NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

29 de março de 2014

Dia Nacional dos Centros Históricos - ADPorto (2)

Arquivo Distrital do Porto
29/3/2014 
Serviços e projectos (2)


Rua das Taipas, nº 90, freguesia da Vitória, Porto - Portugal

Após as explicações referenciadas no post (1), anterior, onde se incluía a monumentalidade do mosteiro tripartido por entidades e instituições com actividade permanente neste edifício e no decorrer da visita presenteada pelos próprios técnicos deste Arquivo Distrital, que demonstraram uma disponibilidade e prazer na apresentação dos espaços, vamos dedicar abordar as suas actividades diárias.
Começando pela recolha de toda a documentação externa a arquivar nas instalações, que ao nível da cave, é feita após o descarregamento de todo esse material.
De acordo com as normas especificas toda a documentação entra limpa e devidamente organizada, pronta a ser utilizada de imediato, para consulta.
Na sala é introduzido e classificado o material entregue e encaminhado para os depósitos específicos.
Vista de um dos depósitos com múltiplos arquivadores rolantes.
Como é óbvio, estes espaços têm de cumprir regras estendo sujeitos a cumprimento rigoroso na garantia e preservação dos documentos, através de processos técnicos de acondicionamento daqueles espaços.
São áreas estanques com garantia de temperatura e teores de humidades precisos, limpeza e cuidados de desparasitação continuadamente em funcionamento.
Estão registados e arquivados neste Arquivo Distrital cerca de 12 km de arquivadores com documentação de vários fundos documentais, públicos e privados.
Num dos depósitos estão especificamente as documentações paroquiais com os registos de nascimentos, casamentos e óbitos, registados pelas paróquias até o ano de 1911. A partir desta data, o estado implementa a organização destes serviços pelos registos civis. 
Vista de gabinete de técnicos, antigas instalações dos monges, as suas celas.
No arquivos os fundos documentais distribuem-se por variados temas, desde administração central, local, associativos. Colecções, confrarias, diocesanos e eclesiásticos. de empresas, de assuntos familiares e pessoais, judiciais, notariais e monásticos.
O documento mais antigo guardado neste arquivo está datado do ano IX, anterior à formação do condado Portucalense.
Finalmente, no ultimo piso, (chamemos zona de sotão) encontramos o depósito com documentação mais antiga e os gabinetes e laboratórios para tratamento, conservação e microfilmagem.
Foto com a descrição técnica de tudo o que diz respeito a um livro.
Área de trabalho de tratamento e conservação documental. Em qualquer espaço com documentação tudo se faz com luvas e ferramentas próprias, adequadas a cada técnica de trabalho.


Para além disso, este espaço, por ser ao nível de cobertura oferece-nos uma vista divinal de Gaia e da zona ribeirinha do Porto, como também da vista da Sé, e de alguns edifícios mais emblemáticos.
Com gosto, comodidade, bom ambiente e prazer em tudo aquilo que se faz.... assim vale a pena trabalhar! 

Dia Nacional dos Centros Históricos - ADPorto (1)


Arquivo Distrital do Porto
29/3/2014 
História e sua Origem (1)


Rua das Taipas, nº 90, freguesia da Vitória, Porto - Portugal



O Arquivo Distrital do Porto associou-se ao evento do Dia Nacional dos Centros Históricos, tendo-me brindado com uma visita nunca feita. 
O edifício da AdPorto, com entrada pela rua das Taipas não aparenta a excelência da dimensão e das condições funcionais e estruturais do seu interior. 
Faz parte integrante do antigo mosteiro beneditino, S. Bento da Vitória, que construído sobre a antiga judiaria contempla uma rica idade de 418 anos. A sua construção teve inicio em 1596 tendo sofrido múltiplas ampliações ao longo do tempo, tornando a sua construção de uma grandeza invejável. Devido à dimensão desta Ordem Religiosa, no País, e sempre apoiada em toda a sua estrutura pelos poderosos mosteiros envolventes da cidade do Porto, principalmente pelo mosteiro de Santo Tirso, transformando-a nesta cidade numa Instituição de enorme poder local.

