NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

21 de outubro de 2015

Água de Regadio - Baltar

Direitos de água – Baltar, Paredes

Os aforamentos, as servidões e as águas para rega são direitos antigos que advêm de hábitos ancestrais e que ainda se encontram em uso.

vale da Gralheira - Baltar
"as 3 presas e os consortes"

Em Baltar, o direito da água de regadio, para vários consortes, ainda existe, e com mais de 150 anos, como é um caso que se passa a descrever.
Como sabem, Baltar tem a uma tradição agrícola onde predominam áreas de RAN (Reserva Agrícola Nacional), e assinaladas em regime de PDM (Plano Director Municipal).
Já em 8 de janeiro de 1758, o Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as paróquias e povoações pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de novembro de 1755.
Uma das questões levantadas foi sobre a existência de linhas de água, na freguesia, e que de acordo com o descrito nas Memórias Paroquiais de Baltar, pelo Abade Agostinho José Ferreira, teve a seguinte resposta:
" (...) Como se chama assim o Rio, como o sitio onde nasce?
Respondo: não ha Rio, mas sim hum Regato, que nasce na freguezia de Vandoma em hua lagôa, o qual rega a mayor parte das terras desta freguezia por repartições que tem, E nesta freguzia hâ quinze moinhos que moem com agua do dito regato no tempo do Inverno, e de Veram âs prezas dao: ha tambem hua ponte de pedra, chamada da pedra no lugar da ponte, por toda a margem deste regato se cultiva de pam, com suas arvores e vides de Vinho Verde." 
Na monografia de Paredes, do ano de 1922, do Dr. José do Barreiro, na sua pág. 258, menciona as águas que lá passam, descrevendo:
“ (…) Nasce em Baltar, no lugar do Sargeal, um ribeiro, a que chamam ribeiro da Igreja, que atravessa a estrada nacional nº 33 no lugar da Ponte da Pedra, passa a uns cem metros da Igreja, e vae desaguar no Sousa, ao pé da estação de Cete.
Outros dizem que esse ribeiro nasce nos montes da freguesia de Vila Cova de Carros e atravessa a freguesia de Mouriz. Assim se lê em Pinho Leal, vol. XI, pág. 706. São dois erros. Nem nasce em Vila Cova de Carros, nem atravessa Mouriz.
Há outro ribeiro, de que se fala adeante, numa nota, e que nasce no lugar de Moinhos, perto do lugar da Gralheira e vem juntar-se ao ribeiro da Igreja, pouco abaixo do lugar do Sargeal.
Há finalmente ainda um ribeirito que nasce no lugar do Sarzedo ou Ferido de Água passa pelos lugares de Ancede, Ribeiro e Ramos e junta-se ao ribeiro da Igreja, a uns 200 metros de distância desta. É todo gasto em regas no verão.
Nesse tempo, a água de ambos estes ribeiros é toda, ou quasi toda, gasta nas régas dos campos de milho. (…)”
Na mesma obra, na pág. 266, “(…) Acrescenta que não havia rio, mas sim um regato que nasce na freguesia de Vandoma, em uma lagoa, e rega a maior parte das terras de Baltar, por meio de repartição que tem entre os lavradores, e nesta freguesia há quinze moinhos que o rio move de inverno; e de verão as prezadas (2);
(2) - Informam-se que esse regato nasce em Vandoma, no lugar de Moinhos, perto do lugar da Gralheira (de Baltar), que é represado em prezas e se gasta todo em regas; que não há lagoa, mas sim um charco ou paúl no lugar da nascente.

Lugar dos Moinhos, Vandoma
"3 presas de Baltar"

Infelizmente não se descobriu o documento que rege estas águas que vêm do lugar de Moinhos, em Vandoma, embora existam referências de documentos pessoais que provam essa existência e ainda a sua utilização.
De facto o que está escrito na monografia, de forma menos rigorosa, é verdade. Menciona a existência de presas de construção natural, no alto da serra do muro, no lugar de Moinhos e estão reconhecidas como presas de Baltar. Segundo dizem, e na voz de D. Emília Ferreira, de 84 anos, residente na casa adjacente à presa mais a montante, existem 3 reservas de água direccionadas para Baltar e mais refere também existirem outras presas para as terras de Vandoma.
O certo é que de facto as 3 presas que se localizam neste lugar estão designadas de presa grande, média e a pequena, distanciadas entre de várias dezenas de metros, através de declives que represam a água durante o período mais estival, o verão. A data que define o início da gestão organizacional por parte destes consortes é o dia 24 de junho (dia de S. João) e termina no dia 29 de setembro (dia de S. Miguel), data esta conhecida por todos os agricultores como ano agrícola.

