NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

31 de março de 2018

Quinta de Salgueiros - Porto

A casa e capela da Quinta - anos 50

Planta topográfica

Planta Topográfica retirada do projecto de alteração do interior da casa
Período de João da Costa Ramalho (1916)

Quinta de Salgueiros - A quinta e a família, sua história.

Da monografia de "Campanhã", de 1991, de Miguel Ferreira Meireles e Agostinho B. Vieira Rodrigues, retira-se destas pequenas palavras escritas um breve resumo das várias quintas da zona de Campanhã onde se engloba a Quinta de Salgueiros, definindo-a como um processo por tudo aquilo que esta quinta passou ao longo destes seus dois últimos séculos e que se lê:

" Quintas de Campanhã,
A freguesia de Campanhã termo do velho burgo do Porto era, em tempos idos, um espaço iminentemente agrícola.
Esta freguesia era constituída por aldeias ou "logares" (núcleos de casas de lavoura) em redor dos quais pontificavam ou fogos ou vizinhos, unidades sócio-económicas de base no seio das quais se desenvolviam grande parte das funções sociais: procriação, educação, consumo e produção.
Perante este quadro ruralizante não é, pois, de estranhar que muitas famílias enobrecidas e proprietários abastados aqui tivessem as quintas e casas de campo.
No século XVIII, XIX e principios do XX, algumas destas propriedades assumiram um papel de quintas de recreio da classe burguesa da cidade, particularmente da colónia estrangeira ligada aos interesses vinícolas e os chamados "brasileiros ricos" extremamente vistosas e ecléticas que predominam nesta zona oriental da cidade e particularmente no eixo fundamental que é a rua de S. Roque da Lameira.
O Padre Agostinho Rebelo da Costa confirma esta ideia quando diz que "os ingleses, franceses, hamburgueses, e outras famílias estrangeiras comerciantes, são os que arrendam estas quintas, e nelas vivem a maior parte do ano; mas os portugueses reservam para o seu uso e divertimento as melhores, e as mais custosas".
De facto, a diversa documentação consultada, fornece-nos numerosas referências acerca das quintas, casais e outras propriedades existentes em Campanhã, cuja área de enfio era consideravelmente maior do que aquela que os limites actuais consagravam.
Assim temos: Quinta de Miraflores, de Bonjóia, de Sacais, da Vinagra, da China, da Revolta, da Arcaria, do Valado, da Bela Vista, do Falcão, de Furamontes, de Salgueiros, da Vessada, do Prado, do Freixo, do Pinheiro, de Vila Meã, do Allen, das Lamesinhas, da Colmeeira, etc...
É claro que a maioria destas quintas não existem actualmente.
Ao esplendor e à opulência seguiu-se um período de decadência e abandono.
Algumas foram englobadas noutras propriedades, outras mudaram de nome, mas a maioria desapareceu sacrificada ao martelo do progresso e à incúria dos homens.
Estas quintas para além de constituírem um valioso património natural (e edificado), são também em termos da defesa da qualidade ambiental da cidade.
Por razões de ordem especulativa e sócio-económica, têm-se assistido nos últimos anos à expansão da cidade nas freguesias periféricas, destruindo-se assim o substracto rural da cidade e, em última análise, o precário equilíbrio ainda existente. Campanhã não foge à regra.
Actualmente são raríssimos os casos de famílias que sobrevivem da agricultura, mas é ainda relativamente fácil encontrar pessoas que se lembram de "isto ser quase tudo campos".
Apesar de tudo ainda subsistem algumas manchas verdes correspondentes a quintas e vales que merecem e devem ser preservados.
É, pois, urgente e necessário identificar estes valores e promover a sua salvaguarda."
 Fotografia aérea, com a demarcação da Quinta e outras referências - anos 39