Este mosteiro em 1809, com as invasões francesas foi convertido em hospital militar e em casa de reclusão. Em 1835, após o Cerco do Porto vai-se dar como extinta, com a extinção das Ordens Religiosas em Portugal, transformando-se num espaço abandonado por período de quase 100 anos e sem qualquer utilização até o ano de 1940.
Ainda nesse período, em 1922, o mosteiro sofreu um incêndio tendo sido afectado muita da documentação que se encontrava nele guardado. 
Serviu de tribunal e em 1945 o estado sediou o Arquivo Distrital neste actual espaço. 
A partir de 1985, com as obras de restauro, o IPPAR permitir a reintegração com a entrada de monges beneditinos para o respectivo apoio à sua Igreja, e na utilização e uso privativo de alguns espaços do mosteiro.
Cedeu também, à Orquestra Nacional do Porto, a área do Claustro Nobre para eventos, com acções culturais actualmente geridas pelo Teatro Nacional de S. João. 
Finalmente, com um terceiro espaço para implantação de uma área em que contemplasse todo o acervo do Arquivo Documental, instalando definitivamente o Arquivo Distrital do Porto.
O interior do Arquivo Distrital do Porto faz-se pela rua das Taipas, nº 90 donde desde logo se vislumbra todo o restauro realizado entre 1985 e 1990, pelos arquitectos Carlos Guimarães e Luís Soares Carneiro, e a sua preservação se mantém em muito bom estado e num asseio de louvar.
Deparamos logo à entrada, após o seu hall e de alguns degraus, com uma galeria interior que rodeia um espaço que serviu de claustros do mosteiro.
Este mosteiro, embora não único,  tem a particularidade de ter dois claustros em todo o seu conjunto edificado.
O principal, designado de Claustros Nobres, está afecto à Orquestra Nacional do Porto e faz-se pela entrada da rua de S. Bento da Vitória. 
Este claustro, de uso exclusivo do Arquivo Distrital do Porto, menos emblemático, tomou o nome de Claustro do Castro ou Claustro de Jericó, proveniente de Castro de Jericó.  
A partir desta área de ligação poder-se-à dirigir aos espaços de utilização publica e a espaços técnicos através dos vários pisos existentes. 
Temos uma cave onde permite a recolha de toda a documentação recebida periodicamente proveniente de outras entidades com a respectiva catalogação e verificação.
Os espaços, ao nível do claustro, coincidem com as áreas de uso publico, para consultas documentais, expositivas e culturais.
Nos pisos superiores e como zona de distribuição (ver foto) é visível um corredor com variadas portas a que correspondiam às antigas celas dos monges (portas à direita) e à esquerda por duas capelas, datadas de 1739 e 1740, de acessos múltiplos e a depósitos de arquivos.
A foto, corresponde actualmente ao piso 4 destinada exclusivamente à administração, com salas de reuniões e gabinetes. Com a mesma filosofia, no 3 piso, contemplam igualmente áreas destinadas a gabinetes para os seus técnicos (que correspondem a um total de cerca de 20 funcionários que fazem parte deste arquivo) e a áreas de depósitos de arquivos documentais.
No piso 5, para além de contemplar depósitos de arquivos também estão afectos espaços de laboratórios para tratamentos, conservação e microfilmagens.

Por fim, teremos de realçar alguns espaços (não visitáveis, com pena nossa!) e de outras cujas aparências aparentam a grandeza do mosteiro, por exemplo esta sala expositiva/polivalente, cujo espaço antigamente servia para refeitório da instituição clerical.
Por agora ficamos com esta apresentação da visita efectuada. Agradecemos a todos os técnicos que serviram de guia, em especial à Drª. Isabel Azevedo e ao Dr. Henrique, e a todo o corpo técnico especializado no tratamento e preservação documental que deram consultadoria gratuita a quem necessitasse e apresentassem duvidas sobre documentos pessoais.



Brevemente faremos uma abordagem mais técnica dos espaços.

12 de março de 2014

Capela dos Alfaiates ou de Nª. Srª. de Agosto - Porto



largo da entrada da rua do Sol, freguesia da Sé, Porto - Portugal

O edifício primitivo foi construído em meados do séc. XVI, em frente à porta principal da Sé. pertencia à Irmandade dos Alfaiates, que celebravam a padroeira a 15 de Agosto.
Cerca de 1940, a capela foi apeada para alargamento do terreiro da Sé, sendo reconstruída alguns anos mais tarde, no sitio actual.
No interior, o retábulo de Nossa Senhora de Agosto é um delicado exemplar de talha dourada do séc. XVII, em estilo maneirista.


8 de março de 2014

Brasão na Igreja de Stª. Clara - Porto

Largo de 1º de Dezembro, freguesia da Sé, Porto - Portugal

Este brasão está assente em campa rasa no interior da igreja. Junto com ela encontra-se uma inscrição em memória do falecido - frei Brito Monterroio.
O seu escudo, em granito, é português ou boleado, com ponta e tem o formato de esquartelado, com leitura de I e IV, de Monterroio e II e III, de Brito.
Na sua inscrição está marcada:
A Q JAZ FREI BRITO MONTERROIO
COMENDADOR QUE FEZ COMENDAS DE POIARES FREIXITEL
FALECEU 4 D JVLHO 1574

   

4 de março de 2014

Brasão nacional da antiga Porta de Carros - Porto

Rua D. Manuel II, freguesia de Massarelos, concelho do Porto - Portugal

A Pedra de Armas de classificação de "Soberania", representa o escudo nacional encimada pela coroa real.
Infelizmente estava colocada na antiga Porta de Carros, uma das entradas na cidade do Porto pelas muralhas Fernandinas e que actualmente já não existe.
Encontra-se guardada no Museu Soares dos Reis junto com um conjunto de outros brasões que se foram retirando do seu local inicial.
Tudo se deve à expansão da cidade e à sua modernização. Neste caso, a sua remoção deve-se aos "Almadas" aquando dos seus projectos de requalificação da cidade do Porto, no séc. XVIII.