"Presa Grande" - à face da estrada

"Presa Média" - Rua Laurinda das Santas

"Presa Pequena" - terrenos particulares

No restante período, que envolve o outono, o inverno e a primavera, e dada a existência de mais água nesses períodos, ela flui ao longo da linha de água pelos canais existentes e por fontaneiros, direccionados para os moinhos aí existentes (atualmente abandonados), conforme referido na monografia. No intervalo de tempo que medeia de 30 de setembro a 23 de junho, e caso haja de necessidade de rega, a água fica destinada a 6 casas ou quintas mais marcantes, de maior dimensão, do lugar da Gralheira.
No período de verão, as datas referidas atrás, servem terras de antigas famílias dos lugares Sargeal e do Carvalho, proprietários de terras que se situam vale entre o Sargeal e a Gralheira, assim como de parcelas envolventes, de leiras, até ao lugar do Sabugueiro e que aí se ligará graviticamente à linha do ribeiro principal que passa pela Igreja, conforme descrito nos documentos supracitados.
O ribeiro mais relevante encontra a suas águas principais, sob uma ponte, no lugar do Sargeal, em leito próprio. A sua origem são as mesmas que as águas do regadio e vem ao longo dos variados declives existentes até ao lugar do Sargeal e aí segue o canal natural da linha de água, passando pela Ponte da Pedra, Igreja, recebendo outros cursos provenientes de variados lugares da freguesia, até ao rio Sousa, junto à estação de Cete.
A água de regadio é escoada praticamente em toda a sua totalidade pelos diversos consortes (6 casais) e de outras que no verão também têm direito.
As quintas principais são conhecidas pelos nomes de família ou lugares, que antigamente as distinguiam e bem conhecidas na terra e ainda do conhecimento geral pela população local, são os casos da Quinta do Monte, a casa do Sargeal, da do Carvalho, da casa da Pereira, da Quinta de Baixo, da Carriça, do Portelo e a do Bento Portela, e demais parcelas também conhecidas, como as Mouteiras, do Sabugueiro, e outras que se inseriam na grande área de regadio que envolviam todas estas quintas.
livro de apontamentos de José Vicente da Silva

Os documentos apresentados foram disponibilizados graciosamente por particulares, e que demonstram o que no ano de 1860 era a prática usual naquele lugar.
Um dos documentos foi manuscrito pelo Sr. José Vicente da Silva, proprietário (à época) de duas quintas parte do consorte, e que num livro de apontamentos terá escrito a listagem da respectiva distribuição, diária, que cada quinta ou parcela de terreno teria direito à sua água. No mesmo livro, mais tarde voltou a descrever nova listagem, onde vem mencionado ligeiras alterações, provavelmente por mudança de proprietários, ou talvez, por cedências ou trocas que entre si se promoviam.
manuscrito "anos 50" de José Vicente da Silva
manuscrito "anos 70" de José Vicente da Silva

Outros documentos provem da mesma pessoa, caso do Sr. António de Sousa, caseiro de uma das quintas e que para seu registo reuniu dois documentos, um manuscrito e outro dactilografado, com o mesmo fim, embora se apresentam incompletos.
documento dactilografado de António de Sousa

documento manuscrito de António de Sousa

O mesmo refere que as águas deveriam ser mudadas à meia-noite e ao meio-dia, por parte de um representante do consorte a que correspondia a sua água.
Já a limpeza dos fontaneiros e das presas eram obrigatórias, com o risco de cada parte perder, nesse ano, o seu direito. Eram feitas em comum. Cada quinta obrigava-se a representar com o número proporcional de homens para a limpeza das presas e esta depuração das reservas de água fazia-se sempre uns dias antes do dia 24 de junho, data de início dos direitos à água, conforme se depreende pelas listagens e no mapa resumo conjunto dos documentos.

moinho abandonado

fontaneiro

27 de setembro de 2015

Jazigo do Conde Soutomaior e Santiago - cemitério de Agramonte - Porto

 Anos 40
Conjunto de 2 brasões referentes a D. Carlos Maria Sottomayor e Ávila (1867-1940) e de Dona Maria José de Santiago de Carvalho Leite Rebelo da Gama (1883-1927) colocado em jazigo no cemitério de Agramonte, na cidade do Porto.
Ambos em granito com escudos Clássico ou Ogival.
A leitura de:
1º - I de Soutomaior
2º - Partido, I- Santiago e II - Carvalho
Coronel: de Conde (desproporcionado, de modo a abranger os dois brasões)

Foto actual - 2014
A erosão do tempo fez praticamente desaparecer a simbologia heráldica em cada um dos brasões, não permitindo vislumbrar as marcas de família, apenas a forma do escudo e o seu coronel.