Nesta descrição é referida a existência da Quinta de Salgueiros, em outros documentos é também referenciada esta casa e quinta, como já existindo no século XIX, e nesse período encontrava-se na posse de antepassados da família Ramalho, que desde essas épocas remotas até à sua venda, da ultima parcela, incluindo casa, em finais do séc. XX.
Era pertença de Augusto Geraldes de Mesquita que por herança com sua esposa Maria Balbina Carneiro e Silva se tornou proprietário.
Este, era filho de Augusto Carvalho Vasques de Mesquita, doutorado em Direito e ilustre figura da cidade, correspondendo-lhe o seu nome em topónimo de arruamento perto desta quinta de família.
Em 1916, era já residência de João da Costa Ramalho que por casamento com Maria Emília Carneiro Geraldes de Mesquita, filha herdeira, se tornou proprietário, como se comprova por requerimentos de licenças solicitadas.
Nos anos 40, a quinta era limitada pelas ruas do Vigorosa e pela fábrica das Antas, pela rua Naulila e Montes da Costa, pelas propriedades da família Ferreira dos Santos e ocupava parte da actual área episcopal da nova igreja das Antas.

Folheto de 1934

Foi morada da família até meados dos anos 40 do séc. XX, tendo sido alugada na década de 50, durante alguns anos a uma senhora inglesa e por isso reconhecida como Quinta dos Ingleses.
Esta casa foi também residência de Jacinto de Matos, um dos maiores jardineiros-paisagistas portugueses da primeira metade do séc. XX, onde aí teve as suas estufas e viveiros ao ar livre.
Terá vivido também na rua Oliveira Monteiro e utilizado terrenos para viveiros ao ar livre também em Vila Nova de Gaia.


Recorte de uma Bilhete Postal a publicitar os Viveiros das Antas, de Jacinto de Matos
Vista da entrada e casa ao fundo (1º quartel do séc. XX)


 Planta com a implantação dos Viveiros das Antas de Jacinto de Matos

Foi reconhecido pelos seus projectos em jardins e parques por todo o País, tais como, o Parque de S. Roque, a Casa das Artes, o jardim da Ordem dos Médicos, em Arca d'Água, o Parque da Curia, o Parque de Pedras Salgadas e os espelhos de água dos jardins da Presidência do Conselho de Ministros, e de muitos outros.
Até aos anos 30 manteve-se intacta tendo sido cedido em 1932 à Câmara Municipal do Porto uma vasta fatia de terreno para a abertura da Avenida Fernão de Magalhães e pouco tempo depois doado outra parcela de terreno para se erigir a Igreja da Antas e espaços para o futuro Centro Social, de gaveto com a rua do Vigorosa.
Em 1948, a família vendeu cerca de 48.000 m2 ao Futebol Clube do Porto para a construção das suas infra-estruturas desportivas, campo de futebol e outras instalações do clube, reduzindo parcialmente a sua vasta área territorial da quinta.

Fotografia do Estádio das Antas (ano de 1952)
No canto inferior direito é visível a Casa e Quinta de Salgueiros