26 de fevereiro de 2014

Brasão do Visconde de Vilar de Allen - Porto

Cemitério de Agramonte, freguesia de Massarelos, Porto
Brasão de Alfredo Allen, aplicado em campa rasa, que assentou vida em Portugal numa quinta em Campanhã dedicando-se aos seus conhecimentos de paisagista e botânico. Alfredo Allen, agraciado a 13/1/1866, seguiu os passos de seu pai, fazendo o mesmo percurso, ambos com projectos de relevo na cidade do Porto, através da concepção de jardins e arranjos botânicos.
Descrição da pedra de armas:
Escudo: Inglês
Material: Granito
Formato: Pleno ou Simples
Leitura: de Allen
Timbre: de Allen
Elmo: encimado por coroa e timbre, encontra-se aberto, gradeado e perfilado á direita.
Coronel: de Visconde

13 de fevereiro de 2014

Foral de Baltar - Paredes

Vila de Baltar, concelho de Paredes - Portugal


O Foral de Baltar

A exemplo dos outros forais manuelinos, a preparação do documento foi precedida de uma inquirição local e está documentada em acta e guardada na Torre do Tombo.
O foral datado de Junho de 1515, tudo leva a crer que a sua preparação, através das inquirições ter-se-à realizado no ano anterior.
O documento regista a presença de juiz, de vereador do concelho, alguns homens da câmara e do tabelião, que terão subscrito o documento e validado toda a informação que permitiu à emissão do Foral.
Já na presença real terá sido aprovado por altos signatários ligados a D. Manuel, isto é pelo Dr. Rui Boto, chanceler do rei e pelo dr. Rui da Grã, desembargador dos forais que lhe puseram o visto e a rubrica, respectivamente.
O Foral faz menção aos pagamentos que os lavradores deviam ao senhorio dos direitos, pelo usufruto das terras.
O documento regista que as terras eram pertença real e que afirma o seu poder ao Senhor Duque de Bragança.
 Os seus pagamentos, eram prática local e estavam registados 29 casais, que lhe deviam pagar quantias em dinheiro e em género (linho, centeio, milho, painço, vinho, manteiga, ovos e animais).
Os senhores da Casa de Bragança que tiveram Baltar sob sua alçada e direitos, pode-se afirmar que o Condestável D. Nuno Álvares Pereira, como filho bastardo do rei D. João I e conde de Barcelos, foi o representante mais emblemático. Durante um período conturbado na Casa de Bragança, foi o representante João Rodrigues de Sá, como fidalgo da casa de Bragança e por estar ligado à terra de Baltar com funções administrativas, para além de ser fidalgo do concelho do rei e vedor e alcaide da cidade do Porto. Fora agraciado dos direitos, por D. João I, em Junho de 1484. Este direito deveu-se a conflitos internos da casa de Bragança e que resultou na sua anulação por D. Manuel e a terra de Baltar voltou ao anterior senhorio.
Baltar viria a ganhar o seu foral por concessão do rei D. Manuel, em documento redigido em Lisboa e datado de 11 de Junho de 1515.
Para além dos deveres e pagamentos dos lavradores, usufrutuários e residentes nos casais de Baltar, à Casa de Bragança, o foral aborda os serviços que haveriam de servir o senhorio ou os seus representantes, apresentando um pequeno conjunto de normas, mais ou menos comuns a todos os forais manuelinos, destinados a explicitar e regulamentar os usos da terra, o gado perdido e o uso ilegal de armas.
Sobre eles, determina o conceito de maninhos e montados e do gado do vento e de alguns aspectos da justiça, regulamentando o uso de armas no concelho, e com ela ligada a pena do foral, isto é, as sanções e incumprimentos.
Aborda as isenções de homens de, pessoalmente, servirem os senhores dos direitos da terra, ou de lhes darem gratuitamente, palha, erva, roupa ou qualquer outra serventia contra a sua vontade.
Esta ultima, é declarada livre de qualquer servidão os homens de Baltar, resguardando-se de qualquer abusos que os senhorios ou seus representantes pretendessem cometer sobre eles.
Finalmente, quanto à justiça, os forais manuelinos reforçam as normas legais em vigor, no capítulo que dedica à chamada pena de armas, na regulamentação em que era admitido ou não, esse uso de armas.
O foral de Baltar não era excepção, pretendendo ajudar à manutenção da paz, dissuadindo arruaceiros e agressores.

“resumo de texto da transcrição/descrição de Maria Fernandes Marques, faculdade de Letras, Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra”


História

Uma Carta de Foral, ou simplesmente Foral, foi um documento real utilizado em Portugal no seu antigo império colonial, que visava estabelecer um Concelho e regular a sua administração, limites e privilégios. A palavra “foral” deriva da palavra portuguesa “foro”, que por sua vez provém do latino “fórum”; é equivalente à espanhola “fuero”, à galega “foro”, à catalã “fur” e à básica “foru”.
Os Forais foram concedidos entre o século XII e o século XVI. Eram a base do estabelecimento do município e, desse modo, o evento mais importante da história da vila ou da cidade. Era determinante para assegurar as condições de fixação e prosperidade da comunidade, assim como no aumento da sua área cultivada, pela concessão de maiores liberdades e privilégios aos seus habitantes, num período da História em que as populações eram sujeitas a um regime de trabalho semi-escravo, na qualidade de servos dos senhores feudais.
O Foral tornava um concelho livre do controlo feudal, transferindo o poder para um concelho de vizinhos (concelho) com a sua própria autonomia municipal. Por conseguinte, a população ficava directa e exclusivamente sob o domínio e jurisdição da Coroa, excluindo o senhor feudal da hierarquia do poder.
O Foral garantia terras públicas para o uso colectivo da comunidade, regulava impostos, pedágios e multas e estabelecia direitos de protecção e deveres militares dentro do serviço real.
Um pelourinho estava directamente associado à existência de um Foral. Era erguido na praça principal da vila ou cidade quando o Foral era concedido e simboliza o poder e autoridade municipais.
Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida pelos procuradores dos concelhos a sua reforma, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel I, de Portugal. Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832.

