NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

17 de fevereiro de 2019

Brasão de Luís Álvares de Távora, Igreja dos Grilos, Porto

Foto pessoal - vista da pedra de armas

História:
O colégio e igreja de S. Lourenço foram construídas nos inícios do ano de 1577 por ordem da Companhia de Jesus, cujo emblema está na fachada da igreja.
A frontaria monumental, de estilo maneirista, é composta por dois registos com diversas decorações, sendo que, ao centro, e sobre uma janela, se insere o brasão de Frei Luís Álvares de Távora e a rematar no seu topo a Cruz de Malta.
Depois da expulsão dos Jesuítas foi vendida aos Agostinhos descalços, conhecidos por Frades Grilos, designação pela qual ficou mais conhecida esta igreja, e que aqui permaneceram até 1832.
Permanece nesta pedra de armas e neste caso, no segundo quartel, a representação das poucas armas dos Távoras que escaparam à perseguição da sua destruição, por mando do Marquês de Pombal.
Encontra-se situada sobre a janela principal, no Largo do colégio, junto ao terreiro da Sé.
A pedra de armas tem a seguinte descrição:
Classificação:    Heráldica de Família
Época:              Séc. XVII
Escudo:             Francês ou quadrado
Material:           Granito
Formato:           Esquartelado
Leitura:             I - Sousa (do Prado)
                         II - Távora
                         III - Moura
                         IV - Tavares
Coronel:            de Marquês
Timbre:             de Costa (duas costas de prata, passadas em aspa e atadas de vermelho)
Cores:              I, esquartelado, o 1º e 4º de prata, com cinco escudetes de azul postas em cruz, cada escudete carregado de 5 besantes de prata, postos em sautor (em aspa); o 2º e 3º de prata com um leão de púrpura;
                        II - de prata, com cinco faixas ondeadas de azul;
                        III - de vermelho, com sete castelos de ouro, postos 3/3/1;
                        IV - de ouro, com cinco estrelas de vermelho de seis raios, postos em sautor (em aspas);

Foto pessoal - vista da pedra de armas

Informação retirada da obra:
Brasões e Pedras de Armas da cidade do Porto, Manuel Cunha

26 de janeiro de 2019

Brasão dos Costa Lima, S. João Novo, Porto


Foto pessoal - vista da pedra de armas

Encontra-se situada sobre o portal de entrada do palacete de S. João Novo, no Largo do mesmo nome e que acolhe ainda a Igreja e Mosteiro.
A pedra de armas tem a seguinte descrição:
Classificação:    Heráldica de Família
Época:              Séc. XVIII
Escudo:             de fantasia
Material:           Granito
Formato:           Partido
Leitura:             I - Costa, cortado de Lima
                         II - Melo, cortado de Alvim
Elmo:                com grades e deveria ser voltado à direita
Timbre:             de Costa (duas costas de prata, passadas em aspa e atadas de vermelho)
Cores:             I, de vermelho, seis costas de prata, finadas nos flancos e postas em faixa; cortado - com esquartelado, I e IV de prata, com leão púrpura armado de azul, dos SIlvas, II e III de prata, com, três faixas de ouro enxaquetadas de vermelho, de três tiras de Soutomaior;
                       II - bordadura de oiro, com seis bilhetas deitadas, de vermelho, cada uma carregada de um besante de prata; cortado de - esquartelado, I e IV enxaquetado de ouro e vermelho de quatro peças em faixa e de quatro em pala; II e III de azul, com cinco flores-de-lis de ouro;

História:
A perfeita estrutura da fachada de linhas harmoniosas, sobretudo do andar nobre, empresta-lhe um ar verdadeiramente senhorial e caracterizam-no como o tipo de solar setecentista, enquadrado no tranquilo largo de S. João Novo.


Foto pessoal - vista da fachada principal

Os pormenores deste imóvel fazem dele um valioso elemento de grande interesse  para o nosso património e apresenta-se-nos como uma casa apalaçada em estilo barroco do segundo quartel do século XVIII, pelo arquitecto António Pereira.

"... No local onde actualmente se ergue este sumptuoso palacete havia, em tempos remotos, pequenas casas pertencentes a António Bravo, contratatdor das enxárcias da cidade do Porto e feitor das ribeiras do Ouro. Passaram essas casas para o domínio da Coroa e o rei D. Afonso VI fez presente delas, em julho de 1665, a D. Gaspar Cy, natural de Sevilha e a sua mulher Dona Antónia Sandoval, como recompensa de serviços prestados ao Reino na Praça de Manzagão. Como a esse andaluz não interessava possuir residência em Portugal, apressou-se em as vender, e assim foram as cass adquiridas, em outubro desse mesmo ano, por Domingos Antunes Portugal, magistrado muito competente, detentor de avultada fortuna, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação e membro do Conselho Ultramarino, o qual por seu turno as vendeu no mês de agosto de 1767, a Pedro da Costa Lima pela importância de 360$000 reis. (...), in Nunes da Ponte, Tripeiro: Casas Antigas do Porto, série V, Ano VIII, pág.69".