jazigo em Agramonte

7 de setembro de 2015

Torre do Coreixas ou Durigo, Penafiel


Vista interior - Foto anos 50 do séc. XX

Vista exterior - séc. XX

 Torre de Coreixas ou Durigo

Designada de arquitectura militar / torre, a residência onde se insere esta construção ameada está situada no lugar de Coreixas, na freguesia de Irivo, em Penafiel.
Infelizmente, além de pertencer a particular e não ser visitável pelos meios mais formais, também não é possível entrar naquele espaço, tal é a sua vegetação e mato que a envolve.
O motivo a que me leva abordar sobre este património é exactamente pelo seu estado de degradação e pela inacção das instâncias públicas, pois creio que os familiares, herdeiros, não terão a capacidade financeira para preservar e manter este tipo de imóveis por muito que queiram.
O Instituto de Gestão do Património, a Autarquia ou a Junta de Freguesia local, nos seus sites, abordam esta construção como Imóvel de Interesse Público (Dec. Lei 129/77, da I série, n.º 226 de 29/9) e em condições de património visitável de aparência “perfeita”. Não sendo já essa a verdade, é lamentável e incompreensível, pelo menos que as instituições locais nada fazerem em prol da sua preservação.
Uma parceria, uma pequena ajuda, uma pequena intervenção, seria o bastante para manter alguma imagem e dignidade do património que se degrada diariamente, arrastando o vandalismo e o desleixo.

Entrada - estado actual 

Vista residual das ameias da torre - estado actual 

Vista parcial da casa - estado actual

Vista da cruz no topo da torre - estado actual

Mas falemos um pouco deste património imóvel, que recolhi destes sites e de outros, que poderão auxiliar a perceber o que se pretende transmitir e divulgar, com pena de nada ser feito.

Aqui vai,
A residência senhorial original remonta o século XIII e terá sido fundada por Gonçalo Gil de Arões (vivido entre os anos de ≈1175 e ≈1225), filho de Gil Guedaz Guedeão e Maria Fernandes de Sousa, descendentes dos Guedeões, os Portocarreiro, pelo lado paterno e do Sr. da casa dos Sousa, pelo lado materno.
Na Idade Média, muito possivelmente no século XV, terá sido implantada a torre ameada, pela família Brandão, detentora dos morgados de Coreixas e de Peroselo, resultante de uma possível reformulação da construção primitiva anterior, conforme se constata pelas irregularidades de algumas fiadas inferiores da sua pedra da fachada, sem contudo ser dado como certo esta análise.
Esta família portuense e senhores de Coreixas eram detentores de uma brilhante e talentosa linhagem de família portuense, tais como João Brandão e esposa Isabel Nunes, seu filho Jerónimo Brandão, casado com Isabel da Costa Freire, descendentes dos Alpedrinha.
A força desta casa é tão relevante, pois apresenta marcas ou símbolos dos Brandões, através de pedras de armas aplicadas em vários locais.
Temos na entrada para o solar, numa ameia sobre a porta do lado direito, de fronte da capela. Sobre a porta da capela de entrada desta estão outras pedras, partidas, dos Brandões e dos Pintos. Por cima da porta do recinto existem mais umas armas dos Brandões, permitindo concluir-se que as suas aplicações terão sido resultantes das variadas épocas e das variadas gerações que ali viveram, onde se possa considerar igualmente de possíveis reformulações construtivas do imóvel.
A Torre, é a imagem de marca deste património de arquitectura militar, que apresenta uma construção quadrangular, sendo formada por rés-do-chão e dois pisos, e rematada por merlões prismáticos. No paramento da torre distinguem-se várias reformulações no aparelho e na abertura de vãos, sendo o acesso feito pelo primeiro andar, a partir do interior do corpo residencial contíguo.
Já em pleno século XIX, a propriedade era pertença do Visconde de Balsemão, pelo facto de na capela adjacente à casa esta conter uma inscrição latina, indicando que este Visconde a mandou reconstruir no ano de 1803.