Os Forais Manuelinos

Sob o reinado de D. Manuel I, de Portugal, os forais medievais – redigidos em latim bárbaro e já à época em mau estado de conservação – eram de difícil leitura e interpretação pelos oficiais das Câmaras, uma vez que também apresentavam grandes discrepâncias entre si.
Com o objectivo de sistematizar a governação local ao nível administrativo, aquele monarca nomeou uma comissão que, durante duas décadas, procedeu à recolha de toda a documentação existente – Privilégios e antigos Forais – e reformulou-a segundo uma certa sistematização, o que fez com que os chamados “Forais Novos” sejam quase idênticos, assegurando uma certa unificação. São também conhecidos como de “leitura nova”, uma vez que o monarca instituiu um novo tipo de caligrafia – o gótico librário - , mais inteligível.
Em seu reinado foram reformulados 596 forais, reunidos nos “Livros dos Forais Novos”. A reforma prolongou-se entre 1497 e 1520, abrangendo cerca de 570 concelhos.
Iconograficamente, o tipo principal caracteriza-se por apresentar, na parte superior, as armas reais ao centro (sempre com nove castelos), ladeado pelas esferas armilares e uma faixa horizontal com o nome do rei (MANVEL), tendo a particularidade de a letra “D” ser formada por uma serpente alada com cabeça de dragão.

(http://p..wikipedia.org/wiki/Carta_de_Foral”



6 de fevereiro de 2014

Pedra de Armas em casa particular - Guimarães

Largo Martins Sarmento, nº 71, Guimarães - Portugal

Brasão ainda pouco estudado, de qualquer modo o escudo é de fantasia, com elmo voltado à direita  e ornada com uma cartilha floreada.
É partido, com leitura: I - Macedo e II - Cardoso, conforme comentário junto, que agradeço, e seu Timbre, de Macedo, mal colocado. Devia estar sobre o elmo.
Está inserida na fachada da casa dos condes de Margaride, em Guimarães, também conhecida pela casa do Carmo.
Grato pela informação prestada àquele que enviou a correcção tida antes.

2 de fevereiro de 2014

Porta ou Postigo das "Virtudes"? - Porto

Rua das Virtudes, freguesia da Vitória, Porto - Portugal

Pois é! Não tinha a noção que de todas as portas, postigos bem como de grande parte das muralhas fernandinas ainda existissem locais que não foram demolidas, aos longos destes dois últimos séculos, para além do que é a corrente divulgação popular e publicitada, para além de outras aberturas que foram abertas ao longo dos tempos como será o presente caso.
É do conhecimento geral e bastante divulgada a existência do Porta do Carvão, na zona ribeirinha da cidade e da muralha que percorre do alto da cidade até à parte baixa (escarpas dos Guindais), junto à ponte D. Luís e que se pode acompanhar e visualizar através do uso do funicular ou através da vista do lado da cidade de Gaia.
Outras partes dessas construções sobrevivem pelos recantos da cidade, são o exemplo de alguma publicidade ao "café muralhas", junto à igreja dos clérigos, e parte enterrada na igreja de S. José das Taipas, recentemente descoberta e que esta igreja entronca com essas paredes de pedra. 
Outras escondem-se pelos interiores dos quintais das casas ou fazem paredes divisórias com habitações ao longo do seu percurso.
É o caso de uma parte da muralha e de uma porta e um postigo abertas junto ao lugar das Virtudes.
Esta, ainda existente, não será da originais e terá sido aberta numa fase posterior às então designadas Porta e Postigo das Virtudes e que se situariam muito perto daquele local.
Nem toda a população ou visitante tem a possibilidade imediata de visitar esta peça, com alguma dimensão.


Encontra-se no interior de uma casa solarenga, conhecida pelo antigo Clube Inglês e que actualmente está sediada uma instituição de apoio social àquela zona da cidade.
Se esta porta agora visitada terá sido aberta muito posteriormente às originais no lugar das Virtudes, pois há quem defenda que a "porta" ou o "postigo" que existiram, permitiam estas à passagem a pessoas ou a animais, enquanto que as "portas" eram de passagem de carroças, carros de animais e havia sempre um posto de guarda, para controlo.