Foi residência deste homem ilustre e de sua esposa, Dona Maria Thereza de Mello e Alvim, natural de Viana do Castelo, fidalgo cavaleiro da Casa Real, o qual exerceu diversos cargos na cidade, como Administrador do trem do Ouro e dos estaleiros da Ribeira, guarda-mor de Lastros e Tabacos, Administrador da Casa da Moeda, cavaleiro da Ordem de Cristo, foi quem procedeu à transformação das velhas casas e mandou erigir seu palacete no Largo de S. João Novo.
Posteriormente, sua filha mais nova, Dona Anna Casimira de Lima e Mello (26/4/1702 e 1/5/1792), senhora do Morgado e Palácio de S. João Novo terá casado na Igreja Paroquial da Vitória, em 8/9/1726, com Diogo Francisco Leite Pereira (4/7/1698-?), 12º senhor de Gaia-a-Pequena, da Quinta de Quebrantões e 11º da Casa de Campo Bello, descendente da família dos Távora de Noronha Leme Cernache, que terá herdado essa casa.
A sua construção serviu de habitação a uma ilustre família do Porto, como está patente no brasão em granito colocado sobre a porta principal, da família acima descrita.
A pedra de armas quase se pode considerar com a assinatura do artista. É uma das melhores quanto ao desenho, embora a posição do elmo esteja fora das métricas da heráldica, que deveria estar voltado para a direita do escudo. Todavia pelo primor do lavrado e perfeita sucessão dos planos é um óptimo conjunto decorativo.
O palácio ocupa um local de difícil implantação. O fundo da casa situa-se a um pano da muralha da cidade, parecendo ter sido escavado na alta escarpa que se levanta atrás.
Contra o declive estão as dependências do edifício, uma série de terraços ligados por escadas, passadiço e ramadas. Todos construídos em granito com jardins em socalcos, com tanques de água alimentados pela mina de Arca de Água.
São dignos de nota tanto a fachada principal como, no interior, a escadaria nobre.
Chegados à entrada do edifício deparamos com a escadaria aberta que ocupa toda a zona central do edifício. A portaria é dominada por um grande arco abatido apainelado, cujas molduras terminam num par de volutas. Aos dois lados da entrada o arco repete-se como eco do motivo dominante.
Dois degraus por baixo do arco da escadaria conduzem ao vestíbulo, cujo fundo é formado por três arcos. O do meio dava acesso ao cofre-forte da família Costa Lima (que ainda conserva as primitivas grades de ferro) e os dos lados comunicavam com a escadaria.
Do vestíbulo vêm-se dois lanços de escadas que, atingindo o primeiro patamar, se combinam para formar uma só escadaria.
Um grande portal à cabeceira da escada remata a composição, mantendo-se nele as formas quadradas do parapeito. A simplicidade da abertura evoca as portadas exteriores.
Durante a sua existência, o palácio assistiu a muitos dos acontecimentos históricos da cidade, entre eles a segunda Invasão Francesa, em 1809, e o Cerco do Porto, em 1832, cujos vestígios se atestam em restos de fardas, botões e vários emblemas aparecidos em escavações no jardim.
nestas alturas, este e muitos outros palácios foram abandonados pelos seus proprietários sendo ocupados pelos invasores e liberais, tendo sido o atual palácio alugado, nesse período, à Tipografia Portuense e reassumido pelos proprietários em 1846. Até que em 1940 o palácio, então pertença da Junta de Província do Douro Litoral, foi transformado em Museu de Etnografia e História que nos finais do séc. XX encerrou as suas portas.

textos retirados de:

- Brasões e Pedra de Armas da Cidade do Porto, Manuel Cunha
- O Tripeiro, Casas Antigas do Porto, série V, Ano VIII, pág. 69
                

1 de janeiro de 2019

Brasão dos Cunha e Aranha, Claustros da Sé, Porto

Foto pessoal - vista da pedra de armas

Encontra-se situada sobre o portal de entrada da capela de Nossa Senhora da Esperança, nos claustros da Sé do Porto.
A pedra de armas tem a seguinte descrição:
Classificação:    Heráldica de Família
Época:              Séc. XVII
Escudo:             Clássico
Material:           Granito
Formato:           Esquartelado
Leitura:             I e IV - Cunha e II e III - Aranha
Elmo:                Aberto, com grades, e Paquife
Timbre:             de Cunha (grifo sainte de ouro)
Cores:               I e IV, de ouro com nove cunhas de azul, postos 3 em 3;
                     II e III, de azul com asna de prata,carregada em chefe de um escudete de vermelho com banda de prata carregada de três aranhas de negro; a asna acompanhada de três flores-de-lis de ouro;

Foto pessoal - pedra de armas inserida numa moldura de grande elemento decorativo


