NOTA: A quem consulte e aprecie este blogue e possa contribuir com comentários, críticas ou correcções têm a minha consideração.
Aqueles que por seu entendimento, possam ser proprietários de alguns elementos fotográficos, e pretendam a retirada dessa foto, agradeço que me seja comunicada para evitar constrangimentos pessoais.

Obrigado.

16 de novembro de 2013

Paço Episcopal do Porto - escadaria



Largo da Sé, freguesia da Sé, Porto - Portugal
O Paço Episcopal está considerado como o edifício mais emblemático da cidade, a nível do seu património arquitectónico.
A sua história está sobejamente divulgada e actualmente é utilizada pelo bispado da cidade. Outrora, para além das actuais funções de edifício habitacional e centro administrativo religioso, também foi biblioteca e câmara da cidade.
A sua arquitectura com inícios barrocos e influências nasonianas tem como centro das atenções a sua escadaria.
Revela a conjugação do barroco com o neoclássico: estuques com laçarias, fitas, medalhões, grinaldas,etc..., com pormenores em granito de excelência.
A sua simbologia usada ao longo do escadório é de iconografia religiosa, com pinturas a têmpera e fresco sobre estuque, para além de janelas de fachada com enorme grandiosidade e a culminar nos seus topos frontões trabalhados com primor.
Para o seu acesso, atravessa-se um amplo vestíbulo até ao encontro com a grandiosa escadaria que se abre num amplo patamar e se divide em outros dois lanços de escadas, paralelos e que nos conduzem a um portal de frontão interrompido.
No seu topo uma clarabóia exemplar de qualidade rara.
A história deste edifício está ligada ao bispo D. João Rafael de Mendonça que toma posse do bispado do Porto, em 1771, após um período de Cede Vacante e encontra a cidade em transformação e neste contexto a velha residência episcopal não servia a este bispo que, então, manda edificar um novo e grandioso palácio.
De fortes influências nacionais e nobiliárquica, toma a decisão da sua construção sem deixar o seu cunho: o brasão. Esta marca aparece em variados locais, no exterior e no seu interior, e principalmente na fachada principal da casa sobre o portal principal. 
Infelizmente a sua vaidade e a sua ostentação não lhe vai permitir ver a conclusão da sua obra, falecendo em 1793.
Vale a pena visitar esta relíquia patrimonial da cidade do Porto, mas infelizmente as suas portas não estão abertas ao publico e ao turismo corrente. Será necessário ser agendado atempadamente com as devidas autorizações e por organizações credenciadas.
Assim vai a cultura e o turismo....

12 de novembro de 2013

Brasão do Conde de Lagoaça em cemitério -Porto





Cemitério da Lapa (1ª Divisão, 5ª secção), freguesia de Cedofeita, concelho do Porto - Portugal

Leitura do Brasão:
            Material: Granito
            Escudo: Francês ou quadrado
            Formato: Partido
            Leitura: I - Antunes (de Simão Antunes)
                        II - Navarro
            Coronel: de Conde
            Timbre: de Antunes
            Diferença: uma brica de .... com farpão
            Cores:
                        I - de vermelho, uma cidade de prata, murada em roda, com uma porta de negro na    frente;
                  II - de azul, com dois lobos de ouro, passantes, em sobre o outro, e bordadura de vermelho, carregada de oito aspas de ouro;
            
António José Antunes Navarro (Lagoaça, 11 de Julho de 1803 - 17 de Julho de 1867) foi fidalgo da Casa-Real, por decreto-lei de 30 de Janeiro de 1862, politico português como deputado às Cortes e par do Reino, ascendeu a Presidente da Câmara do Porto entre 1860 e 1867.
Nesse período mandou instalar os primeiros mictórios públicos da cidade, medida extremamente inovadora do ponto de vista sanitário, e que mereceram a alcunha de "vespasianas" mas que o povo designou de "lagoaças".
Após visita à cidade do rei D. Pedro V, em 2 de dezembro de 1859, este agraciou-o com o título de Visconde de Lagoaça e posteriormente por D. Luís I, Conde de Lagoaça, a 31 de Outubro de 1866 e por carta em 6 de Novembro de 1866.
Foi também agraciado com a Grã Cruz da Ordem de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, e comendador de Nossa Senhora da Conceição, de Vila Viçosa  e de S. Maurício e S. Lázaro, da Sardenha, esta ultima concedida pelo Rei Carlos Alberto, aquando do seu exílio na cidade do Porto.
Pouco antes de falecer concede o título de Visconde a um sobrinho, Júlio de Castro pereira, filho de José António Castro Pereira, deputado e fidalgo da Casa Real e de sua mulher, Dona Antónia Margarida Antunes Navarro, sua irmã.
http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=67544&fview=e