Descrição do solar
Vista da torre - séc. XX

A Torre
Torre ameada ligada, no seu enfiamento, pela fachada SE a um corpo residencial saliente de forma rectangular, e ladeada a NE por uma capela e dependências agrícolas. A torre, de planta rectangular, com r/c e dois pisos, apresenta indícios de várias reconstruções e enxertos. O acesso é feito pelo 1º andar, a partir do interior do edifício contíguo. A fachada SO tem, ao nível do r/c, uma porta de duas folhas de vão rectangular, com arco adintelado, com as ombreiras e padieiras em aparelho diferenciado do restante pano da fachada, sendo aparentemente posterior. Esta porta está antecedida por uma pequena escada de pedra, encontrando-se na parede SE um vão de porta rectangular, actualmente entaipado, não apresentando qualquer abertura para iluminação. O primeiro piso tem pavimento de soalho, cujo travejamento assenta em consolas, sendo iluminado somente por uma janela de vão quadrangular, na fachada SO, verificando-se que o parapeito é constituído por silhares completamente distintos do restante aparelho, evidenciando um vão que deverá ter sido porta.
O segundo piso apresenta quatro janelas com arco abatido, alinhadas segundo o eixo central das fachadas, excepto a SE, onde se aproxima do ângulo da fachada SE. Os paramentos apresentam uma estrutura vertical sem ressaltos, sendo o aparelho irregular, até ao 2º piso, e mais regular neste.
A torre conserva no topo cinco gárgulas, uma a NO, e duas a NE e SE, sendo rematada por merlões prismáticos em todas as fachadas, apresentando duas frestas por baixo destes. A fachada NO apresenta um balcão e uma escadaria de pedra adossadas à torre para acesso às traseiras da casa senhorial a que está ligada.




Vistas - séc. XX

O Solar
De planta quadrangular, compõe-se de três registos, marcados exteriormente no alçado Sudoeste, o principal. Assim, no piso térreo e ao centro do alçado, abre-se uma porta de acesso ao interior, de arco ligeiramente abatido, antecedida por um pequeno lanço de escadas; o segundo andar é marcado axialmente por uma janela quadrangular em guilhotina. Esta é a parte mais adulterada da fachada, apresentando numerosos silhares salientes e outros dispostos irregularmente, parecendo que, na origem, a janela teria sido maior ou, em alternativa, teria existido no seu lugar uma varanda. O terceiro piso contém uma janela de arco apontado, solução que se repete nas restantes fachadas, fazendo crer tratar-se de uma sala única, profusamente iluminada, destinada a ser o andar nobre do conjunto senhorial. O monumento é encimado, a toda a sua volta, por uma linha de ameias de perfil prismático e integrava, nos ângulos, gárgulas, algumas já infelizmente desaparecidas.
Nos séculos seguintes, registaram-se muitas transformações na torre e na quinta, sucedendo-se as empreitadas construtivas que, apesar de terem afectado parcialmente a torre quatrocentista (entaipando alguns vãos, substituindo portas por janelas e alterando sistematicamente os soalhos e a organização interior), mantiveram-na como centro simbólico e funcional dos espaços.
Adossada à fachada Sudeste, existe um corpo moderno, de planta rectangular e organizado em dois andares, de difícil datação, mas que poderá corresponder ao século XIX, altura em que a propriedade passou para a posse da família Balsemão. Trata-se de uma construção organizada em duas funcionalidades distintas, a primeira de serviços e de apoio à quinta (piso térreo) e a segunda correspondente ao andar nobre, com escadaria que torna independente do registo inferior o acesso, e janelas de guilhotina de cuidada feição, harmoniosamente abertas no alçado. A partir deste nível, abriu-se uma passagem para o segundo piso da torre, através de um arco de feição moderna. Para além deste corpo, outras transformações ocorreram na propriedade. Do lado oposto, adossou-se ao ângulo da torre uma capela de nave única, cuja fachada principal pretendeu repetir o modelo da estrutura medieval, ao recorrer a uma janela de arco quebrado com grelha de madeira e a ameias a encimar a empena. Por outro lado, no prolongamento do alçado da torre edificou-se um muro de delimitação da propriedade, com arco de volta perfeita de aduelas caneladas, sobrepujado por tímpano de perfil trapezoidal e encimado por pináculo axial. E diante da fachada principal do conjunto habitacional construiu-se um espaço ajardinado, à maneira de claustro, com fonte central.
Desde a origem até à actualidade, a torre permaneceu na posse de privados, facto que, se por um lado tem motivado a conservação e manutenção da propriedade, por outro tem favorecido as constantes reformas e adulterações das estruturas originais. Torre senhorial comum a tantas outras levantadas no Norte do país durante a Baixa Idade Média, a torre das Coreixas necessita, ainda, de um estudo específico que permita concluir sobre as diversas fases construtivas, sobre a marcha dos proprietários e suas encomendas e, inevitavelmente, sobre a real ocupação do lugar ao longo da História.


http://www.monumentos.pt/.../APP.../Images/SIPAImage.aspx...
www.ippar.pt
http://freguesiadeirivo.webnode.pt/patrimonio-monumental/
http://www.casasnocampo.net/PT/
http://e-cultura.sapo.pt/patrimonio/239
http://www.cm-penafiel.pt
http://www.monumentos.pt/Site/APP PagesUser/SIPA.aspx?id=5307
http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=463707140334520&id=209750709098102