26 de dezembro de 2018

Jazigo da família do Visconde Pereira Machado, Cemitério da Lapa


Foto pessoal - vista da pedra de armas

Guilherme Augusto Machado Pereira, foi o 1º Visconde de Pereira Machado (8/4/1822 - 14/4/1868), fidalgo da Casa Real, comendador das Ordens da Coroa e da Rosa do Brasil, vereador da Câmara do Porto, capitalista e comerciante, possuidor de avultada fortuna, com propriedades nesta cidade e no Rio de Janeiro.
Foi casado com Dona Cândida Guilhermina dos Santos Vieira Rodrigues Fartura.
Da sua história poderá visualizar em outras pedras de armas distribuídas por esta cidade, como são o caso das suas residências R. Formosa e da casa na Praça do Marquês.
Da pedra de armas temos a sua descrição com:
Classificação:    Heráldica de Família
Época:              Séc. XIX
Escudo:             Francês ou quadrado
Material:           Mármore
Formato:           Partido
Leitura:             I - Pereira e II - Machado, moderno
Elmo:                Aberto, com grades, tarado a 3/4 à direita, com Virol e Paquife
Timbre:             está mutilado
Diferença:         uma arruela.....numa brica de...
Obs.:                bom desenho heráldico dentro dos cânones do séc. XIX e bom trabalho do canteiro relativo ao paquife. O campo do escudo apresenta as indicações das cores heráldicas. Inferiormente ao escudo apresentam fitas com  insígnias com a comenda da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição e da Ordem Imperial da Rosa (Brasil).
Foto pessoal - vista do jazigo

23 de dezembro de 2018

Bom Natal e Bom Ano 2019

São os votos deste blogue a todos os pesquisadores  pretendem visitar toda a informação apresentada nestas páginas.
E, já agora um Bom Ano 2019 

25 de outubro de 2018

Barreto Ferraz, Igreja de Stª. Clara, Porto

Foto pessoal - tirada no interior da igreja




Brasão:         Barreto e Ferraz
Material:       Talha dourada
Época:         Renascença / Séc. XVI
Estilo:          Manuelino / desconhecida
Família:      Fernam Nunes Barreto Ferras
Construção:    Aplicado na parede do interior da igreja
Localização:    Largo do 1º de dezembro
Freguesia:      Sé
Descrição:      Situa-se no interior da Igreja de Santa Clara, Porto
Conservação:   Bom
Classificação:   Heráldica de família
Escudo:         Português ou boleado, com ponta
Formato:       Esquartelado
Leitura:       I e V – Barreto (mal representado)
                 II e III – Ferraz
Elmo:         Voltado à esquerda (erradamente), com virol        
Cores:       I, esquartelado, com I e IV, de prata com 6 arminhos perfilados, dispostos                   2, 2 e 2;
               II e III, de vermelho, com seis arruelas de ouro e cada uma carregada de três                  faixas de negro, disposta de 2, 2 e 2;



Fernão Nunes Barreto terá nascido entre de 1460 e 1520, natural de Mesão Frio, foi Cavaleiro-Fidalgo, cidadão do Porto, 4º senhor do juro e herdade de Gafanhão (Castro Daire) e dos coutos de Freiriz (Vila Verde) e Penegate (Amares) com todos os seus padroados e senhor da quinta de S. João da Madeira, e de outras.
Era casado com Isabel Ferraz, nascida no Porto cerca de 1500, era filha de Afonso Rodrigues Leborão, cavaleiro da Casa-Real, almoxarife de Aveiro e cidadão do Porto, cidade onde parece ter sido o primeiro proprietário da casa dos Ferraz, na rua das Flores, e de sua mulher Beatriz Ferraz.
Aquele, era filho de João Nunes Cardoso Gouveia, foi cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor dos coutos de Freiriz, Penegate e 3º senhor de Gafanhão, cujos direitos comprou a 1/10/1498 ao Conde de Penela e teve deles doação real de juro e herdade a 24/12/1505 e de sua esposa (1ª mulher), Dona Leonor Gomes Barreto, falecida a 17/3/1498, em Aveiro, onde viviam.
De seu casamento, Fernão Nunes Barreto com Isabel Ferraz terão nascido 13 filhos, João (padre Jesuita), Gonçalo (fidalgo da Casa-Real), Gaspar Nunes (Almoxarife dos armazéns da cidade), Belchior (Jesuita e Provencial da Companhia de Jesus na Índia), Afonso (padre Jesuita), Diogo, Joanna, Balthazar (Jesuita na Índia), Ignácia, 3 filhas freiras (desconhecendo-se os nomes) e Inês Barreto.

informação retirada de:
http://www.genearc.net/index
http://www.soveral.info/mas/MeirelesBarreto.htm                            
https://books.google.pt/books?                         
https://books.google.pt/books?
Brasões e Pedras de Armas da Cidade do Porto, de Manuel Cunha