31 de outubro de 2013

Jazigo dos Barões de Ancede - Porto


Cemitério da Lapa, freguesia de Cedofeita, Porto - Portugal

Título criado por D. Maria II, em 7/10/1842, de 1º Barão de Ancede, a José Henriques Soares. Oriundo do Marco de Canaveses, freguesia de Soalhães, nasceu a 6/7/1785 e faleceu a 4/7/1853.
Barão de Ancede (Gisaweb)

Era filho de Joaquim José Soares e de Maria da Purificação e Silva. Casou pela 1ª vez, a 13/12/1812, com Teresa Delfina Campeam, nascida a 13/10/1779 e falecida a 16/7/1821, também conhecida por ser filha de João baptista Campeam, genovês e de Maria do Carmo, natural do Porto.
casou pela 2ª vez, a 24/7/1826, com Ana Máxima de Lima Machado, nascida a 15/4/1807 e falecida a 15/4/1873, era filha de António José Araújo Lima e de Ana Máximo Machado.
Leitura do brasão:
Tipo: Suíço ou Inglês (desproporcionado)
Material: Granito
Conservação: Razoável
Formato: Partido
Leitura: 
       I - Soares (de Albergaria)
       II - Araújo, de Álvaro Pires
Elmo: de grades, tarado de perfil à direita, com paquife
Timbre: de Soares (dragão volante)
Diferença: uma brica de ... com farpão

27 de outubro de 2013

Quinta Amarela ou Casa dos Cepêda - Porto

vista actual (em fase de restauro)

vista anterior às obras
Av. dos Combatentes (Antas) freguesia do Bonfim, Porto - Portugal

O portão armoriado situa-se num antigo lugar das Antas e ainda conhecido na zona como tal, e faz parte integrante de uma antiga quinta designada de Quinta Amarela.
Também é conhecida pela Quinta das Antas ou casa dos Cepêdas, tendo sido uma vasta propriedade que se encontra a norte da freguesia do Bonfim e com origens do séc. XVIII.
Até ao inicio do séc. XIX, a Quinta era um retiro pacato e suburbano rodeado de hortícolas que confrontava, a oriente, com a parte final da antiga rua de Montebelo, no alto do monte das Antas e que agora condiz aproximadamente com a Praça Velasquez e a Av. Fernão de Magalhães.
O conjunto incluía imóveis e grutas artificiais, provavelmente criadas durante o romantismo oitocentista, no miolo de um riquíssimo conjunto  de espécies vegetais e de percursos cuidados ao longo do terreno.
A propriedade, em cujas paredes sobressai a forte cor amarela, envolvida por passeios internos e árvores de grande porte, pertenceu à família Cêpeda, até ao fim do séc. XX e de que pouco se sabe sobre a história desta família.
Atualmente, a propriedade encontra-se a sofrer obras de grande dimensão, que irá alterar profundamente o conceito base da Quinta, estudo esse dirigido pelo Arquitecto Eduardo Souto Moura.

9 de outubro de 2013

Quinta de S. Gens, Srª. da Hora

R. de S. Gens, freguesia da Srª. da Hora, Matosinhos - Portugal 

A pedra de armas assenta sobre portal de granito com a seguinte descrição:
forma - Francês ou quadrado
leitura - esquartelado com sobreposto
I - Guedes
II - Pereira
III - Pinto
IV - Carvalhal ou partido com Oliveira/Soares
sobreposto - Leite Pereira
Coronel de Nobreza (Marquês)
Escudo assente em cartilha decorativa

Mais conhecida, pelos vizinhos, como Quinta Agrária. Também foi denominada Quinta do Viso. Está situada na cidade da Senhora da Hora, concelho de Matosinhos, à face da Estrada da Circunvalação. Pertenceu à freguesia de Ramalde e, antes da criação desta, à de Cedofeita.
A casa e os jardins são belos exemplares de arquitectura civil do século XVIII.
É uma velha quinta murada, próxima de um cabeço que na época da romanização terá funcionado de posto de vigia (ou "Viso"), e onde, na época medieval, terá sido erguido um pequeno templo em honra de São Gens. 
Esteve ligada, durante séculos, ao morgadio instituído em Ramalde a meados do século XVI, por João Dias Leite. 

Terá sido durante a administração de D. Maria Leite (falecida em 1738), ou dos filhos, que se realizaram as obras delineadas por Nicolau Nasoni, obra que deu-lhe enobrecimento no Porto.

Inicialmente esteve constituída por um corpo rectangular, com um torreão central recuado, grande pátio fronteiro à casa, escadas exteriores, e passagem central com acesso ao rés-do-chão.