22 de agosto de 2015

Padeiro(a) de Valongo



O Padeiro(a) de Valongo

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Origem e História:
Pão tem a designação latina de "pane" e é um alimento resultante da cozedura de farinha com sal e água e considerada como um dos alimentos mais primitivo da existência humana preparada pelo Homem.
O pão faz parte da cultura de muitos povos e tem um significado relevante em muitas religiões.
A sua história é tão antiga que não existe uma confirmação exacta da sua origem. Historiadores estimam que tenha surgido há cerca de 12 mil anos juntamente com o cultivo de trigo, sendo que uns defendem a sua origem na Mesopotâmia, actual Iraque, outros atribuem a sua produção na região da actual Suíça, em zonas de aldeias de palafitas, isto é em zonas alagadiças.
De inicio o trigo era apenas mastigado e só mais tarde passou a ser triturado e transformado em farinha.
Os Egípcios foram os primeiros a usar os fornos de barro para cozer o pão, por volta do ano 7000 a.c. tendo sido atribuído aos Hebreus a descoberta da massa fermentada responsável pela massa do pão leve e macia como é utilizada hoje em dia.
As padarias (inicio da produção do pão) surgiram por volta do ano 4000 a.c. em Jerusalém após o contacto dos métodos de fabrico e receitas com os egípcios.
Só por volta do ano de 800 a.c., em Roma, terá surgido a primeira escola de padeiros, permitindo ao longo do tempo transformarem-se variadas formas de pão cozido, com produtos adicionais e variedades de sabores diferentes de região para região, assim como na sua forma.
Em Portugal a cozedura e fabrico é transversal a todo o continente Europeu desde a sua Independência até à actualidade.
O ícone da regueifa simboliza a industria da panificação e do biscoito, assim como todas as actividades a montante e a jusante a ela associadas. O fabrico de pão está documentado desde a Idade Média, sendo para além de alimento indispensável do dia-a-dia, meio para pagamento de foros. Era essencialmente feito de centeio, dando origem a exemplares rústicos. É provável que o biscoito (pão em forma de patela e cosido duas vezes) tenha feito parte das rações dos marinheiros que partiram do Porto para as Descobertas. Abriu-se assim caminho para o fabrico do biscoito que hoje conhecemos, através da adição de açúcar e especiarias que nos passaram a chegar desses locais remotos, nunca mais tendo parado na diversidade de formas e paladares. Com a introdução do milho graúdo americano, a broa ganhou também destaque.
As grandes cidades do País não garantiam a produção necessária para a sua população residente sendo para isso necessário recorrer à produção das populações vizinhas, como era na cidade do Porto, entre os séc. XVI a XIX.
Nessa altura a cidade definia vários locais distintos para os seus mercados nas transacções das especiarias e de outros materiais de necessidade humana.
A exemplo, desde essas épocas remotas foram utilizados e alterados vários locais para feiras com características específicas, tais como:
- a Feira das Caixas e dos Rapazes, na praça de Carlos Alberto;
- a Feira do Peixe, inicialmente na praça da Ribeira, posteriormente em frente à Cadeia da Relação ou junto ao mosteiro de S. Bento da Vitória e por fim no mercado do peixe, no local onde actualmente é o Palácio da Justiça;
- a Feira das Flores, Hortaliça e Fruta, junto ao antigo largo da rua da Fábrica com a rua de Aviz e junto à estação de S. Bento;
- a Feira da Erva e da Palha na praça Nova (actual Praça da Liberdade), na Trindade e na praça Coronel Pacheco
- a Feira de Carne de Porco salgado e Queijo nos largo dos Lóios;
- a feira dos carneiros na Trindade (actua estação do metro);
- a Feira do Linho, Fruta e Hortaliça, na rua do Souto;
- a Feira dos Porcos na praça da Alegria;
- a Feira da Olaria e Louças, no jardim de S. Lázaro (ainda antes da sua existência) e na rua da Assunção;
- a feira do Gado no campo 24 de Agosto;
- a Feira da Farinha e Cereais, na praça (dos Leões) Gomes Teixeira, e
por fim a do Pão, na praça na Guilherme Gomes Fernandes, antiga praça Santa Teresa.
Nessa época a hortaliça e legumes vinham de Gondomar, a broa vinha de Avintes e o pão tinha a proveniência de Valongo.
Ribeira - Padeira de Avintes - AURÉLIO PAZ DOS REIS