A casa regressa à família no ano de 1956 e permaneceu habitada até finais dos anos 70 e ainda com caseiros, sendo esta prática agrícola apoiada pelas águas de minas e através dos seus sistemas hidráulicos então existente, que levava a água dos tanques dos jardins, aos pomares, às hortas e aos campos de pasto e cultivo.
Neste período realizaram-se inúmeros eventos, tais como casamentos, festas, arraiais de beneficência e visitas de figuras relevantes da época.
A partir desse período a casa permanece fechada e a espaços a casa é utilizada pela família para actividades de diversão da juventude e amigos e ao mesmo tempo servindo de área para ocupação de pequenas tarefas de recolha e preparação de mobiliário e antiquário.
Nos anos 90, final do ano de 1991, deflagra um incêndio que destruiu parcialmente a casa e capela, que já se encontrava destelhada, consumindo todo o madeiramento e recheio que aí se encontrava, finalizando toda a actividade existente, que já era pontual.
Com este incêndio é perfeitamente visível toda uma construção em granito com elementos arquitectónicos dos finais de setecentos onde junta uma fonte barroca de excepcional concepção e extremamente harmoniosa.
Para além destes elementos arquitectónicos são também patentes os marcantes muros que limitam a casa, os seus bancos de pedra, fontes, tanques e todo um percurso de escadarias e de pequenos azulejos decorativos espalhados, aplicados nos muros em redor da casa, já só visíveis e deteriorados em dois ou três locais e encobertos pelos lixo e vegetação.
Tudo isto envolto em jardins decorativos com desenhos singulares delimitados por buxo, bem como de todo um conjunto de árvores de especial relevância arbórea, da sua época em que foram plantadas, permanecendo desde aí algumas camélias, pinheiros, cedros, ciprestes-do-Biçaco, bétulas, Prunus, magnólias, grevileas, carvalhos-americanos e de uma importante faia, que entretanto foram crescendo sem qualquer controlo e manutenção permitindo que em qualquer momento tudo possa desaparecer através de pequeno fósforo, se nada for feito.
No ano de 1999 deram-se inícios a negociações de compra da quinta, entre a família, o Futebol Clube do Porto e a Somague, tendo sido adquirida no ano de 2000, com o objectivo de concretização do Plano de Pormenor das Antas.
De modo acelerar este estudo e tendo como objectivo ao Euro 2004, a autarquia portuense entrou em negociações com permutas de terrenos, vindo a adquirir por valores polémicos que resultaram em investigações e que culminaram em segredo de justiça, mas que até à presente data tudo continua sem se saber ao certo os verdadeiros meandros deste rendoso negócio tornando-se até à data a actual proprietária desta quinta secular.
A partir dessa data que nada foi feito naquele denso pulmão verde permitindo a intrusão de qualquer meliante, para actos menos adequados, constatando-se a permanente destruição, lixo, abandono, silvas, mato e a ruína das construções e muros que se encontram espalhadas pelo que resta da quinta.
A casa, construção do séc. XVIII, era constituída por dois pisos e encostada a uma capela com invocação a Nossa Senhora da Estrela.

Portal de entrada com aparente degradação - inícios do séc. XXI

Fotografia mais recente (ano de 2010)

Tinha como entrada um portão de granito, com o nº 341, pela rua do Vigorosa, arruamento sinuoso e estreito que rasgava a quinta até à rua de Contumil.
O acesso fazia-se por percurso que entroncava numa fonte com um obelisco de granito trabalhado, de características barrocas, encontrando-se rodeada de jardins de buxo e árvores centenárias, e que o contornando se confrontava com uma escadaria que fazia o destaque da fachada principal da casa.

Vista lateral à cota do rés-do-chão

Vista do tanque e da lateral da casa em cota inferior

Caminho interior
Fonte com Obelisco (vista para o portão)

Fonte sem Obelisco (vista para a casa com escadaria visível)

A casa continha uma dupla escadaria frontal e duas entrada, uma térrea e outra no cimo da escadaria. A capela, à sua esquerda era constituída por um piso de sobrado de madeira que separava a nave por um piso inferior de ligação ao exterior e ao interior da casa.
É ainda visível no lado direito da capela umas janelas que interligavam a casa, servindo de auxilio às actividades religiosas por parte dos donos da casa, privando-se de ligações com crentes que utilizavam a capela nos actos de fé.


Projecto de alteração da casa, em 1916, por João da Costa Ramalho (parte do projecto)

Requerimento a 8 de Novembro de 1916, do pedido de obras por parte de João da Costa Ramalho



Memória descritiva dos trabalhos a realizar (aprovado a 16 de Novembro de 1916)



Apreciação camarária com o cumprimento das regras com um "satisfaz"
Despacho a 15 de Novembro de 1916


Emissão de guia de licença das obras a 23 de Novembro de 1916

O interior da casa continha um piso superior destinado aos quartos e num rés-do-chão para o uso diário e corrente. Era servida de vários fogões de sala de grandes dimensões e o acesso ao piso superior fazia-se por uma escadaria que ligava a um corredor central e que fazia a distribuição pelos restantes compartimentos.

A família
Com já foi referido a casa passa para a posse da família de Augusto Geraldes de Mesquita por casamento com Maria Balbina Carneiro e Silva. Através de sua filha chega por casamento com João da Costa Ramalho à designada família Ramalho conforme se comprova pelas árvores genealógicas apresentadas, dos Mesquita e dos Carneiros e Silva e de uma segunda, dos Mesquita Ramalho.
 Árvore Genealógica da família Mesquita e Carneiro e Silva


Árvore Genealógica da família Mesquita Ramalho



A degradação actual - Geral e Local

O lamentável estado actual a que esta quinta centenária ficou sujeita após a sua decadência a partir dos anos 70, incluindo o incêndio em 1991 e acrescida da aquisição e abandono por parte da Câmara Municipal do Porto.