7 de outubro de 2018

Ponta de Lança - Baltar, Paredes



Foto pessoal

José Vicente da Silva (1896-1986), natural de Baltar, proprietário de vários terrenos na serra do Muro, no Concelho de Paredes, descobriu há muitos anos esta "ponte de lança".
Pelas suas conversas, à época, ter-se-à deduzido que terá sido encontrada entre os anos 50 e 60 e por desconhecimento e falta de informação não deu grande importância à peça.
Dizia que era uma peça dos tempos dos "mouros" e pouco mais. Um dia a peça voltou à ribalta pelo facto de que o alambique em que produzia bagaço decidiu deixar de o fazer e foi neste espaço que seus familiares recolheram a peça, pois estava a servir de cabide.
Pelas suas características a "ponta de lança" aparenta ser do período do - bronze final e estará ligado a um Castro existente na serra do Muro, composto por uma linha de muralha, fechada e erguida nas vertentes da serra, ao longo de um perímetro de cerca de 4.200 m, construída em pedra aparelhada solta, com largura média de 3.80 m e podendo atingir altura de mais de 3.0 m.
Este Castro tinha um carácter defensivo pois a sua implantação situa-se no ponto mais alto da região permitindo uma visibilidade de grande alcance e para várias orientações.
Foto pessoal

A peça, com cerca de 15 cm de dimensão, foi nestes últimos anos objecto de interesse arqueológico por parte de técnica da autarquia de Paredes, Dr.ª Maria Antónia, arqueóloga de formação, e que por diversas vezes  lhe foi permitida servir-se desta peça para estudos e análise.
Recentemente foi elaborado um estudo mais profundo por uma equipa especializada do qual resultou um documento que pormenoriza com mais exactidão pormenores e detalhes desta peça que se aponta como rara e única na Península Ibérica.
Por autorização desta técnica é permitida a apresentação do documento e que se expõe:





5 de outubro de 2018

Brasão dos Freire de Andrade - Porto


Pedra de Armas - Foto pessoal


A Pedra de Armas
Formato:
            Esquartelado
Descrição:  
            I - Coutinho
            II - Pereira
            III - Freire de Andrade
            IV - Bandeira
Material:
            Granito
Escudo:
            Suíço ou Ogival Inglês
Timbre:
            de Coutinho
Coronel:
            de Visconde
Cores:
I - de ouro, com cinco estrelas de cinco pontas, de vermelho, em aspas;
II - de vermelho, com uma cruz de prata florenciada e vazia do campo;
III - de verde, com banda de vermelho, perfilada de ouro, abocada por duas cabeças de serpe do mesmo, dentadas de vermelho, e bordadura de prata com as palavras "AVE MARIA" de negro;
IV, de vermelho, uma bandeira quadrada de ouro, hasteada do mesmo, perfilada de prata e carregada de um leão azul, armado e lampassado de vermelho

Pedra de Armas - Foto retirada de Gisaweb


A Casa
Trata-se de uma construção dos finais do séc. XVII e princípios de seguinte. É uma casa-nobre típica do Porto do período do barroco, nobilitada no eixo central do portão.
Portal principal

No séc. XVIII este edifício sofreu algumas modificações sendo a pedra de armas o mais relevante, o que denuncia época posterior ao traçado do edifício . O portal que dá acesso ao átrio de entrada foi alterado, encimada por uma cartela com escudo esquartelado e sobrepujada com coroa, em granito bem conservado, mandado brasonar por António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira.
A linha contornal do escudo, ao gosto inglês, harmoniza-se num equilibrado conjunto, muito valorizado pelas palmas e coronel de visconde.
Arquitectonicamente, o portal é um motivo curioso de belo sabor italiano, possivelmente inspirado no que o antecedia no terreiro do antigo Paço Episcopal.
No andar nobre há seis janelas de peito, três de cada lado do brasão.
Fachada Principal - Foto antiga retirada do blogue "http://doportoenaoso.blogspot.com/"

Fachada Principal - Foto actual retirada do blogue "http://doportoenaoso.blogspot.com/"

Os terrenos eram do Cabido e já seriam emprazados desde o séc. XVI, tendo sido emprazada a João Pinto do Bonjardim, filho de Belchior Pereira Pinto, senhor da Quinta de Santo António do Bonjardim, e que terá reunido 3 parcelas onde a casa já lá existiria.
Posteriormente terá sido vendida a Miguel Tavares Leitão. Mais tarde, passou para descendentes deste, tendo ficado nas suas posses até 1708, ano em que foi adquirida por Cristóvão de Magalhães, arcediago de Oliveira do Douro.
Actuais limites de propriedade (recortada pelo funicular)