História:

" As muralhas do Porto"

Muralhas Fernandinas é o nome pela qual ficou conhecida a cintura medieval de muralhas da cidade do porto, em Portugal, da qual somente partes sobreviveram até aos nossos dias.
Cerca Nova e Muralha Gótica são outras designações que se aplicam às muralhas fernandinas mas que, apesar de cientificamente mais correctas, são menos correntes.
Durante o séc. XIV, o Porto teve uma grande expansão para fora do seu núcleo inicial do morro da Pena Ventosa, em torno da Sé, protegido pela Cerca Velha, construída em cima do muro original romano. Este surto de povoamento foi particularmente notável na margem ribeirinha do Douro, reflectindo a crescente importância das actividades comerciais e marítimas.
A cidade sente, assim, necessidade de um espaço amuralhado mais vasto que o da Cerca Velha. Os primeiros a apresentarem essa reivindicação foram burgueses com casas e negócios extramuros e portanto menos protegidos.
Em meados desse século, ainda no tempo de D. Afonso IV, começou a ser construída uma nova cintura de muralhas que ficou praticamente concluída por volta de 1370. O facto de a obra só ter sido concluída no reinado de D. Fernando, explica o facto de ser correntemente designada por "Muralha Fernandina".
passada a sua importância militar, as muralhas começaram a ser progressivamente demolidas a partir da segunda metade do séc. XVIII para dar lugar a novos arruamentos, praças e edifícios. A maioria da muralha foi demolida já em finais do séc. XIX. Os troços sobreviventes das Muralhas fernandinas foram classificadas como "monumentos nacionais" em 1926.
Este muro, de traçado geométrico e uma altura de 30 pés (9 m), de alto porte e grande robustez, era recortado de ameias salientes, tendo vários cubelos e torres elevadas e ainda numerosas portas e postigos (dezassete, no total). Com um perimetro de cerca de 3.000 passos (2.600 m), limitva uma área de 44,5 hectares.
O seu traçado seguia pela margem ribeirinha do Douro até ao limite com Miragaia, subia pelo Caminho Novo e São João Novo até ao cimo do Morro do Olival; depois tomava a dircção leste passando junto ás hortas do bispo e do cabido e continuava para Cimo de Vila; a seguir contornava os morros da Cividade e da Sé por nascente e descia pela escarpa dos Guindais até à Ribeira, próximo da saída do tabuleiro inferior da actual Ponte Luís I.
(...) 
http://www.porto.pt/noticias/os-sons-da-muralha-fernandina

Começando pela Porta Nova ou Nobre que dava saída para Miragaia, junto ao rio Douro, as portas e postigo seriam os seguintes (no sentido dos ponteiros do relógio):
 1 - Porta Nova ou Nobre (inicialmente de Miragaia);
 2 - Postigo de S. João Novo ou da "Esperança";
 3 - Porta das Virtudes (inicialmente apenas postigo);
 4 - Porta do Olival;
 5 - Postigo das Hortas ou dos Almadas;
 6 - Porta de Carros (inicialmente apenas postigo);
 7 - Porta do Cimo de Vila;
 8 - Porta do Sol (inicialmente postigo do Carvalho do Monte ou do Penedo);
 9 - Porta da Ribeira;
 10 - Porta do Carvão (único que sobreviveu até hoje);

e os postigos eram,
 1 - Postigo dos Banhos;
 2 - Postigo da Lingueta;
 3 - Postigo da Alfândega ou do Terreirinho;
 4 - Postigo do Pelourinho;
 5 - Postigo da Forca;
 6 - Postigo da Madeira;
 7 - Postigo da Lada ou da Areia;
 8 - Porta de Santo Elói (inicialmente postigo do Vimial);


(http://pt.wikipédia.org/wiki/Muralhas_Fernandinas_do_Porto)
(http://www.porto.pt/noticias/os-sons-da-muralha-fernandina)



16 de janeiro de 2014

Porta do séc. XVI - Porto


Pátio das Escadas do Monte dos Judeus, nº 16A e 19, freguesia de Miragaia, Porto - Portugal

Na cidade do Porto ainda existem vestígios de marcas dos nossos antepassados. O exemplo que apresento é de uma porta (a habitação foi já totalmente adulterada) que pertencia a uma residência de família judaica.
Este local correspondia à judiaria que o Porto, em Miragaia, situando-se dentro da sua cidade. Sobre a porta, na padieira, tem uma peça de granito gravada com a data da sua construção "15 de Julho de 1558". Esta peça é uma raridade na cidade e merece ser preservada. Encontra-se numa pequena viela, designada de pátio, mesmo no fim de um conjunto de pequenas casas.

10 de janeiro de 2014

Brasão desconhecido no antigo Museu de Etnografia e História - Porto

Antigo Museu de Etnografia e História da Província do Douro Litoral, largo de S. João Novo, freguesia de Miragaia, Porto

Esta pedra de armas está registada na obra "Pedras de Armas do Porto", de Armando Mattos, e considerada como guardada no edifício do Palacete dos Costa Lima.
Este espaço estava destinado a Museu de Etnografia e História e encontra-se encerrado há décadas sem que as entidades governamentais e locais nada façam para o reabrir.
Infelizmente é-me impossível confirmar se tal peça histórica ainda se encontra lá guardado. Como fotografia está registado no Arquivo Histórico do Porto e proveniente de fotografia tirada pelo Eng. Guilherme Bonfim Barreiros, entre 1943 e 1953, entre muitas outras fotografias tiradas por esta figura conhecida da cidade.
É uma peça renascentista, do séc. XVIII, em granito (?) e desconhecida pelo local da sua origem, tem uma leitura de escudo de fantasia, esquartelado com sobreposto.
A sua leitura é: I - Guerra, II - Vieira, III - (?) e IV - Sá, com sobreposto de Alvo. O timbre terá sido mutilado conjuntamente com o possível elmo.
O terceiro quadrante é para mim uma incógnita, pois não existe qualquer referência na Heráldica Portuguesa para o seu símbolo. 
Agradeço qualquer comentário sobre esta peça, tendo como duvidas mais importantes a sua origem histórica e familiar, para além da simbologia do quadrante em duvida e de ser em granito.