Envolvente e Evolução temporal desde 2000



Projecto da Futura Praça Maior 
No canto inferior direito vê-se circunscrito a Quinta de Salgueiros


Futuro Parque Urbano de 5 ha 
A mancha verde, mais escura, à esquerda, pertence à Quinta de Salgueiros




A Quinta e Casa

Fotografia aérea (Google Maps)

Fotografia actualizada (Nov. de 2017)

Fotografia da fonte em estado de abandono

Fotografia da fachada principal (já em estado de abandono)

Fotografia da fachada principal (já em estado de degradação total)

Fotografia de ruínas dos anexos

Fotografia da fachada lateral em ruína

Fotografia da capela


Peças de azulejo espalhadas no chão

Percurso até à casa com fonte em jardim


Carrancas no elemento de granito que apoiava o obelisco da fonte


Interior da capela





Pormenores




Fotografia da casa pelo exterior

Agradecimentos e material utilizado:

A recolha de texto e fotografias provêm de outros trabalhos por parte de pessoas interessadas neste tema e que pretendem lembrar e não esquecer, de que o tema merece a maior atenção.
A todos eles agradeço a permissão de incluir e acrescentar mais algumas histórias sobre este património.
Lembro que está em curso uma petição pela "Salvaguarda, Classificação e Reabilitação da Quinta de Salgueiros enquanto Espaço Cultural e de Lazer - http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT86412

As fotos e as fontes de informações foram recolhidas de:

- Alexandre Silva
- Paulo V. Araújo
- Teófilo Rego
- Arquivo de família
- pessoais (de visita efectuada em Novembro)

- Documento de família "Quinta de Salgueiros", 2000, de Ana Maria Alves de Sousa
- monumentosdesaparecidos.blogspot.pt
- cidadaniaprt.blogspot.pt
- gisaweb.cm-porto.pt
- www.facebook.com/forumcidadaniaporto
- http://peticaopublica.com
- monografia de Campanhã, Junta de Freguesia de Campanhã
- https://books.google.pt
- http://www.cmjornal.pt

12 de março de 2018

Casa dos Boto e Calheiros (28) - Viana do Castelo




Foto tirada por João Baptista Malta

Pedra sobre janela da casa


Descrição da Pedra:
Pedra de Armas em granito, escudo oval integrado em cartela recorta, esquartelado de:
I e IV - Boto (mal representado, ambos os quarteis dimiados do esquartelado franchada das armas de linhagem)
II e III - Calheiros (sendo no II as estrelas terão sido delidas pelo tempo)