Seu sobrinho, Luis de Magalhães, igualmente arcediago de Oliveira do Douro, foi o encomendador das obras, que deixaram o palacete com o aspecto actual.
Tinha uma amante com a qual teve, Dona Jerónima Luísa de Magalhães, que herdou a casa, alugando-a.
Em 1730 ali residia Diogo de Sousa Távora Maneses de Araújo, fidalgo da Casa Real, alcaide-mor de Lindoso, senhor do morgadio de Britelo, mestre campo de Auxiliares, cavaleiro de Cristo e governador-de-armas do Porto.
Dona Jerónima casou com Henrique Carlos Bandeira Pereira, no ano de 1739, filho de José Freire de Andrade, senhor de grande fortuna e que, se não fosse sua esposa pedir permissão dos bens ao rei D. José I, teria desbaratado toda a sua riqueza.
Após a sua morte, a casa passa para seu filho António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira (1747-1820), senhor do palácio da rua D. Hugo, n.º 15, que manda implantar o brasão dos antigos titulares e seus familiares, e ali passa a residir.
Nesta sua casa, vivia rodeado de todas as comodidades e bem-estar compatíveis com a época, ou seja por um capelão privativo, por três criadas, dois criados e um hortelão, além de uma criada negra e um criado de cor.
Foi nesta casa que sofreu a maior humilhação pessoal, com as forças francesas, pela pilhagem dos bens e do risco de vida pelos momentos que passou.
À sua morte, a casa ficou para seu filho, Henrique Carlos Freire Coutinho Bandeira que a prosseguiu até ao séc. XX, tendo sido vendida e nela se ter instalado o Museu da Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro e Luís Pinto Mesquita Carvalho, tendo sido adaptado todo o seu interior.
Localiza-se mesmo em frente à Casa-Museu Guerra Junqueiro sendo considerada uma das casas mais imponentes daquele estreito arruamento.

António Mateus Freire de Andrade Coutinho Bandeira - um episódio
Este fidalgo integrou em 1808 a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino.
Em 1809, no tempo de ocupação francesa, era vereador na Câmara do Porto, tendo-se notabilizado pela sua coragem e resistência antifrancesa na cidade.
Enfrentou os franceses com notável empenho que fica a sua história e daquela casa, na memória dos portuenses.
Tudo começou quando soube da aproximação dos franceses à cidade e mandou sua família para a Quinta da Fundega, em Oliveira do Douro, uma propriedade sua e que lhe garantiria alguma segurança.
Ficou para trás, e então como representante da câmara, por acreditar que as defesas da cidade  sustentariam por mais algum tempo a entrada das tropas, permitindo tomar decisões na câmara, de modo a evitar o saque do erário por parte dos franceses.
Contudo, as linhas de defesa cederam com entrada dos franceses através da quebra da bateria da Prelada, provindo de S. Mamede de Infesta, permitindo a sua marcha pela cidade dentro.
O alvoroço da cidade instalou-se e muita gente começou a sair da cidade. As pilhagens, os atropelos e as atrocidades que se cometiam, julgou que era o fim, e que tudo estava perdido.
Resolveu então fugir, para a sua Quinta, mas a Ponte das Barcas colapsou e os últimos barcos a sair da cidade recusaram-se a levá-lo, de tão perigosa que era a travessia  do rio.
Ele próprio relata este período com a seguinte descrição.
"... chegado acima do muro (da Ribeira) e olhando sobre a ponte achei tanto povo que se caísse uma aresta não cairia no chão... Já havia muita gente afogada. Desci ao Postigo do Pereira (frente a S. Francisco) onde estavam três barcos, ... Prometi que lhes daria aquilo que eles quisessem. Mas eles recusaram. Deviam estar à espera de famílias. Já as balas choviam sobre o rio. Visto aquilo, enfiei pela Reboleira, atravessei milagrosamente a Ribeira, subi por aqueles becos acima (becos do Barredo) e meti-me em casa mais morto que vivo".
Ao voltar a casa, fechou-se, na esperança de ficar a salvo, mas o perigo não tinha acabado. Os franceses evadindo a cidade começaram as suas pilhagens em tudo o que havia de riquezas.
Não tardou, a sua casa fora invadida e nesse instantes terá sofrido a sua maior humilhação, e só não o mataram porque não se obstou à pilhagem a tudo o que queriam, tendo-se esgueirado nesse período para o seu jardim envolto nas vides e lá terá ficado escondido durante dois dias sem que ninguém o visse.
O seu relato é bem vincado de aflição, "... sofri as maiores insolências dos primeiros que me entraram em casa, querendo-me matar; abri-lhes tudo e, logo que viraram costas, fugi para o quintal e metido entre as vides li dois dias sem comer,,,".
Ponderou em sair da cidade, contudo deu ouvidos à voz da razão e decidiu permanecer na cidade, como vereador, sendo um representante dos membros executivos a ficar para trás.
"... quis fugir, é verdade,; mas convenci-me de que a minha fuga seria para a cidade um grande prejuizo, porque meteriam (no governo da Câmara) franceses ou seus apaniguados e que indo eu e José Pamplona (os dois únicos vereadores que permaneceram na cidade) teriam alguma consideração...".

