 80 anos”.
Como referência destacam-se algumas obras onde as lousas ELV estão presentes: Edifício Sede da Telenor, Trondheim, Escola “High Schoolof Gotemborg”, Gotemburgo, Biblioteca “Werner Oechslin”, Einsiedeln, Zurique, Casa da Música, Porto, Hotel Four Seasons, Toronto, Canada, University of Oregon Football Performance Center (Nike Centre), Oregon, EUA.
Proprietária de mais de 100 ha na faixa lousífera de Valongo, a capacidade de produção da ELV ultrapassa os 4.000 ton/ano. Como principais produtos, o administrador destaca os ladrilhos e placas para pavimentos e revestimento de paredes, soleiras, cobertura de degraus, rodapé, tampos de cozinha em ardósia, telhas para telhados e pedras para bilhares. Pelas suas características os produtos da ELV coleccionaram prémios de várias exposições mundiais históricas: exposição mundial de Paris (1867), exposição de Viena (1873), exposição de Filadélfia (1876), Adelaide (1887), Lisboa (1888), Londres (1871), Porto (1897), Paris (1900) e Rio de Janeiro (1908).
Actualmente com 45 trabalhadores, com a extracção e transformação toda mecanizada, a Empresa de Lousas das Valongo não tem como objectivo crescer muito mais até porque refere o administrador: “temos as vendas em mercados muito diversificados mas, a situação actual requer alguma prudência”.
Os investimentos passam por aperfeiçoar e criar novos produtos aumentando o valor acrescentado e no sector da energia, estamos a fazer investimentos que nos vão garantir uma grande poupança de electricidade."




Guincho colocado numa rotunda em Valongo, peça oferecida pela empresa

Antigo Guincho 
Equipamento mecânico de elevação da ardósia, desde o fundo da pedreira até ao exterior. A sua datação é atribuída aos anos 20 do século passado, utilizando já a força motriz eléctrica. Pertenceu à Empresa das Lousas de Valongo, SA, e foi patrimonializado, no sentido de valorizar uma importante identidade valonguense, a lousa. Encontra-se localizada precisamente, onde, em 1865, se deu início à exploração industrial intensiva de extracção ardosífera, com a abertura da louseira do Galinheiro pertencente à firma inglesa The Vallongo Slates & Marbles Quarries Company, Limited. O antigo equipamento encontra-se instalado no centro de uma rotunda, junto à Biblioteca Municipal e ao Centro Comercial Continente.



Pormenor da chaminé em forma quadrada

Antiga Chaminé de Ardósia
A antiga chaminé encontra-se instalada no local onde em 1865 a empresa inglesa The Vallongo Slates & Marbles Quarries Company, Limited, deu início à exploração industrial intensiva de extracção de lousa. A mina do Galinheiro foi a primeira pedreira a utilizar tecnologia de ponta para a época, como a máquina a vapor e sistemas de pequenas vias férreas para o transporte de pedra. Do complexo mineiro do Galinheiro faziam parte outras infra-estruturas de apoio, das quais a chaminé é um dos seus últimos vestígios. Pode ser visitada livremente por se localizar implantada dentro de uma actual rotunda.


Lousa da escola primária
A lousa, ardósia ou pedra é uma folha de ardósia inserida num rectângulo de madeira. Uma das faces da lousa é quadriculada e a outra lisa. Na moldura de madeira há um orifício, onde os alunos amarravam o lápis da pedra ou “peninha” para não se perder.
É uma superfície reutilizável onde os alunos escreviam palavras, números e desenhos com giz ou com a "peninha”. As letras e os traços eram apagados com um paninho ou uma esponja.
A ardósia era um utensílio fundamental para os exercícios escolares e, segundo o programa de leitura da 1ª classe, para se evitarem “deformações graves na caixa torácica e nos órgãos que encerra e desvios da coluna vertebral e miopia”, os alunos eram aconselhados a praticarem “de preferência na ardósia, sob a direcção do professor, os necessários exercícios tendentes a educar-lhes os dedos para o manejo da pena e do lápis”. 

Conceito e Terminologias
A ardósia, também conhecida por lousa ou xisto, é uma rocha formada a partir da rocha sedimentar, o xisto argiloso, sob acção de pressão e temperaturas baixas. É uma rocha nua, de aparência homogénea e de granulação fina. A sua cor negra ou cinza escura deve-se à presença de mais ou menos grafite, quartzo, feldspato ou biotite. 
A exploração desta rocha é feita desde sempre em profundidade das minas bem como a céu aberto, extraída em pedreiras, sem recurso a mina, pratica utilizada pela actual empresa das lousas. 


várias vistas da exploração a céu aberto, em Campo 
Nos séculos passados os mineiros trabalhavam nas minas em condições de trabalho péssimas, utilizando artefactos de trabalhos manuais como a cunha, o picão e a palmeta. 
Com a industrialização os equipamentos utilizados vieram a beneficiar a mão-de-obra e a força utilizada por esta classe mineira e que a seguir se apresentam termos usualmente usados neste tipo de arte.