Na década de 1920, a casa sofreu um incêndio, vindo a ser remodelada por um rico emigrante retornado do Brasil que a comprou aos antigos proprietários. Foi então que lhe foi acrescentado um prolongamento para Norte, ampliando o pátio para o mesmo lado, suprimindo as escadas exteriores e ajardinando o terreiro fronteiro com canteiros, palmeiras e arbustos, ao gosto expandido então, entre nós, pelos "brasileiros". Supõem-se que foi nessa altura que se transferiram as estátuas, tanque e bancos atribuídos a Nasoni.

Em 1928, a Quinta foi adquirida pelo Estado para nela instalar a Estação Agrária do Douro Litoral. Na década de 1930, o ajardinamento do pátio foi, de novo, remodelado e plantado com fruteiras. Ao finalizar a década de 1980, sob a orientação do Arqt.º Ilídio de Araújo, foi realizado novo arranjo do jardim.

Das obras supostamente delineadas por Nasoni, subsistem actualmente a estrutura básica da casa, o pátio murado com portão armoriado e janela mural artisticamente enquadrada, uma dezena de notáveis esculturas em granito, de salientar um conjunto de quatro intituladas "Primavera", "Estio", "Outono" e "Inverno". Subsistem ainda duas fontes, um cruzeiro, muros e uma fonte de uma bica, à retaguarda da qual está, voltada para o centro do terraço, uma escultura representando uma quimera de mulher. Além destas obras, pode ainda ser admirado um tanque-lago enquadrado por quatro bancos de pedra que ocupa a posição central de um belo jardim.

Actualmente é uma das quintas de apoio à acção da Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro-e-Minho.
http://amigos-de-portugal.blogspot.pt

8 de outubro de 2013

Casa da Prelada - brasão de antigo jardim da casa - Porto

Rua dos Castelos, freguesia de Ramalde, Porto - Portugal
Os primeiros proprietários da Quinta da Prelada promoveram, entre 1743 e 1758, a construção de uma residência de verão na quinta, obra entregue ao italiano Nicolau Nasoni. A Quinta da Prelada integrava a Mata da Prelada, com árvores centenárias no seu interior. Visíveis do exterior observam-se 2 tílias de grande porte, 1 araucária e alguns choupos.
Referenciada nas Inquirições do séc. XIII com o nome de Petra Lata, em Ramalde. Os expedicionários liberais desembarcados ao Sul do Mindelo, em 8 de Julho de 1832, entraram na cidade na manhã do dia seguinte, pelo caminho que flanqueava essa quinta, ficando desde então associados ao movimento liberal. Na parte da quinta, no topo da Rua dos Castelos, localiza-se a casa "senhorial" com o portão de entrada principal. Este portão barroco é mais antigo que a própria casa, mandada construir em 1754; é dos fins do séc. XVII e é notável pela riqueza decorativa do brasão de família e das suas sereias. Segundo desenho inicial de Nasoni, a casa senhorial da Quinta da Prelada data do início da 2ª metade do século XVIII. Foi residência da família Noronha de Meneses até 1904, data em que foi doada à Santa Casa da Misericórdia do Porto.
Caros blogeur's, poderão também obter mais informações sobre esta Quinta e sua historia num trabalho que podemos considerar muito válido, no site http://www.idearte.org/texts/65.pdf, cuja autora Manuela Cunha (não me é familiar, embora pareça!). Poderão também consultar neste mesmo blogue em Torres-Torreões "Castelo mais pequenino de Portugal", outra belissima peça que pertencia à mesma quinta, outrora, de uma familia abastada, os Noronha de Menezes.


O brasão da foto, encontra-se no renovado jardim, cujo local se encontrava possivelmente a decorar a fonte:
Descrição do brasão:
          - Escudo: Português ou boleado
          - Formato: Partido, a II, Cortada
          - Leitura: I - Noronha
                        II - Vasconcelos
                        III - Câmara
                        IV - Pessoa
           - Coronel: de Nobreza

17 de setembro de 2013

Casa da Prelada (restaurada) - Porto

Rua dos Castelos, freguesia de Ramalde , Porto - Portugal


Decidi lançar neste blogue a repetição deste portal pelo facto de o espaço ter sido todo renovado, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia (SCMP). Bem haja a boa hora de tal restauro. 
Estive lá no dia da sua inauguração, dia 12 de maio, com "pompas e circunstâncias", donde se pôde visitar o interior e os seus jardins envolventes.
Foi dito nessa altura que é intenção de recuperar todo o restante terreno que liga os atuais jardins e atravessam a VCI, até ao antigo terreno que fazia de parque de campismo, terrenos estes da pertença desta entidade.
Esta ligação será garantida por um túnel existente que atravessa a via rápida da cidade, tendo sido o compromisso à época de dar garantias desta travessia inferior.
Felizmente tudo isto vai ser possível pela iniciativa desta entidade conceituada, que é SCMP, na cidade e do forte poder e valores que impera nesta cidade.
Poderá saber mais sobre este restauro no site da Santa Casa da Misericórdia do Porto, abaixo indicada.
Parabéns.