A História da toponímia da Rua D. Hugo
Várias designações tomou esta rua. Em 1221, tinha o nome de Rua do Redemoinho ou Riodemoinho e era, por isso, a única memória de um ribeiro que, em tempos imemoráveis, por ali passava e da azenha que as águas desse ribeiro movia - "Rua dos Moinhos, junto ao Arco das Verdades", vem ainda referido num documento do séc. XVIII.
Com o nome de Redemoinho ainda existe actualmente um beco nas traseiras da capela mor da Sé, onde se insere a casa  mais antiga da cidade.
Aquela artéria teve, também, outros nomes, tais como, de Rua da Catedral, por motivos óbvios, e ainda os de Rua de Trás da Catedral e de Rua dos Cónegos de Trás da Sé.

Informações retiradas de:
https://sites.google.com/site/invictacidade/home/patrimonio-edificado/palacio-freire-de-andrade
https://ruasdoporto.blogspot.com
texto de Germano Silva
htpp://portode antanho.blogspot,com
As Pedras de Armas do Porto, de Armando Mattos
Brasões e Pedras de Armas da Cidade do Porto, Manuel Cunha




2 de agosto de 2018

Carta de Privilégios - Antiga Estalagem da Casa do Areal, Baltar - Paredes



Pormenor do documento

Baltar, que durante a idade média pertenceu ao Concelho de Aguiar de Sousa foi doado, por D. João I, com título de Honra, a João Rodrigues Pereira, que trocou esta Honra com seu primo, D. Nuno Álvares Pereira, em 1401, o qual, por sua vez o doou a sua filha e marido, os Condes de Barcelos, e primos dos Condes de Bragança.
Com Foral próprio, Baltar tinha Câmara com dois Vereadores, Juís Ordinário, Tribunal, Cadeia, Forca e Pelourinho.
Do Foral mandado passar por D. Manuel, em 1515, podemos ler:
"Dom Manuel per graça de Deos Rey de Portugal e dos Algarves daaquem e dalem mar em Africa Sinhor da Guinee e Comquista e Navegaçam e Comercio Ethiopia, Arabia, Perssia, e da India. A quantos esta Nossa Carta de Foral dado aa terraa de Baltar para sempre virê Fazemos saber que per bem das semtenças detreminações geraaes e espiçiaaes que foram feictas por Nós e com os do Nosso Cõsselho e leterados acerca dos Forays de Nossos Regnos e dos dereitos Reaães e trebutos (...) pagar. E asy pellas imquiriçõoes (...) que os direitos Reaães tinham Achamos per Inquiriçoões do tombo que as remdas e direitos reaães se devem hy recadar (...)".
Até ao séc. XIX, pertenceu Baltar à Casa de Bragança e formou Concelho próprio que apenas durou três anos.

Vista actual da Casa do Areal
Casa do Areal (anos 50)


A CASA
A casa do Areal é considerada um ex-libris em Baltar, do concelho de Paredes, quer pela sua idade, quer pelo brasão apresentado no frontão de entrada lateral da casa.
A sua idade é desconhecida contudo há referências de que Afonso Fayão, designado como Abade de Baltar, terá vivido entre os anos de 1558 e 1622, havendo registos com seu nome no ano de 1603 e terá vivido nesta casa podendo-se constatar que pelo menos esta construção já existia nos inícios do séc. XVII.

AFONSO FAYÃO - Quem foi?
Nasceu: cerca de 1558, Vila Viçosa
Faleceu: 3 de Outubro de 1622, em Baltar
Enterrado: Igreja de Baltar
Ocupação: Abade de Baltar
Pai: Dom Teodósio I, Duque de Bragança
Casou com Filipa Gonçalves
Filha: Leonor Fayão
Filho: Paulo Fayão
Era filho de uma dama solteira do Paço Ducal de Vila Viçosa. apresentado pela Casa de Bragança aos 13 anos.
O seu nome aparece pela primeira vez, no registo paroquial da freguesia de Baltar, a 20 de Janeiro de 1594, como padrinho num assento de baptismo, intitulando-se Abade de Baltar. A sua assinatura aparece nos registos desde 11 de maio de 1603 a 16 de Agosto de 1622. Foi sepultado na Igreja de Baltar.
Afonso Fayão viveu naquela que é chamada a Casa do Areal (ou da estalagem), em Baltar. 
A mesma terá sido renovada em 1769 conforme assinala sobre portal lateral. 
A casa chegou a ser usada como estalagem até ao séc. XIX, tendo o Rei Dom José I pernoitado nela (http://carlosmoreira.com.sapo.pt/genealogia/)  e possivelmente ter o direito, nessa data, da utilização do brasão real que ostenta esse portal.