O pão de Valongo:
Durante muitos e muitos anos Valongo forneceu pão para muitas outras terras à sua volta. Os campos de cultivo eram férteis e os moinhos dos rios Ferreira e Leça, com a força das águas, moíam o grão e faziam a farinha.
O pão de que o povo se alimentava era de milho e de trigo e os pobres misturavam-lhe centeio para que o pão ficasse mais doce e agradável ao paladar.
Germano Silva, numa edição do JN, relata-nos a importância de Valongo na economia do pão, dando conta que desse facto se devia à excelência do produto:
"A tradição, no Porto, da venda de pão em feiras é muito antiga e não se sabe bem quando começou. Mas sabe-se, por exemplo, que em 14 de Março de 1584 era publicado um acórdão municipal, se assim se lhe pode chamar, em que se determinava que as "as medideiras da feira do Pão, messão em gamellas fora das casas no meio da praça, quando não chover, sob pena de multa..." Esta lei, se assim pode dizer-se, que obrigava as "medideiras" a trabalhar na praça e que tinha por finalidade impedir roubos ou oytras falcatruas, ainda estava em uso quando, nos meados do séc. XIX, ainda se fazia a feira do pãp no antigo Largo de Santa Teresa e a da farinha, na Praça dos Voluntários da Rainha, actual Praça de Gomes Teixeira. No ano seguinte (1585), foi publicada nova legislação, desta vez contra "as pessoas que misturarem o pão trigo de fora com o da terra e que quem vender hum não possa vender o outro...".
As barracas onde se vendia o pão estavam dispostas ao centro do amplo terreiro e, embora o mercado fosse mais concorrido às terça-feiras e sabados, por causa de outras feiras que se realizavam na cidade, havia quem ali viesse todos os dias vender o célebre pão da terra confeccionado com farinha que era moída nos moinhos a água da região de Valongo. Esta era, efectivamente, a terra do pão. Era de lá que vinham as padeiras, encarrapitadas em burros com duas enormes canastras sobre o dorso do animal cheias do saboroso pão da terra. O produto mais procurado eram os celebres "pães de Valongo" que pesavam cerca de meio quilo e eram vendidos, nos finais do século XIX, a 75 réis cada um. Mas a variedade era imensa e para todos os gostos. Vendiam-se também, e em abundância, o nosso muito conhecido "pão molete", regueifas, tosta (doce e azeda), boroa, pão podre, pão coado, biscoitos de várias qualidades e feitios como od de argola, que eram muito procurados por moços e moças dos arrabaldes.
O rápido desenvolvimento urbanístico da cidade e, em especial, do chamado Bairro das Carmelitas ditou o fim da pitoresca feira do pão. Nos começos do século XX, os abarracamentos começaram a ser demolidos e as ladinas padeiras de Valongo instalaram-se na ala sul do Mercado do Anjo, entretanto já desaparecido. Coisas da vida de uma cidade...".
A fama do pão de Valongo é tão antiga que vem associada ao tratamento de doentes conforme descrição de livro de Lembranças (registo regular) da Mesa da Misericórdia do Porto, do dia 16 de fevereiro de 1700, e responsável pelo Hospital D. Lopo de Almeida, situado no gaveto da rua das Flores com a rua dos Caldeireiros onde é descrita uma decisão, relativa à alimentação dos doentes.
Como era muito grande a despesa " que se fazia com o pão das padeiras da cidade, que os doentes não comiam por ser mal amaçado, sendo tão preto que parecia se lhe não tirava o rollão, trazendo-o muitas vezes quente, assim como saía do forno para logo se gastar, e se não ver depois de frio a ruindade dele", decidiu-se, "dar aos doentes pão das Padeiras de Valongo, e vindo uma delas com várias formas dele respeitando ao valor de seiscentos réis que inda tinha trigo, se achou convinha dar-se a cada doente, em cada dia, dois pães, de preço ambos de 25 réis e com efeito, por ordem da Mesa, se ajustou com a padeira a trazer todos os dias o pão que fosse necessário".

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Estávamos no inicio do século XVIII e perante a má qualidade do pão fornecido pelas padeiras da cidade, os mesários procuraram as padeiras de Valongo, o que nos leva a concluir que a fama da qualidade do pão fabricado nestas bandas vinha de longe.
As invasões francesas teriam introduzido o "mollet", pão de trigo pequeno, branco e fofo, revestido por uma crosta estaladiça e dourada, rapidamente aceite e transformado em molete.
Diz a história que em 1809, o exército francês ocupou o colégio da Formiga, na Santa Rita, em Ermesinde, no concelho de Valongo, e o General Moulet deu ordens para ser servido ao exército um pão individual, mais pequeno, como ração da sua tropa, daí o presumível título do pão usualmente utilizado se manter até aos nossos dias.
Atualmente a regueifa é considerada uma iguaria no mundo do pão, dada a textura sedosa das suas camadas, obtidas após muito labor, em forma de coroa ricamente adornada por motivos estaladiços propiciadores de fortuna.
Em Valongo a banalização e fama do seu pão era de tal ordem que quase não havia uma casa que não tivesse forno para cozer pão, fazer biscoitos, regueifas e bolachas, mantendo-se até aos nossos dias esta reputação deste concelho.
Esta profissão de padeiro não desapareceu e não tenderá a desaparecer. Os seus hábitos diários e tradicionais da venda e da entrega do pão de porta a porta e em feiras acabará por se extinguir derivada da modernização e da industrialização que ocorreu a partir dos finais do séc. XIX.
Em tempos idos a entrega e a venda na cidade do Porto, o(a)s padeiros vinham em jumentos à arreata. Saíam de manhã de madrugada e percorriam as estradas de ligação ao Porto, via Rio Tinto, S. Roque da Lameira e Bonfim ou pel estrada de Guimarães, vindo da Areosa até às Regateiras (Junto ao Conde Ferreira) onde se juntavam e se dirigiam às feiras, fazendo por vezes pequenas paragens às portas das casas de família ou mercearias locais.
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Ao fim do dia, no regresso, íam no dorso do animal, tão cómodos que por vezes adormeciam no trajecto e só acordavam à porta de casa. Os jumentos já sabiam o caminho e não se enganavam, pela prática de ritual diário.