Um pouco da sua história....
Os primeiros proprietários da Quinta da Prelada promoveram, entre 1743 e 1758, a construção de uma residência de verão na quinta, obra entregue ao italiano Nicolau Nasoni. 
A Quinta da Prelada integrava a Mata da Prelada, com árvores centenárias no seu interior. Visíveis do exterior observam-se 2 tílias de grande porte, 1 araucária e alguns choupos.
Referenciada nas Inquirições do séc. XIII com o nome de Petra Lata, em Ramalde.
Os expedicionários liberais desembarcados ao Sul do Mindelo, em 8 de Julho de 1832, entraram na cidade na manhã do dia seguinte, pelo caminho que flanqueava essa quinta, ficando desde então associados ao movimento liberal.
Na parte da quinta, no topo da Rua dos Castelos, localiza-se a casa "senhorial" com o portão de entrada principal. Este portão barroco é mais antigo que a própria casa, mandada construir em 1754; é dos fins do séc. XVII e é notável pela riqueza decorativa do brasão de família e das suas sereias. Segundo desenho inicial de Nasoni, a casa senhorial da Quinta da Prelada data do início da 2ª metade do século XVIII. Foi residência da família Noronha de Meneses até 1904, data em que foi doada à Santa Casa da Misericórdia do Porto.
Caros blogeur's, poderão também obter mais informações sobre esta Quinta e sua historia num trabalho que podemos considerar muito válido, no site http://www.idearte.org/texts/65.pdf, cuja autora Manuela Cunha, não me é familiar (embora pareça). Poderão também consultar neste mesmo blogue em Torres-Torreões "Castelo mais pequinino de Portugal", outra belissima peça que pertencia à mesma quinta, outrora, de uma familia abastada, os Noronha de Menezes.

8 de setembro de 2013

Fontanário - Sobrado


"ESTA FONTE
MANDOU FAZER
O ABBADE HYREM
IAS DA SILVA
P(e)R(eira) ANNO DE
1779"
"Esta fonte mandou fazer o Abade Jeremias da Silva Pereira ano de 1779"



Lugar do Passal, freguesia de Sobrado, concelho de Valongo - Portugal
Fontanário do séc. XVII, provavelmente um local de recolha e fornecimento de águas de apoio às habitações envolventes à igreja de Sobrado.
Seriam com certeza terrenos pertencentes à igreja e que recebia a água proveniente de locais mais distantes, através de canais que se desconhecem.
Lamenta-se não haver motivação ou interesse na recuperação histórica desta lindíssima peça patrimonial, pois encontra-se em completo desmazelo o seu aqueduto (ainda se encontram no local as suas peças do canal de água e amanhã não o saberemos...).
Não sei a quem pertence esta peça granítica, contudo não tem qualquer desculpa que os proprietários e as entidades locais deixem permanecer no tempo com o "apagar" ou o desmoronar da história arqueológica destas peças.
Vamos ter coragem e com poucos custos o fontanário seria uma património visitável de grande interesse e curiosidade.


31 de agosto de 2013

A marca de Sentieiro / Rua da Vitória, na cidade - Porto




Rua Sá da Bandeira, entre o 210 a 222, Freguesia de Stº. Ildefonso, Porto - Portugal

Pois é! Mais uma curiosidade que me fez parar para tirar umas fotografias. 
Não fiz qualquer busca ou investigação toponímica, mas interroguei-me sobre a possibilidade de ter existido uma rua da Vitória que não se situasse na freguesia do mesmo nome ou seria apenas uma mera publicidade do serralheiro que instalou o material que servia de fecho das lojas, em metal, chamado de Sentieiro ou M. L. Sentieiro?
Por incrível que pareça ainda existem vestígios ou marcas dessa existência e localiza-se bem no centro da cidade. Estas marcas localizam-se na actual rua Sá da Bandeira, e as fotos tiradas referem-se a um correr de lojas (fechadas) perto da Praça de D. João I, do lado direito de quem sobe. 
É um conjunto de três prédios em que nos cunhais dessas lojas se encontram cravadas a marca do nome da rua da Vitória, e seu numero de policia nº 148, conforme se pode ver, perfeitamente visível, em cada cunhal.
Esperemos que se tornem um "símbolo fixo" desta marca dos tempos idos na cidade Porto.