Pedra de Armas da Casa do Areal

CARTA DE PRIVILÉGIOS 
A data referenciada sobre a Pedra de Armas, de 1769, terá sido a data possível de uma reformulação da construção. A passagem do Rei D. José I por aquele local e que lá terá pernoitado naquela antiga casa possibilitou à emissão de uma carta de privilégios por parte da Rainha D. Maria ao estalajadeiro Matheus Luis d'Almeida, no ano de 1782.
Mais tarde foi solicitada através de requerimento por parte de um dos seus filhos, então dono da estalagem, Simão Luis d'Almeida a emissão de uma certidão, no ano de 1812, onde menciona que já exercia essa função há pelo menos 30 anos, para comprovar e dar-lhe os direitos então ordenados pela rainha a seu pai.
Junto se apresenta cópias do documento e de uma transcrição do documento.

Transcrição feita por Manuel Cunha em 24/3/2015

Revisão 28/7/2018
"Diz Simão Luis d’Almeida Estalajadeiro, do lugar do Arial, desta freguesia Honra de Baltar, q pª requerimento, q bem preciza, q a Exmª da Camera desta Honra lhe passe por certidão dos livros da mesma Camera obther do privilegio que foi concedida á sua estalaje as duas petições junto a elle.
                                                              P. Sor. Luis seja servido mandar passar adª. certidão conforme atendivel.
                                                                                            (assinatura)
Passe não havendo inconveniente
Bar. a 1º d e Fev. de 1812
(assinatura)

Antonio José Coelho Ferraz Escrivão e Tabelião d’hum dos Officios do Público Judicial e Nottas nesta Honra de Baltar e Escrivão interino da Camera della por sua Alteza Real o Principe Regente Nosso Senhor, que Deos o guarde.
                                                                                                                                                                                                Certifico, e faço certo aos Senhores que apresente a certidão e em publica forma virem, dada, e passada por authoridade da Justiça em cumprimento do Despacho posto á margem da Petição, em como revendo

Revendo os Livros da Camera desta Honra n’um deles a folhas cincoenta e nove achei o Privilegio pedido na Petição retro, do qual seu theor he o seguinte.

Carta de Privilegios

Registo da Carta de Privilegios da estalagem Real de Matheus Luis d’Almeida do Arial, do que o seu theor he o seguinte

Donna Maria por Graça de Deos, Rainha de Portugal, e dos Algarves d’aquem, e d’alem mar em Affrica, senhora Digné, e da conquista Navegação, Comercio da Ethiopia, Arabia, Percia, e da India Nª. Faço saber a os que esta minha Carta de Privilegios de Estalajadeiros virem: que Matheus Luis d’Almeida, do lugar do Arial, Honra de Baltar, Comarca do Porto me representão por sua Petição e haver mais de trinta annos, que tinha estalajem publica no ditto lugar, com bom tracto, e conveniente comodo para os Passageiros; e porque




E porque queria gozar dos Privilegios, que lhe competia: Me pedia lhe fizesse a mercê de mandar passar Carta na forma ordenada: e visto seu requerimento, Informação, que se houve pelo Corregedor da ditta Comarca do Porto, e Resposta do Procurador da Minha Real Coroa. Hei por bem fazer Graça e mercê do ditto Matheus Luis d’Almeida que daqui em diante seja Privilegiado, e não será conscrangido a hir acompanhar preciso, e dinheiros, a ser Tutor, ou Curador de quaisquer pessoas salvo as Coradorias ou Titurias de Irmãos seus; a pagar fintas, Talhas, Peitas, e pedidos, que por mim no ditto lugar forem lançados; como também dos incargos, que ao ditto lugar pertencerem; menos os quatro officios contheudos em Minha Ordenação do Livro primeiro, titulo quarenta e cinco, de que o não es novo: É o outro sim mando, que as bestas, que elle tiver suas próprias e as que lhe troucerem mantimentos para a ditta. Estalajem lhe não sejao tomadas para o meu Real serviço

Serviço; como também os mantimentos, que tiver para provimento da ditta Estalajem; e que possa trazer vinho de fora para vender nella, e que a ditta Estalajem lhe nao seja dada, nem tomada de aposentadoria para pessoa alguma e as que nella pousarem lhe pagarão pouza das, Camas, e mais Couzas, que da ditta Estalajem lhe tomarem; e não será constrangido a servir-me por mar, ou por terra, tanto em tempo de Paz, como de guerra, nem a outras pessoas: Pelo que Mando ao Juiz Ordinario da Honra de Baltar e mais justiças a que pertencer vizitar a ditta Estalajem, a vizite todos os meses, examinando se se acha provida de todo o necessário, como pela Ordenação são obrigados a ter os estalajadeiros; se tem pronptos os dittos mantimentos afim para gente de pé, como de cavallo que nella quizerem pouzar, e dos preços por que o dão, e achando, que os reputa por mais do que commumente vallem no dito lugar ao dito tempo lhes taxe; regulando-lhe os pressos porque os deve dar, em modo, que faça conveniência, e possa conservar sempre provida a ditta estalajem; e lhe cumprão, e goardem inteiramente esta Minha Carta de Privilegios como nella