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Em finais do século XX, os padeiros já sabiam que todos os dias o pão tinha que estar pronto à mesma hora para serem levados em carroças para o Porto. Na partida era recorrente ouvir-se: - Lá vai o pão para o Molet! (um porteguesismo para o nome MOlet). Molete termo pelo qual ainda hoje conhecemos, pela sua função de ser um pão pequeno, de Valongo.

canastras - http://padeirinhadevalongo.blogspot.pt
A evolução tecnológica na fabricação, o poder económico, as trocas comerciais e os negócios do dia-a-dia, centralizaram a comercialização do pão em estabelecimentos próprios e em centros comerciais, erradicando de vez com o contacto porta a porta do padeiro.
A arte de fabricação mantêm-se na profissão dum padeiro, deixando-se cair as outras praticas e tradições perante a evolução da sociedade e dos modos de vida.


Símbolo do Concelho:
Associada à batalha da Ponte de Ferreira, e relativo ao Cerco do Porto (1832-34), o 1.º brasão de armas da Vila de Valongo, foi aprovado em deliberação camarária de 25 de setembro de 1889. O símbolo da cidade apresentava um ramo de oliveira, representando o nome do ministro que elevou a freguesia de Valongo à categoria de Vila e Concelho, António Dias de Oliveira, e um ramo de louro, símbolo de vitória, como triunfo na batalha e um triunfo da nação liberal, sobre um absolutismo conservador e ultrapassado, e no meio destes ramos, pela ponte acima referida.
Posteriormente alterada com a evocação a uma das actividades mais emblemáticas da cidade, o pão e a industria que lhe está associada, através das espigas de trigo e das rodas dos moinhos.

http://padeirinhadevalongo.blogspot.pt

https://maiseducacaovalongo.wordpress.com





O pão de Valongo, no programa de 26/1/2015, no programa "A Praça", da RTP, com imagens cedidas pelo Arquivo Histórico e Municipal de Valongo!
"... Valongo... era, efectivamente, a terra do pão. Era de lá que vinham padeiros, (...) em burros com duas enormes canastras sobre o dorso do animal cheias do saboroso pão da terra. O produto mais procurado eram os célebres "pães de Valongo" que pesavam cerca de meio quilo (...) Vendiam-se também, e em abundância, o nosso muito conhecido "pão molete", regueifas, tosta (doce e azeda) boroa, pão podre, pão coado, biscoitos de várias qualidades e feitios como os de argola, que eram muito porcurados por moços e moças dos arrabaldes."

Texto: Germano Silva
Fotografia gentilmente cedida por Maria José Sousa Vale. 1ª metade séc. XX (Arquivo Histórico Municipal de Valongo)

"Regueifa! Quem quer regueifa?
Quem quer regueifa comprar?
Apregoa a "valongueira"
De alvos dentes a brilhar.
Regueifa de alva farinha,
Das moendas do Ferreira,
Regueifa, pão de rainha,
Coada em fina peneira.
Pão branco, cheirando a povo,
Pão de hóstia consagrado,
Pão de fartura e renovo, 
E Valongo semeado,
E em Valongo amassado,
Pão por Deus abençoado!"
(Lavandeira, 1993)

https://pt.wikipedia.org
http://www.pao-quente.com
http://municipiodevalongo.blogspot.pt
http://ticvalongo.no.sapo.pt
https://pedalopelacidade.wordpress.com
http://cm.valongo.pt
www.portoarc.blogspot.pt
tese de mestrado "A Batalha de Ponte Ferreira (Campo, Valongo, 1832): um processo memoralista e de valorização patrimonial, de Paulo Fernando Pereira Caetano Moreira

8 de agosto de 2015

Casa e Quinta da Bela Vista - Porto


Casa e Quinta da Bela Vista

(vista antiga)
(vista actual)

Situada no alto do "Monte Aventino", junto às Antas, é sobranceira sobre o vale de Campanhã e o rio Douro, permitindo uma visão ampla e soberba, de uma panorâmica rara na cidade.
Terá sido por estas razões que o seu nome terá sido assim designado - Bela Vista.