Nota:
Sobre o III quadrante apenas tenho conhecimento da existência na Heráldica Portuguesa dos seguintes nomes com alguma proximidade e que são:
- Camacho (da Andaluzia): castelo com dois pinheiros e duas estrelas;
- Parada: torre com 5 estrelas;
- Ribafria: torre com duas estrelas (6 pontas);
- Varejão: torre com duas estrelas;
- Valdevesso: castelo com uma estrela (8 pontas) e que para mim será esta a simbologia mais próxima da pedra de armas da foto.

3 de janeiro de 2014

Memórias Paroquiais de 1758 - Baltar

O que são as memórias paroquiais de 1758?

São as respostas dos párocos a um Inquérito elaborado pelo Padre Luís Cardoso e enviado a todos os párocos do País, em 1756, e com o total apoio do então Secretário de Estado, Sebastião José Carvalho e Melo (Ministro de D. José I e Marquês de Pombal).
Trata-se de um inquérito tripartido sobre as terras, rios e serras que esperava dos párocos uma resposta minuciosa e expressiva, com a preocupação, também, de saber se o Terramoto de 1755 tinha causado estragos na sua freguesia.
As respostas dadas são um verdadeiro conteúdo histórico de recolha a nivel nacional, permitindo à época perceber o actual estado de cada local do País. 
A seguir apresenta-se a transcrição do documento emitido pelo pároco de Baltar, do concelho de Paredes e que à época era pertença da comarca de Barcelos e era Honra da Casa de Bragança.


Transcrição feita por Manuel Cunha, 27/12/2013

Memórias Paroquiais de 1758 – Baltar

Agostinho Jose Ferreira, Abbade de São Miguel de Baltar da Comarca de Pennafiel deste Bispado do Porto, satisfazendo a Ordem, que recebi em quatro de Março de mil Sete centos, e cincoenta e oito do Excellentissimo, e Reverendissimo Senhor Dom Frey Antonio de Tavora Bispo deste Bispado, para responder aos interrogatórios seguintes.

O que se procura saber desta terra hê o seguinte.
1
Em que Provincia fica, a que Bispado, Comarca, Termo, e Freguezia pertence?
Respondo: pertence à Provincia de Entre Douro, e Minho, Bispado do Porto, Comarca de Barcellos, Termo do Porto, e Freguezia de S. Miguel de Baltar.
2
Se hê de ElRey, ou de Donatario, e quem o he ao prezente?
Respondo: Que ao pretenze o Senhor desta Freguzia he a Serenissima Senhora dos Brasis, Duqueza de Bragança.
3
Quantos Vizinhos tem, e o numero das pessoas?
Respondo: tem duzentos, e nove Vizinhos, pessoas, Sete Centos, e Setenta, e Sete.
4
Se estâ situada em Campina, Valle ou monte, e em que povoações se descobrem della, e quanto dista?
Respondo: Estâ em hum Valle e delle se descobrem alguns montes ao longe na distancia de duas léguas.
5
Se tem termo seu, que lugares, ou Aldêas comprehende, como se chamão, e quantos Vizinhos tem?
Respondo: A este nada.
6
Se a Parochia estâ fora do lugar, ou dentro delle, e quantos lugares, ou Aldêas tem a freguezia, todos pelos seus nomes?
Respondo: Que a Parochia estâ no meyo do lugar, chamado o da Igreja e tem mais os seguintes: Mamôa, Ramos, Tahinde, Cazal de Gas, Ancede, Ribeiro, Fagilde, Gralheira, Sagial, Carvalho, Covelo, Figueira de Porta, Quintâa, Ponte, que fazem o numero de quinze.
7
Qual hê o seu Orago, quantos altares tem, e de que Santos, quantas Naves tem, se tem Irmandades, quantas, e de que Santos?
Respondo: O orago he São Miguel; tem tres altares; o Altar Mor com o Santissimo, o Padroeiro São Miguel, a Senhora do Carmo, e Santa Anna; dous altares Colateraes, hum da Senhora do Rozario com São Gonçallo, outro da Senhora da Conceição com o Menino Deos, e Santo António; não tem naves; tem quatro Irmandades a saber: a do Santissimo Sacramento; a do Su(b)cino, a da Senhora do Rozario, e de São Miguel.
8
Se o Paroco he Cura, Vigario, Reytor, Prior, ou Abbade, e de apresentação he, e que renda tem?
Respondo: he Abbade, a prezentação da Serenissima Caza de Bragança, rende para o Paroco o terço da dizimaria, em que anda arrendada este triennio, em cada hum anno Cento, Oitenta mil reis, e o pé do altar hum anno por outro cincoenta mil reis, e as duas partes da dizimaria são das Religiosas das Chagas de Villaviçoza com a obrigação da Fabrica da Cappella Mór desta Igreja, he tudo omais, que lhe for necessario, a que ellas eitam obrigadas.