Vejam outras marcas nos cunhais, alternadamente com o símbolo anterior, dessas lojas, pois aparentemente refere o nome do aplicador, na época, o "Sentieiro" ou "M.L.Sentieiro", esta personagem, do séc. XIX, mestre serralheiro e industrial de fundição, nesta cidade. 
Esta simbologia teria servido de publicidade? Aqui fica a incógnita, embora na actual rua da Vitória não exista esse nº de policia (148), o que torna ainda mais estranho.



Nota: Já recentemente e após contacto do Sr. Mário Vilaça Bizarro (e que agradeço o interesse por estes assuntos), que através do seu e-mail me transmitiu da existência de iguais marcas na rua Mouzinho da Silveira, 344/348, tendo já, pessoalmente, passado por lá e confirmado a sua semelhança.
De facto são os mesmíssimos símbolos e corresponderá com certeza ao Serralheiro/Instalador que na época aplicava o sistema de encerramento das montras das lojas e que provavelmente teria a sua oficina na rua da Vitória, nº 148, não havendo qualquer vestígios por lá.
Posteriormente, verifiquei também que no Largo de S. Domingos e mais precisamente nas ombreiras da papelaria Araújo e Sobrinho contêm as mesmas peças metálicas de forra nos seus cunhais, só que nessas peças apenas referem a rua "Vitória" e à marca de "fundição".

Novas - Já em 2014 e através do JN, do dia 12/1/2014, na pág.21 do documentário semanal de "À descoberta do Porto", por Germano Silva, este intitulou a sua reportagem com o "Restaurante Sentieiro".
Ora a sua reportagem referia-se ao melhor arroz de frango do Porto com origem num restaurante com esse nome - Sentieiro.
O seu texto refere assim: "... Mas era do restaurante Sentieiro que eu vos queria falar mais em pormenor. Ficava na rotunda da Boavista e tinha como especialidade, além do verdasco de Amarante ou do marco de Canaveses, o arroz de frango, o cozido à portuguesa, o sável frito do Areinho e o chispe com feijão branco. 
Sentieiro era o nome do proprietário do restaurante cujas instalações ocupavam uma parte daquela faixa de terreno ainda existente entre o edifício da antiga estação da Boavista do caminho de ferro da Póvoa, e a Avenida de França. Ainda não há muito tempo, meia dúzia de anos, se tanto, havia ali um portão de ferro trabalhado encimado com a palavra Sentieiro.
Era a entrada  para o restaurante que ocupava um belíssimo edifício tipo chalé e possuía, nas traseiras da casa, um lindíssímo jardim que servia de esplanada à qual se chegava depois de se atravessar um frondoso túnel formado pelas copas de lindas japoneiras.
O restaurante foi fundado em 1875, logo a seguir à inauguração da estação da Boavista. Por essa altura a Avenida de França ainda se chamava Rua das Pirâmides, porque ia direitinha aos obeliscos (pirâmides) que assinalavam, na entrada da rua dos castelos, a entrada na quinta da Prelada. (...)
Voltemos, no entanto, ao Sentieiro que foi um personagem curioso e muito popular no Porto do seu tempo. O seu nome completo era Manuel Luiz Sentieiro. Tinha a profissão de serralheiro e possuía uma oficina de serralharia na rua da Vitória, ali entre as ruas dos Caldeireiros e do Ferraz. Foi desta oficina que saiu todo aquele gradeamento que ladeia a rua Nova de Alfândega, desde o começo da rua da Reboleira até ao cais de Monchique.
Politicamente, esteve ligado ao partido Progressista e os seus adversários não se coibiam de insinuar que o fornecimento daquele gradeamento tinha a ver com a filiação partidária.
Mas o que mais deu a Manuel Luiz Sentieiro não foi nem a oficina de serralharia nem o restaurante da rotunda da Boavista. Foram, sim, as suas qualidades de "grande orador" de comícios políticos - mas no seu pior sentido. os jornais da época, referindo-se às intervenções de Sentieiro em "meetings" partidários, diziam que ele "em prol dos progressistas se fartava de estragar o português".
Quando o restaurante fechou as portas, organizou-se, na já então chamada Praça Mouzinho de Albuquerque (antiga rotunda da Boavista), uma comissão de pessoas, todas moradoras na zona, com vista a fundar o Clube do Boavista, que passaria a funcionar no edíficio onde antes havia estado o Sentieiro. A colectividade formou-se, mas teve vida efémera. Hoje nada resta, nem do edíficio nem da belíssima esplanada e dos frescos caramanchões que a ornamentavam, Até o portão com o nome de Sentieiro desapareceu."


Acrescentando novas informações, Mário Bizarro, num e-mail enviado diz:
Voltando ao meu mail de 18/9/2013, consegui encontrar uma pessoa idosa que me garantiu que a Fundição da Vitória era onde está hoje uma casa com o nº 65 - 69. Sobre a diferença da numeração disse-me que há umas dezenas de anos atrás não havia ordem nenhuma, que os números estavam salteados.
Há falta de melhor informação ficamos por aqui.
Melhores cumprimentos

Mário Vilaça Bizarro.
Agradeço o contributo do acréscimo desta informação. Bem hajam as pessoas que prestam o serviço de divulgar.
Obrigado Mário Bizarro.