assuntos e fotos retiradas de:
http://queresaberoquesei.blogspot.pt/
http://revistabusinessportugal.pt
http://mvecv.ie.ulisboa.pt/items/show/79
https://www.google.pt
http://www.almanostra.com/shop/pt/brinquedos-tradicionais/94-quadro-em-lousa-pequeno.html

27 de março de 2016

Seminário dos Meninos Desamparados - Porto

Vista actual

Seminário dos Meninos Desamparados, actualmente designado de Centro Juvenil de Campanhã é uma instituição de acção social e localiza-se em Campanhã, numa parte de terreno de uma antiga quinta, conhecida à época, de Quinta do Pinheiro.
Situa-se nas traseiras da estação de Campanhã e abarca uma terreno e uma construção edificada, centenária, de construção sumptuosa, digna de ser apreciada e protegida patrimonialmente.
Esta instituição nasceu derivada da segunda  invasão francesa, no Porto, sob o comando de Soult, em 1809, ligada à história da assistência e solidariedade social na cidade do Porto, com a ocorrência do desastre da Ponte das Barcas, cujas mortes proliferaram pelo rio Douro deixando crianças e jovens sem pais.
O Oratoriano, Padre José de Oliveira sensibilizado por esta tragédia na cidade e tentando proteger os filhos abandonados (sexo masculino) tomou a iniciativa de recolher grande parte dessas crianças na sua casa.
http://portoarc.blogspot.pt

Mais tarde, a 6 de janeiro de 1814, fundou o Seminário dos Meninos Desamparados passando para um espaço na rua do Almada (antiga rua das Hortas) e depois, para a Torre da Marca. Após ter conhecido variadas instalações pela cidade obteve como doação pessoal, juntamente com outros bens, parte da quinta do Pinheiro, cuja propriedade pertencia a um ilustre benfeitor, Luís António Gonçalves Lima, negociante da praça do Porto, com a condição dominante de em caso de haver alteração da sua função ou apropriação governamental, esta propriedade passaria para a Santa Casa da Misericórdia do Porto.
A transferência dar-se-ia a 30 de abril de 1863 para a actual casa instalando-se definitivamente nesta quinta com vista para o rio Douro e que passaria mais tarde esta instituição intitular-se de Centro Juvenil de Campanhã.
traseiras do edifício - http://viajaredescobrir.blogspot.pt

Esta, criou uma dinâmica de crescimento, desde então, tendo procedido a dispendiosas obras de adaptação do edifício, para prosseguimento da sua missão  de assistência cuja colaboração a população portuense terá contribuído largamente para o seu desenvolvimento ao longo desse período.
Como exemplo, poderemos comprovar o seu desenvolvimento com dados que se apresentam e que mostram o seu rápido crescimento:
- 1814 (ano da fundação):       5 crianças 
- 1819:                          30 crianças
- 1899:                         103 crianças
- 1912:                         180 crianças
- 1846:                         300 crianças

A administração pela instituição ao longo da sua vida teve a ajuda dos rendimentos gerados pelos seus bens recebidos, e que já em 1874 era visível que os investimentos bancários, juros, obrigações prediais, rendas e de rendimentos tidos no Brasil, permitia a uma gestão equilibrada e garantida.
vista panorâmica

O Seminário dos Meninos Desamparados, apresenta no seu portão em ferro forjado e suportado por dois pilares robustos em granito, a inscrição da instituição original. No páteo da entrada um busto do Padre José de Oliveira, como homenagem a esta figura preponderante da instituição.
Devido ao seu protagonismo, a instituição tomou o seu nome, Internato Juvenil Padre José de Oliveira, embora actualmente a seu nome ser de Centro Juvenil de Campanhã.
É uma construção em granito, constituído por três pisos, e distribuídos por espaços devidamente adaptados à pratica desta instituição, como por exemplo um bar (no antigo lagar), cozinha para 250 refeições, lavandaria, lavabos, salas de aula, biblioteca, dormitórios, etc.
Este espaço desenvolve, hoje em dia, actividades na formação técnica e profissional, em áreas de olaria e serralharia.
A finalizar cabe a uma referência especial à bonita capela dedicada a S. José, que ocupa o espaço central do edifício e que se encontra em volume de destaque, tendo sido construída em 6 de janeiro de 1899, como forma de comemoração do 85º aniversário da fundação desta instituição.
É uma capela que sendo de utilização semi-publica, a pratica do culto tem sido de uso corrente, podendo-se vislumbrar a talha dourada, o seu rico altar, azulejaria em geral e conjunto de pequenos azulejos com representação de cenas da via-sacra.  

retirado de:
http://portoarc.blogspot.pt
http://viajaredescobrir.blogspot.pt
- http://www.j-f.org/monografia
- http:/www.panoramio.com