Ao nono, decimo, undécimo e duodecimo não temho que responder.

13
Se tem alguas Ermidas e de que Santos, se estão dentro, ou fora do lugar e a quem pertencem?
Respondo: tem duas, a saber; da Senhora da Quintâa junto ao mesmo lugar assim chamado: outra de São Sebastiam com São Silvestre sita quazi no meyo do lugar de Fagilde ao pé da Estrada publica; os devotos são os que tratão dellas.
14
Se acodem a ellas romagem sempre, ou em alguns dias do anno, e quaes são estes?
Respondo: que em dia de São Silvestre vem algua gente em romaria ao Santo à Cappella de São Sebastiam, aonde estã também o dito São Silvestre.
15
Quaes são os frutos da terra, que os moradores recolhem em mayor abundancia?
Respondo: que he milham e Centeyo.
16
Se tem Juiz Ordinario, Camera, ou se estâ sujeita ao Govêrno das Juitiçães de outra terra, e qual esta?
Respondo: tem Juiz Ordinario em todo a Civil, Crime, e Orfãos; tem Camera, e tudo esta sujeito à Correição do Ouvidor da Villa de Barcellos.
17
Se he Couto, Cabeça de Concelho, Honra ou Behetria?
Respondo: he Honra de Baltar da Serenessima Caza de Bragança.

Ao decimo oitavo, nada.

19
Se tem feira, e em que dias, e quantos dura, se he franca, ou Captiva?
Respondo: tem hua feira, que principiou ha tres anos; e se faz todos os mezes aos dezasseis; e no anno aos dezasseis de Abril, franca, três dias, por provizam de sua Magestade, que Deos guarde.
20
Se tem Correyo, e em que dias da semana chega, e parte, e se o não tem, de que Correyo se serve, e quanto dista a terra adonde elle chega?
Respondo: não tem Correyo e serve se do Correyo Mor da Cidade do Porto, que fica distante quatro léguas, e alguas vezes do da Villa de Arrifana de Souza, que dista duas léguas.
21
Quanto dista da Cidade Capital do Bispado, e quanto de Lisboa Capital do Reyno?
Respondo: dista quatro leguas da Cidade do Porto Capital do Bispado; e Cincoenta, e quatro de Lisboa Capital do Reyno.
22
Se tem alguns privilégios, antiguidades ou outras couzas dignas de memoria?
Respondo, que tem os pivilegios, de que gozam os reguengueiros da Serenissima Caza de Bragança.

Aos vinte, e três, vinte, e quatro, e vinte cinco, nada.

26
Se padeceu algua ruîna no Terramoto de mil, Sete Centos, Cincoenta, e Cinco, e em que, e se esta já reparada?
Respondo, que cahiram alguas paredes dos Campos, e hum palheiro, e tudo se acha reparado; o braço da cruz da Cappella Mor desta Igreja deu meya volta, e assim estâ para memoria.

Ao vinte, e sete nada.


O que se procura saber desta serra he o seguinte?
1
Como se chama?
Responde-se: a Serra de Baltar
2
Quantas leguas tem de comprimento, e quantas de largura; onde principîa, e onde acaba?
Responde-se, que tem de Comprimento meya legua, e de largura hum quarto de legua, principia do Nascente ao pe do Lugar de Ramos, e acaba no Poente no lugar do Gardam, freguesia de São Miguel de Gandra; e do Norte do Monte de São Silvestre, e acaba na parte do Sul junto ao lugar de Recarey, freguesia de São Pedro da Sobreyra, tudo deste Bispado.

Ao terceiro, quarto, e quinto, nada, e também o sexto.

7
Se há na Serra Minas de Metays ou Cantarias de pedras, ou de Outros materiaes de Estimação?
Respondo; que he hua pedreira aonde se tira pedra, ou môs para amolar.
8
De que plantas, ou hervas medicinaes hê a serra povoada, e se se cultiva em alguas partes della, e de que generos de frutos he mais abundante?
Responde-se: que tem alguns Carvalhos, Sobreyros, e  pinheiros nas fladras della, e tudo mais he Queiró; pode ser cultivada para trigo, e centeyo; porem os moradores não deixam topar huns aos outros por cauza de alguns querendo tudo.

Ao nono nada.

10
A qualidade do seu temperamento?
Respondo: que dizem he temperado.
11
Se ha nella Criações de Gados, ou de outros animaes, ou Cassa?
Respondo, que há alguns Rebanhos de Ovelhas, Cabras, e também boys e vaccas onde vão passar na queiró; e alguas lebres.

Ao decimo segundo, e decimo tercio, nada.

O que se procura saber do Rio dessa serra he o seguinte.
1
Como se chama assim o Rîo, como o sitio donde nasce?
Respondo: não ha Rio, mas sim hum Regato, que nasce na freguezia de Vandoma em hua lagôa, o qual rega a mayor parte das terras desta freguesia por repartições que tem, E nesta freguezia hâ quinze moînhos que moem com agua do dito regato no tempo do Inverno, e de Veram âs prezas dao: ha tambem hua ponte de pedra, chamada da pedra no lugar da ponte, por toda a margem deste regato se cultiva de pam com suas arvores e vides de Vinho Verde. Dou esta informação, e não respondo por artigos, porque nesta freguezia não ha rio algum, só sim o referido regato.
V. Excelencia Reverendissimo mandará, o que for servido. Baltar 8 de Abril de 1758
                                                           D A. Exª. Rma.
                                                           O menor súbdito
                                                      Agostinho José Ferrª.