25 de agosto de 2013

Brasão em arca tumular - Porto


Claustros da Sé, freguesia da Sé, Porto - Portugal

Esta peça encontra-se guardada (em exposição) na Sé, numa área visitável ao interior dos seus claustros.
Quase nada se sabe sobre este túmulo, sendo certo, ter pertencido a um nobre, pela representação dos dois brasões de família envolvendo o centro com uma representação alusiva à morte.
Recentemente assisti a uma "aula" de história, apresentada pelo Sr. Dr. Prof. José Manuel Tedim, que pela ligeireza das suas palavras, simples e cativante, expôs variadíssimos períodos da evolução histórica da Sé, quer a nível dos diversos períodos temporais da sua construção, dos conceitos, hábitos e costumes religiosos.
Mais tempo houvesse para continuar a ouvi-lo (espero que haja mais sessões).
Parabéns a todos aqueles que se dedicam com alma e coração e a quem preservam com gosto e esmero à arte, história e cultura patrimonial.
Minha leitura dos brasões -
Escudo: Português ou boleado (ambos)
Formato: Pleno ou Simples (ambos)
Leitura:
1º Pimenta
2º Cabral ou Cabreira
Desconhece-se a origem familiar e não há certezas da época, entendo que a arca tumular será do séc. XIII ou XIV.

14 de agosto de 2013

"O melhor café é o da Brasileira" - Porto



www.google.pt


Rua Ricardo Jorge, freguesia de Stº. Ildefonso, Porto

"... mais uma publicidade que resiste pelas paredes da cidade..."


"O brasileiro Adriano Telles, natural do concelho de Arouca, partiu para o Brasil, Minas Gerais, com 12 anos, iniciando uma trajectória de sucesso ligada ao comércio, à cultura do café, às artes, às letras e ainda à politica. 
No Porto, funda o café A Brasileira em 4 de maio de 1903, na rua de Sá da Bandeira.
Detentor de uma fábrica de torrefacção de café, importado das suas propriedades e engenhos em Minas Gerais, o brasileiro introduziu o hábito de tomar café em estabelecimentos públicos, hábito até aí inexistente na cidade. Assim, o brasileiro terá consultado alguns catálogos estrangeiros, optando por uma imagem de catálogo alemão do inicio do séc. XIX, para a partir dela criar a sua "imagem de marca", onde um velhote com ar prazenteiro e jovial tomava, sorridente, uma chávena de café.
Esta imagem, que ficou conhecida como o "Velhote d'A Brasileira", encontrava-se encimada pela frase « O melhor café é o da Brasileira », anunciando que todo o comprador tinha direito a tomar uma chávena de café gratuitamente (a chamativa oferta manteve-se durante 13 anos).
A esta original publicidade associou-se o acto de moer o café à vista do público, de comemorar anualmente a fundação da casa com festejos e oferta de brindes aos clientes, e ainda uma publicação periódica de cariz não só publicitário mas também literário que tinha a colaboração de intelectuais da época."
de Palacetes de Brasileiros no Porto (1850-1930), de Paula Torres Peixoto

Infelizmente, quem passar pela rua de Sá da Bandeira hoje em dia, apenas poderá presenciar as vistas lindíssimas do edifício e sua frontaria, mas entrar lá dentro tal já não será possível, pois encontra-se encerrado, julgo por questões financeiras da época difícil que nos confrontamos. 
Haja um benemérito, como este Brasileiro, torna-viagem, para retornar às antigas vivências.


13 de agosto de 2013

Brasão sobre lareira em interior de habitação, Penafiel


Av. Zeferino Oliveira, nº 1, Penafiel - Portugal

Brasão singular, em madeira, colocado sobre lareira em interior de casa antiga. Este brasão é idêntico, com mesmos apelidos, que o aplicado na fachada em azulejo e de família não identificada.
Tem igualmente um portal em granito, simples  e caracteriza-se pela singeleza da época, provavelmente finais do séc. XIX.
O edifício foi recentemente utilizado pela Associação Florestal do Vale de Sousa tendo entretanto mudado as suas instalações daquela casa para outro local, desconhecendo-se a sua actual utilização.

O brasão assenta sobre lareira da casa e apresenta o seguinte descritivo:
forma: francês ou quadrado
leitura: partido
I - Queirós ou Ramalho
II - Madureira
Elmo tarado à direita, com paquife com plumas
Timbre de Queirós ou Ramalho
O escudo é envolvido em motivos decorativos e condecorações

8 de agosto de 2013

"O melhor café é o da Brasileira" - Porto



Rua Augusto Rosa, freguesia da Sé, Porto - Portugal

"... mais uma publicidade que resiste pelas paredes da cidade..."