 (vista actual da VCI)
(vista actual da VCI)

Esta construção teve inicio em Maio de 1912, após aquisição e junção de várias parcelas de terrenos tendo sido adquiridas por Dr. José Oliveira Lima, professor na faculdade de medicina do Porto, as duas primeiras em 21/12/1911, pelos valores de 700$00 e 3.600$00 e pouco tempo depois, já no ano de 1912, a terceira terá sido adquirida por 100$00 réis.
A sua arquitectura foi idealizada pelo arquitecto José Teixeira Lopes, hoje classificada como Monumento de Interesse Publico, por Portaria n.º 318/2010, DR, 2.ª série, nº 87, de 5/5/2010.
Com esta construção pretendeu fundar, neste local, o Instituto Moderno, edifício escolar destinado ao ensino primário e secundário, em regime de internato e externato.

(marca do Instituto Moderno)

A sua construção pelas suas características construtivas, com a utilização pela primeira vez do betão armado, quer pela decoração, espaços amplos e conforto, quer pela utilização dos mais modernos princípios didácticos e higiénicos da época, indiciava ser um estabelecimento de cariz elitista e caro, destinado a famílias ricas, conforme se poderá depreender por um documentário realizado pela Invicta Film, em 1916(*).
A propriedade resultou da conjunção de três propriedades, tendo sido a primeira, com acesso pela Rua da Lameira de Cima, 98, constituída por casa com quintal, dependências, e mais tarde descrita com ramada, árvores de fruto e poço.
Os dados mais antigos conhecidos desta quinta é de que em 21/9/1876 era propriedade de João Lino dos Santos, funileiro e morador naquele na Lameira de Cima, tendo dispendido 75$000 réis.
Em 1892, na sequência do processo de herança, a propriedade passa a pertencer a Dona Maria Josefina de Jesus Correia e sua irmã, Dona Vitória dos Santos Correia, tendo sido avaliada nessa altura no valor de 800$000 réis.
A segunda propriedade, denominada "Quinta da Lameira", situava-se na Rua de S. Roques, 984/982 e era constituída por casa de dois pisos e águas-furtadas, lavradio, água e árvores de fruto e outros.
Em 1910, eram seus proprietários 3 irmãos de apelido Gomes Ferreira, dois deles militavam na carreira de armas.
Finalmente, a terceira parcela, tem como seu ultimo registo de serem seus proprietários Joaquim Vitorino Mesquita Soares e esposa.
O Instituto Moderno teve uma duração efémera, entre 1914 e 1918, derivada provavelmente pelo período conturbado em que o País atravessava, isto é, os primeiros anos da era Republicana, com as naturais convulsões politicas e económicas da época, de igual modo pelo período da guerra 1914-18, na Europa.
No mesmo ano, 1918, com a epidemia do tifo exantemático ocorrido no País, incluindo a cidade do Porto, este edifício, já fechado, foi requisitado para dar apoio hospitalar, como secção do hospital Joaquim Urbano, funcionando aí os serviços de desinfecção, despiolhamento e enfermaria de convalescença, com mais de 200 camas.
Terminado o surto epidémico este edifício ficou numa situação de impasse até que em 21/8/1919, o Estado adquiriu pelo valor de 275.000$00, para a instalação e aquartelamento da Guarda Nacional Republicana (GNR), a fim de aí instalar as suas forças da cidade.
Ao longo destes anos a quinta ficou sempre ligada à vida daquele aquartelamento e à própria historia da GNR, que desde sempre tentou preservar este imponente edifício. A partir de 1995 passa a funcionar como quartel da Polícia de Segurança Publica (PSP), sendo então parte de terrenos da Quinta da Lameira já se encontrar associada ao Parque da S. Roque como área de lazer da cidade.
Em Julho de 2009 esta quinta passou para as mãos da Estamo, uma Empresa que integra a Parpublica, comparticipada a 100 % por capitais públicos e vocacionada para a promoção e valorização imobiliária, prevendo-se num futuro próximo um novo conceito de utlização para esta quinta.

(*) - ver imagens em: http://www.youtube.com/watch?v_B183phBSMIQ

http://www.j-f.org/monografia
http://www.patrimoniocultural.pt/
http://www.viva-porto.pt/
http://portoarc.blogspot.pt/
http://porto-desaparecido.blogspot.pt/