29 de dezembro de 2013

Remedilhos e Temperilhos - o Tempo que faz




Estamos na época natalícia e da passagem de ano. É nesta época que os nossos antepassados anotavam o Tempo que iria fazer durante o decorrer do ano seguinte.
De verdade! Actualmente, ainda não acreditamos muito nos Boletins Meteorológicos, ou até na Internetes que nos informam sobre o clima que se faz para os dias que se segue e já os nossos Avós e Pais atempadamente se preveniam para os períodos das sementeiras, cultivos e de outras programações que entendiam fazer para o ano que se avizinhava.
Não sei se teve origem de alguma tradição religiosa ou não, se são apenas "saberes populares" locais, o que é facto é que fui educado a fazer esta antevisão climática por mera brincadeira nesta época de natal.
Esta tradição natalícia fazia-se da seguinte maneira:

Chamam-se Remedilhos (há quem lhe chame arremedilhos) e Temperilhos, e constam da seguinte associação da previsão de tempo para determinado dia do mês respectivo. Isto é, começa entre o dia de Santa Luzia, a 13 de Dezembro, e o Natal (Remedilhos), com o cruzamento do tempo verificado para o período entre o dia 26 de dezembro e 6 de janeiro, dia dos Reis (Temperilhos). O dia de Natal é o único dia que não entra neste boletim metereologico.
Desta maneira verificava-se o tempo com a associação dos dias, ao mês do ano seguinte correspondente, da seguinte forma:

Remedilhos -
13 de dezembro - janeiro do ano seguinte
14 de dezembro - fevereiro do ano seguinte 
15 de dezembro - março do ano seguinte
16 de dezembro - abril do ano seguinte
17 de dezembro - maio do ano seguinte 
18 de dezembro - junho do ano seguinte
19 de dezembro - julho do ano seguinte
20 de dezembro - agosto do ano seguinte 
21 de dezembro - setembro do ano seguinte
22 de dezembro - outubro do ano seguinte
23 de dezembro - novembro do ano seguinte
24 de dezembro - dezembro do ano seguinte

Natal  - não se contabiliza
 (agora faz-se a análise em sentido inverso)

Temperilhos -
26 de dezembro - dezembro do ano seguinte
27 de dezembro - novembro do ano seguinte
28 de dezembro - outubro do ano seguinte
29 de dezembro - setembro do ano seguinte
30 de dezembro - agosto do ano seguinte
31 de dezembro - julho do ano seguinte
1 de janeiro - junho desse ano
2 de janeiro - maio desse ano
3 de janeiro - abril desse ano
4 de janeiro - março desse ano
5 de janeiro - fevereiro desse ano
6 de janeiro - janeiro desse ano

Ex: Se no dia 16 de dezembro e a 3 de janeiro chover, então o mês de abril será chuvoso. Caso não sejam coincidentes, então prevaleceria o Temperilho, de 3 de janeiro.


Comentários pessoais: após várias buscas sobre o tema, só encontrei este "popular saber" na região de Felgueiras e em Paredes, ou será que já ninguém fala sobre este modo "antigo" de saber o tempo de uma forma arcaica e simples.
Para os lados de Estarreja também usam mas com outra matriz! Julgo que as matrizes também diferem em cada região!?
Também não encontrei nos dicionários estas palavras e, julgo que estas palavras serão especificamente locais, de uma determinada região. Estranho é que as regiões circundantes destes dois concelhos não sejam mencionadas estas tradições. Vamos lá saber porquê?
Agradeço comentários sobre o tema, pois para mim esta tradição vai mesmo desaparecer....
Ah, já agora, termino a dizer que também se dizia que os Temperilhos eram mais assertivos em desfavor dos Remedilhos (conforme exemplo)! Porque seria?
BOM ANO 2014 e que bons ventos venham para este período de Natal.

24 de dezembro de 2013

Feliz Natal deseja-vos a Nª. Srª. de Vandoma à cidade do Porto e meus amigos

Armas da cidade do Porto

O brasão da cidade não foi sempre o mesmo ao longo dos tempos, embora a sua estrutura base - Senhora de Vandoma se tivesse mantido durante os diferentes reinados.
Esta marca teve origem em 1517 com a inclusão de Nª. Srª. de Vandoma  com o menino Jesus nos seus braços entre duas torres.
Como não podia deixar de ser, a simbologia da cidade do Porto e o período natalício enquadra-se perfeitamente nesta época religiosa e não só.
O Amor e a Fraternidade são as principais razões que nos levam à sua festividade, contudo deixo aqui mais umas razões primordiais para o séc. XXI - Respeito e Bom Senso acrescentam mais uns motivos para a melhoria do Mundo. Pensem nisto!
Bem Hajam e tudo de BOM, são os meus votos de Natal a todos Vós.
Obrigado

Manuel Cunha