"O brasileiro Adriano Telles, natural do concelho de Arouca, partiu para o Brasil, Minas Gerais, com 12 anos, iniciando uma trajectória de sucesso ligada ao comércio, à cultura do café, às artes, às letras e ainda à politica. 
No Porto, funda o café A Brasileira em 4 de maio de 1903, na rua de Sá da Bandeira.
Detentor de uma fábrica de torrefacção de café, importado das suas propriedades e engenhos em Minas Gerais, o brasileiro introduziu o hábito de tomar café em estabelecimentos públicos, hábito até aí inexistente na cidade. Assim, o brasileiro terá consultado alguns catálogos estrangeiros, optando por uma imagem de catálogo alemão do inicio do séc. XIX, para a partir dela criar a sua "imagem de marca", onde um velhote com ar prazenteiro e jovial tomava, sorridente, uma chávena de café.
Esta imagem, que ficou conhecida como o "Velhote d'A Brasileira", encontrava-se encimada pela frase « O melhor café é o da Brasileira », anunciando que todo o comprador tinha direito a tomar uma chávena de café gratuitamente (a chamativa oferta manteve-se durante 13 anos).
A esta original publicidade associou-se o acto de moer o café à vista do público, de comemorar anualmente a fundação da casa com festejos e oferta de brindes aos clientes, e ainda uma publicação periódica de cariz não só publicitário mas também literário que tinha a colaboração de intelectuais da época."
de Palacetes de Brasileiros no Porto (1850-1930), de Paula Torres Peixoto

Infelizmente, quem passar pela rua de Sá da Bandeira hoje em dia, apenas poderá presenciar as vistas lindíssimas do edifício e sua frontaria, mas entrar lá dentro tal já não será possível, pois encontra-se encerrado, julgo por questões financeiras da época difícil que nos confrontamos. 
Haja um benemérito, como este Brasileiro, torna-viagem, para retornar às antigas vivências.

6 de agosto de 2013

Brasão do 1º Visconde de Oliveira do Paço - Sobrado






Lugar do Passal (cemitério), freguesia de Sobrado, Valongo

António Martins de Oliveira, foi o 1º Visconde de Oliveira do Paço, cuja mercê terá sido dada por D. Luís I, em 15 de maio de 1879.
Nascido em Sobrado, Valongo, na Casa do Paço, a 12/08/1838 e faleceu a 23/06/1889.
Desta figura pouco se sabe, sendo que lhe foi reconhecido pela sua filantropia de ter contribuído às suas custas com toda a construção do cemitério de Sobrado, donde era natural.
O cemitério confronta logo pela entrada principal com a capela que lhe foi erigida, criando o centralismo na sua pessoa.
Pela placa colocada no portão principal pode-se constatar duas fases, a construção do cemitério e a sua ampliação, tudo à custa deste benemérito.
Era considerado um "capitalista abonado e um perfeito cavalheiro", casou com Joaquina da Costa Ferreira (nasceu no Rio de Janeiro, 27/02/1843 e faleceu a no Porto, a 11/11/1887), no Brasil, em Candelária em 1859.
Teve duas filhas, Maria Ferreira de Oliveira (n-1860) e que terá casado com Manuel Ferreira Freitas Guimarães, e Amélia Ferreira de Oliveira (n-1862) que terá casado com Francisco Maria Dias da Costa.
Do primeiro casal resultou um herdeiro, Alberto de Oliveira Freitas Guimarães (n-1882) cujo título lhe derivou passando a 2º visconde de Oliveira do Paço. Este casou Maria Carolina da Silva Bello (n-1893) que não deixaram herdeiros.
Não tendo deixado descendência directa, coube a Álvaro de Oliveira Freitas Guimarães o direito ao titulo de 3º Visconde  de Oliveira do Paço (nascido em Sobrado a 15/06/1913 e faleceu a 05/05/1978, na cidade do Porto).
Este casou com Dona Isabel Maria da Conceição de Azevedo e Menezes Pinheiro Pereira de Bourbon (n-1905) da família dos senhores do Paço de Pinheiros, em Barcelos, também simbolizada pela sua forte personalidade, através da frontalidade e carácter,  princípios básicos e essenciais da aristocracia.
Infelizmente, a casa, edificada no ano de 1864, donde viveu encontra-se completamente esventrada sem qualquer recuperação. Está considerada património local, contudo não se vislumbra um milagre nem um mecenas que permita a sua recuperação.
Pelos apelidos lá colocados poder-se-à obter, através da imagem seguinte e retirado dum blogue de qualidade superior, miguelboto.blogspot.com, a seguinte descrição do mesmo:
Pedra de Armas em granito, de escudo Inglês, partido: 
I - Martins (de Deus): cortado: 1 - de purpura, com três flores-de-lis de ouro postas em roquete; e 2 - de negro, com duas faixas de ouro;
II - Oliveira (com alteração dos esmaltes): de prata, com uma oliveira de verde, frutada e arrancada de ouro;
Timbre: de coronel de Visconde; correias de purpura perfiladas de ouro. Tachoes de ouro.