Fotos retiradas do Google Maps

A Casa e Família:
A obra "Casas de Viana Antiga", 1973, volta a registar uma casa que praticamente não é abordada em qualquer documento, jornal, revista e muito menos em registos locais daquele concelho.
Volto a transcrever partes de um texto sobre aquela casa, da pedra de armas e por lá quem passou/morou de figuras publicas.
" Existe na Rua da Bandeira uma casa em que poucos reparam, à esquerda de quem caminha para a Praça. O seu estado de decrepitude chegou a ponto de se pensar que por certo mais dia menos dia desapareceriam tanto mais que nenhum primor arquitectónico comportava o seu exterior. Possui no entanto sobre a janela central, de parapeito, do primeiro andar, uma muito bonita pedra de armas - de Boto e Calheiros, tendo por timbre uma torre encimada por duas cabeças. Aqui viveram muito tempo os membros dessa família.
Eram os Botos de origem alentejana; parece porém que, como a outros de fora sucedera já, um deles Diogo Dias Boto, aqui casou, prendendo-se, em consequência disso, à região. Foi sua mulher Gracia Carneiro, irmã de Pedro Dias Carneiro, ultimo Comendatário do Mosteiro de Miranda em Arcos de Valdevez.
E logo no séc. XVI se dá a ligação dos Botos com os Calheiros, por ter o filho de Diogo, Pedro Boto, casado com Branca Lopes Calheiros (ou Branca Barbosa, conforme certos estudiosos, que a designam assim pelo nome materno), irmã de Pedro Dias Carneiro, ultimo Comendatário do Mosteiro de Miranda; dela havendo geração que ainda hoje perdura no Minho, - através dos Barbosa Aranha, - nos Pimenta de Castro (por Manuel Pereira Pimenta Barbosa, ultimo coronel comandante do Regimento de Milícias dos Arcos), nos Gama e Azevedos da Casa da Aguada em Coura, e noutros ainda.
Os apontamentos a que me reporto são trabalho do coronel Sousa Machado, pois Porto Pedroso, que se ocupou de tantas Casas de Viana, não menciona esta; - sem dúvida, pense aquele, porque já em seus dias não havia ali descendentes directos da família, nem a esta pertencia mais.
Por esta casa passou e viveu por uns tempos, Guerra Junqueiro, quando exercia na cidade o cargo de secretário geral do Governo Civil de Viana.
(...) Também ele, transmontano, casou com uma vianense, filha do "Sebastião Neves das diligências" - enlace que se realizou , com grande pompa, em Janeiro de 1880, na Igreja dos Mártires de Lisboa. E a quem toda a vida consagrou profundo afecto.
Com ela habituou a Casa dos Boto e Calheiros. Afectivo também para com as duas filhas que tiveram, Maria Isabel e Julia. (...)
(...) Adeantado jáo séc. XX, igualmente naquela casa da Rua da Bandeira se instalou, com sua família o Dr. José de Matos, que foi presidente da Câmara desta cidade e notável animador do desporto na região, devendo-lhe o Spot Clube Vianense dinâmico apoio.
Da família da mulher do Dr. José de Matos, D. Rosa, era o conhecido cientista Dr. José Casimiro Carteado Mena, vianense de Darque.
Em duas casas, que se saiba, moraram os Botos em Viana. A primeira situada na actual praça da republica, pertencente a uma família nobre - em nada porém ligada à sua. A segunda, portanto, situada na rua da Bandeira, que era da família de Bertiandos. E que, como já foi  referido, mais que uma vez, mais tarde passou de mão.
Por capricho do destino tornou esta casa - recentemente restaurada enfim, - a ser pertença de descendentes dos velhos donos. Já que Manuel Duarte Pimenta de castro Damásio, eng. agrónomo, nascido em Viana em 1945, filho de Américo de Almeida Araújo Damásio e de D. Maria Adélia da Gama Pimenta de Castro, veio a casar com Maria Júlia Figueiredo Arriscado de Magalhães, de Viana igualmente, ainda sua parente, filha de D. Juília de Sousa Figueiredo e de Joaquim José Meira Arriscado do lago Magalhães, proprietários em Deucriste, - e proprietários desta Casa da Rua da Bandeira.



Viana do Castelo - Origens:
"A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos (anteriores à cidadela pré-romana) no Monte de Santa Luzia.
A povoação de Viana recebera a Carta de Foral, de Afonso III de Portugal em 18 de Julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana, da Foz do Lima.
Até à sua elevação a cidade em 20 de Janeiro de 1848, a actual Viana do Castelo chamava-se simplesmente "Viana" (também referida como Viana da Foz do Lima" e "Viana do Minho", para diferenciá-la de Viana do Alentejo.
Na cidade - que cresceu ao longo do rio Lima - podem ser observados os estilos renascentistas, manuelino, barroco e Art Deco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um circulo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos e artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz, que remonta ao séc. XV, a Capela da Misericórdia (séc. XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da Monarquia (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito do séc. XVI."
Para além deste Património arquitectónico no pequeno núcleo citadino vislumbram-se casas típicas dessas épocas e com as características e ornamentos aos estilos atrás mencionados.
Dessas casas aparecem pedras de armas afixadas nas fachadas, sendo distribuídas por casas tradicionais, por casas nobres e apalaçadas, cujas personagens justificaram a mercê dada pelo seu rei, quer por actos em prol do País, quer em prol da benemerência e interesses locais ou por razões politicas.
No pequeno núcleo histórico circunscrito entre a linha férrea e o rio Lima e por pequenos passeios pedonais realizados pessoalmente pelo seu interior se destacaram e se recolheram um bom punhado de Brasões, de Heráldica de Família, que se pretende abordar e mostrar neste blogue.
Dos 27 brasões referenciados no mapa, alguns não foram encontrados neste pequeno passeio efectuado em dia e meio, de uma pequena estada naquela linda cidade.  A recolha mereceu também em buscas de sites locais que me ajudaram a enriquecer este projecto de inventariação de brasões de família no núcleo antigo desta cidade.
Provavelmente haverá ainda outros por descobrir nessas pequenas vielas e ruas, e encobertas em muitas casas que apresentam características muito especiais, à sua época a que cada uma delas terá sido edificada. Vislumbramos, portas e janelas lindamente executadas em granito, do barroco ao manuelino, muitas casas ainda sustentam nos seus beirais gárgulas de todos os feitios e igualmente outras pedras de armas, nacionais e da cidade.
À medida que se apresenta cada peça de armas, e sempre que possível, será abordada a descrição da pedra de armas e de uma pequena história, da casa ou da família, efectuada pela recolha na internet e especialmente no blogue "olharvianadocastelo.blogspot" e da obra "Casas de Viana Antiga" que merecem uma especial atenção e um elogio de relevo por se dedicarem exclusivamente ao concelho e à cidade.