Nella se contem, e declara; sem embargo de qualquer posturas, e constituicõens feitas em contrario e não consintão que pessoa alguma de qualquer estado ou condição que seja se aponta ao ditto Privilegio sobpena de que o fazendo pagarem seis mil reis para a Minha Real Coroa; porem não conservando provida a ditta estalajem, nem observando as ditas taxas, estes Previlegios lhe não serão mais goardadas, e procederão contra elle achando-se culpado e pagou de novos direitos seiscentos reis, que se carregarão ao Thesoureiro delles no Livro quarto da sua receita e folhas trezentos e oitenta, e quatro; e registado o conhecimento em forma no Livro trigésimo oitavo do Registo geral a folhas cento e sessenta e hum a verso. A Rainha Nossa Senhora o mandou pelos Ministros abaixo asignados do seu Concelho, e seus Desembargadores do Pais. Balthezar Bezerra Lima a fez em Lisboa aos seis de Novembro do anno do Nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo, de mil setecentos, oitenta e dous: desta mil reis, e de asignatura oitocentos reis: Lourenço Antonio da Silva Paz o fez escrever Bartholomeu José Nunes, cartorio geral de José Ricalde Pereira de Castro, Antonio Freire de Andrade.



D'Andrade enserra... Pagou seiscentos reis, e aos officiaes mil, duzentos, e vinte e oito reis. Lisboa nove de Novembro, de mil, sete centos, e oitenta e dous . " Dom Sebastião Maldonado" Por Despacho do Desembargo do Paço de dezanove de Outubro de mil, sette centos e oitenta e dous . Registado na Chancelaria Môr da Corte, e Reino no Livro de Officios, e Mercês, a folhas cento e cincoenta. Lisboa nove de Novembro, de mil, sette centos, e oitenta e dous = Antonio Joaquim Serrão = Sello de Armas

Petição
Illustrissimo e Excellentissimo Senhor
Diz Matheus Luis d'Almeida, Estalajadeiro, do lugar do Areal, Honra de Baltar, Comarca desta Cidade do Porto: que sua Magestade Sedelissima, que Deos goarde foi servida conceder ao suplicante a Carta de Previlegio de Estalajadeiro junta; e para que se cumprão e goardem ao Suplicante todos os Previlegios liberdades e izensois declarados na mesma Carta, dando-se a tudo a mais inteira e prompta observancia necessita, que Vossa Excelencia seja servido cumpridor da ditta Carta

Carta de Previlegios mandando, que se goardem ao suplicante. Pede a Nossa Excelencia seja servido cumprir a Carta do Previlegio junta, e mandar, que se goardem ao Suplicante dando-se-lhe a mais inteira e prompta observancia e receberá mercê.

Despacho
Goarde-se ao suplicante os Previlegios que lhe competirem... Porto vinte de Novembro, de mil, sette centos e oitenta e dous. Arma-la

Petição
Diz Matheus Luis d'Almeida, do lugar do Arial, desta Honra de Baltar, que sua Magestade sedelissima foi servida conceder ao suplicante a Carta de Previlegio junta, e para que se lhe cumpra, e goardem inteiramente o ditto Previlegio e as liberdades e Izensoens de que gosa, quer o suplicante, que as mercês sejão recevidos cumprir-lhes o ditto Previlegios mandando-se lhe se registe no Livro de Registos desta Camera



Camera, para em todo o tempo constar do mesmo Previlegio e se não poder proceder contra o suplicante nas izensoens de que goza. Pede a Nossa mercês sejão servidos e cumprir os Previlegios junto, mandando que elle se registe; e se cumpra, e goardem inteiramente e recebera mercê.

Despacho
Cumprasse, e registe se: Baltar em Camera vinte e trez de Novembro de mil, sette centos e oitenta e dous Coutto Queiroz – Moreira

E não contem mais os dittos Previlegios que aqui bem fielmente copiei e registei na verdade de que dou fé, e aos mesmos em poder do suplicante Matheus Luis d’Almeida me reporto nesta Honra de Baltar em os vinte e cinco de Novembro, de mil sette centos, e oitenta e dous annos. Eu Custodio José Pereira de Sousa Escrivão da Camera o escrevi, e asignei = Custodio José Pereira de Sousa



E não se continha mais no ditto assento de Previlegios, que eu sobreditto Antonio José Coelho Ferraz aqui fielmente fiz trasladar, e passar por certidão do próprio, com o qual por mim conferi, e comcertei como o Official de Justiça abaixo comigo aí co-ixeste asignado, que ambos ao próprio Livro nos reportamos, que fica no Archivo da Camera desta Honra de Baltar, a onde esta foi passada aos dous dias do mês de Fevereiro do anno de mil oitocentos e doze. Eu Antonio Jose Coelho Ferraz escrivão a fis escrever e assignei."

                                                                                                          (assinatura)