28 de julho de 2013

Placa toponímica - Porto

Rua de Avis, freguesia da Vitória, Porto

A rua de Avis tomou o nome à cerca de 53 anos, aquando do centenário da morte do navegador do Infante D. Henrique (13/11/1460), comemorações evocativas no período do Estado Novo. 
A cidade do Porto é acrescida de mais alguns topónimos referentes às memórias henriquinas, quer dos descobrimentos quer à família do rei D. João I.
Poderemos relembrar algumas ruas existentes no Porto, tais como a rua do Infante D. Henrique, na Ribeira, junto à rua de Avis, teremos a Praça Filipa de Lencastre (sua mãe), a rua de Ceuta, e ainda o Hotel do Infante de Sagres, localizado precisamente neste núcleo de ruas.
A rua de Avis, denominava-se Travessa da Fábrica do Tabaco, desde o séc. XVIII, pelo facto de ter existido aí uma fábrica de tabaco, na rua de seu nome. Seu proprietário, um negociante torna-viagem, Luís António de Sousa Freitas, que pela sua riqueza mandara edificar no gaveto destas duas ruas a sua residência, um edifício de notável construção arquitectónica, tendo sido demolida com promessa da Câmara de voltar a construí-la em outro local, e que até à data nunca se concretizou.

22 de julho de 2013

Dístico na fachada de prédio - Porto

Escadas do Codeçal, nº 56, freguesia da Sé, Porto - Portugal

Estas placas encontram-se fixadas em prédios que se encontram seguros, por empresas seguradoras, na cidade do Porto. Cada símbolo pretende identificar a companhia seguradora de modo publicitário e demonstrar todo o cuidado demonstrado por parte do proprietário, como seu bem imóvel, perante a cidade. Creio que este dístico tem as suas origens nos finais do séc. XIX.

4 de julho de 2013

Museu Soares dos Reis - Outros barsões

Museu Soares dos Reis, freguesia de Massarelos, concelho do Porto, Portugal

Brasão eclesiástico dos "Araújos", desconhece-se as suas origens, contudo podemos fazer uma breve descrição sobre este tema particular da brasonaria religiosa.

Brasões eclesiásticos:
Desde os tempos medievais, os brasões tornaram-se de uso comum para os guerreiros e para a nobreza, e por conseguinte foi-se desenvolvendo uma linguagem bem articulada que regula e descreve a heráldica civil. 
Paralelamente, também para o clero se formou uma heráldica eclesiástica. ela segue as regras da civil para a composição e a definição do escudo, mas coloca em redor símbolos de insígnias de carácter eclesiástico e religioso, segundo os graus da Ordem sacra, da jurisdição e da dignidade.
Os símbolos dos cruzados e das ordens equestres vêm quase que subitamente reproduzidos da Igreja, até mesmo porque os entes eclesiásticos no período "pré-heráldico" já disponibilizavam sinais distintivos, tanto que ao surgir de tal disciplina, no séc. XII, esta figura levou esmaltes, ou seja, as cores, metais e peliças próprias da ciência do brasão.
Naquele período os primeiros brasões eclesiásticos tinham o escudo timbrado com mitra e nínfulas esvoaçantes; com o passar do tempo se consolidou a soma do escudo ao chapéu prelatício com os cordéis e as borlas.
Vale recordar, igualmente, que os eclesiásticos recentemente usavam o brasão de família com muita frequência, obviamente, desprovido de símbolos religiosos.
Para reconhecer as milicias eclesiásticas, entre as quais os "adornos externos" do escudo, não se podia usar o termo que indicava a norma, a condição militar e tampouco a coroa, que indicava o estado nobre.
Se se escolhessem, consequentemente, os cha+éus eclesiásticos e, a príncipio, os escudos prelatícios - salvo aqueles do Papa - não figurariam os adornos externos, distintos de dignidade; ao longo do tempo apareceram também o báculo, o chapéu com as borlas, o pálio e outras marcas da hirarquia, entre as quais uma ou duas espadas na lateral ou atrás do escudo para os bispos e os abades que detinham jurisdição feudal.
(texto retirado de http://www.ecclesiaheraldica.com.br)