Esquema geral da localização das Pedras de Armas de Família - Viana do Castelo

Listagem:
1 - Casa dos Monfalim (séc. XVII/XVIII) - Gaveto do Passeio das Mordomas da Romaria com a Rua Nova de Santana
2 - Casa da Barrosa (séc. XVIII) - Rua Manuel Espregueira, n.º 87
3 - Casa dos Abreu Coutinho (séc. XVIII (?)) - Largo Vasco da Gama
4 - Casa dos Melo e Alvim (séc. XVI) - Av. Conde da Carreira
5 - Capela da Casa da Carreira (séc. XVIII) - Rua dos Bombeiros
6 - Casa dos Werneck (séc. XIX) - Av. Conde da Carreira, n.º 6
7 - Casa dos Pimenta da Gama ou Casa da Piedade (séc. XVIII) - Rua Mateus Barbosa, n.º 44
8 - Casa do Campo da Feira (séc. XVIII) - Largo 5 de Outubro, n.º 64
9 - Casa dos Sousa Meneses - Rua Manuel Espregueira, n.º 212
10 - Casa da Vedoria (séc. XVII) - Rua Manuel Espregueira, n.º 152
11 - Casa da Carreira (séc. XVI) - Passeio das Mordomas da Romaria
12 - Casa Costa Barros (séc. XVI) - Rua S. Pedro, n.º 28
13 - Casa dos Aranha Barbosa - Rua da Bandeira, n.º 174
14 - Casa Barbosa Maciel (séc. XVIII) - Largo S. Domingos
15 - Casa dos Malheiro Reymão (séc. XVIII) - Rua Gago Coutinho e Praça das Couves
16 - Palácio dos Cunhas (séc. XVIII) - Rua da Bandeira
17 - Casa do Pátio da Morte - Rua da Bandeira, n.º 203
18 - Casa dos Pita (séc. XVII) - Rua Prior do Crato, n.º 56
19 - Hospital Velho (séc. XV) - Rua do Hospital Velho
20 - Casa dos Torrados - Av. Luís de Camões, n.º 19
21 - Casa dos Sá Sottomaior - Praça da Republica, n.º 42
22 - Casa dos Agorretas - Gaveto da Rua dos Rubins com Rua Manuel Espregueira
23 - (familia desconhecida) - Travessa da Victória, n.º 8
24 - Casa de João Velho ou Casa dos Arcos - Largo do Instituto Histórico do Minho
25 - Casa dos Medalhões, gaveto da Rua do Poço com o Largo da Matriz
26 - Casa dos Alpuím, Passeio das Mordomas da Romaria
27 - Casa dos Pereira Cirne - Rua da Bandeira, n.º 219
28 - Casa dos Boto e Calheiros - Rua da Bandeira, n.º 124 

fontes e texto retiradas de:
- Obra "Casas de Viana Antiga", de Maria Augusta d'Alpuím e de Maria Emília de Vasconcelos